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26/08/22

GUERRA NA UCRÂNIA (CHAPLYNE): O FACTO DE ALGUÉM SER INVADIDO NÃO JUSTIFICA TUDO NEM BATER EM TUDO

Desta vez foi o Gabinete para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA). Ontem tinha sido o Papa. Há semanas fora a Amnistia Internacional. Antes disso, o presidente alemão: o «salsicha de fígado ofendido», nas palavras do então embaixador ucraniano em Berlim, o negacionista Andriy Melnik. E por aí fora.

Agora, a propósito do ataque russo em Chaplyne, o alvo foi Gabinete da ONU por «falta de clareza». 

Com Zelensky a acusar as tropas russas de terem cometido mais um crime de guerra de que teria resultado a morte de 25 civis, incluindo duas crianças, e a Rússia, por sua vez, a reclamar que o ataque foi a um comboio de tropas e armamento (200 soldados ucranianos teriam sido mortos), a Ucrânia diz-se desapontada com a «falta de uma posição clara» do organismo internacional que apelou a que «todos os lados» respeitem o Direito Internacional Humanitário.  

O argumento usado para criticar a OCHA é o argumento recorrente: não se pode confundir o agressor com o agredido. 

E não saímos disto e daqui nada chega o Inverno. 





06/05/22

GUERRA NA UCRÂNIA: UMA PESSOA LÁ POR TER SIDO INVADIDA NÃO TEM DE SER DESAGRADÁVEL COM QUEM NÃO A INVADIU

Olaf Scholz dá armas, mas não vai a Kiev. 

A recusa vem na sequência de irritação anterior, quando há semanas o governo de Zelensky fez saber que o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, não era bem-vindo à Ucrânia.

Vai daí, o embaixador ucraniano em Berlim, Andrij Melnyk, chamou beleidigte Leberwurst, ao Scholzem tradução livre prima donna ou, literalmente, salsicha de fígado insultada.

Até eu que tenho fama de ter mau feitio seria mais diplomática.


19/04/22

GUERRA NA UCRÂNIA: DEPOIS DE MERKEL, MACRON?

À queda em desgraça de Angela Merkel, acusada de ter tido uma política conivente com Putin e que se traduziu, na actualidade, pela recusa do governo ucraniano em receber a visita do presidente alemão, Frank Walter Steinmeier, a que se seguiram as declarações irritadas de Olaf Scholz que, convidado para ir a Kiev, recusaria o convite, seguiu-se a fricção com o presidente francês que, como bom francês, alertou para o que chamou um desajuste de linguagem face ao uso do termo "genocídio" usado por Joe Biden e por Zelenski para classificar a agressão russa à Ucrânia.

Convidado entretanto a voltar a Kiev, Macron afirmou ontem estar disposto a lá voltar, mas apenas para apresentar qualquer coisa de útil e não apenas para testemunhar apoio.



13/04/22

GUERRA NA UCRÂNIA: ALGUÉM QUE EXPLIQUE, MAS MUITO DEVAGARINHO...

Abro o computador e deparo com este título

Os presidentes da Polónia, Lituânia, Letónia e Estónia anunciaram hoje que estão a caminho de Kiev para se encontrarem com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Chanceler alemão irá depois para entrega de armas pesadas

Ontem, a notícia era de que Kiev havia recusado a visita do Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, por ter demonstrado no passado ser um amigo dos russos.

Eu sei que Olaf Scholz, o chanceler, não é Frank-Walter Steinmeier, o presidente, mas para todos os efeitos Frank-Walter Steinmeier representa os alemães e ao recusarem-lhe a entrada não é a ele, pessoalmente, que o fazem.

Nada disto vai acabar bem. E já agora aproveito para perguntar a despropósito. De quem aceitariam um convite para um chá e umas torradas: de Frank-Walter Steinmeier ou do presidente da Polónia, Andrzej Duda, um reaccionário encartado próximo da extrema-direita?

12/04/22

GUERRA NA UCRÂNIA: KIEV NEGA-SE A RECEBER PRESIDENTE ALEMÃO

[Dos jornais]

«Criticado pelas suas relações com a Rússia nos últimos anos, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, disse hoje que pretendia viajar para a Ucrânia com outros chefes de Estado, mas que Kiev se negou a recebê-lo. 

A viagem prevista incluía os presidentes da Polónia e dos Estados bálticos — Estónia, Letónia e Lituânia. 

"Estava preparado, mas, aparentemente, e assumo a responsabilidade por isso, não era o que Kiev desejava", afirmou Steinmeier durante uma viagem a Varsóvia, capital da Polónia. 

Esta visita tinha como objetivo "enviar uma forte mensagem de solidariedade comum europeia para com a Ucrânia", lamentou. 

O jornal Bild foi o primeiro a trazer esse plano fracassado à tona, citando um diplomata ucraniano que atacou duramente o presidente social-democrata (SPD): "Toda a gente aqui sabe das relações estreitas de Steinmeier com a Rússia (...) Ele não é bem-vindo em Kiev, por enquanto. Vamos ver se isso muda". 

Duas vezes ministro dos Negócios Estrangeiros no governo de Angela Merkel, Steinmeier foi fortemente criticado nas últimas semanas pela sua suposta falta de firmeza em relação à Rússia. As mesmas acusações também pesam sobre a ex-chanceler conservadora. 

No início de Abril, inclusive, reconheceu ter cometido um "erro", ao apoiar a construção do gasoduto entre a Rússia e a Alemanha, o Nord Stream 2. Suspenso em Fevereiro passado por Berlim, teria duplicado a capacidade de fornecimento de gás russo ao país.

O actual chanceler, Olaf Scholz, também está sob pressão dos seus aliados de coligação, os Verdes, que pedem um maior compromisso para com a Ucrânia, sobretudo, com o envio de armas pesadas.»