30/12/10

Não vi o debate Alegre/Cavaco mas só queria dizer uma coisa *

Esta campanha presidencial terá dado sono a muitos portugueses, eu incluída.
A coisa provou-se tão pobrezinha que, não fora os monárquicos terem a representá-los aquela figura patética e abigodada que dá pelo nome de Dom Duarte Pio João Miguel Gabriel Rafael de Bragança ("estou muito optimista porque finalmente os governantes decidiram tomar as medidas necessárias", disse recentemente Sua Alteza), a República teria corrido perigo e logo no centenário.
Ceci dit, apenas lamento não ter conhecido Maria Mendes Vieira, a segunda mulher do sogro de Cavaco e que este bufou à PIDE.
Não sei bem porquê, fiquei a simpatizar com a senhora. Talvez até votasse nela. Tal não sendo possível, estou com o Quincas Borba, "ao vencedor, as batatas".
* Post refeito depois de passear a princesa e tomar café

17 comentários:

Miguel Serras Pereira disse...

Estou como tu. Como havia de estar? Consola-me não poder estar, pelo menos, melhor acompanhado.

ariel disse...

Brilhante! [deixe-me dizer-lhe que eu também]

James disse...

Debeejeezzuuz Age Khraistte...
Estava fora, também não vi, cada vex que passo por os canais nacionais levo com os highlights e opiniões de comentadores devidamente estabelecidos.
Não entendi metade daquela rapsódia, estou voluntáriamente afastado d'essas «cenas», surpreendido com essa above, pensava eu na minha ingenuidade que p'ra essa gente 2ªs núpcias era igual a crime.
Estamox muito maix p'rá frentex do que eu julgava...
;-)

Manuel Vilarinho Pires disse...

Eu também não vi, e não tenho pena de não ter visto... passei uma vez por um dos debates em pleno zapping, mas já nem me lembro dos participantes.
O único facto engraçado relacionado com os debates é a forma como vão descalçar a bota do candidato madeirense que ficou de fora. Estavam cheios de pressa para realizar os debates, mas a pressa às vezes resulta em asneira, e a igualdade de tratamento das candidaturas é uma ganda nóia!

Quanto à senhora com quem ele não privava que casou (ou co-habitava) em segundas núpcias com o sogro, não creio que seja caso inédito. Eu conheço pelo menos uma algarvia que não priva com a senhora que casou (ou co-habita) em segundas núpcias com o pai dela, e o Paulo (o marido da algarvia e genro do co-habitante) também não.
Se também a quer conhecer, posso tentar, sem garantia, arranjar o contacto... mas se puser os pés ao caminho, estou convencido que encontrará muitas mais como ela.
Boas entradas...

Ana Cristina Leonardo disse...

Manuel, não privam, mas será que contaram isso à polícia, para mais sem ninguém lhes ter perguntado nada?

Quanto às entradas, eu já só quero sair!!!
-:)

Manuel Vilarinho Pires disse...

Ana, agora pegou nesse assunto exactamente como se deve pegar: com uma pergunta!
Porque a informação disponível não nos permite atribuir um significado preciso, nem ao facto de o Paulo não privar com a nova companheira do sogro, nem à frase da ficha do Cavaco Silva na PIDE.
Eu consigo especular inúmeras hipóteses explicativas daquela frase com consequências radicalmente opostas sobre a avaliação da ética de quem a escreveu. Mas não tenho nenhum facto que me permita escolher a hipótese que corresponde melhor à realidade.
E na ausência de facto, ou de prova, não condeno, como está farta de me ouvir dizer. Não condeno certamente em função da minha preferência pessoal, e por um motivo muito simples, porque tenho mais curiosidade em perceber o mundo como ele é do que vontade de alimentar a ilusão de que ele é como eu gostaria que fosse.

Prontos, então é assim, bom ano de 2011, não atribuemos às entradas, que são apenas um breve momento do ano, mais significado do que o que elas realmente têm...

PS: Já agora, como declaração de interesses, posso dizer que votei no Alegre e agora votarei no Cavaco.
PS2: Posso dizer também, e sugiro que interprete isto como uma posição ética e não como uma posição ditada pela minha preferência de voto, que considero o recurso à publicação da ficha na PIDE de um candidato, de qualquer candidato, um golpe baixo e pouco inteligente, do ponto de vista da estratégia eleitoral, se é que a publicação foi feita integrada numa estratégia eleitoral.

Ana Cristina Leonardo disse...

Manuel, uma ficha da pide não é a mesma coisa do que desenterrar facadas no matrimónio.
Dito isto, ter sido anti-fascista activo não é condição para nada (eu própria conheço alguns anti-fascistas activos que são - e sempre foram - uns refinados filhos da mãe). Mas acrescentar, sem ninguém lhe perguntar nada, que não se dá com o sogro e a segunda mulher dele diz muito do carácter. Mesmo para um católico convicto, como parece ser o caso. É mesquinho, é feio e é eticamente reprovável.
E não nos esqueçamos que dar informações à pide não era propriamente uma coisa sem consequências...

Quanto ao seu voto, vivemos em democracia. O voto é livre.

Anónimo disse...

Toma lá Manel ex-alegrista e actual cavaquista. Sê mais simpático e ficas com as princesas.
Bom 2011

Manuel Vilarinho Pires disse...

Ana,
Sem conhecer o contexto em que a ficha foi preenchida, é impossível fazer um juízo de valor sobre a ética da pessoa que a preencheu. Mesmo conhecendo o contexto, duvido que se possa chegar a um juízo seguro.
Não sabemos se a ficha foi preenchida a sós, se foi preenchida na PIDE, na presença e com apoio de algum agente. Nesta segunda hipótese é até plausível que lhe possam ter perguntado "e essa senhora, conhece as inclinações políticas dela?" e ele tivesse respondido "não sei, não privo com ela". Num caso destes, a posição dele parecer-me-ia eticamente inatacável. Não sabemos... Mas não há NADA (perdoe o sublinhado) na frase que sustente a hipótese de ser uma denúncia.
Também não sabemos se o facto de não privar com a senhora tem por trás algum juízo de valor de natureza moral ou religiosa sobre um segundo casamento do sogro, ou se possa resultar apenas de solidariedade com o desagrado da mulher com o segundo casamento do pai (no casal que conheço, o do tal Paulo, posso-lhe garantir que não é por motivos religiosos nem morais, nem políticos, porque até me parecem eleitores do BE). Não sabemos...
Ou seja, na informação disponível não consigo vislumbrar provas de que a frase constitua uma denúncia, ou sequer um juízo de valor moral reprovável (se fosse um juízo de valor, eu estaria de acordo com a interpretação de ser reprovável e reaccionário).
E por isso coíbo-me de proferir uma sentença.
O que não significa que não considere que haja no percurso político do Cavaco Silva episódios que denotam uma gravíssima falta de carácter.
O menor dos quais não terá sido o assassinato político do seu sucessor, o Fernando Nogueira, que foi, enquanto ele estave no governo, o colaborador mais fiel que é possível conceber e quando, em plena campanha eleitoral contra o António Guterres, afirmou que estava convencido que o Cavaco Silva haveria de concorrer às presidenciais, este se apressou a desmentir, afirmando que nunca tinha discutido com ninguém as suas intenções futuras. E concorreu...
Se visse na ficha da PIDE ou na informação adicional disponível algo que me comprovasse as suas suspeitas, não teria problemas em concordar com elas, mesmo não garantindo que alterasse com isso a minha intenção de voto. Mas, para falar verdade, não vejo...
Já tentar aproveitar politicamente a divulgação de uma ficha na PIDE, considero inequivocamente reprovável e, mesmo não o conhecendo, tenho as maiores dúvidas que seja iniciativa do Manuel Alegre. Até porque ele tem uma história de sucesso eleitoral nas eleições anteriores sem nenhum golpe baixo. Mas talvez o apoio do PS e do BE não sejam apenas simbólicos...

Manuel Vilarinho Pires disse...

Caro(a) anónimo(a),
Já estou servido de princesas, mas agradeço a sugestão... Mas olhe que até me considero razoavelmente simpático!
Agora, alegrista ou cavaquista é que me parecem qualificativos um bocado forçados, que atribuo mais à bonomia da época do que a uma análise objectiva...
Bom 2011 para si também!

Anónimo disse...

"Sem conhecer o contexto em que a ficha foi preenchida?" Vê-se que é novo. Deve-lhe ser isso perdoado à conta dos serviços que presta às suas princesas? Não o ouvem? Volte cá mais vezes já que é compulsivo ou conhecendo o contexto e assumindo o que diz trate-se em 2011. No hard feelings e seja menos zen para o ano.

James disse...

Eu tanto me fax monarquia ou república (desde que não me chateiem...) mas se fosse para monarquia tinha que se pôr fora esse «Cagança» (e contra mim falo alguns dessa gentinha são da minha família, só por afinidade, thank god...) mas dixia eu , monarquia só com um dos dois marqueses vermelhos: Fronteira e Alorna (o Fernando) ou Castello Melhor (o Bernardo).
Problema piqueno: nenhum dos dois aceitaria.
Portanto estamos conversados.

:-)

Anónimo disse...

James a ti ninguém te chateia. Livra-te da gentinha da família, Ser plebeu é melhor do que marquês vermelho. Vê entretanto se cresces e te deixas desta escrita de retardado.
Bom 2011 quand même.

James disse...

Anónimo, e descurando a parte do retardado (isso é mais para o lado da tua avó torta...) família não se escolhe, é escolhida antes de ti.
O sangue é mais espesso que a água, não sabias ? 'Tadinho...
Gosto mais dos meus «marqueses» do que de uma data de plebeus idiotas, que caíram ontem de uma camionete de nabos e acordaram hoje cheios de opiniões sobre tudo e mais alguma coisa sem saberem nada de nada, resultado entre o grave e o exdrúxulo: nada.
Entendeste, ou precisas que te faça um desenho ?

Táxi Pluvioso disse...

Os portugueses são o povo mais esperto do mundo, e 2011 será mais uma prova dessa grandeza.

Um bom ano.

Ana Cristina Leonardo disse...

Obrigada Táxi

Ana Cristina Leonardo disse...

Anónimo, V é um chato e não tem nada para dizer. Tente ficar mais zen em 2011