A razão do alarido? António Figueira aceitara ser assessor de Relvas!
Fui ver, como o Augusto Gil. A coisa resumia-se ao seguinte. Um enigmático e corporativo Miguel Abrantes descobrira (sem grande esforço, esclareça-se, porque vinha tudo escarrapachado no Diário da República) que António Figueira, perigoso bolchevista (diz Abrantes, não o despacho), fazia parte deste o início do mês do gabinete do ministro.
A este escândalo acrescentava-se o facto de Figueira, além de militante da esquerda radical (cito novamente Abrantes), ser membro desse baluarte vermelho (sangue) da Revolução (permanente?) chamado 5 Dias (olá Morgada!).
A notícia (post) metia fotografia e tudo (certamente para, na eventualidade de nos cruzarmos com Figueira no Chiado, o podermos sujeitar ao justo apedrejamento).
Deixem-me olhar a coisa com alguma objectividade (já para não falar do bom senso cartesiano), insuspeita que sou de gramar Relvas ou PCs.
O homem é de esquerda. Falo do Figueira. O ministro é de direita e o Estado é de Direito (digo eu, não querendo todavia rivalizar com as convicções democráticas dos empolgados críticos).
O ministro convidou-o para assessor. O Figueira, depois de reflectir (deduzo), decidiu aceitar.
Vêm os evangelistas Valupi, Miguel Abrantes, f., Pitta e etc. chamar-lhe incoerente e vendido, prova provada da existência da tal coligação negativa entre a esquerda radical e a direita radical que mandou o Timoneiro para Paris (os robalos do Vara não entram, naturalmente, na história).
Pergunto: afinal, em que ficamos? Primeiro é porque é bolchevista; depois é porque aceita um emprego.





