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20/12/10

Os pobres parecem estar na moda ou, dito de outra forma, os meus pobres são melhores que os teus


"Os políticos abriram a época de caça ao pobre. Querem ostentá-los nas suas campanhas e nas suas intervenções. São um estandarte. A cabeça de um pobre é um troféu. Se em vez de uma forem várias, tanto melhor."
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11/10/10

Allô! Allô! Vem aí o amigo do Sócrates que por sua vez é muito amigo da China, não confundir com a Cinha

Como é sabido, algum tempo antes das famigeradas semanas que fizeram o mundo mudar para xuxu, o engenheiro José Sócrates andou pela Venezuela a vender Magalhães inquebráveis.
Parece que Chávez ficou convencido da qualidade do produto e aceitou vir agradecer pessoalmente ao nosso Primeiro.
A visita a Portugal está anunciada para as próximas semanas e faz parte de um pacote que também contempla a Rússia, a Bielorússia e o Irão (tudo gente altamente recomendável).
No entretanto, quer dizer, enquanto Chávez não chega nem o orçamento se orçamenta, o prémio nobel da paz foi atribuído a Liu Xiaobo.
Naquele estilo que faz Alberto João Jardim parecer um menino de coro, o venezuelano pronunciou-se sobre a decisão norueguesa no seu programa dominical "Allô Presidente": O governo chinês, fazendo uso de sua independência e soberania, reclama pelo prémio a esse senhor que está preso lá. Acontece que deram o Nobel a um cidadão dissidente e contra-revolucionário chinês, que está preso na China certamente por violar as leis da China.
E rematou: Aqui vai a nossa saudação, a nossa solidariedade ao governo chinês. Viva a China!
E agora se me permitem remato eu: Viva o Magalhães! Viva o José Sócrates! Viva o MRPP! Et Vive la Suisse Libre!

23/06/10

Especial clientes insones da Pastelaria: How to sleep

... enquanto me preparo para ler os "Ensaios Humorísticos" do mesmo Robert Benchley, acabadinhos de editar pela Tinta-da-China.

21/03/10

Is it better to live as a monster, or die a good man? que Scorsese não faz a coisa por menos

Há pelo menos duas coisas que deveriam levar as pessoas a não deixar ir o catolicismo com a água da banheira: os filmes de Martin Scorsese e os livros de Graham Greene.
Shutter Island é novamente sobre esse tema recorrente em Scorsese, as relações do Bem e do Mal mais o que fica no meio.
Perturbador, com um começo absolutamente extraordinário, uma fotografia magnífica e um Leonardo DiCaprio a comprovar que há homens que melhoram imenso com a idade, Shutter Island, na sua ambiguidade, recorda-nos que perante o Mal (essa realidade que há imensa gente a pensar que não existe) se calhar só nos resta sermos ratos ou resistir às cegas, quem sabe em direcção ao sacrifício. Porque das duas uma: ou a ética é fodida ou somos todos psicóticos.
Um filme para cinéfilos adultos.

11/03/10

Do PREC ao PEC ou é o capitalismo, estúpido

Ainda sou do tempo d’ os ricos que paguem a crise, o que quer dizer que tem dias em que me sinto bestialmente antiga.
É verdade que os ricos não pagaram crise coisíssima nenhuma – nem os que cá ficaram nem os que partiram em demanda extemporânea das terras de Vera Cruz – mas eu, reconheço, diverti-me.
A crise no fundo não me dizia nada, e os únicos ricos que conhecia haviam falido há muito, o que à luz da minha experiência lhes acrescenta imensa patine.
Abreviando, eu era jovem, e os jovens de então, quando lhes passava a queda para o suicídio, divertiam-se com qualquer coisa. Seria do l’air du temps.
Estou naturalmente mais velha, e apesar de insistir em contrariar o spleen confesso que acho este PEC muito menos empolgante do que o PREC.
Concluo também, à luz das medidas anunciadas, que isto de ser socialista é bem mais fácil quando há money.
Ou como dizia a jovem americana do One, Two, Three (filme hilariante do meu guru Billy Wilder), dirigindo-se ao marido comunista a propósito do filho de ambos: “When he's 18 he can make his mind up whether he wants to be a capitalist or a rich communist".