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05/09/22

DA MISÉRIA DO JORNALISMO!

Abro o computador e deparo-me com este título em português

Sigo para o site do jornal indiano que costumo consultar diariamente e leio

Volto à notícia publicada em Portugal e logo no primeiro parágrafo escreve-se

«Uma explosão esta segunda-feira nas imediações da Embaixada da Rússia na capital do Afeganistão, Cabul, terá provocado a morte de dois membros da equipa da embaixada e pelo menos um civil, relatou a agência de notícias estatal russa, RIA Novosti – o número de mortos pode crescer uma vez que há relatos de entre 8 e 10 pessoas que poderão ter sido vítimas da explosão.(...)».
E agora descubra as diferenças!


21/08/22

GUERRA NA UCRÂNIA: SUÍÇA PEDE AOS SEUS CIDADÃOS QUE ARMAZENEM VELAS E LENHA PARA O INVERNO

Enquanto neste Jardim à beira-mar plantado andamos entretidos com Marcelo, Medina e sus muchachos e o episódio gore do coração do Rei, na Europa mais a Norte, a coisa aquece para o Inverno.

Depois da Polónia, as autoridades suíças recomendam uma boa provisão de velas e de lenha. E temem-se, naturalmente, tumultos. 

«According to the Swiss police chief, Fredy Fassler, Switzerland might have riots countrywide if energy shortages occur in the upcoming winter. "Power outage... will have serious consequences. Imagine the situation when we can no longer withdraw money from ATMs, we can no longer pay by card in a store or refuel at a gas station. The heaters are no longer working. The streets are all dark. In that case, it would be possible to imagine that the population would rebel," Fassler said when reached out for a statement by the Blick newspaper. he cautioned that the Swiss authorities must stand ready for the worst-case scenario.

Swiss Federal Council is urging the power plant operators to negotiate contracts for the use of backup power plants in the event of an electricity shortage to avoid extreme measures and angst by the public. Head of the Swiss Federal Electricity Commission Elcom, Werner Luginbuhl, urged the citizens to stock up on candles and firewood and be prepared for the outages. Such warnings come as elsewhere in Germany millions of lower-income households will apparently struggle to pay their energy bills due to significantly high bills amid the energy crisis. (...)» 

19/08/22

AINDA HÁ JUÍZO: PORTUGAL OPÕE-SE A IMPEDIR OS CIDADÃOS RUSSOS DE ENTRAREM NO ESPAÇO DA UNIÃO EUROPEIA

 Muito bem, o governo português!

Quando tantos que criticam Putin mostram ter afinal um conceito de democracia tão parecido com o de Putin, só nos resta congratularmo-nos com opiniões que não ultrapassam as linhas vermelhas dos Estados democráticos. 

«Portugal opõe-se à proibição de entrada de turistas russos na União Europeia (UE).»

09/07/22

A GUERRA DE FAMALICÃO, A JUSTIÇA SALOMÓNICA OU TANTO BARULHO PARA NADA


«O relato das teimosias já chateia. Até porque existe uma solução perfeitamente legal que até surge prevista nas justificações de falta do E360, mas o senhor director não a quer aplicar, lá ele saberá porquê. provavelmente, não usa o programa no agrupamento dele e não deve conhecer a possibilidade de justificar faltas a alunos, quando reconhecidamente faltam por factores que impedem a sua presença na escola, independentemente da sua vontade. 
Ou seja, os alunos podem faltar porque são impedidos na sequência de circunstâncias que não podem controlar, sendo possível, nesse caso, justificar-lhes as faltas, não os penalizando por algo que manifestamente não está nas suas mãos
Não é nenhuma ilegalidade justificar faltas deste modo, sabendo-se que o aluno é menor e está impedido pela família de ir àquelas aulas. (...)
Neste caso, o primeiro a chegar-se à frente com uma solução que não penaliza os alunos será como a verdadeira mãe da criança da história do Salomão. Que ninguém parece querer ser, incluindo o pai, talvez por questões de género, como parece ser óbvio.
Claro que o verdadeiro problema que aqui está é a abertura de um precedente, mas então mais vale assumir isso em vez de dizer que o que está em causa é o “direito à educação” dos jovens ou que é uma questão simplesmente “legal”, quando tudo depende da justificação ou não das faltas, ficando o aluno sem avaliação por falta de elementos, mas não “chumbando” todo o ano. Vamos lá ser francos… as duas partes estão numa disputa que usa os miúdos como reféns. (...)»

30/06/22

PORTUGAL É UM MANICÓMIO E NÃO SE PODE APANHAR AMEIXAS NEM FAZER A SESTA

Estando a saga das ameixas longe do seu fim, desci novamente ao quintal. Fui e voltei e depois fiz a sesta. Sonhei com camionetas. Acordei. Seguimos sin furgonetas  nada de novo  mas também afinal com ministro. 

Moral da história: Pedro Nuno Santos não é uma nêspera.

«Pedro Nuno Santos não se demitiu nem foi demitido pelo primeiro-ministro.»


PORTUGAL É UM MANICÓMIO E NÃO SE PODE IR APANHAR AMEIXAS

Uma pessoa dirige-se ao quintal para apanhar as ameixas que o vento insiste em colher da árvore sem ninguém lhe ter pedido nada. Quando desce para o quintal leva no coração dois novos aeroportos. O tempo de regressar com as ameixas e não só já não há aeroportos, mas também parece já não haver ministro. 

«Se Pedro Nuno Santos não se demitir será demitido pelo primeiro-ministro, soube o Público»

«Pedro Nuno Santos não se demite»

16/06/22

E UM POUCO DE FELICIDADE, CARAMBA: PORTUGAL NUMA FRASE

«Hoje não lhe posso resolver isso porque amanhã é feriado...»

E pergunto eu: por onde anda a literatura pícara, ó sisudos d' um raio?!

09/06/22

ENTRETANTO NO NOSSO LAR, DOCE LAR: Ó SENHOR COSTA, VAMOLÁVER

Parem lá de gozar, se faz favor

Luís Aguiar-Conraria

«Às vezes, fico com a ideia de que os governantes gostam de gozar connosco. Voltei a ter essa sensação quando ouvi António Costa falar da necessidade de aumentar o peso dos salários no PIB e exortou as empresas a que fizessem um esforço coletivo nesse sentido. Pôs mesmo uma meta: até 2026, aumentar o salário médio em 20%. Neste caso, esta simples declaração é como um bom bolo de bolacha, tem várias camadas de gozo.

A primeira camada de gozo é a de fixar uma meta que em nada depende do Governo. Não é António Costa quem define quais os salários que as empresas pagam. Este discurso serve essencialmente para chamar a si mesmo o mérito de eventuais aumentos salariais que venham a ser concedidos no sector privado.

A segunda camada tem a ver com a justificação que o Governo deu, ainda não há muitas semanas, para não aumentar os funcionários públicos em mais do que 0,9%: não queria alimentar uma espiral inflacionista. Até parece que só os aumentos dos funcionários públicos é que causam inflação. Os aumentos dos salários no sector privado não.

(Se pensarmos com cuidado, percebemos que é precisamente o oposto. O perigo de os aumentos salariais alimentarem a inflação tem a ver com o facto de o empregador poder aumentar os preços transferindo o aumento de custos para o cliente. Esse perigo é muito maior no sector privado do que no público. Por exemplo, não é por se aumentarem os professores universitários que as propinas ficarão mais altas.)

A terceira camada é o próprio objetivo fixado e a forma de lá chegar. Diz António Costa que o peso dos salários no PIB é de 45% e quer que suba para 48%. Para tal ser possível é necessário que os salários aumentem mais do que o PIB. De acordo com as previsões da Comissão Europeia, o PIB português deverá crescer, em termos nominais, 8,8%. Na verdade, como a inflação prevista tem estado sempre a ser revista em alta, o provável é mesmo que o PIB nominal aumente ainda mais. (Note-se que o PIB representa o valor de todos os bens e serviços produzidos num ano, pelo que pode aumentar porque cresceu a produção e/ou porque os preços subiram; já quando falamos do PIB real, estamos a abstrair-nos dos efeitos inflacionistas.) Se as empresas seguirem o exemplo do Governo e aumentarem os salários em 1%, o que vai acontecer é que o peso dos salários no PIB, em vez de subir de 45% para 48%, desce para 42%. Se as empresas, em vez de fazerem o que António Costa diz, fizerem o que ele faz, o peso dos salários, em vez de aumentar três pontos percentuais, cairá em igual montante. Bem prega Frei Tomás…

Há uma quarta camada de gozo que é o de não dizer se o aumento de 20% é em termos reais ou nominais. Habituámo-nos de tal forma a não ter inflação que nos esquecemos que um aumento dos salários igual à taxa de inflação não é aumento nenhum. Se os preços em Portugal congelassem até ao fim do ano, a taxa de inflação de 2022 seria de 6,7%. Se traçar cenários otimistas e pessimistas para a inflação até 2026, concluirá que, até ao fim de 2026, os preços subirão entre 20% e 30%.

Portanto, se António Costa fala de um aumento nominal dos salários, 20% não é nada. Por trás de um número aparentemente ambicioso está, na verdade, uma ambição de descida dos salários reais. Faz lembrar quando, durante a campanha, o aumento de 0,9% dos salários da Função Pública foi apresentado como uma promessa eleitoralista. A promessa só era eleitoralista porque somos burros, dado que a inflação era bastante superior.

Se Costa se refere a aumentos reais dos salários, isso quer dizer que os salários têm de subir bastante acima da inflação. Admita, só para simplificar as contas, que a inflação em 2022 é de 7%, depois cai para 5% em 2023, 3% em 2024 e 2% em 2025 e 2026. Para que haja um aumento real de 20% dos salários, estes terão de crescer 3,85 pontos percentuais acima da inflação todos os anos. Só este ano teriam de subir quase 11%.

Há ainda uma quinta camada de gozo. O objetivo de aumentar os salários em 20% surge na mesma altura em que o Governo anuncia experiências-piloto para testar a semana dos quatro dias de trabalho. O Governo acena com menos um dia de trabalho por semana (ou seja, uma redução de 20% da carga de trabalho semanal) ao mesmo tempo que fixa como meta 20% de aumento salarial. Andam os economistas a discutir se será possível reduzir a semana de trabalho sem baixar salários e o Governo não só acha possível não baixar salários como até acha que dá para os aumentar em 20%. Se fizer as contas, verá que, para aumentar o salário em 20% ao mesmo tempo que reduz o horário noutros 20%, o salário por hora terá de aumentar 50%.

Fico na dúvida sobre se estão a gozar ou se não têm qualquer noção do que dizem.»

DAQUI, a partir DAQUI

06/06/22

E AGORA PARA ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE OU TALVEZ NÃO: «A nostalgia, ao contrário da memória, não tem a ver com o passado, mas com o presente (e com a incerteza do futuro)»

António Araújo a começar pelo País de Gales, a passar pelos alfarrabistas e as memórias de Tróia e a acabar na ausência de futuro em/para Portugal. 

Há dias, o Jorge Nunes, da Livraria Nunes, ao n.º 5-A da Rua de São Domingos de Benfica (sim, visitem-na, sff), trouxe no catálogo um livrinho deslumbrante, que me despertou de imediato o fervor comprador. Desde logo por ser obra de simplicidade enternecedora, sem pretensões nem jactâncias de espécie alguma. Chama-se Quando a Tróia era do Povo e foi feita pelo "colectivo do 9.º ano da Escola Secundária D. João II - Setúbal". (...)

Aquilo que aconteceu ao povo de Setúbal, expulso da Tróia em nome da "modernidade", é o que hoje sucede aos nossos jovens, privados da terra que é sua, em brutal e desigual competição num mercado imobiliário levado ao rubro por ricos reformados brasileiros ou expats franceses com tratamento fiscal privilegiado, pelos milionários dos vistos gold ou por fundos financeiros obscuros, sem nome e sem rosto. Nos centros de Lisboa e Porto as casas escasseiam, alcançam preços astronómicos, fruto da especulação imobiliária e, como se não bastasse, da enorme pressão do turismo, um sector em que apostamos cegamente (no segmento de massas e pé descalço), à falta de indústria e serviços de qualidade, esses, sim, capazes de qualificar a mão-de-obra e de gerar verdadeira e perene riqueza.
Nos 50 anos do 25 de Abril, chegámos, assim, a um incrível paradoxo: vivemos hoje muito melhor do que no passado, com mais liberdade e justiça, com abundância de tudo, mas os jovens têm agora menos razões de esperança no futuro do que há cinco décadas. Quanto ao presente, muito de tudo; quanto ao futuro, nada de nada - e a certeza triste, inexorável, de que os nossos filhos terão, inquestionavelmente, uma existência mais difícil do que a nossa.
De resto, o país no seu todo está hoje a ser vendido aos bocados, e a um ritmo de que nem sequer nos apercebemos: empresas e negócios, as melhores casas e propriedades, as melhores terras, tudo à venda. Com a banca na mão dos espanhóis, a energia dos chineses, a indústria de pantanas, que resta de ti, Portugal?
O que hoje se passa é o resultado de uma tempestade perfeita, que os cidadãos não alcançam, que os governos não travam. De um lado, uma colossal dívida privada, das famílias e das empresas (um problema de que pouco se fala, concentrados que estamos na dívida pública); do outro, incentivos fabulosos (vistos gold, benefícios fiscais, off-shores) para que os estrangeiros nos comprem ao melhor preço, pedaço a pedaço, e que assim hipotequem o futuro dos nossos jovens. Quem vende está endividado, quem compra é fiscalmente privilegiado - haverá melhor receita para o desastre? O resultado é o que estamos vivendo, muito de tudo, nada de nada. E, de cima a baixo, um país convertido numa enorme Tróia, que foi do povo, mas já não é.»

01/05/22

O PCP E A DEMOCRACIA: DO ANACRONISMO PORTUGUÊS

De repente, é ver a indignação que vai para aí com o PCP, cujos militantes, em tempos que já lá vão, eram denominados  revisas ou mesmo social-fascistas. Há até quem fale da hipótese de criminalizar o partido que continua a ser de Cunhal pelas suas posições sobre a guerra na Ucrânia; outros, mais afoitos, pugnam já pela sua ilegalização.

Não tendo nada a ver com o PCP  coisa que é mesmo de família  não deixa de me fazer confusão esta bandeira anacrónica erguida com destemor nos anos 20 do século XXI. 

Com o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, catapultado a ministro das Finanças, apesar de ter sido durante a sua vigência que se enviaram para a embaixada russa (entre outras) os dados pessoais de opositores ao regime de Putin, o escândalo estala agora porque há russos metidos ao barulho na recepção aos refugiados (e note-se que em várias câmaras municipais e não apenas na de Setúbal). 

Vem mesmo o presidente de uma associação ucraniana  Ukrainian Refugees UAPT   declarar-se abismado por ainda existir um partido comunista em Portugal. 

"... como é que Portugal, um país democrático, continua a ter um partido como o PCP ... É um partido que está basicamente neste momento a apoiar a guerra, não entendo mesmo”.

Bom, alguém lhe podia responder: é a democracia, pá, basicamente. 

E quem concluir que serei uma espécie de compagnon de route (expressão tão anacrónica como o próprio PCP ou/e a gritaria que para aí vai contra o partido que continua a ser do Cunhal...) pode ir dar banho ao cão. 

[E repare-se como o problema deixou de ser os russos pró-Putin e passou a ser os russos tout court: Nós não temos nenhum russo...]

12/03/22

E SÓ HOJE DEI CONTA QUE CONTINUAMOS SEM GOVERNO!

Já há uns dias me tinha perguntado: mas já foi formado governo? 

Hoje leio que o voto presencial de emigrantes na Europa decorre este fim-de-semana e só posso concluir que, no meio da desgraça, ainda há países com sorte.  


02/03/22