Entre as luminárias do regime resplandecem os espíritos sempre airosos dos Camilos Lourenços. Enquanto outros encontram dificuldades, os Camilos revelam-nos em palavras simples os bons princípios da nossa salvação.
Há dividas? Paguem-se.
Há despesas? Cortem-se.
Há défices? Ide buscar o cilício e mortificai-vos.
Há desemprego? Emigrem.
Há pobres? Trabalhem.
Há fome? Comam brioches.
Há mulheres que tentam vender os filhos nos subúrbios? Pois que baixem o preço dos mais pequenitos, a quem faltam vantagens competitivas.
Há suicídios, mortes por inanição? Eis um modo elegante de reduzir as transferências sociais.
Há velhos sem medicamentos? Um sério aviso para os jovens que não aderiram à Médis.
Há ordenados muito baixos nas empresas? Extingam-se.
Há ordenados muito altos na EDP? São as leis do mercado, nada a fazer.
O mundo dos Camilos obedece a valores testados em séculos de miséria abjecta e desespero universal. Antigamente eram feitores e capatazes, hoje são jornalistas e lideres de opinião.
Os Camilos Lourenços dão imenso jeito. Todos os ricos deviam ter um.
DAQUI, com a devida vénia
29/02/12
Naoto Matsumura, o último fumador da zona proibida de Fukushima [uma história para amantes de cigarros]

This is the story of Naoto Matsumura, Tomioka City, Fukushima Prefecture, Japan–the last man standing in Fukushima’s Forbidden Zone. He will not leave; he risks an early death because his defiance of Tokyo Electric Power Company (TEPCO) and the government is his life now. He is not crazy and he is not going. He remains there to remind people of the human costs of nuclear accidents. He is the King of The Forbidden Zone; its protector. He is the caretaker or empty houses, a point of contact for those citizen who can’t return. He takes care of the animals, “the sentient beings”, that remain behind because no one else will. He is the Buddha of the forbidden zone.
(...)
Despite his white hair and mustache, Matsumura looks like a Hollywood actor.He smokes twenty “Mild Seven” cigarettes a day: “I buy cigarettes when I go out of the forbidden zone from time to time. I like smoking. If I quit smoking now, I may get ill!”
O resto da história aqui.
Resumo em português aqui.
28/02/12
“Em Fevereiro, tem Carnaval”
"O mês do ano em que os políticos dizem menos disparates é Fevereiro porque Fevereiro só tem vinte e oito dias" (Coluche, Paris 1944-1986).
Tal afirmação adequar-se-á, peut-être, ao país que inventou o croissant, o surrealismo e os saltos compensados de Nicolas Sarkozy, mas, por cá, manifestamente não cola. Em Fevereiro, a coisa correu entre nós rotineira.
O PS, inflado de patriotismo, interpelou firme e construtivamente o Governo sobre Olivença, cidade onde o alcaide inimigo prepara uma “megaprodução” comemorativa da infame Guerra das Laranjas (cada um tem as Malvinas que pode…).
Muito embaraçado terá ficado Paulo Portas, tanto mais que o MNE, logo no dia 1, havia nomeado (Decreto nº24/2012) Jaime Van Zeller Leitão embaixador não residente da (sic) “República do Kuwait” (e ainda falam das Novas Oportunidades…), a que se seguiu (a ordem é arbitrária) a pungente declaração de Assunção Cristas, ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (em suma, das gravatas…) revelando estar à espera que chova!
Fevereiro foi também o mês em que o jovem João Pinho de Almeida, ex-Presidente da Juventude Popular, ex-Presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses” e actual Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP (é o que se chamaria deslocalizar-se de cavalo para burro…), lançou o grito viril “Mobilidade ou Rua!”
Fomos também informados em Fevereiro que os cidadãos saudáveis que teimem em não ir ao médico durante três anos serão “expurgados” das listas de médico de família (ou adoecem ou morrem…); quanto à explicação para a crise surgira uns dias antes: batendo todos os 13 países inquiridos, 68% dos portugueses dizem fazer sexo duas ou mais vezes por semana.
Haja saúde!
Tal afirmação adequar-se-á, peut-être, ao país que inventou o croissant, o surrealismo e os saltos compensados de Nicolas Sarkozy, mas, por cá, manifestamente não cola. Em Fevereiro, a coisa correu entre nós rotineira.
O PS, inflado de patriotismo, interpelou firme e construtivamente o Governo sobre Olivença, cidade onde o alcaide inimigo prepara uma “megaprodução” comemorativa da infame Guerra das Laranjas (cada um tem as Malvinas que pode…).
Muito embaraçado terá ficado Paulo Portas, tanto mais que o MNE, logo no dia 1, havia nomeado (Decreto nº24/2012) Jaime Van Zeller Leitão embaixador não residente da (sic) “República do Kuwait” (e ainda falam das Novas Oportunidades…), a que se seguiu (a ordem é arbitrária) a pungente declaração de Assunção Cristas, ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (em suma, das gravatas…) revelando estar à espera que chova!
Fevereiro foi também o mês em que o jovem João Pinho de Almeida, ex-Presidente da Juventude Popular, ex-Presidente do Clube de Futebol “Os Belenenses” e actual Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP (é o que se chamaria deslocalizar-se de cavalo para burro…), lançou o grito viril “Mobilidade ou Rua!”
Fomos também informados em Fevereiro que os cidadãos saudáveis que teimem em não ir ao médico durante três anos serão “expurgados” das listas de médico de família (ou adoecem ou morrem…); quanto à explicação para a crise surgira uns dias antes: batendo todos os 13 países inquiridos, 68% dos portugueses dizem fazer sexo duas ou mais vezes por semana.
Haja saúde!
24/02/12
Allô! Allô! Aqui planeta Terra
Álvaro propõe gestores de carreira para desempregados.Álvaro diz que é absolutamente essencial o alargamento em meia hora do horário de trabalho no sector privado.
E um tiro ao Álvaro, não?
23/02/12
22/02/12
Para acabar de vez com as PRESIDENTAS
«(...) desculpem lá mas, como MULHER, já me enjoam estas conversas feministas de pacotilha que só denotam complexos de inferioridade mal resolvidos. As palavras não têm sexo, têm género, a língua constrói-se e evolui por tradição e não por qualquer conspiração masculina imaginária. Aliás, diz-se a língua "materna" por alguma razão. Desde que os nossos mais remotos antepassados começaram a balbuciar as primeiras onomatopeias que a língua é transmitida por via feminina. Mais, se realmente o género das palavras tivesse alguma coisa a ver com sexo, porque raios "autoridade" seria do género feminino? Quanto à terminação "ente", ela não é feminina nem masculina: é neutra. Para ser masculina seria "ento" e, nesse caso, teríamos "presidento" e "presidenta", "doento" e "doenta", "estudanto" e "estudanta". Com a terminação "ente" a palavra é invariável no género e é o artigo que a precede que lhe atribui o género: o doente ou a doente, o presidente ou a presidente e por aí fora. Esclarecidos? Aproveitem que eu não duro sempre!»
Importado do cara de livro, roubado a Maria Clara Assunção que assina este blogue onde também não se aplica o descabelado Acordo Ortográfico
Importado do cara de livro, roubado a Maria Clara Assunção que assina este blogue onde também não se aplica o descabelado Acordo Ortográfico
19/02/12
Filme gore
Caro leitor, acabo de ler um livro chamado A Queda de Wall Street que traz a assinatura do norte-americano Michael Lewis e sinto-me no dever de comunicar-lhe o seguinte: a coisa foi (é) muito pior do que imaginar se possa.
Lamento não trazer boas notícias mas, amicus Plato, sed magis amica veritas, cá vai: como já cantava Paul Anka em 1968, vivemos num crazy world!
E a loucura é tanta e tão tamanha que, acabada a leitura, só me apetecia ter ao lado alguém que me segredasse “put your head on my shoulder” ou, em versão brasileira, “encosta sua cabecinha no meu ombro e chora”, clássico que chegou a ser gravado por Fábio Júnior, galã da Rede Globo um tanto brega que arrancava corações há largas décadas, não direi no tempo em que os animais falavam mas decerto no tempo em que a economia era matéria relativamente acessível a pessoas como nós.
Conclusão pós-leitura: eles andam a dar-nos música!
Dito isto, o problema (no livro e na vida real) não está tanto no facto de os ricos estarem a ficar mais ricos e os pobres passarem fome – até aí, tudo na mesma.
O assustador é que: 1. eles não sabem o que fazem; 2. nós temos dificuldade em perceber como o fazem.
Não quero complicar, mas imagine um cocktail de realidade virtual, crédito imobiliário, no limit hold’em poker, roleta russa e porta-moedas vazios.
Como mistura já parece bastante explosiva; se a isso se acrescentar que o comum dos mortais não mora no hiper-espaço nem percebe necessariamente de poker, o resultado só podia (pode) ser um big buraco negro.
Acrescento apenas isto: no livro, os melhorzinhos da história ainda foram os que previram a chegada do black hole e apostaram (ganharam) milhões na tragédia anunciada. Confused? Também eu. Aguarde-se pelos próximos episódios. Para já em grego.
Lamento não trazer boas notícias mas, amicus Plato, sed magis amica veritas, cá vai: como já cantava Paul Anka em 1968, vivemos num crazy world!
E a loucura é tanta e tão tamanha que, acabada a leitura, só me apetecia ter ao lado alguém que me segredasse “put your head on my shoulder” ou, em versão brasileira, “encosta sua cabecinha no meu ombro e chora”, clássico que chegou a ser gravado por Fábio Júnior, galã da Rede Globo um tanto brega que arrancava corações há largas décadas, não direi no tempo em que os animais falavam mas decerto no tempo em que a economia era matéria relativamente acessível a pessoas como nós.
Conclusão pós-leitura: eles andam a dar-nos música!
Dito isto, o problema (no livro e na vida real) não está tanto no facto de os ricos estarem a ficar mais ricos e os pobres passarem fome – até aí, tudo na mesma.
O assustador é que: 1. eles não sabem o que fazem; 2. nós temos dificuldade em perceber como o fazem.
Não quero complicar, mas imagine um cocktail de realidade virtual, crédito imobiliário, no limit hold’em poker, roleta russa e porta-moedas vazios.
Como mistura já parece bastante explosiva; se a isso se acrescentar que o comum dos mortais não mora no hiper-espaço nem percebe necessariamente de poker, o resultado só podia (pode) ser um big buraco negro.
Acrescento apenas isto: no livro, os melhorzinhos da história ainda foram os que previram a chegada do black hole e apostaram (ganharam) milhões na tragédia anunciada. Confused? Também eu. Aguarde-se pelos próximos episódios. Para já em grego.
18/02/12
Propagandapolitik
Se isto fosse um país a sério, a malta dizia-te onde podias meter o cartão de crédito...
Eu gosto do Manuel António Pina, mas acho que já o tinha dito
"Isto visto, já não digo de Alfa do Centauro mas da Lua, é completamente risível."Ler a entrevista aqui.
Na imagem, Manuel António Pina, sem gatos.
17/02/12
16/02/12
Uma francesa fartou-se de ficar mais pobre para depois ficar remediada e imolou-se pelo fogo: tinha 6 filhos
... e como só me apetece empobrecer a língua com caralhadas, puta que pariu esta gentalha que nos governa mais a sua sopa dos pobres modernizada em versão take away.
Notícia em francês aqui.
Traduzida aqui.
Notícia em francês aqui.
Traduzida aqui.
E este puto de mierda faz sentido?
A conversa em directo, na qual a criatura, com a profundidade intelectual que caracteriza estes inteligentes, diz que "um país assim não faz sentido" e tem um orgasmo a seguir derivado ao brilhantismo da frase que lhe saiuO conceito de MOBILIDADE, segundo o governo
O longo currículo do puto (e note-se a mobilidade que o caracteriza: depois de tirar um curso de Direito não se sabe onde e de ter sido presidente do Belenenses acaba como vice-presidente do grupo parlamentar CDS/PP — até fiquei cansada só de ler)
Como já comentei por aí no cara de libro, ultimamente, é verdade, só me apetece escrever asneiras. Eu sei que isso significa, infelizmente, um empobrecimento da língua, mas como nos mandaram ficar muito pobres para só depois ficarmos remediados, julgo que as caralhadas também farão parte de l'air du temps.
E com isto justifico o título deste post: E este puto de mierda faz sentido? (o french é só para manter o nível que o rapazola merece...)
A book a day keeps the doctor away: "A Caixa Negra", Amos Oz
A primeira edição portuguesa de A Caixa Negra data de 1990 e, entretanto, muitos outros títulos de Amos Oz foram traduzidos. Juntamente com David Grossman é, decerto, o escritor israelita mais conhecido entre nós.Militante do movimento “Paz Agora”, que pugna pelo entendimento entre israelitas e palestinianos, isso não impediria Amos Oz de acusar de terrível cegueira moral José Saramago quando este comparou os territórios ocupados a Auschwitz.
De moral e política fala A Caixa Negra. E ainda de religião, cinismo, rancor e misericórdia. Estruturado sob forma epistolar, o romance gira em torno de um núcleo de personagens bem distintos que vão criando entre si uma teia de relações complexas sob a qual se desenham, como em caleidoscópio, os nexos sociopolíticos de uma sociedade em mutação.
Do sonho sionista inicial, encarnado na figura do pai de Alec, à criação de colunatos encetada por Sommo, judeu sefardita que, pelo dinheiro, consegue vingar social e politicamente, é também da ascensão da direita religiosa e expansionista que trata A Caixa Negra.
Amos Oz fá-lo, contudo, sem nunca ceder à tentação ideológica.
Tudo começa quando Ilana, ex-mulher de Alec, reputado intelectual de origem ashkenazi a viver no estrangeiro e herdeiro de considerável fortuna, escreve ao ex-marido pedindo-lhe ajuda para encontrar o filho de ambos, nunca reconhecido por Alec como sendo seu.
Ilana, agora casada com Sommo, homem crente de origens humildes, vai, através desse pedido de socorro, abrir uma verdadeira caixa negra, a qual, por sua vez, desencadeará, uma série de acontecimentos inesperados, simultaneamente salvíficos e catastróficos, contaminados, sempre, pela ironia da História.
A ler (ou reler).
A Caixa Negra, Amos Oz, D. Quixote, 2012, trad. de Miguel Serras Pereira
15/02/12
Não me aguentei [e os crentes que se preparem...]
Governo PSD/CDS prepara encurtamento da Páscoa: Jesus Cristo morre crucificado e ressuscita no mesmo dia; acabou-se a Sexta-Feira Santa e a Última Ceia passa a lanche ajantarado.Daqui via
14/02/12
A propaganda anda pela hora da morte
Governo mandou fazer 100 livros e pagou 12 mil euros por ajuste directo a uma gráfica.Está bem. Percebo que a impressão a cores melhora substancialmente a coisa, o papel couché é caro e os baixos-relevos da capa fundamentais para aprimorar a obra. Mas 120 euros por exemplar?!
Com esse dinheiro não seria melhor mandar imprimir o Goebbels' Principles of Propaganda que ainda por cima pode ser descarregado na NET?
Já agora, o livro publicado pelo Relvas vem escrito em português ou passaram-lhe o Lince por cima?
Vamos lá falar de coisas que valem a pena para variar [livros, naturalmente]
O italiano Primo Levi é conhecido, sobretudo, pelos textos que escreveu sobre a sua própria experiência do Holocausto.Se Isto É um Homem ou As Tréguas são leituras obrigatórias para quem queira tentar compreender o que significou ser judeu na Europa (civilizada) de há pouco mais de meio século e (também) o que poderia querer dizer David Rousset, outro sobrevivente, com a frase: Os homens normais não sabem que tudo é possível.
Na sombra fica, por vezes, o facto de Primo Levi ser químico de formação e de o seu livro O Sistema Periódico (que parodia a tabela dos elementos químicos para a aplicar alegoricamente ao carácter multifacetado do indivíduo) ter sido, em 2006, considerado pela Real Academia de Londres o melhor livro de ciência alguma vez escrito.
O físico teórico Tullio Regge (Turim, 1933) é decerto menos popular junto do grande público, embora a comunidade científica lide há muito com coisas que levam o seu nome, como os Cálculo e Trajectórias de Regge. Receberia em 1980 o Prémio Einstein, e algumas das suas propostas dos anos 60 estiveram na origem e desenvolvimento da chamada “Teoria das Cordas”, modelo que, ao propor-se unificar a Relatividade e a Quântica abriria, segundo alguns, caminho a uma "Teoria de Tudo".
Contrariando as visões mais pessimistas de C.P. Snow que, em 1959, cunhou a expressão “duas culturas” para definir a dissociação entre “humanidades” e “ciências” que ele via crescer perigosamente na cultura ocidental, Diálogo Sobre a Ciência e os Homens é bem a prova que nem tudo estará perdido.
Sejamos, ainda assim, completamente honestos. Em primeiro lugar, o livro data, originalmente, de 1984. Nada nos leva a crer que, desde então, os “vasos comunicantes” entre “letras” e “ciências” tenham intensificado/mantido as trocas. Segundo, os interlocutores são, pela sua inteligência, eloquência, imaginação e curiosidade, espécimes raros. E se acrescentarmos a informação de que este diálogo resulta de um convite feito pela RAI que organizava, então, uma série de conversas sobre física dirigida ao grande público, talvez tenhamos que regressar, e mesmo duas vezes, ao “pessimismo” de Snow.
Não há muitos livros, afinal, em que, logo a abrir, uma das “personagens” diga: “Entre as coisas que tenho em comum com Primo Levi (…) há uma mania real e secreta: estou a estudar, por mim próprio, hebraico antigo. (…) Já consegui ler todo o Génesis”; ou nos quais, em comentário, a segunda “personagem” recorde a sedutora Rahab, descrita assim no Talmude: “qualquer homem que pronunciasse o seu nome imediatamente ejaculava”. E isto para princípio de conversa.
A dado passo, Regge invoca as suas experiências caseiras e confessa que “Deitava fogo a tudo. Uma reacção muito bonita era misturar anidrido arsenioso, que é algo venenoso…”; e logo Levi explicita: “É muito venenoso – é o veneno da Madame Bovary”.
Reclamam do latim que lhes ensinavam no liceo: o “latim de Cícero, cristalizado”, diz Regge; “bom para lápides”, acrescenta Levi que a Cícero contrapõe o “muito interessante” Celso que “explica como se operavam amígdalas no seu tempo”.
A conversa estende-se às respectivas famílias e origens, física das estrelas e física das partículas, religião, Borges, computadores...
Uma pergunta de Levi (que todos gostaríamos de fazer): “Porque vemos apenas três das onze dimensões?”. Um comentário (relativista) de Regge a propósito de Asimov: “uma viagem a uma velocidade superior à da luz (…) tais coisas dão-me traumas psíquicos”.
Em síntese: um livro que nos enche de vontade de aprender. E de rir.
Diálogo sobre a Ciência e os Homens, Primo Levi e Tullio Regge, Gradiva, 2012, trad. de Eduardo Lage
13/02/12
Contributo musical para reforçar a fé de Cristas: "Ministra da Agricultura espera que chova"
A ministra da Agricultura afirmou ter esperança que possa chover em breve, garantindo que se a seca continuar vai colocar a questão junto das estâncias europeias.
Julgo saber que não há nenhuma estância de sky em Bruxelas, mas se a fé move montanhas porque não há-de também criá-las?
E siga o baile!
Julgo saber que não há nenhuma estância de sky em Bruxelas, mas se a fé move montanhas porque não há-de também criá-las?
E siga o baile!
12/02/12
E “tão-me a charengar” é português?
Se um país pode ser catalogado como “lixo” pelas mais insignes organizações internacionais, porque não decretar a língua uma oportunidade de negócio? Que os velhos do Restelo pensem nisto: as toneladas de linguiças (sem trema) que passaremos a exportar para o Brasil valem com certeza a queda de um punhado de consoantes mudas.
Claro que o famigerado Acordo não impedirá que num ônibus (do latim, omnibus; variantes por “uniformizar”: autocarro, machimbombo, toca-toca, otocarro…) a passageira do lado me responda em inglês quando lhe pergunto se estamos muito longe do Centro, seguindo-se três oi! da parte dela para finalmente eu sair já íamos no Botafogo. (Abençoada fonética que me proporcionou tão bom passeio!)
Embora entenda o pendor mercantilista do Acordo, a que acresce uma salutar preocupação progressista que faria as delícias de Bouvard e Pécuchet (Que se lixe o latim que só serve para confundir o povo!), não pude, porém, deixar de elencar (v. tr.: “fazer uma elencagem”, seja isso o que for) algumas dúvidas recolhidas por aí.
O que faz um professor durante um ano letivo? Letiva? O que faz um espetador em frente da televisão? Espeta-la? E o que faz alguém ante um para sem acento? Continua a andar e pergunta “para… onde”? Num hotel, dirigimo-nos à recepção ou lembramo-nos da receção e regressamos a casa? E um medicamento ótico aplica-se nos olhos ou serve para tratar otites? O mês de Janeiro é maior que janeiro? A metafísica de Aristóteles é em ato ou não ata nem desata? Quem requer adoção é adoçante? E os habitantes do Egito são egícios? Uma presidente incontinente é igual a uma presidenta incontinenta? E fim de semana sem hífen tem quantos dias?
Esta última questão é particularmente pertinente derivado à crise.
11/02/12
10/02/12
09/02/12
Martin Schulz arrisca-se a ser despedido da Antena 1 e a ir fazer companhia a Pedro Rosa Mendes
Ontem tinham concordado com a Angela. Que podia bater na Madeira.
Hoje indignam-se com o declínio da Europa.
Decidam-se, porra!
Hoje indignam-se com o declínio da Europa.
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