19/07/07

Jane Austen, essa desconhecida

A história foi hoje tornada pública. O cidadão inglês David Lassman pegou na obra de Jane Austen, Orgulho e Preconceito, mudou-lhe o título para Primeiras Impressões (que era aquele em que a escritora tinha pensado primeiro) e enviou-a para 18 das principais editoras britânicas, fingindo que era um manuscrito original. As 18 responderam demostrando desinteresse e recusando a publicação, e só uma se referiu às «semelhanças» com o romance de Austen. Sabe-se que muitos dos livros que hoje se consideram obrigatórios viram-se gregos para ser publicados (o caso de Proust é um clássico...). Mas o que é grave aqui não é apenas a recusa: é a ignorância. Percebe-se assim melhor que lá, como cá, pupulem (estava a apetecer-me escrever esta palavra, que acho bastante apropriada ao tema) as lídias, os melos, os cachapas, os peixotos...

10 comentários:

susana disse...

mas como, isso foi agora? bem se vê que não foram meninas, como eu, que leram o livro várias vezes...
é tanto mais curioso quanto jane austen era, pelo menos ao meu tempo, matéria de estudo no equivalente ao 11º de língua inglesa.
(não era «pululem»...?)

ana cristina leonardo disse...

o meu tempo, o meu tempo... essa parte é que me lixa

manuel disse...

GD: Mas os novos Beckett hoje, suponhamos que não sejam publicados. Afinal, por pouco Beckett não foi publicado. É evidente que não faltaria nada. Por definição, um grande autor ou um gênio é alguém que faz algo novo, se esse novo não aparece, isso não incomoda, não faz falta a ninguém, já que não se tinha idéia disso. Se Proust, Kafka não tivessem sido publicados, não se pode dizer que Kafka faria falta. Se o outro tivesse queimado toda a obra de Kafka, ninguém poderia dizer: Ah, como faz falta! Pois não se teria idéia do que desapareceu. Se os novos Beckett são impedidos de ser publicados pelo sistema atual da edição, não se poderá dizer: Ah, como fazem falta! Ouvi uma declaração, que talvez seja a mais descarada que já ouvi em minha vida. Não ouso dizer quem. É alguém ligado ao ramo editorial que, em um jornal, atreveu-se a declarar: "Hoje não arriscamos mais cometer os erros da Gallimard..."
CP: No tempo de Proust?

GD: Recusando Proust, pois com os meios que se tem hoje...

CP: Os caçadores de cabeças...

GD: Acredita-se que se têm, hoje, os meios para encontrar os novos Proust, e os novos Beckett. Significa que se teria um contador Geiger e o novo Beckett, ou seja, alguém perfeitamente inimaginável, já que não se sabe o que ele faria de novo, ele emitiria um som...

http://www.oestrangeiro.net/
index.php?option=com_content&task=view&id=67&Itemid=51

manuel disse...

67&Itemid=51

manuel disse...

Ah. Acabei de te dedicar uma posta. Depois vai ver fáxfavor.

peter disse...

um novo blog
www.lilliput-gulliver1.blogspot.com

ana cristina leonardo disse...

manuel, não percebi nada

manuel disse...

hummmm...assim descontextualizado não dá para perceber muito bem não...

Letra C no link para quem queira ler o texto todo.

Isto se não tiverem bons links xxx para ver é claro.

Luís Filipe Cristóvão disse...

lídias, melos, cachapas, peixotos...

vale a pena viver para ler isto!

Go on, ACL!!

;)

Anónimo disse...

No meu tempo eu pululo
No teu tempo tu pululas
No tempo dele ele pulula
No nosso tempo nós pululamos
No vosso tempo vós pululais
No tempo deles eles pululam

Já houve uma história semelhante nos anos 90 (do séc. XX) com uma obra de Duras - penso que era A Ausência de Lol V. Stein (com título alterado); apresentado à própria Gallimard... que recusou... é de gritos!

Pandora