"Le cinéma c'est un art, la télé c'est un meuble". A frase é de Godard, ilustre cineasta que, como qualquer francófono que se preze, gosta de dizer coisas.
António Borges, pelos vistos, também gosta. Foi assim que, chegado directamente de algures e com o Ministro nenhures,veio a público apresentar um modelo de privatização da radiotelevisão a que
chamarei sui generis, entendendo sui generis como uma variante latina do
nome próprio Al Capone.
Resumindo: propõe-se o Estado, despachada a arte, aviar o móvel, continuando nós a
financiar os compradores da mobília e não se pense que a preços do Ikea: 140
milhões por ano e sem rebajas à vista!
Isto, como depressa se percebe, é o maior negócio da China, pelo menos desde que a Inglaterra obrigou o imperador Daoguang a assinar o Tratado de Nanquim em 1842.
A especificidade dos liberais nacionais, já notada em outros “negócios interessantes”, continua, pois, a surpreender-nos: passa-se a RTP1 aos privados (fechada a 2 e umas quantas rádios…), mantém-se a taxazinha inserida na conta da luz, e continua-se a garantir um cheque de seis zeros e mais uns trocos à empresa que ficar encarregue de cumprir o “serviço público” a que a Constituição obriga.
Golpe de mestre! Golpada de génio! Cavalgada heroica! Crazy horses! A adjetivação tanto faz, mas assinale-se que Twain se precipitou ao escrever: “Suppose you were an idiot and suppose you were a member of Congress. But I repeat myself!”; pelo menos em Portugal, não há idiotas, só adiantados mentais.
E porque o tema era televison, segui o conselho de Groucho; fui ler um book.
Aliás, dois. "Da Treta”, Harry G. Frankfurt, e "Não me F**** o Juízo”, Colin McGinn.
Melhorei consideravelmente.
Mostrar mensagens com a etiqueta Privatizações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Privatizações. Mostrar todas as mensagens
03/09/12
27/08/12
24/08/12
Derrame sobre a RTP e que se lixe a etiqueta que eu não sou candidata ao corpo diplomático
Há duas coisas que me deixam doente: a estupidez é uma, que me tomem por estúpida é outra. A minha relativa saúde deve-se, obviamente, não à escassez no mercado dos itens referidos mas ao facto de passar largos períodos em hibernação.
Acordada para a realidade, vejo-me submergida (como os submarinos do Por
Acordada para a realidade, vejo-me submergida (como os submarinos do Por
tas) pelo caso RTP, que o Borges – o mesmo Borges que há uns tempos tinha como urgência baixar salários (os dos outros, suponho, mas posso estar enganada…) – veio anunciar ir ser vendida aos privados - a RTP 2 e várias rádios fechadas e o Estado a manter-se como parceiro, contribuindo através da taxa que todos os meses nos aparece na conta da Luz.
Ora bem. Como no tempo do parisiense José Sócrates (a propaganda, desde Joseph Goebbels que não progride grande coisa…), as tropas já foram instruídas para fazer a defesa da solução proposta.
O argumentário é simples: a Constituição exige serviço público, mas não diz como concretizá-lo nem se é à borla ou a pagantes; o negócio assegura o serviço público delegando-o num privado; ficamos todos a ganhar porque o Estado poupa imenso dinheiro, já que a participação se resumirá à taxa do audiovisual.
Para que conste, eu não tenho televisão. Acho a televisão generalista uma merda e chateia-me andar a pagar o Baião, a Furtado, aquela senhora inenarrável que dá pelo nome de Fátima Campos Ferreira (que, agora reparo, também dará aulas na Lusófona…) e etc., como me chatearia, note-se, pagar pelo Slavoj Žižek.
Mas, também para que conste, enquanto pagar ao Estado um serviço da treta me chateia, pagar directamente para os bolsos dos privados não me chateia apenas: transforma-me numa espécie de Dexter de saias.
O mais demagógico de tudo, porém, é quererem-nos convencer que, agora sim, é que vamos ter um serviço público… de qualidade.
Façam-me o favor de ir foder longe, e pardon my french.
Ora bem. Como no tempo do parisiense José Sócrates (a propaganda, desde Joseph Goebbels que não progride grande coisa…), as tropas já foram instruídas para fazer a defesa da solução proposta.
O argumentário é simples: a Constituição exige serviço público, mas não diz como concretizá-lo nem se é à borla ou a pagantes; o negócio assegura o serviço público delegando-o num privado; ficamos todos a ganhar porque o Estado poupa imenso dinheiro, já que a participação se resumirá à taxa do audiovisual.
Para que conste, eu não tenho televisão. Acho a televisão generalista uma merda e chateia-me andar a pagar o Baião, a Furtado, aquela senhora inenarrável que dá pelo nome de Fátima Campos Ferreira (que, agora reparo, também dará aulas na Lusófona…) e etc., como me chatearia, note-se, pagar pelo Slavoj Žižek.
Mas, também para que conste, enquanto pagar ao Estado um serviço da treta me chateia, pagar directamente para os bolsos dos privados não me chateia apenas: transforma-me numa espécie de Dexter de saias.
O mais demagógico de tudo, porém, é quererem-nos convencer que, agora sim, é que vamos ter um serviço público… de qualidade.
Façam-me o favor de ir foder longe, e pardon my french.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
EM REDE
- 2 dedos de conversa
- A balada do café triste
- A causa foi modificada
- A cidade das mulheres
- A curva da estrada
- A dança da solidão
- A rendição da luz
- A revolta
- A terceira via
- A única real tradição viva
- Abrasivo
- Agricabaz
- Agua lisa
- Albergue espanhol
- Ali_se
- Amor e outros desastres
- Anabela Magalhães
- Anjo inútil
- Antologia do esquecimento
- Arrastão
- As escolhas do beijokense
- As folhas ardem
- Aspirina B
- ayapaexpress
- Azeite e Azia
- Bibliotecário de Babel
- Bidão vil
- Blogtailors
- Casario do ginjal
- Centurião
- Church of the flying spaghetti monster
- Ciberescritas
- Cidades escritas
- Cinco sentidos ou mais
- Claustrofobias
- Coisas de tia
- Complicadíssima teia
- Contradição Social
- Dazwischenland
- De olhos bem fechados
- Dias Felizes
- Do Portugal profundo
- Duelo ao Sol
- e-konoklasta
- e.r.g..d.t.o.r.k...
- Enrique Vila-Matas
- Escola lusitânia feminina
- Fragmentos de Apocalipse
- Governo Sombra
- Helena Barbas
- If Charlie Parker was a gunslinger
- Illuminatuslex
- Incursões
- Instante fatal
- Intriga internacional
- João Tordo
- Jugular
- Klepsydra
- Last Breath
- Ler
- Les vacances de Hegel
- Letteri café
- LInha de Sombra
- Mãe de dois
- Mais actual
- Malefícios da felicidade
- Manual de maus costumes
- Metafísica do esquecimento
- Mulher comestível
- Nascidos do Mar
- Non stick plans
- O Declínio da Escola
- O escafandro
- O funcionário cansado
- O jardim e a casa
- O perfil da casa o canto das cigarras
- Obviario
- Orgia literária
- Paperback cell
- Parece mal
- Pedro Pedro
- Porta Livros
- Pratinho de couratos
- Raposas a Sul
- Reporter à solta
- Rui tavares
- S/a pálpebra da página
- Se numa rua estreita um poema
- Segunda língua
- Sem-se-ver
- Sete vidas como os gatos
- Shakira Kurosawa
- Sorumbático
- Texto-al
- The catscats
- There's only 1 Alice
- Tola
- Trabalhos e dias
- Um dia... mais dias
- Um grande hotel
- We have kaos in the garden
