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17/01/25

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «A maçã de Newton que acabará por nos cair na cabeça»


17/05/12

Frases que mereciam um pano encharcado na cara

"A GRÉCIA É UM PAÍS INVENTADO; ERA UMA PROVÍNCIA DO IMPÉRIO OTOMANO", José Luis Arnaut (ex-Ministro Adjunto de Durão Barroso e Ministro das Cidades e etc. do governo de Santana Lopes) ontem à noite na SICN

08/07/11

Pobrezinhos mas honestos versão ou há moralidade ou comem todos

Uma onda de indignação varre o país. Unânime. Patriótica. Viril.
Ricardo Salgado, do enigmático BES, optou pela metáfora e desenhou um cenário de batalha naval com Portugal a levar um "tiro certeiro". António Sousa, da Associação Portuguesa de Bancos, diz que não percebe. Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos considerou-se insultado e clama por moralidade.
Cavaco Silva, que até há bem pouco achava que os mercados, coisa tão ou mais enigmática do que o BES, tinham sempre razão, apela agora à Europa para os pôr no sítio. Durão Barroso, que emigrou para Bruxelas, entre outras coisas por não os ter no sítio, confessou em público o seu pesar: “Estou muito desiludido".
Mira Amaral, ex-ministro da Indústria (ainda haverá indústria?), num momento de radicalidade inaudita, falou em “terrorismo”. Alberto João Jardim foi mais longe e mais claro: na Madeira, os gajos e as gajas da Moody’s não entram mais. Que vão comer favas acaralhadas para a terra deles.
Mal se soube do murro no estômago que acertou Passos Coelho, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público enviou uma carta aos credores criticando a decisão da Moody’s e garantindo que Portugal vai “cumprir todas as suas obrigações internacionais”.
Os portugueses anónimos, por seu turno, criaram páginas no Facebook e desataram a mandar pelo correio sacos do lixo para a Moody's.
Em resumo, a pátria grita em uníssono: “contra as agências de rating, marchar, marchar!”
É comovente e há já quem diga que os gregos têm os olhos postos em nós.

23/08/10

Chamar os bois pelos nomes ou ainda dos ciganos porque ele há coisas que me xaringam mesmo o juízo

[...] Na Europa, que é o nosso mundo, o governo francês continua com a sua política de repatriação de ciganos romenos. A imprensa ajuda sendo eufemística — ninguém usa a expressão "limpeza étnica" — ou incorreta — aqui ou ali vai aparecendo a expressão "imigrantes ilegais".
Vamos ser rigorosos sobre o que isto é e o que não é. Não, não se trata de imigrantes ilegais: os cidadãos romenos são comunitários e têm direito à livre circulação pelo território da União. E, sim, isto é uma limpeza étnica, ou seja, uma expulsão de um dado território de uma população circunscrita por critérios étnicos.
Como seria de esperar, a Itália de Berlusconi já manifestou vontade de seguir o exemplo francês. Quando a Croácia entrar na União Europeia, até 2012, ouviremos discursos sobre o caminho que ela fez desde as limpezas étnicas dos anos 90. Da maneira que as coisas estão, parece-me que é antes a UE que vai aderir à Croácia dos anos 90.
O que a França está a fazer é ilegal, uma clara violação dos tratados e do espírito fundamental da União Europeia. A Comissão Europeia, que é suposta ser a "guardiã dos tratados", não se insurge. Durão Barroso está silencioso. Dá-se tempo a que Sarkozy faça o seu número para as sondagens.
Rui Tavares, aqui (para assinantes), lido aqui à borla
[a fotografia veio daqui, site onde há informação que baste sobre o genocídio dos ciganos durante a II Guerra]

19/09/09

Opereta lusa: mas se um país foi destruído porque uns tipos inventaram que nele se escondiam armas de destruição maciça porque não umas escutazinhas?

A política tornou-se num nojo. Talvez sempre tenha sido. Mesmo antes de Maquiavel. Eu porém fui formada num tempo em que a política trazia consequências. Perdoem-me o desabafo, mas é que venho de uma família que passou pelo Hospital de Caxias e pelo Forte de Peniche.
Longe de mim apologizar os good old times. Verdade, verdadinha é que só quando as coisas apertam é que dá para perceber a qualidade dos bichos.
Vem isto a propósito do número das escutas à Presidência. Um plot de quinta categoria cujo timing noticioso não podia ser mais óbvio.
Até ao dia das eleições não se prevêem melhoras no argumento. Será o vale tudo. Mas o que devia sublinhar-se é que, apesar da luta ser de morte, todos irão sobreviver após 27 de Setembro. Com mais tacho ou menos tacho. Com mais jobs ou menos jobs. Ao menos, no tempo em que a política trazia consequências, o risco sempre era sério. E a sério.
Nos dias que correm apoia-se a destruição de um país porque uns tipos inventaram que nele se escondiam armas de destruição maciça e ainda se é reeleito. Presidente da Comunidade Europeia, que não fazem a coisa por menos. Com os votos do PSD somados aos do PS.
Ora vão todos bardamerda e enfiem as vossas escutas num sítio que eu cá sei! E excuse my french.

10/12/07

As Mãos Sujas [e corrigidas]

E já que temos que levar com o Natal... Conta a versão tradicional da lenda que Judas Iscariotes vendeu Jesus por 30 moedas. Quanto a Pilatos [e não Pilates, o homem da ginástica pós-sueca, como bem notou JL (ver comentários a este post)], limitou-se a lavar as mãos. Sócrates não precisou de as lavar porque, em público, nunca as suas extermidades roçaram de um só dedinho que fosse as manápulas de Mugabe.
João Gomes Cravinho aceitou fazer o trabalho sujo, o que deu origem à situação caricata de vermos chefes de Estado de países aos quais, afinal, se reconhece toda a legitimidade do mundo, serem recebidos oficialmente como pretos de terceira: não por um igual, nem sequer pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, mas por um secretário de Estado que, muito à-vontade no seu papel de porteiro, deglutia croquetes nos intervalos [supõe-se que previamente visionados pela ASAE].
Em privado, claro, Sócrates não escapou ao castigo. Mas, repare-se: sem registo de imagem. E como bem sabia Estaline, quando mandava retocar os retratos, se não há registo... é porque nunca existiu. Se isto não é viver com brilhantismo da imagem, expliquem-me o que é viver da imagem.
Futilidades propagandísticas, dir-se-á, se comparadas com a situação verdadeiramente negra que se vive em África [não resiti ao trocadilho óbvio]. Não desesperemos: a Europa decidiu, já não era sem tempo, ocupar-se do assunto, mesmo se com alguns percalços pelo meio. Porque houve quem, indiferente ao estalar do verniz multirracial, abandonasse a Cimeira declarando que “África não está à venda”. Ou seja, e como diria o velho Marx, no fundo, no fundo, confirmou-se que money makes the world go around.
Quanto aos direitos humanos, já deles se tinha ocupado com grande firmeza o escocês Gordon Brown que mandou a Lisboa, em seu lugar, Valerie Ann Amos, Baroness Amos (of Brondesbury), uma baronesa de pele negra que assim como chegou partiu. E se isto não é perverso, expliquem-me o que é perverso.
Mas o nosso Durão Barroso também esteve bem: «If you are an international leader, then you are going to have to be prepared to meet some people your mother would not like you to meet. That is what we have to do from time to time».
Deduz-se que não estaria a referir-se a esse farol da democracia e da verticalidade, o engenheiro do petróleo José Eduardo dos Santos, de quem já foi hóspede oficial... Mas fosse quem fosse o alvo da aversão materna, se isto não é uma frase digna de um international leader, expliquem-me o que é um international leader.
Sem merdas freudianas, The Economist foi directo ao ponto: «For the Europeans are worried that they are losing both trade and clout on a continent that they used to regard as their own backyard. Over the past five years resource-hungry China has swept across a grateful continent, buying oil and minerals. (…) India, too, has been buying oil and mineral concessions in countries such as Sudan and Nigeria. America has revived its interest in Africa: it wants to take 25% of its oil imports from there to decrease its dependence on the Middle East. America has also been recruiting new allies, such as Mali, in its fight against Islamist terrorism.»
Quando valores [tão] mais altos se levantam, como poderia a Europa recusar-se a sujar as mãos?

19/11/07

Há Gente que Quando Fala Devia Ser Obrigada a Lavar a Boca com Sabão e ainda Seria Pouco ou, Dito de Modo mais Prosaico, Sai Merda e não Entra Mosca

De uma entrevista de Durão Barroso, lida hoje no Diário de Notícias:
«Houve informações que me foram dadas, a mim e a outros, que não corresponderam à verdade. Tive documentos na minha frente dizendo que o Iraque tinha armas de destruição maciça. Isso não correspondeu à verdade»
E mais à frente:
«Portugal, ao dizer que sim ao seu aliado norte-americano, não perdeu espaço com isso, nem tem que estar arrependido. Eu fui, depois dessas decisões, convidado a ser Presidente da Comissão Europeia, e tive o consenso de todos os países europeus.»
É só para lembrar que, segundo números oficiais fornecidos pelos ministérios iraquianos do Interior, Defesa e Saúde, só no mês de Outubro morreram 840 iraquianos. Mais de metade eram civis. Mas o que é isso comparado com o facto de Durão Barroso ter podido concretizar o seu sonho de Presidente?