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20/03/08

Que nem a propósito: porque corria por aí um vídeo em que um aluno batia num professor. Solução: precogs*?

Alguém falou em Relatório Minoritário?
«A ideia é inglesa e antiga: primeiro a sentença, depois o julgamento, e só depois o crime. E, se não chegar a haver crime, tanto melhor, como diria a Rainha a Alice. Assim, noticia "The Observer", as autoridades policiais inglesas propõem-se recolher amostras de ADN das crianças das escolas primárias cujo comportamento indique que "podem vir a ser criminosos". A ideia é de Gary Pugh, director da Scotland Yard: com a ajuda dos professores e educadores de infância, identificar, ainda de fraldas, os "criminosos potenciais" que "irão possivelmente tornar-se um perigo para a sociedade". A lógica criminológica da coisa é simples: quem rouba a pastilha elástica ao colega de carteira, acabará "possivelmente" a assaltar o Banco de Inglaterra, quem parte um vidro da escola à pedrada estará um dia a atirar aviões contra o World Trade Center. Segundo Rugh, "é possível identificar marcas de futuros criminosos em crianças a partir dos cinco anos" e, por isso, cadastrá-las e segui-las desde logo (ou, mais radicalmente, pôr-lhes logo uma pulseira electrónica ou metê-las na cadeia) evitará que sejam cometidos crimes. Com um pouco de sorte, quem sabe?, talvez se possam também identificar "marcas de futuros directores carrollianos da Scotland Yard a partir dos cinco anos"», Manuel António Pina
ROUBADO DAQUI
A NOTÍCIA AQUI
* SOBRE PRECOGS

21/02/08

Os Maias contado às crianças por José Luís Peixoto. Volto, pois, a perguntar: «porque lhes dais tanta dor?!»

O semanário Sol, cujo director ainda há pouco jurava que nunca venderia nada além do seu próprio jornal, acaba de lançar uma edição de clássicos portugueses adaptados às crianças.
Começo por esclarecer que não me move nenhum princípio contra adaptações e resumos (o que seria do A la recherche...). Estranhei, contudo, a adaptação d' Os Maias, e para mais logo a abrir. Mais estranhei a escolha do autor que levaria a cabo a tarefa: José Luís Peixoto. É que entre o crochet deste último e a inteligência de Eça, dava-me para vários cachecóis e ainda me sobrava lã.
Resta a pergunta: porquê Os Maias? Em que é que esta literatura adulta poderá interessar às crianças? Não será um bocado cedo para lhes falar do incesto, mesmo com educação sexual escolar?
Esticando a faixa etária: serão os jovens incapazes de ler Eça no original?
Verdade, verdadinha, o que me preocupa é o seguinte. Primeiro, e sobretudo, que não deixem as crianças em paz; segundo, que ao lerem Eça via Peixoto, acabem todas na idade adulta a elogiar Coelho, O Alquimista.

31/10/07

Vídeo* que Devia Ser de Visionamento Obrigatório nas Escolas de Escrita Criativa que por aí Pululam**



Jerry Lewis a escrever à máquina em Who's Minding The Store, 1963
* Esta inspirada e inspiradora cena foi deixada pelo Manuel na caixa de comentários do post anterior. Não podia, nem devia, permitir que se confinasse a lugar tão obscuro.
** Sempre que posso, adoro conjugar o verbo pulular.