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03/12/09

Primeiro o Iraque, agora o Aquecimento Global: ao pé disto as campanhas negras do Sócrates são uma brincadeira de crianças

O escândalo em que se encontram envolvidos os principais mentores da Teoria do Aquecimento Global Antropomórfico ficará certamente para a História como uns dos maiores escândalos científicos de sempre, se descontarmos (ou somarmos) a condenação de Galileu pela Inquisição.
A teoria nunca foi unânime, apesar de dominante. Sentimentalismo, ignorância, manipulação, politização e dependência económica da Ciência, aliados à extraordinária complexidade do assunto, contribuiram certamente para um dogma a que poucos resistiram (e a jornalista Ellen Goodman não foi certamente uma delas: Let's just say that global warming deniers are now on a par with Holocaust deniers, though one denies the past and the other denies the present and future).
Em traços largos, a direita está contra e ao serviço dos grandes grupos económicos poluentes. A esquerda a favor e, preocupada com o futuro do Planeta, ecologicamente pugna pelas energias alternativas [no meio, cientistas como James Lovelock ― que entrevistei há cerca de dois anos (aqui) ― baralham um pouco os dados].
Curiosamente, o quadro é simetricamente oposto ao do Iraque. Nesse caso, em traços largos, a esquerda era contra a ideia das armas de destruição, a direita a favor. O que nos deixa completamente enrascados em termos ideológicos. Pelo menos a mim, que cada vez me arrepio mais com a histeria desta gente da esquerda fracturante e bem-pensante, nunca tendo apreciado os outros. Resta-nos, porventura, a ironia. Coisa que, vendo bem, já o velhíssimo Montaigne sabia de ginjeira.