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26/03/22

GUERRA NA UCRÂNIA: FINALMENTE UMA NOTÍCIA QUE INDICIA QUE PUTIN ESTARÁ À RASCA

Como não percebo nada de manobras militares  ainda menos do que de finanças  sigo as notícias que chegam do palco da guerra com o cepticismo de quem sabe que a propaganda é o fertilizante que alimenta os conflitos. 

Mas quando Vladimir Putin faz um discurso onde mete Harry Potter, permito-me imaginar que a invasão da Ucrânia passou de gloriosa a ficção de quinta categoria, mesmo se nada tenho contra os livros de JK Rowling.

“They recently canceled the children’s author, Joanne Rowling because she is an author of books — which sold hundreds of millions of copies around the world — but didn’t satisfy fans of so-called gender freedoms.”

(...)

“They are now trying to cancel our whole 1,000-year old country, our people. I’m talking about the progressive discrimination of everything to do with Russia.”

12/03/12

My name is Potter, Harry Potter

Há quem diga que a literatura não serve para nada, sendo precisamente dessa inutilidade que retira todo o seu charme.
É verdade que a sua função não se pode comparar à de uma obra de engenharia ou sequer a uma descoberta científica: o que é A Montanha Mágica quando confrontada com uma caixa de antibióticos? Mas se o facto de eu ter lido o romance de Thomas Mann durante uma convalescença nada nos diz sobre as suas qualidades curativas, já o peso das suas mais de 800 páginas facilmente o qualifica como arma de arremesso.
Seria algo demagógico insistir agora em outras funções menos próprias da literatura, apesar de estas existirem: um exemplar de Os Lusíadas convertido em base para copos, a extraordinária novela de Joseph Conrad, Mocidade, a servir de mata-moscas.
Posto isto, nem os mais arreigados defensores da improficiência literária poderão negar que aquela cumpre, chegados aos animais políticos, uma importante função decorativa.
São as estantes em fundo nas entrevistas domésticas, são os livros pousados estrategicamente nas mesas dos gabinetes, são as citações corroborativas do disparate. Num mundo rendido à tecnologia, a literatura empresta patine, mesmo se no fim se roça o caricato.
Foi assim no caso de “Fenomenologia do Ser” lido por Passos Coelho, livro que Sartre nunca escreveu, foi assim no silogismo proferido por José Sócrates: “Mário Soares é um patriota, gosta de Camões. Eu gosto de políticos que gostam de Camões. Eu gosto muito do drº Mário Soares”.
Note-se, porém, a busca de elevação dos dois exemplos: Sartre e Camões.
Também por isso não queria acreditar quando ouvi Miguel Relvas na televisão citar Potter. Harry Potter. Já era mau. Mas chamar-lhe Porter? E duas vezes? É as Trevas!