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23/05/11

Beleza é Fundamental

Podia mentir. Esquecer a sordidez de bordel em que se tornou a política e ater-me às fisionomias. À superiormente sofrida de Francisco Assis, homem que parece carregar (sempre) o peso do mundo ou, pelo menos, do PS; à vermelhusca de Catroga, senhor de cabelos alvíssimos que vem ultimamente perorando em português vernáculo sobre feitos propagandísticos.
Teorizar, quiçá, sobre o significado absconditus das diferenças nasais entre Louça e Sócrates; dois narizes de similar proeminência cujas pirâmides são absolutamente distintas (a importância dos narizes na História ficou provada naquela obra de Albert Uderzo e René Goscinny, na qual César, o imperador romano e não o açoriano, confrontado com a fúria de Cleópatra diz, de si para si, É bela, mas a mostarda sobe-lhe facilmente ao nariz; convicção idêntica à do filósofo Pascal que, também ele, dissertou com elegância sobre o mesmo: le nez de Cléopâtre: s'il eût été plus court, toute la face de la terre aurait changé).
Em minha defesa (ou seja, do tema desta crónica) – que muitos entenderão fútil dada a situação do país – invoco Wilde: Só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências. E usando o irlandês como âncora, chego ao ponto: os políticos portugueses são, maioritariamente, muito feios. Este facto pode parecer despiciendo mas não é. Já que entrámos em recessão, já que nos vamos ver gregos, ao menos que nos ofertassem algum consolo estético.
A estética anda subavaliada. Será por isso, por ex., que a submersão de parte da lindíssima Linha do Tua não suscitou mais do que uns quantos suspiros nostálgicos, rendidos os lesados à frieza (vil) das compensações.
Num país decente, ou até na Itália de Berlusconi, aquilo era capaz de fazer vir charters carregadinhos de chineses. Por cá, uma velharia a descartar em nome da modernidade e dos negócios. Mas desvio-me do assunto que, em verdade e resumindo, era isto: eu prefiro homens bonitos (não me interpretam mal; o meu estilo é o Gregory Peck).

25/01/10

Vantagens virtuais

Hoje, ainda a cafeína não tivera tempo de chegar às veias, já estava eu à procura de uma coisa que não vem ao caso. Ao procurá-la, fui sem querer parar a um blogue que, infelizmente, se declarava morto. Apesar de morto, não resisti a picar de lá este post.
Hoje, ao virar da Duque d'Ávila para a Avenida da República, vi um Rogério Casanova. Mas em giro.
Há coisas que, sem sairmos de casa, nos fazem rir logo pela manhã.
[e por falar em homens giros...]