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27/03/12

As barragens culturais de Mexia

Sou do tempo em que se mudavam fusíveis à mão. Hoje é o tempo de Mexia (António Mexia). Entre nós, o abismo de um novo paradigma.
Como qualquer paradigma que se preze, também este significou um corte epistemológico com o passado. Um corte quiçá mais radical do que aquele que levou os físicos a “abandonar a crença na possibilidade de toda a física ter por base a mecânica de Newton”.
Sem mais rodeios: a pesquisa de Michael Faraday sobre electricidade está para a revolução da física assim como o poder de Mexia está para a revolução energética/cultural.
Mexia é enérgico. Energético. “Energizante”. Parafraseando Cabrera Infante, Mexia é Demasiado! De desmaiar (colapso dos sentidos que vem acometendo um número significativo de portugueses quando confrontados com a conta da luz).
Mas se Faraday era cientista, Mexia é economista. Não que seja demasiado económico. A prová-lo, três grandes projectos artísticos no Douro.
Pedro Cabrita Reis vai usar 2.700 l de amarelo numa superfície de 13.000 m2 (barragem da Bemposta); Pedro Calapez preferiu a cor e o vidro temperado para uma superfície de 142 m2 (barragem de Picote); quanto a Souto Moura, coube-lhe “minimizar as alterações morfológicas das vertentes, a volumetria exposta das obras e o seu impacto visual” na Foz do Tua.
Mexia, amigo das artes, veio também anunciar a decisão de fazer construir as novas casas das máquinas das barragens por Pritzker de arquitectura. Com a mania das grandezas característica da bipolaridade portuguesa (nos outros dias somos piegas), sublinhou tratar-se de um “projecto inovador a nível mundial”.
Citando o crítico de design Mário Moura: “Às vezes há boas razões para nunca ninguém ter feito uma coisa”.

14/11/11

Dia 20 apaguem-se as luzes e a ver se o Mexia aprende o que é esforço equitativo

Transcrevo a informação que circula pela Internet e que apela a um boicote nacional à EDP no próximo dia 20 deste mês. Eu, por mim, já tenho uma velas à mão. Para o boicote, e para quando não houver "almofada" para pagar a factura.

«Vamos utilizar o nosso poder. Dia 20 de Novembro às 15.00 horas. A EDP já teme os prejuízos desta medida na escala dos vários milhões de portugueses, que estão conscientes do abuso a que estão sujeitos. Já recebi este e-mail 17 vezes nos últimos dias. Continuem a partilhar». «A EDP mantém um nível de lucros totalmente incompatível com o estado do país e com os sacrifícios exigidos a todos nós. A EDP tem mais poder que o Governo de Portugal e conseguiu (vá-se lá saber por que vias) impedir uma medida que visava minorar os brutais aumentos da energia que se estão a verificar - e que vão, certamente, aumentar ainda mais os ditos lucros». «A EDP mantém um monopólio (não de jure, mas de facto) uma vez que a concorrência não oferece aos consumidores domésticos (por exemplo) taxas bi-horárias». «Proposta: no dia 20 de Novembro de 2011, às 15:00, a nível nacional, vamos, todos nós consumidores domésticos, desligar tudo durante uma hora (os nossos congeladores aguentam mais do que isso quando há uma «anomalia» na rede que nos deixa sem energia e as baterias dos nossos portáteis também)». «Vamos repetir a acção até a EDP ter de nos pedir para parar com a coisa. Na qualidade de bons cidadão, que todos somos, pararemos mas só se os preços forem ajustados de forma a que os lucros da EDP se acertem pelo razoável, pelo socialmente justo e pelo moralmente correcto. Se gostarem da ideia, espalhem. Veremos no que dá».

14/10/11

Da arte de (se) governar(em)

Gráfico que dá conta das vantagens de se passar pelo arco da governação ou de como um rapaz chamado Ascenso Simões, ainda por cima muito, muito feio, passou de um rendimento anual de cerca de 70 mil euros/ano para pouco mais de 122 mil.
Os exemplos são 15 e incluem o Mexia (680 mil versus cerca de 3 milhões) ou o Pina Moura (22.814 versus 697.338).
Conclusão: quando for grande quero-me casar com um homem de Bloco Central (mesmo que seja muito, muito feio).

Como os Políticos Enriquecem em Portugal, António Sérgio Azenha, Lua de Papel

22/10/10