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29/04/22

"GLOBAL NATO": Do fim da história ao excesso de história?

Liz Truss, secretária das Relações Exteriores britânica, declarou que a NATO deve defender Taiwan em caso de ataque chinês ao território. 

Saltando da guerra na Ucrânia e da proposta do aumento de apoio militar ao governo de Kiev  "Heavy weapons, tanks, aeroplanes — digging deep into our inventories, ramping up production. We need to do all of this.” — para a segurança no Indo-Pacífico, Truss atirou-se directamente à China. 

"Countries must play by the rules. And that includes China." E acrescentou: "We need to pre-empt threats in the Indo-Pacific, working with allies like Japan and Australia to ensure that the Pacific is protected. We must ensure that democracies like Taiwan are able to defend themselves".

Naturalmente, a China respondeu. Wang Wenbin, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, deixou a pergunta: "Nato, a military organisation in the North Atlantic, has in recent years come to the Asia-Pacific region to throw its weight around and stir up conflicts. Nato has messed up Europe. Is it now trying to mess up the Asia-Pacific anda even the world?"

Entretanto, o conhecido jornalista britânico Simon Jenkins assinou uma coluna no Guardian que significamente começa assim: "The foreign secretary, Liz Truss, is playing with fire."

Oxalá não nos esturriquemos todos!



22/04/22

GUERRA NA UCRÂNIA: ESTADOS UNIDOS AMEAÇAM A CHINA

Com a guerra na Ucrânia a cumprir dois meses, a escalada não tem sido só bélica, mas também linguística.

Putin deu notícia há dias do seu brinquedo mais recente, uma arma conhecida pelo ilustrativo nome de SATAN II. Entretanto, os EUA decidiram ameaçar a China e não foi por aquilo ser uma distopia.

Disse Wendy Sherman, a Secretária Adjunta de Estado de Biden, após reunir-se em Bruxelas com o secretário-geral do serviço diplomático europeu, Stefano Sannino, referindo-se aos chineses: «They've seen what we've done in terms of sanctions, export controls designations, with Russia... it should give them some idea of the menu from which we could choose, if China were to provide material support. We also sat down with China and explained our sanctions, so they know what they are and how they work. So we're trying to be very transparent here».

Estará a linguagem escolhida, entre a ameaça à cowboy e a admoestação à mestre-escola, no ADN dos norte-americanos?

O que me recorda convicção antiga (minha naturalmente): a hipocrisia é um ganho civilizacional. 


19/04/22

GUERRA NA UCRÂNIA: DEPOIS DE MERKEL, MACRON?

À queda em desgraça de Angela Merkel, acusada de ter tido uma política conivente com Putin e que se traduziu, na actualidade, pela recusa do governo ucraniano em receber a visita do presidente alemão, Frank Walter Steinmeier, a que se seguiram as declarações irritadas de Olaf Scholz que, convidado para ir a Kiev, recusaria o convite, seguiu-se a fricção com o presidente francês que, como bom francês, alertou para o que chamou um desajuste de linguagem face ao uso do termo "genocídio" usado por Joe Biden e por Zelenski para classificar a agressão russa à Ucrânia.

Convidado entretanto a voltar a Kiev, Macron afirmou ontem estar disposto a lá voltar, mas apenas para apresentar qualquer coisa de útil e não apenas para testemunhar apoio.