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21/05/13

Passámos do debate de ideias à troca de galhardetes com putos de 16 anos. A infantilização em todo o seu esplendor.

Ao que parece a historiadora Raquel Varela teve um desaguisado com um puto de 16 anos que foi ao Prós & Contras e faz camisolas. Há dias em que agradeço mesmo aos deuses não ter televisão.

18/01/13

Descubra as diferenças

«First comes spring and summer, but then we have fall and winter. And then we get spring and summer again», Chance, o jardineiro

«Há um “crescimento da economia” esperado para 2014, devendo o “ciclo recessivo abrandar este ano”, para depois dar lugar a um “ciclo de expansão”.», Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal

17/04/11

Daqui ninguém sai vivo

1. “Vai ali um português existencial”, diz o meu amigo poeta. E o português existencial de facto lá vai, gabardina, chapéu-de-chuva e uma prótese de jornais cujo peso lhe acentua a silhueta alquebrada. Dirige-se ao bar da esquina – homens feios, senectas balzaquianas e alguns turistas. Discute-se a queda do governo, o FMI e a dimensão pós-ontológica do PS do Sócrates. Ao fim de três cervejas, o português existencial garante que “isto era preciso era outra revolução!” e dispara uma palmada enérgica sobre a coxa da loura oxigenada sentada ao lado dele.

2. D. Fernanda, cozinheira de profissão, arrenda, há 20 anos, um restaurante em Arroios. É casada com o Sr. Fernando, ex-empregado de mesa. Todos os dias saem de casa às seis e meia excepto ao domingo, dia que reservam para a ida ao hiper-mercado invariavelmente coroada por “uma bica bem quentinha e um pastelinho de nata chávena escaldada faz favor”. Nunca foram ao estrangeiro e há mais de um ano que não descem ao Rossio. A filha, enfermeira, ofereceu-lhes um “Magalhães”. E se o pai continuou a preferir a Sport TV, a mãe ficou expert em junk mail e passatempos online.

3. Paulo vai pôr o dinheiro na Suíça: “A mim não me apanham eles.” Toma um whisky com muito gelo porque a idade já não perdoa. Chegou há pouco do ginásio e a balança brindou-o com menos 80 gramas. “Na Suíça!”, insiste entre dois tragos. Fai, a mulher, olha para a ponte Vasco da Gama alumiada e deixa-se ficar sonhadoramente com um palito de azeitona entre os dentes. Pensa num forcado de Alcochete que conheceu a caminho do Freeport.

4. "Quando sais à noite, se é para o engate o segredo está nos boxers largos”, diz a miúda a descer a rua, ainda a noite é uma criança. “Tu achas?”, pergunta um dos rapazes do grupo. “Tenho a certeza!”, reafirma com fé inabalável e passo trôpego. “Claro!”, concorda uma segunda. “No nosso caso é diferente. Lingerie mínima a condizer.” “E a Tânia que vinha com um fio dental preto e um soutien cor-de-rosa…” “Que nojo!”, diz o segundo rapaz, até então calado.

15/03/11

O Mário Soares e o Nuno Álvares Pereira via José Sócrates ou o PS a fritar em lume brando

Mário Soares, goste-se ou não, foi o último homem político em Portugal. Já não exerce mas ainda mexe (Alegre que o diga...) e depois dele começámos a votar nas plantas.
Mexe e fala. Veio agora falar para dar uma cacetada no Sócrates. Não terá sido a machadada final, mas anda lá próximo


sobretudo se à crítica ao engenheiro se juntar o elogio a Passos Coelho


O que faltou a Soares para desferir o coup de grâce? Naturalmente, uma alternativa dentro do PS ao próprio Sócrates.


E enquanto o PS frita e nós com ele (essa parte é que me chateia), restar-nos-á então esperar por uma nova intervenção do D. Nuno Álvares Pereira, guerreiro valoroso e beato que, tendo salvo uma vez a Guilhermina do óleo da fritadura do peixe, talvez se digne comover-se connosco agora, desgraçados e encurralados, cada vez com mais vontade de morrer (como dizia o Herculano, citado pelo Soares).
Haverá milagre?

07/03/11

Às vezes me espanto, outras me envergonho ou a luta de classes à luz do Festival da Canção

A prova que vivemos soterrados em informação inútil é que também eu fiquei a saber da existência de um grupo chamado “Homens da Luta”. Li algures que “trazem de volta a música de intervenção, de raízes tradicionais e ritmos africanos e cheias de humor”.
A descrição não me diz nada mas já a música vencedora do Festival da Canção , em que parece que o POVO (de esquerda) votou com ardor e valentia, me deixou estarrecida.
E mais estarrecida fiquei quando dei conta que andam por aí a elevar o Jel (julgo ser o nome do líder) à categoria de cantor de protesto, confirmando assim as previsões de João Lisboa que bem disse não ser improvável que, empolgada pelo efeito-Deolinda, uma nova vaga de politólogos, sociólogos, hermeneutas, historiadores, exegetas, psicólogos e outros Professores Karamba, se lance, avidamente, sobre o crucial acontecimento político-cultural que foi a vitória dos Homens da Luta na relíquia televisiva anual conhecida como Festival RTP da Canção.
Pensava eu que o tempo do Festival da Canção acabara com a televisão a cores. Afinal, voltou com os “Homens da Luta”.
Dizem eles que a sua “ideologia é a luta pela luta" e que querem “o povo na rua a gritar".
Pior do que isto só a Ermelinda Duarte a cantar Somos Livres, vulgo “Uma gaivota voava/voava...”.
Ou o Daniel Oliveira a garantir que eles são a prova que temos hoje mais sentido de humor.
Humor, Daniel Oliveira?!!!!
Tragam-me uma caixa de Kleenex.

19/10/10

Ainda há gente honesta neste mundo: concessionária da Mota-Engil devolve ao ministro das finanças 400 milhões de euros

Talvez derivado à* conjugação das muitas directas com a falta de Guronsan, o governo PS tinha enfiado na pen do orçamento 587 milhões de euros para a Ascendi (só o nome é todo um programa).
Mas isso foi antes.
depois, a Ascendi veio dizer que só lhe são devidos 150 milhões.
Eu fiquei comovida. E você, já ascendeu?
*Leitora atenta faz-me notar que derivado à não se diz. Fica então em itálico, não vão os clientes da Pastelaria confundi-la com o Ciberdúvidas.

02/07/10

Notícias da crise: quando a coisa aperta há sempre uma Marie Antoinette à nossa espera com conselhos de culinária

Ana Jorge, a ministra da Saúde, não é Nigella Lawson. Acontece. Maria Antonieta também não era Kirsten Dunst. Mas se a uma ministra não se exigem as medidas de Gisele Bündchen, é natural que se peça bom-senso em doses mínimas.
Num momento em que metade dos portugueses está prestes a chegar ao último furo do cinto, as declarações da primeira senhora referida neste post são no mínimo de mau gosto: "Apelo às crianças e famílias que aproveitem a necessidade de contenção para fazerem sopa em casa".
Ao menos a Antoinette, ao que se conta, mandou o povo comer brioches. E em francês que soa muito melhor.

19/05/10

O exemplo islandês: eu sempre gostei muito mas mesmo muito de ilhas

Não é preciso acreditar no pai natal para notar que a diferença entre
ISTO
e o "estou muito contente comigo" de há menos de um ano, ou o "não peço desculpas por cumprir o meu dever" de ontem, após as tais uma... duas... três semanas... que mudaram o mundo...
é avassaladora, como diria o Pacheco Pereira.
Já agora, registem-se também algumas das medidas islandesas tomadas na sequência da bancarrota que atingiu o país em 2008*.
E porque há mais mundo para lá da crise, aproveite-se e leia-se "Gente Independente", do prémio nobel islandês Halldór Laxness, publicado em Portugal pela Cavalo de Ferro.

22/04/10

Quando for grande também quero ser famosa, ter utilidade política, comprar uma valise à carton e fundar uma associação em defesa dos flamingos*

Nunca gramei do género queques de esquerda. Queques por queques, prefiro os autênticos, os da Linha, e não me estou a referir à concorrência.
Sendo eu ainda do tempo do a menina pecebe?, em Cascais a malta sempre ia à praia e o mar, como se sabe mesmo sem ter lido a Murdoch, é uma coisa que areja a cabeça e o resto.
Quando olho para a Inês de Medeiros, sinto-lhe a falta do mar. Ela, por seu turno, sente falta de Paris.
Ao fim de vários meses sem saber quem lhe pagava as viagens para a Cidade da Luz, Lello teve voto de qualidade e pôs a Assembleia da República a entrar com o carcanhol.
Ou seja: je paie, tu paies, il paie, nous payons, vous payez, ils payent.
Esclareça-se. Não é que eu seja forreta. Não é sequer que eu ache que quem lhe deu emprego não devesse arcar com os tickets. A minha dúvida é outra: porque raio a convidaram? porque raio é a Inês de Medeiros deputada do PS e para mais por Lisboa?
E reparem. A minha dúvida é bastante anterior àquela sua singela declaração se Sócrates mentiu nem acho que seja muito grave (à propos, se ela não acha muito grave um primeiro-ministro mentir ao parlamento, porque carga d’água faz parte da comissão de ética do mesmo, mesmo sendo aquela a comissão de ética do mesmo?).
Bom, hoje fez-se luz. Parece que a deputada integrava uma lista de personalidades encabeçada por Figo, cuja simpatia e popularidade foi testada por um estudo de opinião realizado para a PT... Ou seria para o PS? Confesso que esta parte me escapou.
Enfim, seja como for, resolvido o caso, resta-me recordar apenas algumas das opiniões expressas por Inês de Medeiros quando esta ainda era só candidata e os contribuintes não tinham que lhe pagar as viagens.
Perguntaram-lhe.
E ela respondeu.
Touchant, n'est-ce pas?
Fiquei com uma dúvida: é mais caro ir aos Açores ou a Paris? É que se for mais caro ir aos Açores, o que suponho que seja, os termos em que é apresentada esta decisão é a xicaespertice mais xicaespertice de que tive conhecimento nos últimos tempos... ]