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31/12/08
25/01/08
O Post mais feminino que coloquei até hoje Primeiro foi a Maria Eduarda, depois foram os Procol Harum: estou a envelhecer e não há Cícero que me valhe
09/01/08
Quem me dera um royal flush!
Os casinos vão ter um regime mais favorável no que diz respeito à aplicação da lei do tabaco. Pelo que tenho lido e ouvido, os portugueses mostram-se indignados com a excepção, incluindo os fumadores. Pois bem. Eu não.Percebo que fundamentalistas anti-tabaco (ou de qualquer outra coisa) se indignem. Não percebo que pessoas razoáveis idem aspas.
Em vez de se raciocinar assim:
Eles que fumem nos casinos! ou, Ao menos fuma-se nos casinos! (dependendo, respectivamente, do desprazer ou prazer que cada um tem ao inalar nicotina);
Raciocina-se assado:
É proibido, é proibido! ou, Se eu não posso fumar, eles também não! (dependendo, respectivamente, de se ser mais autoritário ou invejoso).
Nenhuma das hipóteses é estimável.
Sinal dos tempos – e de uma preocupção higienista singular que tem antecedentes em leis tão tenebrosas como as do apuramento da raça ariana propostas pelo III Reich e aplicações tão actuais, presume-se, como a de Sócrates baixar o IVA dos ginásios de 21 para 5% – a proibição do fumo terá vindo para ficar.
Seria demagógico, apesar de muito, muito tentador (pelo que não resisto) lembrar que destas seis figuras, Churchill, Roosevelt, Estaline, Hitler, Mussolini e Franco, só precisamente as três últimas eram não-fumadores, mas até eu que fumadora me confesso sei reconhecer quando um argumento não tem pernas para andar (além de que o Estaline me estraga bastante o painel).
Assim, o único argumento que me ocorre contra leis proibitivas é o que remete para a sua eficácia (e eis-me rendida ao pragmatismo):
Se a SIDA (para me ater a uma patologia tendencialmente mortífera) fosse provocada pela ingestão de bróculos ou de couves de bruxelas, fácil seria exterminá-la. Proibiam-se os bróculos, interditavam-se as couves e era remédio santo. O problema é que a SIDA também se transmite pelo sexo e o sexo está associado ao prazer. E o prazer bem que podem proibi-lo...
Não estou com isto a insinuar (a soldo que qualquer Tabaqueira) que os fumadores têm orgasmos sucessivos cada vez que dão uma passa, até porque não sou freudiana. Estou simplesmente a dizer que têm prazer ao fumar.
Esclareço, para depois não me virem chamar selvagem, que sou daquelas que às vezes agradece o cartão vermelho (será por motivos egoístas: fumo menos). E das que não tem por hábito soprar glamourosamente para cima dos comensais da mesa ao lado. Na praia uso um cone, certificado ou improvisado, ou guardo as beatas no saco. Nos quartos não entram cigarros e até já considerei abandonar o tabaco por causa do maldito cheiro (cá em casa mais depressa se morrerá de uma pneunomia provocada pelas correntes de ar do que do fumo). Mas a verdade é que, e agora cito, «um governo que punisse todos os vícios de maneira imparcial é segundo toda a evidência de tal maneira impossível que nunca se viu, nem verá, uma pessoa tão estúpida que o propusesse».
O texto foi picado ao Café dos Loucos, vem assinado por Lysander Spooner (os vícios não são crime, fenda, 1999) e continua: «O máximo que se pode propor é que o governo puna um vicio ao acaso, ou quando muito alguns, ou aqueles que considera repugnantes. Mas trata-se de uma discriminação totalmente absurda, ilógica e tirânica. Que direito pode ter seja que grupo de homens a dizer: "nós puniremos os vícios dos outros homens mas ninguém punirá os nossos próprios vícios (...)».
Dir-lhe-ia, se fosse vivo, caríssimo Lysander Spooner, que a mim os que me assustam realmente são os que não têm vício nenhum. Que também os há. Como o homem do bigodinho do painel de ainda há bocado.
Esclareço, para depois não me virem chamar selvagem, que sou daquelas que às vezes agradece o cartão vermelho (será por motivos egoístas: fumo menos). E das que não tem por hábito soprar glamourosamente para cima dos comensais da mesa ao lado. Na praia uso um cone, certificado ou improvisado, ou guardo as beatas no saco. Nos quartos não entram cigarros e até já considerei abandonar o tabaco por causa do maldito cheiro (cá em casa mais depressa se morrerá de uma pneunomia provocada pelas correntes de ar do que do fumo). Mas a verdade é que, e agora cito, «um governo que punisse todos os vícios de maneira imparcial é segundo toda a evidência de tal maneira impossível que nunca se viu, nem verá, uma pessoa tão estúpida que o propusesse».
O texto foi picado ao Café dos Loucos, vem assinado por Lysander Spooner (os vícios não são crime, fenda, 1999) e continua: «O máximo que se pode propor é que o governo puna um vicio ao acaso, ou quando muito alguns, ou aqueles que considera repugnantes. Mas trata-se de uma discriminação totalmente absurda, ilógica e tirânica. Que direito pode ter seja que grupo de homens a dizer: "nós puniremos os vícios dos outros homens mas ninguém punirá os nossos próprios vícios (...)».
Dir-lhe-ia, se fosse vivo, caríssimo Lysander Spooner, que a mim os que me assustam realmente são os que não têm vício nenhum. Que também os há. Como o homem do bigodinho do painel de ainda há bocado.
[... vieram-me nesmo agora dizer que o Primeiro-Ministro decidiu que o Tratado Europeu não iria a referendo («um dos grandes defeitos da Democracia é os resultados»). Vou contar até 10, fumar um cigarro e recolher ao leito. Boa noite!]
01/12/07
Porque Viver Sempre Também Cansa
Um post publicado no 2+2=5 assinado por Táxi Pluvioso pôs-me a viajar no tempo. Explico. Falava-se de Einstein. Alguém lembrou depois a bomba atómica e Dr. Strangelove: or How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, o filme definitivo sobre o assunto realizado por Stanley Kubrick e interpretado pelo magistral Peter Sellers. O meu espírito não estava para aí virado.
Empolgada pela relatividade espacio/temporal, desatei a andar alegremente para a frente e para trás ignorando o sentido dos ponteiros do relógio — que não uso. Gostaria de partilhar com os visitantes da Pastelaria este agradável estado de espírito, e ninguém melhor do que Eric Idle para ilustrar do que falo. Faço dele as minhas palavras: Always look on the bright side of life.
(Façam favor de assobiar nas alturas certas)
Eu sei que esta leveza hedonista indicia uma superficialidade ontológica contrária à existência autêntica proposta por Heidegger, aproximando-me à velocidade da luz dessa Chica Almodóvar cantada por Sabina.
Não é que uma rapariga, lá por usar às vezes altíssimos saltos, não possa interrogar-se sobre o sentido da vida. Eu interrogo-me. Até agora a melhor resposta que encontrei foi esta:
E — por agora — é tudo o que tenho a dizer sobre o assunto. Desculpem a imodéstia, mas acho que para um domingo e para uma Chica Almodóvar nem está assim tão mal. Do que é que estavam à espera? Da Relatividade Restrita e Geral em três lições?
16/11/07
Há Criaturas Tão Inteligentes que Percebê-las É mais Difícil do que Compreender o Último Teorema de Fermat
Entre o número de empregados que se desempregaram e de desempregados que se empregaram o saldo é positivo, há mais 60 mil postos de trabalho [relativamente a Março de 2005], depois, em termos de taxa de desemprego, isto é contrariado porque também houve mais pessoas que chegaram pela primeira vez, disse Mário Lino.Tomei conhecimento destas espantosas declarações do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações através do Táxi Pluvioso, as quais se inserem em elucidativo texto de teor ecuménico/poético/musical/ assinado pelo bloguista do Pratinho de Couratos.
É caso para se dizer: volta Américo, estás perdoado!
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