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12/04/12
08/02/12
E enquanto em Portugal tanto iluminado de "esquerda" quer mandar prender o Graça Moura no Brasil há quem ponha os pontos nos iis no negócio do Acordo
Tantas Páginas: O que acha do acordo ortográfico? Acha mesmo que, como dizem os editores portugueses (e muitos intelectuais), o acordo foi uma gigantesca maquinação brasileira para permitir que os livros brasileiros entrem livremente no mercado português e no africano, acabando com a indústria portuguesa do livro?Paulo Franchetti: O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal. O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaiss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaiss – Antonio Houaiss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didáticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboraram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos) do acordo.
Retirado DAQUI
10/01/12
Há quem coleccione cromos da bola e há quem seja da maçonaria. E V., quais são os seus interesses?
«Isso que fique bem claro. Não é porque se é membro de uma loja maçónica ou porque se está ligado a uma qualquer corporação que há outros interesses envolvidos. Todas as pessoas têm outros interesses envolvidos na sua vida. Portanto, esta questão não deve ser ponderada exclusivamente para alguns», Teresa Leal Coelho, vice-presidente da bancada do PSD.Lido aqui, a partir daqui.
29/12/11
26/12/11
Prost Herr Jens Weidmann!
Desconheço se algum leitor destas linhas terá tido oportunidade de ver um cidadão germânico alcoolizado. Um cidadão germânico alcoolizado é um prodígio da natureza. Corpulento, costas robustas, pescoço largo e pernas subidas e fortes, é bem um descendente de Odin, senhor da guerra e da tempestade, e de Thor, cujo martelo lançava raios. Para uma ideia mais precisa: a seu lado, um cidadão britânico alcoolizado faz figura de bebedor de chá.
Claro que há cidadãos germânicos alcoolizados franzinos e de aspecto quebradiço mas, mais raros e de estatura inferior, passam despercebidos. Para além da dimensão corpórea, os cidadãos germânicos alcoolizados costumam possuir vozes possantes e másculas, o que se nota, sobretudo, quando desatam a entoar melodias de colorido local, habitualmente escoltadas pela ingestão de grandes quantidades de cerveja.
Escusado acrescentar que comparar um cidadão germânico alcoolizado com um cidadão português alcoolizado seria o mesmo que comparar Maomé com a montanha, sem desmérito para o profeta a quem, como se sabe, foram proibidos os néctares da Ibéria.
Diga-se, contudo,que a grande vantagem de um cidadão português alcoolizado reside, precisamente, no que, à primeira vista, poderia ser considerado um handicap.
Mais chupado de carnes e de músculo, logo, de menor força física, acaba por constituir um risco de somenos. Quando tropeça ou cai, fá-lo sem provocar grandes estragos e, porque mais dado à melancolia lusa do que à exuberância teutónica, canta menos (ou, pelo menos, mais baixinho), acabando por adormecer (o próprio ou quem tenha a desdita de lhe aturar os queixumes) antes do coma alcoólico.
Espero, com este singelo apanhado, ter contribuído para tranquilizar o presidente do Bundesbank que, recentemente, diagnosticou o problema da dívida como um problema de alcoolismo. Apesar de leiga na matéria e apenas gostar de citar, sobre o assunto, este diálogo de John Ford em “A Paixão dos Fortes”: “Já alguma vez estiveste apaixonado? Não, fui barman toda a vida.”
Claro que há cidadãos germânicos alcoolizados franzinos e de aspecto quebradiço mas, mais raros e de estatura inferior, passam despercebidos. Para além da dimensão corpórea, os cidadãos germânicos alcoolizados costumam possuir vozes possantes e másculas, o que se nota, sobretudo, quando desatam a entoar melodias de colorido local, habitualmente escoltadas pela ingestão de grandes quantidades de cerveja.
Escusado acrescentar que comparar um cidadão germânico alcoolizado com um cidadão português alcoolizado seria o mesmo que comparar Maomé com a montanha, sem desmérito para o profeta a quem, como se sabe, foram proibidos os néctares da Ibéria.
Diga-se, contudo,que a grande vantagem de um cidadão português alcoolizado reside, precisamente, no que, à primeira vista, poderia ser considerado um handicap.
Mais chupado de carnes e de músculo, logo, de menor força física, acaba por constituir um risco de somenos. Quando tropeça ou cai, fá-lo sem provocar grandes estragos e, porque mais dado à melancolia lusa do que à exuberância teutónica, canta menos (ou, pelo menos, mais baixinho), acabando por adormecer (o próprio ou quem tenha a desdita de lhe aturar os queixumes) antes do coma alcoólico.
Espero, com este singelo apanhado, ter contribuído para tranquilizar o presidente do Bundesbank que, recentemente, diagnosticou o problema da dívida como um problema de alcoolismo. Apesar de leiga na matéria e apenas gostar de citar, sobre o assunto, este diálogo de John Ford em “A Paixão dos Fortes”: “Já alguma vez estiveste apaixonado? Não, fui barman toda a vida.”
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