Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Bidarra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Bidarra. Mostrar todas as mensagens

15/03/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «OS Deploráveis»

«(...) Há, claro, que recuar ao ALLgarve de Manuel de Pinho, essa memorável personagem da nossa história recente, perito em Almeida Garrett e em cães. É dele a frase: “Às vezes esquecemos que o cão do Presidente Obama é um cão algarvio”, embora sabendo-se que o bicho tinha nascido no Texas.

17/05/12

O Pedro Bidarra vai a todas, ele é West Coast, ele é Allgarve, ele é células estaminais

Hoje foi um dia para esquecer e macacos me mordam se isto não anda tudo ligado.
Começou com o Arnaut a dizer que "a Grécia é um país inventado".
Acaba com o Pedro Bidarra, parece que grau 33 do marketing e publicidade, a mostrar uma campanha sobre células estaminais que está a indignar pais, futuros pais e gente ligada à ciência e à ética da ciência (não vou dizer "gente de bem" porque poderia parecer mal).
A coincidência, porque ele há mesmo coincidências do caraças, é que se trata do mesmo Bidarra que nos vendeu a West Coast, essa ideia brilhante em que se associou ao não menos brilhante ministro Manuel de Pinho.
Na altura, o guru publicitário garantia que a West Coast tinha «associações "aspiracionais" – Hollywood ou Silicon Valley, por exemplo – que sem nada termos que fazer contaminam o conceito positivamente, tornando-o mais glamouroso e mais cosmopolita. Depois há as pontes e colinas de Lisboa e S. Francisco, o Vale do Douro e o Napa Valley, a aridez da Baja Californiana e o nosso Alentejo, coincidências felizes que é só aproveitar.
Agora diz que a actual «campanha é forte e tem uma componente de serviço público, para educar as pessoas».
Ó Pedro Bidarra, cá para mim quem precisava de ser (re)educado eras tu. Em alternativa, podias ir tratar da imagem da Coreia do Norte que anda muito por baixo.

14/08/11

Já que estamos na silly season… falemos de política

O tema pareceu-me apropriado, se não inspirador, particularmente à luz desta frase de Mark Twain: Suppose you were an idiot and suppose you were a member of Congress. But I repeat myself.
Creio que não estaremos muito longe da verdade se dissermos que, este ano, a abertura oficial da silly season ficou marcada pela entrevista de 14 de Julho a Lili Caneças.
Embora eu, pessoalmente, tenha apreciado sobretudo a deixa final de Lili, Obrigada eu. Não se esqueça de pagar o meu sumo, muitos houve que preferiram as revelações acerca do beijo trocado com Polansky, as leituras de Marx, os amigos maoistas ou as simpatias trotskistas da própria…
Ainda mal refeitos do extremismo de Lili, fomos informados que Nuno Fernandes Thomaz, do CDS, dera entrada na Caixa Geral de Depósitos como administrador-executivo, apesar de este nunca ter conseguido cumprir a promessa feita em 2005 — mandar construir um Museu da Bíblia a Norte e um parque tipo Eurodisney a Sul, tendo ficado por apurar se a ideia teria o beneplácito de Álvaro Santos Pereira, o Álvaro, ministro que nos fizera saber em Junho (ou seja, antes da abertura oficial da silly season e depois da dupla Pinho/Bidarra nos ter mandado rigorosamente p’ra outra banda) o quanto lhe aprazeria ver Portugal transformado numa Florida.
Em matéria de dress code, também se registaram alguns factos relevantes. Disputaram-se (e disputam-se) aventais, a Universidade Católica de Lisboa decidiu abolir os chanatos e as camisolas do Benfica, e o monárquico Rodrigo Moita de Deus garantiu que uma grande diferença entre os políticos de esquerda e os políticos de direita diz respeito ao guarda-roupa e [à] capacidade de transmitir a sexualidade. A direita costuma ser melhor nessas coisas, convicção tornada pública após a ministra Assunção Cristas ter abolido a gravata (esse símbolo fálico!) por razões energéticas e ambientais, esquecendo-se que muito pior do que as gravatas é a flatulência das vacas, animais que também estão sob a sua alçada.
Já depois disso aumentaram os transportes, foi anunciada a subida do IVA do gás e da electricidade e o fim de algumas comparticipações na saúde.
No entretanto, parece que alguém do PSD ligou para o 112 da Assembleia da República e o PS veio exigir um pedido público de desculpas. Temos oposição!

24/03/09

A diferença entre um anúncio muito parvo e um anúncio muito inteligente

Anda por aí grande alarido por causa de um anúncio à Antena 1 em que se faz uma piada aos atrasos provocados pelas manifestações (o anúncio e as indignações aqui).
E o picante que rodeia o caso vê-se ampliado pelo facto de uma das vozes incluídas no spot ser de Eduarda Maio, a autora da biografia de Sócrates, O Menino de Ouro.
Pela parte que me toca, considero as reacções para o exagerado. Adequadas talvez à silly season mas um bocadinho nada precoces para o começo da Primavera. Após ter visionado o pomo da discórdia, concluí o seguinte:
1. O anúncio não é ofensivo, a piada é que é seca.
2. O pior de tudo ainda é a voz da Eduarda Maio, dentro daquele género piroso à Emissora Nacional.
3. Numa altura em que tanto se fala de salvar o Planeta (até o primeiro-ministro nos manda comprar painéis solares…), bem podiam ter arranjado outro tema que não fosse um urbano-dependente motorizado e parado no trânsito.
4. Finalmente, soube por acaso que o anúncio metia ao barulho o publicitário Pedro Bidarra, que, reconheço, é uma das minhas embirrações assumidas. E foi então que se fez Luz: dali só podia sair qualquer coisa armada aos cágados.
Dito isto, sirvo anúncio inteligente onde ninguém stressa com as horas e que, ainda por cima, é a favor dos comboios.

26/12/07

Portugal como Vontade e Representação

«Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo». Eis o que nunca poderia dizer porque Portugal nunca me disse muito – e uma acidez espasmódica galga-me a boca do estômago quando me falam de pátria. [Nada escrevo de original. José Cardoso Pires registou-o em Alexandra Alpha: «Isto não é um país, é um lugar mal frequentado».]
A imagem – a pedir uma dose reforçada de Alka-Seltzer – é contrária à poética das coisas belas, eu sei. Também sei isto: «Metade da minha alma é feita de maresia». Nasci no extremo Sul: a geografia vale tanto como a genética.
Dir-me-ão: «E o Cavaco?». O Cavavo é um «montanhêro», na feliz definição do meu descansado tio, algarvio da borda d’água, que a reservava com parcimónia a todos os que tivessem nascido a mais de três quilómetros do mar.
Pouco importa já aquele que o poço trocou pela fonte. Dada a mudança acrescida de estatuto existencial – de primeiro-ministro infalível ascendeu a chefe de Estado dilacerado pelas dúvidas [não aprovo/ aprovo/ não aprovo/ aprovo/ Ó MARIA!] – só o futuro próximo lhe fará, ou não, justiça. Daqui a 9 meses, aproximadamente, virá a público o resultado do seu lancinante grito: «Eu não acredito que tenha desaparecido dos portugueses o entusiasmo de trazer vidas novas ao mundo!» O meu tio está morto, logo, incapacitado. Se não estivesse, esta história da West Coast teria acabado com ele.
Com a Primavera veio o Allgarve: 9 milhões de euros gastos numa campanha mundial decidida pelo inefável Ministro da Economia e Inovação (?), Manuel Pinho. [É verdade que nessa altura era-lhe impossível saber que, sem custar um tostão a Portugal, Gerry McCann viria a organizar no Verão a maior campanha de marketing a que o Algarve já assistiu desde o tempo em que era reino.]
Em pleno Inverno do nosso descontentamento chega a cowboyada da West Coast: «Como pode uma marca que é a 23ª do mercado, que tem fraca e até má reputação, pobres argumentos, baixo preço e uma desmotivada força de vendas, dar a volta por cima e criar um grande impacto no mercado?». A marca – e depois eu é que falto ao respeito à pátria... – é Portugal.
«Portugal é visto como um país do Sul. Um país de Sol e Mar mas também de subdesenvolvimento, iliteracia, corrupção e dos recorrentes indicadores estatísticos de miséria. O Sul é o filtro que nos condena a sermos vistos como somos». Ora a merda!!! [e olhem que na minha família não somos de dizer asneiras].
Continuemos a ler Pedro Bidarra, grau 33 em marketing e publicidade e responsável da campanha: «Sem ser exaustivo, digamos que o Sul tem bom tempo, calor, gente simpática, boa comida, paz, esplanadas e dolce farniente; e tem subdesenvolvimento, gente pobre e iliterada, corrupção e os indicadores estatísticos de miséria» [sem ser exaustiva: serei da gente pobre e iletrada ou da simpática e corrupta?].
E o que é que tem a West Coast? Ah! Ah! Segundo a mesma luminária tem «associações "aspiracionais" – Hollywood ou Silicon Valley, por exemplo – que sem nada termos que fazer contaminam o conceito positivamente, tornando-o mais glamouroso e mais cosmopolita. Depois há as pontes e colinas de Lisboa e S. Francisco, o Vale do Douro e o Napa Valley, a aridez da Baja Californiana e o nosso Alentejo, coincidências felizes que é só aproveitar
Se isto fosse mesmo a West Coast ou eu a Calamity Jane esse tal Bidarra mais o Pinho do costume haviam de comer pó. Em memória do meu tio. Amen (e com glamour aspiracional).