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09/06/09

A quem puder interessar: Vital Moreira foi para os Açores onde eu vi pela primeira vez na vida um filme porno. Juro.

Não diz para onde. Eu teria escolhido São Jorge. Das ilhas que conheço é a minha preferida. Não será por isso, mas foi lá que vi pela primeira vez na vida um filme porno. Passava no canal vídeo do hotel onde fiquei hospedada. Era Inverno, o hotel estava praticamente vazio; além de mim havia apenas dois ou três caixeiros-viajantes. A televisão estava colocada no quarto, ao alto, àquela altura que convida ao torcicolo. Tinha três canais: um de rádio, a RTP e o de vídeo. Dada a distância, levei um bocado de tempo a perceber o conteúdo das imagens. A emissão era gratuita. À tarde, no mesmo canal, passavam filmes-família. Houve um dia de muito frio em que revi o Errol Flynn na Marca do Zorro. Não me recordo do título do filme porno. Adormeci a meio. Deu-me sono. O Vital também me dá sono. Lembrei-me disto já nem sei bem porquê. Mas reafirmo: gosto muito de São Jorge.

28/05/09

Maniqueísmo update: Vital passou do "sempre, sempre ao lado do povo" para o "sempre, sempre ao lado do polícia"

Quando se trata de prevaricações, prefiro caçar o prevaricador e não atirar sobre o polícia, disse Vital Moreira no âmbito da campanha para o Parlamento Europeu, referindo-se ao caso BPN e, supõe-se, a Vítor Constâncio.
E, por falar em campanha para o Parlamento Europeu, fiquei hoje a saber [se calhar já toda a gente sabia...], ao tropeçar num cartaz de rua da Juventude Socialista, que a JS é pelo "direito ao TGV" [!!!]. Acabo de encontrar a justificação online:
Quanto ao TGV, esta é uma proposta que a JS defende activamente sem qualquer lugar para dúvidas. É um direito da juventude, porque seremos nós quem mais tirará proveito com a alta velocidade.
Li e fiquei de rastos (e não, não são as preposições que me matam...)!
É que uma pessoa põe-se a pensar no InterRail com paragem em todas as estações e apeadeiros e (descontado o pivete das peúgas e a falta de desodorizante dos compagnons de route) não só leva com "o tempo, esse grande escultor" como ainda leva com o jovem Duarte Cordeiro.

07/05/09

A propaganda dá sempre merda!

Estou francamente farta do assunto. Que volte a ele significa que a propaganda resulta. Num mundo ideal não devia. Não vivemos num mundo ideal. Ah! pois é.
O último 1º de Maio gerou um "não acontecimento". As escaramuças entre Vital Moreira e alguns participantes da manifestação convocada pela CGTP para a data transformaram-se num caso nacional, e até o primeiro-ministro veio dizer que se tratara de "uma vergonha para a democracia".
Uma onda de indignação varreu o país porque o candidato europeu fora injuriado, esmurrado, pontapeado, enfim, ferido no mais fundo da sua alma e à superfície da epiderme também.
Até hoje, não vi nenhuma imagem que comprovasse tais factos. Mas, como diria Goebbels, um mestre da propaganda, uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade.
Saramago, diz-se que convertido já na terceira-idade aos valores democráticos, cumpriu o seu papel de bardo e falou alto.
Num artigo em que a partir do segundo parágrafo desata a referir-se a si próprio na terceira pessoa, como se do rei de Espanha se tratasse, e, significativamente intitulado "Expulsão", pede identificações e exige purgas.
Entretanto, vão-se trocando galhardetes em praça pública, pedidos de desculpa, mais galhardetes e mais pedidos de desculpas. Não se trocam bengaladas nem sapatos.
Depois alguém vem acrescentar que, pelo menos um dos arruaceiros, não era do PCP. Era do Bloco de Esquerda. Dão-lhe nome. Dão-lhe rosto. Rosto que o BE terá apagado do seu site, à semelhança do que Estaline fizera a Trotsky.
Chegada aqui, perdi-me.
Perdida, só quero dizer o seguinte porque eu cá não nasci das ervas: mentir é muito feio, andar à cata de pessoas é muito feio, denunciar é muito feio... e brincar com o Photoshop também, pelo menos às vezes.
Quanto ao Goebbels, que sem dúvida era um mestre, acabou mal. O pior, claro, tinha sido o resto.

04/05/09

Bengaladas III [e não, nunca fui de andar à pancada, nem nos meus tempos de perigosa extremista]

Já estava noutra. Mas quando dei com as notícias
1. Manuel Alegre condena incidentes com Vital
2. José Lello garante que "afinal, há sempre uma voz que se cala"
[e note-se o sentido poético do segundo, paradoxalmente ausente do primeiro]
.... achei que ainda havia matéria para continuar o folhetim.
Deixo-vos com as imagens. E das duas uma: ou o operador de câmara, com medo de ser processado pela CGTP, omitiu a parte dos pontapés, murros e estaladas, ou então o que eu vejo neste vídeo fica-se por aquela coisa tipicamente portuguesa do "agarrem-me senão vou-me a ele!".
A segunda hipótese, terão de convir, é mais provável. Só por isto:
Vital já não é jovem. E um dia depois da "brutal agressão" estava a fazer rafting no Minho.
Tudo indica, pois, que ainda não foi desta que o jurista de Vilarinho do Bairro teve a sua "Marinha Grande".

03/05/09

Ainda a propósito de bengaladas [roubado com todo o descaramento e eu só assino por baixo]

Sócrates foi assobiado em Melgaço quando fazia campanha eleitoral. Sócrates disse que era normal em democracia. Já os insultos a Vital, não. Sócrates explicou que quem insulta Vital tem que pedir desculpas ao Partido Socialista. Peço já desculpas ao Partido Socialista.
Daqui.

02/05/09

Oh! o antiquíssimo método das bengaladas

[...]
O orador (concluindo): – E foi assim, sr. presidente que se passaram os factos.
O Sr. Luciano de Castro (interrompendo com grandes punhadas na mesa): – O ilustre deputado tem estado simplesmente a dizer refinadíssimas petas...
Vozes: – Apoiado, apoiado!
O orador (voltando-se e desabotoando o colete): – Petas? oh! formidável patife! (apoiado, apoiado). Eu, sr. presidente, não posso consentir que esse celerado entre no meu foro interior!
Vozes: – Fora, fora!
Uma voz suplicante: – Sr. presidente, estão-me aqui a dar pontapés (sussuro).
O Sr. Coelho do Amaral (espancando com grande dignidade o Sr. Barros e Cunha) : – E aqui está, sr. presidente, como se prova que o Sr. Barros e Cunha não tem razão alguma nos princípios que estabeleceu.
O Sr. Mariano de Carvalho: – Mas a ditadura foi nefasta! E não há biltre nenhum que me prove o contrário... (tira o casaco).
O Sr. Coelho do Amaral (continuando o espancamento): – Não me interrompam o discurso!
O Sr. Presidente (aos Srs. Mariano e Santos Silva): – Os senhores não têm direito a interromper sovas que o regimento garante (berreiro).
O Sr. Presidente do Conselho: – A Câmara está-se sepultando na mais profunda abjecção!
(O sr. presidente do Conselho sucumbe, sob uma chuva de bengaladas).
O Sr. Braamcamp (batendo com a bengala sobre a mesa, a um continuo) :–Dois cafés! Um cabaz!
Vozes (atravessando o corpo legislativo). –Salta, meia de Colares!
O Sr. Pinheiro Chagas (deitado, fumando com ar melancólico):

«Oh virgem pálida e triste
Branca visão doutros Céus!»

O Sr. Aires de Gouveia: – O que diz ele?
Vozes: – Ele cisma! Ele cisma!
A oposição atira cebolas ao Sr. Pinheiro Chagas. Alguns senhores deputados dizem obscenidades, que o ruído impediu que chegassem à mesa dos taquígrafos.
O orador: – A Câmara não quer escutar-me? Pois bem, eu passo a outros argumentos... (Distribui bengaladas).
Tumulto. O sr. presidente atira a campainha à cara da maioria, e o tinteiro aos queixos da oposição. Alguns senhores deputados miam de gato. O Sr. Santos e Silva, no auge da sua indignação dá cambalhotas. O Sr. Jota Moniz, no seu zelo pelos princípios, retira-se da sala. O Sr. Luís de Campos termina por distribuir, bem a seu pesar, uma prodigiosa quantidade de pontapés, com uma nobre imparcialidade.
O Sr. Presidente: – Para amanhã continua esta interessante discussão.
A Câmara sai correndo, gritando, rebolando pelas escadas abaixo.
Os contínuos levantam as garrafas de Colares.
[...]
in As Farpas, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão
Imagem encontrada aqui.