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05/02/12

Porque me irrita a indignação selectiva

Não gosto de listas. Nunca gostei de listas e não é agora que vou passar a gostar.
O conteúdo das mesmas é-me relativamente indiferente: listas de compras, de livros, listas de tarefas, de amigos, listas de intenções, listas de listas. Claro que as listas são, em acto, sempre incompletas (as listas completas podem bifurcar-se indefinidamente noutras listas). Ainda assim, há nelas um pendor escatológico que me perturba.
Talvez o verdadeiro amante de listas seja, porém, aquele que traz consigo o secreto desejo de nunca findar a lista, à semelhança (invertida) do real amante de poker que nunca deixa de sonhar fazer um dead man’s hand e levar um tiro a seguir.
Foi a esta interpretação que me conduziu, pelo menos, a frase de Umberto Eco: “gostamos de listas porque não queremos morrer”.
Dir-se-á, com certa razão, que se trata de uma frase full service. Tão banal como a própria morte ou o programa “Prós e Contras”. E se falo do P&C, não o faço movida por desígnios obscuros.
É vero que a gestualidade diligente de Fátima Campos Ferreira me deixa um pouco “almariada”. Registe-se, contudo, a favor dela, o facto de nunca nos ter brindado com um só romance histórico.
O caso é que fui parar a uma lista disponível na Net sobre os temas abordados no referido programa. O inaugural, de 14/10/2002, girava em torno da pergunta: “Os portugueses são pouco produtivos?”. O estranho é que logo na vez seguinte a questão era: ”Lisboa deve ter um casino?”
O tempo foi passando, Fátima foi ficando, e uma das últimas emissões versou Angola. Pedro Rosa Mendes não gostou, disse-o na rádio e… Trriim!
O que é que isto tem que ver com listas? É que se não gosto em geral de listas (Eco que me perdoe), de listas negras… Urgh!

06/07/11

A Morgada de V viu a luz e a Fátima Campos Ferreira que são uma e a mesma coisa. Não é nada tranquilizador

Transcrevo o final porque no final está tudo.

«(...) Fátima Campos Ferreira aponta a saída. “E vamos para a frente, porque há mais vida! Continuamos a viver neste lindo rectângulo à beira-mar, no sul da Europa! Vamos continuar a viver, a estar cá! E alguma coisa se há-de arranjar! Nós havemos de sair disto! Boa noite, até para a semana!”.

Visionárias palavras: confirmo que tenho planos para estar viva na próxima semana, mas é pouco provável que consiga “estar cá”, se puder evitá-lo. Confio em qualquer caso que o país saia disto sem mim, e até, quem sabe, sem a Fátima Campos Ferreira.»

Ler aqui.

04/11/09