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12/08/10

O delito de opinião foi cometido em primeiro mão no Delito e chega agora à Pastelaria*

Há um género de automobilistas que é assim: vai uma pessoa na estrada a ouvir e a assobiar Can’t Take My Eyes Off You completamente na boa quando aparece um tipo noutro carro e, por aselhice, desrespeito, incúria ou simples killer instinct, provoca um acidente.
Os dois carros acabam por parar em modo enviesado e após aqueles intermináveis segundos em que se vê a vida andar para trás ou, pelo menos, a não andar para a frente, o condutor que ia numa boa a ouvir e a assobiar Can’t Take My Eyes Off You leva demoradamente a mão à maçaneta da porta e lança, algo hesitante, uma perna para o exterior.
É então que à surpresa do choque se acrescenta a surpresa de ver o outro automobilista (repita-se: o que provocou o acidente) já cá fora, bem firme nos membros, vociferante e esbracejando como um pássaro à bolina: Sua besta! Então não me viu? Aprendeu a conduzir em carrinhos de choque ou quê? Por pouco, ia-nos matando aos dois! Olha-me para isto! Olha-me para isto! E etc.
Perante o segundo ataque, desta vez tão-só verbal, o condutor inocente tende a sentir-se baralhado. Será que a culpa fora dele? Será que se entusiasmara demasiado naquela parte do I love you, baby/ And if it's quite alright/ I need you, baby e fizera asneira?
Há quem chame educadamente xico-espertice a esta estratégia de avançar de goela e peito abertos para a vítima invertendo os papéis: o facto é que resulta. Nos dias que correm, em que o pragmatismo é tudo e o que conta são os “resultados por objectivos”, creio tratar-se, aliás, de uma estratégia em ascensão.
O modelo é largamente utilizado pelos políticos, e não apenas portugueses (Sarkozy e Berlusconi também seriam bons exemplos). Por cá, Sócrates e seus acólitos têm contribuído com fibra para a sua implementação no continente (a Madeira daria pano para outro post).
Neste particular, o género terá sido iniciado por Jorge Coelho com a memorável frase Quem se mete com o PS leva, continuado por Augusto Santos Silva, o que gosta de malhar, pelo par de cornos de Pinho, sem esquecer, naturalmente, Ricardo Rodrigues que, ultrapassando a alta velocidade a fase verbal-metafórica, passou à “acção directa” e gamou dois gravadores. No meio desta lista (necessariamente incompleta), também é de registar o próprio primeiro-ministro, mão na anca, e o seu Era o que mais faltava!, a que teremos de somar o finíssimo Manso é a tua tia, pá.
Não me interpretem mal. Não me move qualquer puritanismo linguístico. O que me faz espécie é a boçalidade. Ou seja, a falta de ironia, de wit. Em resumo, a falta de ideias que não sejam apenas caceteiras.
Comparado com estes boys, o Almirante Pinheiro de Azevedo era um génio. Digno continuador de António Silva, a sua entrevista enquanto primeiro-ministro do VI Governo Provisório, governo que entretanto entrara em greve, é inesquecível:
Pinheiro de Azevedo: Estou farto de brincadeiras, ok? De brincadeiras, hem!?
Jornalista: Está...?
Pinheiro de Azevedo: Estou. Fui sequestrado. Já duas vezes. Já chega. Não gosto de ser sequestrado. É uma coisa que me chateia, pá.




Como assinala Eric Hobsbawm em livro recentemente traduzido pela Relógio D’Água, Escritos sobre a História (e que aproveito para recomendar), após uma tendência secular decrescente ao longo de 150 anos, a barbárie tendeu a aumentar durante a maior parte do século XX, não havendo qualquer indício que nos sugira que o seu avanço tenha terminado, o que é uma forma erudita de dizer aquilo que foi igulamente notado pelo humorista Lewis Black (e que não me canso de citar): In my lifetime, we've gone from Eisenhower to George W. Bush. We've gone from John F. Kennedy to Al Gore. If this is evolution, I believe that in twelve years, we'll be voting for plants.
Não querendo, porém, parecer demasiado pessimista, concluo com o amanhã sabe-se lá. Ou como terá dito Twain: Prediction is very difficult, especially about the future.
E muito obrigada pelo convite.
ADENDA: Os recentes desenvolvimentos do inesgotável, e parece que interminável, caso fripór, talvez pudessem servir para um post que, nos antípodas deste, se debruçasse sobre estratégias comunicacionais (aposto que adoras esta palavra, Pedro) não musculadas mas cândidas. E, a propósito de cândidas, alguém sabe da Cândida?

*texto publicado aqui, em resposta a um amável desafio

11/08/10

Se isto não é a silly season que o josé sócrates ganhe as próximas eleições com maioria absoluta

Primeiro foi aquele episódio do funcionário do Tribunal do Montijo que não sabia inglês (e por isso terá devolvido a correspondência sobre o fripór a Inglaterra...)
Depois foi a Organização Mundial de Saúde que veio anunciar com pompa e circunstância o fim da pandemia de gripe A (a tal que, segundo o presidente da Comissão da Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, nunca sequer existiu).
Entretanto, parece que além de mim, a Ana Gomes também gostava se saber onde pára a Cândida.

04/08/10

O inquérito do inquérito ao inquérito

Eu, que não sou a rainha de Inglaterra nem de intrigas e que derivado ao calor tenho sérias dificuldades em escrever postes inteligentes, quero aqui declarar a minha compreensão total para com o autor destas linhas

Isto será definitivamente um mundo melhor quando o último ‘procurador-que-nunca-encontra-nada’ for enforcado nas tripas do último ‘magistrado-que não-julga-nada’, que por sua vez será pendurado nas tripas do último ‘bófia-que não-investiga-nada’... (roubado nesta caixa de comentários).

Desculpar-me-ão o desusado radicalismo mas a silly season, o pinto monteiro, o fripór e os lopes da mota & silva pereira não dão para mais do que isto.

30/07/10

Da casa pia ao fripór sem esquecer as scuts e as causas da decadência do Quental

Na minha opinião (muitíssimo pessoal) isto começou irreversivelmente a afundar-se no dia em que Carlos Cruz foi chorar à TV. Como todos os que eram nascidos na altura se lembrarão de certeza, vivia-se um tsunami avant la lettre.
O Carlos Cruz!!! E sim, ponham pontos de exclamação nisso.
Também eu fiquei de boca aberta. Depois vi-o chorar no ecrã e a coisa cheirou-me a esturro: cá para mim, que já li muitos livros e assisti a muitos filmes embora desconfie visceralmente da psicologia e possa estar enganada, um homem acusado de pedofilia não chora. Fica em estado catatónico, enfurece-se, gagueja ou pragueja, mas não chora. E não estou a citar Sttau Monteiro nem o Gonçalo Amaral.
Culpado ou inocente, confrontar-se com a simples eventualidade de um Carlos Cruz pedófilo terá sido para todos o que de algum modo simpatizavam com ele (e eram quase todos) tão devastador como (imagina-se) o encontro de Maiakovski com a besta estalinista. Mas enquanto o poeta russo se foi com um tiro certeiro no coração, os portugueses continuaram a reproduzir-se.
Carlos Cruz era, pois, um tipo simpático. Excelente comunicador, encarnava uma espécie de good neighbor next door, género Tom Hanks mas mais baixo. E também ele transversal a todos os géneros, gerações, e credos.
Resumindo: a participação no velho Zip Zip garantia-lhe uma aura anti-fascista (palavra muito em voga a dada altura); a locução do programa humorístico Pão com Manteiga — onde lia com sotaque brasileiro a memorável frase Este já está liquidado. O tiro foi bem na testa. Não comerá mais criancinhas no caminho da floresta — garantia-lhe uma aura libertária; a apresentação de Quem Quer Ser Milionário alargou-lhe a zona de influência e, finalmente, ao dar o rosto pelo euro tornou-se num valor unânime (a malta do PCP, que era contra o euro, estava garantida por causa do Zip Zip...).
Carlos Cruz era assim uma espécie de Mário Soares dos pequeninos pró maior, porque nem lhe era necessário descontar o ódio persistente dos taxistas.
Agora imaginem comigo. O que é que aconteceria se alguém descobrisse que a própria mãe — que lhe ensinara coisas tão inócuas como comer sem pôr os cotovelos na mesa — escondia dentro de si um Hannibal Lecter?
Pondo de lado a hipótese reconfortante de tal pessoa se converter ao vegetarianismo, é provável que o seu sistema de valores ficasse um tanto baralhado.
Tenho para mim que foi isso que aconteceu a Portugal. Seja Carlos Cruz condenado ou não pela justiça, a mera suspeita abriu a caixa de Pandora e não há como fechá-la.
Pondo as coisas em perspectiva.
O que é o inglês técnico de Sócrates comparado com pedofilia? O que são os submarinos de Portas comparados com pedofilia? O que é um sobrinho na Suíça comparado com pedofilia? O que são as offshores do BPN comparadas com pedofilia? O que são os robalos de Vara comparados com pedofilia? O que é um centro comercial em Alcochete comparado com pedofilia? O que é o gamanço de dois gravadores comparado com pedofilia? O que são as lutas intestinas no Ministério Público comparadas com pedofilia? Etc.
Comparado com pedofilia, talvez mesmo só as SCUTs. Isto atendendo, pelo menos, à projecção da polémica, cuja dimensão interclassista e catastrofista já levou muitos comentadores, ou pelo menos eu, a antevê-las como o (contra)ponto G que fará cair o governo.
Entretanto, a reflexão sobre o caso das SCUTs, matéria que parece indiciar uma estranha fixação automobilística do povo lusitano — talvez só comparável à fase anal definida por Freud — remeteu-me, sem eu querer até porque não conduzo, para uma frase do Sena: O problema não é salvar Portugal, é salvarmo-nos de Portugal.
Eu sei que Sena tinha mau feitio. Mas com feitio ou sem feitio, tenho para mim que o homem estava certo. O que me cria um problema novo: a frase foi escrita muito antes do libelo a Carlos Cruz. Ou seja, talvez não resida nele a explicação que eu buscava e, assim sendo, este post não tem pés nem cabeça. Ou terá? Em verdade vos digo que não sei.
O que sei resumidamente é isto.
O Sócrates aborrece-me. O Passos maça-me. Cavaco anestesia-me. Quanto ao resto, Portas tem boa voz mas não me encanta; o PCP idolatrou anos e anos a Zita e só isso é quanto basta; por fim, o fracturante Louçã: demasiado beato.
Apesar de tudo e parafraseando o outro, we'll always have Cormac. Melhor dizendo, no country for old ladies que quanto à decadência já Antero falava disso e antes de haver televisão.

25/06/09

Organizem-se porra ou mais uma cagada em três actos

PRIMEIRO ACTO
[a acção decorre na Assembleia da República, à porta do plenário...]

Ministro da Agricultura Jaime Silva: «Vou ter uma reunião com ele hoje à tarde e em função disso tomarei uma decisão. Vou ouvir da parte dele aquilo que li nos jornais no regresso do avião»


SEGUNDO ACTO
[entretanto, na Assembleia da República mas no interior do plenário...]

Primeiro-ministro José Sócrates: «O arquitecto Carlos Guerra falou com o senhor ministro da Agricultura na semana passada imediatamente a seguir ao momento em que foi ouvido pela Polícia Judiciária (PJ), comunicando ao senhor ministro que tinha sido constituído arguido e que, portanto, ele achava que devia colocar seu lugar à disposição e que o Ministério da Agricultura fazia bem em escolher um outro responsável».
«O senhor ministro da Agricultura agradeceu-lhe o gesto, agradeceu essa carta e tomou a decisão de nomear um novo gestor para o PRODER. É assim que se comporta um Governo decente. O Governo vai nomear um novo responsável pelo PRODER»

TERCEIRO ACTO
[logo a seguir, sem intervalo, ainda na Assembleia da República mas de novo à porta do plenário...]

Ministro da Agricultura Jaime Silva: «O arquitecto Carlos Guerra pôs o lugar à disposição e eu tomei em consideração a iniciativa dele.»
Confused? You won't be, after the next week's episode of... fripór
Imagem: Jamie Lee Curtis em «True Lies»

23/05/09

Caso Eurojust: Confused? You won't be, after the next week's episode of... fripór

Exercício para o fim-de-semana (com consulta de links)
A partir dos dados enunciados, defina pressão. A atmosférica não conta.


1. Olá! Fala-se em pressões...
2. Governo desmente andar por aí a pressionar as pessoas, ora essa!
3. Pinto Monteiro, PGR, nega a existência de pressões, era o que mais faltava!
4. PGR acaba pressionado e decide esclarecer o raio da "brincadeira estúpida" ou lá o que seja
5. Lopes da Mota jura, jura, jura que nunca pressionou ninguém na vida [já o Alberto Costa...]
6. Cândida Almeida, porventura "confundida", garante que não houve pressões
7. Maria José Morgado vem garantir que os corajosos não são pressionáveis [esta intervenção heróica surge um bocadinho metida a martelo no plot e confesso que não a entendi bem: porque lá por eu não ser pressionável não quer dizer que não me tentem pressionar - por exemplo, a história da Mafia está cheia de tipos não pressionáveis que acabaram mal]
8. Reune-se muito: ele é pressões para a esquerda, ele é pressões para a direita...
9. Com tanta pressão, lá se acaba por abrir um inquérito
10. Olá! O inquérito confirma pressões
11. A coisa aquece: inquérito transforma-se em processo disciplinar
12. Alberto Costa diz que demitir Lopes da Mota nem pensar, Pinto Monteiro que o demita se quiser
13. Pinto Monteiro devolve a batata quente, perdão, Lopes da Mota ao governo
14. O Eurojust sai da jogada do fripór por decisão de Pinto Monteiro
15. O Eurojust diz que já não jogava nesse campeonato desde 23 Abril, escusavas de ouvir esta!
16. Lopes da Mota, que terá usado os nomes de José Sócrates e Alberto Costa, poderá a vir ser pressionado, perdão, processado por ambos
17. Lopes da Mota garante que não invocou os nomes dos deuses em vão
18. Enquanto isto, o filho do tio de Sócrates continua a praticar kung fu na China e diz que antes do natal não pedirá desculpas ao primo
19. Ainda mal refeitos, eis senão quando, não se sabe bem de onde, Felícia Cabrita nos desencanta outro primo...
To be continued...

22/04/09

"No way Jose": Confused? You won't be, after the next week's episode of... fripór

Limito-me a transcrever artigo do "Diário de Notícias".
Ao primeiro cliente da Pastelaria que o conseguir decifrar, serão oferecidos três alqueires de bolas de berlim.
Quanto a mim, vou antes dedicar-me ao Teorema de Gödel. Talvez tenha mais hipóteses.

«O escritório de advogados inglês Decherts 'ilibou' Charles Smith de qualquer ligação a actos de corrupção praticados em Portugal para o licenciamento do Freeport. Os advogados visionaram o vídeo (divulgado na passada sexta-feira pela TVI) feito por Alan Perkins, ex-administrador do Freeport, fizeram cruzamentos de transferências de dinheiro e ouviram testemunhas. A conclusão foi de que, quando muito, Charles Smith estaria a tentar 'sacar' mais dinheiro do Freeport pela consultadoria prestada, inventando a história dos subornos.
Os advogados da Decherts, que foram chamados pela Freeport para investigar o conteúdo do vídeo onde Charles Smith aparece a falar de subornos, realçam ainda que Alan Perkins gravou o vídeo em Março de 2006, mas só o apresentou à administração em Janeiro de 2007, numa altura em que estava a negociar a sua saída da empresa. O relatório final da investigação foi depois entregue à administração da Carlyle que, em Abril de 2007, tinha em curso uma OPA à Freeport.
A Decherts analisou todas as transferências de dinheiro de Inglaterra para Portugal. Em Alcochete, uma técnica de contabilidade fez o mesmo. Não foi encontrado nada de anormal que pudesse sustentar as palavras de Charles Smith quanto a pagamentos de subornos a José Sócrates.
Em Julho de 2007, quando foi interrogado pela polícia inglesa, Charles Smith foi confrontado com alguns e-mails que agora surgem no processo português. As audições em Londres foram presididas pelos polícias Roger Cook e Paul Farley que chegaram a confrontar o empresário com a notícia do jornal O Independente de Fevereiro de 2005 que dava conta do início do processo Freeport.
Segundo documentos a que o DN teve acesso, terá sido em Inglaterra que Charles Smith contou, pela primeira vez, a história de que o escritório de advogados Antunes Marques Oliveira Ramos Gandarez & Associados tinha preparado uma proposta, a 4 de Dezembro de 2001, no sentido de pedir à empresa Freeport cerca de quatro milhões de libras para que o projecto em Portugal fosse aprovado. Smith terá indicado o nome de dois cidadãos ingleses, residentes em Portugal, com quem, em 2001, terá conversado sobre o assunto. Keith Payne e Roger Abraham já foram ouvidos pelos ingleses, mas até ao fecho desta edição, não foi possível apurar se foram inquiridos em Portugal.
Aliás, terá sido após a conversa com Charles Smith que o inglês Keith Payne escreveu uma carta a Rick Dattani - na altura financeiro da Freeport em Inglaterra, e um dos nomes que consta da Carta Rogatória. Por sua vez, Dattani terá enviado, a 17 de Dezembro de 2001, a Jonathan Rawnsley, administrador da Freeport, uma nota, referindo-se a Keith Payne como o "tipo que me alertou para o suborno de dois milhões". Esta é a única informação que vem nos documentos ingleses, mas nas recentes inquirições os advogados José Francisco Gandarez, Albertino Antunes e Alexandre Oliveira terão negado ter feito tal proposta.
Entretanto, uma expressão, "No way Jose", que consta de um documento apreendido na empresa Smith&Pedro intrigou os investigadores portugueses do caso Freeport que, durantes os três dias de interrogatório, questionaram Charles Smith sobre quem era o tal José. Seria Sócrates, por exemplo? A tradutora da Polícia Judiciária traduziu à letra um documento manuscrito do empresário que terminava daquela forma. Só no interrogatório é que perceberam de quem é que se tratava: uma expressão idiomática em inglês que quer dizer "nem pensar".
Apesar de a Procuradoria-Geral ter garantido, há meses, que José Sócrates não era suspeito no caso Freeport, nos interrogatórios, Manuel Pedro e Charles Smith foram confrontados várias vezes com suspeitas relacionadas com o "não suspeito". Questionada pelo DN sobre esta situação, a PGR recusou prestar esclarecimentos, invocando o segredo de justiça.»

19/04/09

Shit, man!

1. Ao contrário do Miguel Sousa Tavares, não posso garantir se José Sócrates é inocente, culpado ou assim-assim no que ao caso fripór diz respeito.
Até posso fazer conjecturas, ter opiniões ou imaginar cenários: pelo menos desde que li o único Sócrates que importa, o Grego, sei distinguir doxa de episteme.
2. Sei um bocadinho mais: sei que a corrupção em Portugal é um vês que te avias ― segundo a organização Transparency International, em 2008 (32ª posição) estivemos mais corruptos do que em 2007 (28ª posição), e em 2007 estávamos mais corruptos do que em 2006 (26ª posição)…
3. Alargando o âmbito do (meu) desconforto, assim de repente, nomes como Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres, Carolina Salgado, Mesquita Machado, Isaltino Morais, Pinto da Costa, Teresa Costa Macedo, Valentim Loureiro, Paulo Pedroso, Domingos Névoa, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Oscar Silva, Joe Berardo, Carlos Cruz... dão-me pesadelos (dos quais, felizmente, não me lembro ao acordar).
Como isto é suposto ser um Estado de Direito alguns da lista acima nunca foram incriminados, outros foram inocentados e outros falta ainda ver. Dão-me pesadelos na mesma.
4. A TVI passou na sexta-feira passada uma gravação que põe o primeiro-ministro pelas ruas da amargura. Não vejo televisão (é o snobismo que me resta…).
5. Vi o vídeo online. E o meu comentário, dado que não sou jurista, foi singelo: porra!
6. Nota: parece que o escocês primeiro disse que não tinha dito nada contra o primeiro-ministro, e agora talvez venha dizer que mentiu, se é que já não o fez.
Diz que disse aparte: que é um lamaçal, é. Mas vão-me desculpar: a culpa não é da TVI. Isso posso garantir. Até porque sou insuspeita, dado não ver televisão. Nenhuma. Nem sequer a do governo.

20/02/09

The Hound of the Monteirovilles ou se isto não é um manicómio eu não sou filha da minha mãe

Não sei se é do Carnaval, mas no site do JN garante-se que não é piada.
Limito-me a transcrever... e, a ser verdade, que alguém tenha piedade de nós!

«Do advogado de Júlio Monteiro, Sá Leão, o JN recebeu o seguinte comunicado que transcrevemos na íntegra:
"Freeport Napoleão, o Bulldog francês do engº Júlio Monteiro foi encontrado, Finalmente há resultados no caso Freeport. O apelo feito na TV, no final do depoimento do Engº Júlio Monteiro, para que fosse encontrado o seu bulldog francês foi ouvido. Cerca das 23h de ontem, o cachorro voltou a casa. Nesta tristíssima cabala, divertida e ridícula, não fosse o caso de, em especial, se pretender atingir a honra do Primeiro-Ministro de Portugal e de transformar este país num lugar frequentado por corruptos, finalmente temos um resultado feliz e que se espera tenha deixado o país quase tranquilo. O bulldog francês do Engº Júlio Monteiro regressou a casa e vai, com certeza, colaborar nas investigações".
O comunicado foi enviado por fax e tem origem na sociedade de advogados NGS - Leão e Associados. O próprio advogado Sá Leão confirmou ao JN o envio do mesmo.»

[e quanto mais olho para a cara do homem (ao centro, na foto, rodeado pelos advogados), cada vez mais me convenço que ele é lelé da cuca]