"Politicians, ugly buildings, and whores all get respectable if they last long enough", Noah Cross, aliás, John Huston, in "Chinatown", provavelmente o melhor filme de Roman Polanski.
O problema é que ainda é tudo muito novo.
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03/02/13
03/06/12
O toque feminino
Aviso de antemão que este texto pode perturbar almas sensíveis, pelo que não é recomendável àquelas e àqueles que, na senda de Edite Estrela, acreditam tão piamente que “haverá mais paz no mundo com mais mulheres em altos cargos políticos” quanto as senhoras do MNF tinham uma crença inabalável no slogan “Angola é nossa!”
Começo por uma adivinha: o que têm em comum Margaret Thatcher, Angela Merkel e Christine Lagarde? Em 1º lugar, são mulheres; em 2º lugar têm poder; em 3º lugar são reaccionárias, se me é permitido ainda usar o termo.
Recorde-se que Thatcher, autora do "no such thing as society" é, das três, embora retirada, a única com pensamento político articulado. Merkel limita-se a empurrar(-nos) com a barriga e Lagarde administra dinheiro alheio enquanto nos ameaça com a antiquíssima tirada de Paul Féval, "Si tu ne viens pas à Lagardère, Lagardère ira à toi!"
Entrevejo já algumas das almas sensíveis – femininas, masculinas e/ou "transgéneras" – correndo a diagnosticar-me o mal da misoginia, versão jewish self-hatred adaptada “ao segundo sexo”.
Antes que me condenem a ler de fio-a-pavio o livro de Cavalcanti Filho onde a “putativa homossexualidade” de Pessoa terá sido finalmente revelada, invoco em minha defesa: onde está o feminine touch de Merkel quando o Ministério de Economia do seu governo chega a propor, como solução para a crise, a formação de “zonas económicas especiais”, variante update do modelo esclavagista em exercício na China? E que dizer das declarações de Lagarde (logo ela que, enquanto funcionária internacional do FMI, não paga impostos) sobre gregos e pretinhos esfomeados do Níger que lhe partem o coração.
Desculpem-me o francês: feminine touch, my ass.
Começo por uma adivinha: o que têm em comum Margaret Thatcher, Angela Merkel e Christine Lagarde? Em 1º lugar, são mulheres; em 2º lugar têm poder; em 3º lugar são reaccionárias, se me é permitido ainda usar o termo.
Recorde-se que Thatcher, autora do "no such thing as society" é, das três, embora retirada, a única com pensamento político articulado. Merkel limita-se a empurrar(-nos) com a barriga e Lagarde administra dinheiro alheio enquanto nos ameaça com a antiquíssima tirada de Paul Féval, "Si tu ne viens pas à Lagardère, Lagardère ira à toi!"
Entrevejo já algumas das almas sensíveis – femininas, masculinas e/ou "transgéneras" – correndo a diagnosticar-me o mal da misoginia, versão jewish self-hatred adaptada “ao segundo sexo”.
Antes que me condenem a ler de fio-a-pavio o livro de Cavalcanti Filho onde a “putativa homossexualidade” de Pessoa terá sido finalmente revelada, invoco em minha defesa: onde está o feminine touch de Merkel quando o Ministério de Economia do seu governo chega a propor, como solução para a crise, a formação de “zonas económicas especiais”, variante update do modelo esclavagista em exercício na China? E que dizer das declarações de Lagarde (logo ela que, enquanto funcionária internacional do FMI, não paga impostos) sobre gregos e pretinhos esfomeados do Níger que lhe partem o coração.
Desculpem-me o francês: feminine touch, my ass.
08/03/12
Que venham os Vikings, a cavalaria, qualquer coisa, eu só não quero sonhar com a Edite Estrela
Estava eu finalmente posta em sossego a ler A Zona de Desconforto de Jonathan Franzen, livro que acaba de ser publicado pela D. Quixote, quando, a páginas tantas, mais precisamente na 21, tropeço numa palavra inédita, se me permitem o eufemismo.
Já antes tivera de me esforçar para engolir "Excecionais" (em caixa alta e itálico no original, ainda por cima...), com aquele ce a ler-se naturalmente ce e não cé porque lhe guilhotinaram o p), quando, uma linhas mais à frente, dou com um "viquingue" na minha cama e eu não tinha bebido nada.
O que raio seria um viquingue?!
Ajeito os óculos e a almofada, dirigo o dedo para a palavra, soletro-a, divido-lhe as sílabas, releio a frase para lhe alcançar o sentido como se o livro estivesse escrito em hebraico sem marcas diacríticas, repito o exercício, gaguejo e, por fim, como a Santa Teresa d'Ávila, tenho uma iluminação: viking, porra!
Os vikings são vikings pelo menos desde os tempos em que o meu pai me ofereceu a colecção O Mundo em que Vivemos da Verbo Juvenil, ainda nem aprendíamos o K, mas, a serem outra coisa, seriam víquingues, pensei de mim para mim, lendo alto a palavra como fazia na Primária para adivinhar os acentos.
O esforço hermenêutico-ortográfico deixara-me exausta. Era tarde. Fechei o livro e apaguei a luz.
Sonhei com a Edite Estrela, o Jonathan Franzen que me perdoe.
Já antes tivera de me esforçar para engolir "Excecionais" (em caixa alta e itálico no original, ainda por cima...), com aquele ce a ler-se naturalmente ce e não cé porque lhe guilhotinaram o p), quando, uma linhas mais à frente, dou com um "viquingue" na minha cama e eu não tinha bebido nada.
O que raio seria um viquingue?!
Ajeito os óculos e a almofada, dirigo o dedo para a palavra, soletro-a, divido-lhe as sílabas, releio a frase para lhe alcançar o sentido como se o livro estivesse escrito em hebraico sem marcas diacríticas, repito o exercício, gaguejo e, por fim, como a Santa Teresa d'Ávila, tenho uma iluminação: viking, porra!
Os vikings são vikings pelo menos desde os tempos em que o meu pai me ofereceu a colecção O Mundo em que Vivemos da Verbo Juvenil, ainda nem aprendíamos o K, mas, a serem outra coisa, seriam víquingues, pensei de mim para mim, lendo alto a palavra como fazia na Primária para adivinhar os acentos.
O esforço hermenêutico-ortográfico deixara-me exausta. Era tarde. Fechei o livro e apaguei a luz.
Sonhei com a Edite Estrela, o Jonathan Franzen que me perdoe.
27/10/11
The feminine touch
E andou aquele génio chamado Edite Estrela a vender a ideia que "haverá mais paz com mais mulheres em altos cargos políticos".
É só confirmar aqui o "MRPP style" de Ana Gomes ou assistir à gargalhada de tendência clássica de Hillary Clinton neste vídeo.
Sobre mulheres civilizadas, ficamos conversados.
30/08/10
Da concentração no largo do camões às ambulâncias do INEM (que só actuam em caso de vida ou de morte) e este é o ponto comum entre uma coisa e outra
Corre por aí uma polémica, arrisco que de características tipicamente portuguesas, a propósito da concentração contra o apedrejamento de Sakineh Mohammadi Ashtiani realizada em Lisboa no sábado passado.A polémica, se assim lhe posso chamar, não é sobre o tamanho das pedras adequado ao acto. Tem que ver com outra coisa. A saber, com quem estava por detrás da dita.
Infelizmente, sobre isso nada posso adiantar. Não sei. Nem sequer sei quem terão sido os organizadores oficiais (a controvérsia pressupõe, claro, que existem organizadores não oficiais).
Também nada posso dizer de particularmente interessante sobre quem esteve presente. Encontrei uma amiga que não via há algum tempo e tropecei na Edite Estrela (despermanenteada). Confesso que não me agrada por aí além concentrar-me ao lado de Edite Estrela, mas a causa justificava-o (foi o que pensei na altura).
No Largo de Camões, muito pouca gente. Mais ou menos o mesmo número de pessoas que se juntava na escadaria da igreja do Chiado a ver uns mimos.
Os organizadores, era evidente, mostravam-se pouco familiarizados com megafones. Percebiam-se mal e os discursos foram moles.
Muitas mulheres de democrático salto-alto — o que me deixa sempre um pouco perplexa por ser do tempo em que a malta, quando se concentrava, corria o risco inevitável de ter de se desconcentrar à pressa.
Tudo isto, porém, são pormenores. Explico-me.
Se fosse eu quem tivesse sido condenada ao apedrejamento (ou, para que não haja equívocos, condenada à morte por qualquer dos métodos disponíveis) gostaria de saber que pelo mundo fora havia gente a manifestar-se. Incluindo a Edite Estrela (já sei que não poderia contar com o Pereira Coutinho que tem uma visão masturbatória da compaixão ou lá o que é...).
Adianto ainda que se tivesse organizado a coisa (não sei quem foi, como já referi acima...) teria preferido concentrar-me na Rua Alto do Duque, 49 e deixar saquinhos de pedras sortidas à porta da embaixada. Até tive uma ideia para um cartaz: As pedras já cá cantam.
Resumindo: na minha (pessoalíssima) opinião, corre por aí uma polémica tonta. Como até o politizado mais empedernido salvo seja, canhoto ou dextro, deveria perceber, o caso é de vida ou morte.
O que me conduz ao segundo tema deste post: o INEM.
Pois o 112, aquele número universal a quem a gente pensa poder recorrer quando está mesmo à rasca, afinal, não é o que parece.
A não ser que já estejamos mortos ou prestes a ficá-lo nos próximos 20 minutos, do 112 despacham-nos para os bombeiros.
Reparem, nada tenho contra bombeiros. Aliás, se há gente de quem goste é de bombeiros. A questão não é essa.
Eu sei que a uma senhora não fica bem falar do metal vil, mas a questão é que em Lisboa os bombeiros cobram 30 euros por ida (e o mesmo à volta), para nos levarem nem que seja a dez minutos de casa. Se sairmos do concelho — e tivermos, por exemplo, de levar um doente de Lisboa ao Hospital de Cascais — são 53 (só ida e não têm troco).
Insisto. O problema não reside nos bombeiros. O problema é o INEM.
Ok. Não se justifica ocupar uma ambulância por causa de uma dor de dentes. Ok. Não morro se não for ao hospital, digamos, no prazo de uma hora. Mas e se a situação for daquelas em que se nada for feito morro daí a três? Espero o óbito e telefono depois do além?
Parafraseando o Sócrates, se o Serviço Nacional de Saúde é uma batalha sem fim a vida é ao contrário. E borrifa-se nos "cortes estruturais". Não acreditam, perguntem ao ex-ministro do trabalho do PS, o profícuo Maldonado Gonelha.
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