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26/10/22

PUTUNISTAS INFILTRADOS NOS EUA? É PERGUNTAR AO PACHECO PEREIRA.

Contrariando a convicção de Pacheco Pereira — que provavelmente não sabem quem é   ("A guerra na Ucrânia não tem solução negociada"), trinta congressistas norte-americanos militantes do Partido Democrata instaram Biden a reforçar as iniciativas diplomáticas junto da Rússia de modo a evitar uma escalada bélica. 

ADENDA: Entretanto, Pramila Jayapal retractou-se, argumentando que não queria ser confundida com os Republicanos numa altura em que decorrem eleições nos EUA. O comunicado é um achado sobre o qual eu diria que pior a emenda que o soneto. Também me lembrou Groucho Marx: "Estes são os meus princípios. Se não gostarem tenho outros". 

09/01/14

Grande Pacheco Pereira [está aqui tudo, até o Maradona!]

EUSÉBIO E A ILUSÃO DOS NOSSOS EXCESSOS (1)

Este número da Sábado é dedicado a Eusébio e muitas outras iniciativas por estes dias homenageiam a figura do jogador. Direi apenas que o louvor e a memória são mais que justificáveis por um homem que foi um grande jogador de futebol, que soube, pela combinação da sua capacidade como jogador e pelo seu “trato”, tornar-se um herói popular dos anos sessenta para a frente. Todas as dificuldades lhe foram postas à frente, do racismo à pequenez nacional que o transformou numa espécie de fetiche de um clube que o passeava como a águia Vitória. Mas o homem era bom, tinha uma memória muito viva do que era a miséria de onde tinha vindo, gostava de companhia e como aqueles velhos boxeurs dos filmes americanos, dava-se bem no ambiente dos ringues, onde antes fora o primeiro combatente e agora estava lá sentado num banco a ver.

Havia uma tristeza em tudo aquilo, mas admito que seja nos nossos olhos e não nos dele. Estamos para Eusébio como os argentinos estavam para Maradona, e não é por acaso que escolhi Maradona e não outro jogador argentino menos controverso e mais “limpo”. É que em ambos, há essa fragilidade humana que os torna ainda mais “nossos” por boas e más razões. Que tenha boa memória e terra leve.

EUSÉBIO E A ILUSÃO DOS NOSSOS EXCESSOS (2)

Mas uma coisa é homenagear Eusébio, outra essa histeria colectiva patrocinada pelos órgãos de comunicação social, que durante vários dias reduz o mundo todo a uma espécie de comoção nacional generalizada, dramatizada até aos limites, envolvendo tudo e todos num happening de dor encenada, porque a real passa-se sempre fora dos ecrãs. Há algo de pouco sadio em todos estes excessos, algo do mal português que facilmente se identifica como a consciência envergonhada da fraqueza transformada em vanglória. Há uma mistura de nacionalismo, de vontade que os outros nos respeitem, apesar de não nos respeitarem, uma vontade de ser alguma coisa no mundo, que efectivamente não somos, e que nunca seremos se nos ficarmos apenas pelas “glórias” do futebol, seja Eusébio, seja Cristiano Ronaldo.

Houve quem propusesse que Eusébio fosse enterrado no Panteão, ao lado das glórias da pátria. Da maneira que as coisas estão, é-me bastante indiferente. Mas com este tipo de critérios, nascido da histeria destes dias e da nossa confusão colectiva, a prazo iremos ter o Panteão só com jogadores de futebol, e isso sim é um retrato do país muito preocupante, mas se calhar realista.

05/09/13

E a Síria tão longe

"A Síria é hoje o terreno mais minado para a manipulação dos factos. Regime e oposição (oposições), aliados e inimigos, participam interesseiramente numa campanha de desinformação destinada a justificar e permitir acções favoráveis a um ou outro lado. 

Bashar al-Assad é um ditador cruel e assassino. Se precisar de utilizar, em desespero de causa, armas químicas, utiliza sem hesitações. Os grupos de oposição a Assad são cruéis e assassinos. Se precisarem de provocar um ataque químico (eles têm armas químicas) para instigar uma intervenção internacional, num momento em que militarmente estão quase derrotados, utilizarão as armas sem qualquer hesitação. Se tivessem armas nucleares também as usariam.

A França, os EUA, o Reino Unido sabem disso muito bem. Tem os seus serviços no terreno e “conselheiros” especiais junto de alguns grupos da oposição síria. Se Assad usou as armas químicas, iranianos e russos, sabem muito bem se tal é verdade ou não, porque também estão presentes no terreno. E não é num escritório com ar condicionado numa zona segura de Damasco. Ou seja, todos sabem, menos nós. Nós somos a carne de canhão da “opinião pública” destinada a legitimar o apoio a um ou a outros. Para nós, sobra o outro lado da guerra, o da desinformação, hoje tão fácil de fazer usando as redes sociais, filmes de telemóvel que não se sabe se são verdadeiros ou não, mas circulam. Imagens fortes destinadas a obter ganhos nas opiniões públicas são distribuídas com a menção em letras pequenas de que “não houve verificação independente”. Os jornalistas e os militantes de todas as causas simplificam e arranjam bons e maus, para ajudar á mobilização. Veja-se a Líbia, ou, para outros gostos, o Iraque. A França, que ainda acha que a Síria está na sua área de influência depois de a ter reivindicado na partilha do império otomano com o argumento dos reinos normandos das cruzadas, quer intervir, mas não tem meios. Precisa do Reino Unido e dos EUA, em que há também vontade de intervir para limitar geopoliticamente uma Rússia que, cada vez mais, assume a política soviética e pôr na ordem o Irão.

Podemos tentar aplicar a racionalidade. Assad sabe que as armas químicas são a “linha vermelha”, alguém tem que fazer alguma coisa para que essa “linha” seja ultrapassada. Assad na actual situação militar, que lhe é favorável, não precisa de usar armas químicas. Pelos vistos dizem que ele as usou, certamente para provocar sem necessidade uma resposta militar, nem que seja apenas punitiva. Racionalmente seria uma imbecilidade, mas é possível. Do lado dos grupos da oposição, também se sabe que a “linha vermelha” são as armas químicas, logo a racionalidade é fazer uma provocação qualquer para comprometer o regime e forçar a mão de americanos, franceses e ingleses. Os civis não contam para nada. Racionalmente seria assim, mas neste lado do mundo a crueldade absoluta anda à solta. Vamos continuar a ver na televisão.", José Pacheco Pereira."

14/06/13

Lá vou ter que citar de novo o Pacheco Pereira

«O que está em causa para o governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.»

23/04/13

O chiqueiro

"Entrar num governo, seja como governante ou assessor, uns dias depois de insultar os seus responsáveis políticos com nomes feios, de pedir a sua demissão, de os mandar ir para outro lado, de proferir aquelas frases taxativas e sem nuances que só se podem escrever quando se está disposto a tirar daí consequências, ou seja, a perder alguma coisa por as dizer, é-me de todo incompreensível. Faz-me vergonha pelos outros, pelo débil carácter que revelam, mesmo que esse estilo seja o pão nosso da cada dia nos blogues, agora percebendo-se que não são muito para levar a sério. Basta o aceno de um lugar, de uma carreira, de uma importância, de um panache e lá vai a vergonha toda, a honra e o carácter pelo caminho", Pacheco Pereira.

AQUI

E, a propósito de chiqueiro, também vale a pena ler isto

29/01/13

Os gajos que só batem nas pessoas que estão abaixo deles na cadeia alimentar são todos uns paneleiros

«Após um estranho e longo silencio, em que o que aparecia relativo às malfeitorias bancárias se resumia ao BPN, BPP e em menor grau ao BCP, a imprensa começa timidamente a falar dos banqueiros de topo, aqueles que fazem e desfazem governos e que estão sempre ao lado do poder, de Salazar a Passos Coelho, passando pelos socialistas. Não me refiro ao que é ilegal, porque disso deve cuidar a justiça, mas dos "esquecimentos" que levam milhões lá para fora sem serem declarados ao fisco, para depois a memória melhorar, ou ser melhorada e o dinheiro regressar cá dentro com um pequeno imposto para pagar de bónus.

Mas há um silêncio muito esquisito, se não fosse verdadeiramente pouco esquisito, no modo como as coisas estão: estando o governo envolvido numa luta épica para que os portugueses paguem impostos, nunca condenou estes "esquecimentos"? Insisto, condenar do ponto de vista da moral cívica, já que a lei é suposto ter outro andamento e outras consequências. É verdade que mesmo com a lei em curso, o governo às vezes fala à vontade, como a nossa ministra da justiça fez recentemente, dizendo que "a partir de agora deixou de haver impunidade". Mas era para o PS de Paris e não para a banca. Aqui é só silêncios e gentilezas. Para a banca faltosa, não há mesmo nenhuma palavrinha zangada, vindo do mesmo ministro e primeiro-ministro e dos vários secretários de estado que incham o peito contra as cabeleireiras, os mecânicos de automóveis, e os donos de café e restaurantes? Aí sim, há palavras duras e mostras de robusta firmeza.

Não deviam os governantes dizer alguma coisa? Dever, deviam. Dizer, não dizem.», Pacheco Pereira

07/01/13

"Andaram 30 anos sem ver um pobre, e agora que se fala deles procuram-no com a força do estereótipo", Pacheco Pereira

Não, "Pedro e Laura", na mesa de Natal de muitos portugueses o que preocupa não é a falta de rabanadas, nem brinquedos, nem pessoas, mas sim o facto de lá estar sentado o medo, a indignidade, a vergonha e o desespero, coisas que não vêm em estatística nenhuma. E isso não garante futuro nenhum que valha a pena viver, nem aos pais, nem aos filhos, nem aos netos.

Texto completo, aqui.

19/05/10

O exemplo islandês: eu sempre gostei muito mas mesmo muito de ilhas

Não é preciso acreditar no pai natal para notar que a diferença entre
ISTO
e o "estou muito contente comigo" de há menos de um ano, ou o "não peço desculpas por cumprir o meu dever" de ontem, após as tais uma... duas... três semanas... que mudaram o mundo...
é avassaladora, como diria o Pacheco Pereira.
Já agora, registem-se também algumas das medidas islandesas tomadas na sequência da bancarrota que atingiu o país em 2008*.
E porque há mais mundo para lá da crise, aproveite-se e leia-se "Gente Independente", do prémio nobel islandês Halldór Laxness, publicado em Portugal pela Cavalo de Ferro.

16/03/10

Ó Vitalino apanha as canas ou só vale a pena ler sobre política quando a política é tratada assim que o resto é maçada como diria o Pessoa

À hora em que Pacheco Pereira nos tentava dinamitar o cérebro com uma evocação de Rafael Bordalo e da sua sátira à Lei da Rolha, os congressistas do PSD aprovavam, com a pudica reserva dos futuros líderes, a pena de expulsão aos que ousem criticar os dirigentes. Ficam assim os cidadãos do PSD impedidos de falar. A medida seria perfeita se abrangesse os dirigentes. Um partido unido pelo silêncio é o que faz falta. Ainda não tinha digerido a pérola estatutária já o senhor Vitalino Canas se apressava a comentar. Daqueles comentários pomposos e circunstanciais, com a bandeira do Rato atrás e boquinha de virgem ofendida. O senhor Vitalino, quebrando a regra não-escrita de que partido não se pronuncia sobre a vida interna de partido ― que é a contrapartida institucional do saber popular que ensina a não nos metermos entre marido e mulher mesmo quando se ouvem gritos ― veio evocar a liberdade e o 25 de Abril. Acontece que, pelo menos desde que mataram a Rosa Luxemburgo, não me lembro de ter visto um socialista a criticar a cúpula dirigente.
DAQUI, naturalmente.