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22/04/10

Quando for grande também quero ser famosa, ter utilidade política, comprar uma valise à carton e fundar uma associação em defesa dos flamingos*

Nunca gramei do género queques de esquerda. Queques por queques, prefiro os autênticos, os da Linha, e não me estou a referir à concorrência.
Sendo eu ainda do tempo do a menina pecebe?, em Cascais a malta sempre ia à praia e o mar, como se sabe mesmo sem ter lido a Murdoch, é uma coisa que areja a cabeça e o resto.
Quando olho para a Inês de Medeiros, sinto-lhe a falta do mar. Ela, por seu turno, sente falta de Paris.
Ao fim de vários meses sem saber quem lhe pagava as viagens para a Cidade da Luz, Lello teve voto de qualidade e pôs a Assembleia da República a entrar com o carcanhol.
Ou seja: je paie, tu paies, il paie, nous payons, vous payez, ils payent.
Esclareça-se. Não é que eu seja forreta. Não é sequer que eu ache que quem lhe deu emprego não devesse arcar com os tickets. A minha dúvida é outra: porque raio a convidaram? porque raio é a Inês de Medeiros deputada do PS e para mais por Lisboa?
E reparem. A minha dúvida é bastante anterior àquela sua singela declaração se Sócrates mentiu nem acho que seja muito grave (à propos, se ela não acha muito grave um primeiro-ministro mentir ao parlamento, porque carga d’água faz parte da comissão de ética do mesmo, mesmo sendo aquela a comissão de ética do mesmo?).
Bom, hoje fez-se luz. Parece que a deputada integrava uma lista de personalidades encabeçada por Figo, cuja simpatia e popularidade foi testada por um estudo de opinião realizado para a PT... Ou seria para o PS? Confesso que esta parte me escapou.
Enfim, seja como for, resolvido o caso, resta-me recordar apenas algumas das opiniões expressas por Inês de Medeiros quando esta ainda era só candidata e os contribuintes não tinham que lhe pagar as viagens.
Perguntaram-lhe.
E ela respondeu.
Touchant, n'est-ce pas?
Fiquei com uma dúvida: é mais caro ir aos Açores ou a Paris? É que se for mais caro ir aos Açores, o que suponho que seja, os termos em que é apresentada esta decisão é a xicaespertice mais xicaespertice de que tive conhecimento nos últimos tempos... ]

02/02/10

Ao menos na Pastelaria toda a gente sabe que é muito feio falar alto à mesa

Ao nosso primeiro perseguem-no as calhandrices.
Do exame de inglês técnico ao diploma domingueiro, das casinhas portuguesas (com certeza) ao aterro da Cova da Beira, dos primos do fripór ao armando dos robalos, do magalhães inquebrável ao queima-livros egípcio... é só calhandrices.
Agora, com a divulgação da alegada - e elevada - conversa tida num restaurante, espera-se que, no mínimo, José Sócrates processe Mário Crespo por difamação.
Entretanto, eu, se fosse a este último, processava já José Lello: afinal, se a palavra "autista" foi banida do parlamento por inconveniente, não se admite que lá por ser o deputado Lello Lello com dois éles lhe possa chamar "psicótico". Embora, como se sabe, criativamente falando, mais valha ser psicótico do que neurótico. Ou mesmo autista.
Imagem roubada daqui.

04/05/09

Bengaladas III [e não, nunca fui de andar à pancada, nem nos meus tempos de perigosa extremista]

Já estava noutra. Mas quando dei com as notícias
1. Manuel Alegre condena incidentes com Vital
2. José Lello garante que "afinal, há sempre uma voz que se cala"
[e note-se o sentido poético do segundo, paradoxalmente ausente do primeiro]
.... achei que ainda havia matéria para continuar o folhetim.
Deixo-vos com as imagens. E das duas uma: ou o operador de câmara, com medo de ser processado pela CGTP, omitiu a parte dos pontapés, murros e estaladas, ou então o que eu vejo neste vídeo fica-se por aquela coisa tipicamente portuguesa do "agarrem-me senão vou-me a ele!".
A segunda hipótese, terão de convir, é mais provável. Só por isto:
Vital já não é jovem. E um dia depois da "brutal agressão" estava a fazer rafting no Minho.
Tudo indica, pois, que ainda não foi desta que o jurista de Vilarinho do Bairro teve a sua "Marinha Grande".