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08/08/09

Raúl Solnado [19 de Outubro de 1929 - 8 de Agosto 2008]


Há mais ou menos uma década morava na mesma rua do Raúl Solnado. Costumava cruzar-me com ele num restaurante óptimo que lá havia. Penso que só lhe dirigi a palavra uma vez, quando ele disse qualquer coisa a propósito do PCP ter vindo elogiar a Amália na altura em que ela morreu. Achei que ele tinha razão.
Uma noite coincidimos no jantar. Já tarde, fiquei sem cigarros para a sobremesa. Da minha mesa eu via a mesa dele e, sobretudo, via o maço de tabaco pousado ao lado da travessa. Fumadora inveterada, não resisti. Fui lá e pedi-lhe um cigarro. Estendeu-me amavelmente o maço e eu agradeci. Voltei para o lugar e passei ao café. Já ia no segundo quando Solnado se levantou para sair. Ao passar junto a mim, levou a mão ao bolso, tirou três cigarros e deixou-os ficar.
Por vezes é preciso muito pouco para identificarmos uma 'alma melhor'.