Mostrar mensagens com a etiqueta Irão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Irão. Mostrar todas as mensagens

19/10/22

ELNAZ REKABI OU DA CORAGEM SEM ALARDE

Iraniana, participou de cabelos descobertos nos campeonatos de escalada asiáticos. O alarido espalhou-se pelo mundo, alguns temendo pelo que a esperaria no regresso à pátria. 

Já veio dizer que não foi intencional e que o hijab lhe caiu. Mostrar os cabelos terá sido um acidente, o que, seja o que for que tenha realmente acontecido, me lembrou um episódio passado com o descansado meu pai. 

Ex-preso político com direito a vista privilegiada para o mar revolto de Peniche, contou-me ele, anos passados do 25 de Abril, que um dia se cruzou com três Pides conhecidos que tomavam a bica ao balcão do café perto da nossa casa.

"E o pai, o que fez?", perguntei eu, jovem. 

E o meu pai: "O que fiz? Tomei a minha bica e vim-me embora sem pagar. Estou velho. Eles eram três. O que querias tu que fizesse?"




03/10/22

PROTESTOS NO IRÃO: GOVERNO ACUSA OS EUA E ISRAEL (Ó Khamenei, pá, não abuses!)

Diz o mestre de cerimónias do Irão que as manifestações de protesto contra a repressão das mulheres são organizadas por inimigos estrangeiros do país. Não me custa a crer que haja ajudas, mas, olha, ainda bem.


Já eu o que não acho mesmo natural é as mulheres serem obrigadas a cobrir os cabelos porque os homens não sabem manter a pilinha dentro das cuecas.

30/09/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «E LA NAVE VA»

«... In illo tempore algum homem barbudo e mal lavado se apercebeu de que as cabeleiras e o colo femininos lhe excitavam os sentidos (ou isso ou os cabelos longos das mulheres favoreciam a reprodução de piolhos). Entretanto, o mesmo homem, lidando a custo com o seu entusiasmo indecoroso e porventura pretendendo vingar Sansão do corte de cabelo ordenado traiçoeiramente por Dalila, entra em negação e mergulha estoicamente nos livros. Cogita. Lucubra. Teoriza. Alcança a luz do dogma como um budista o satori: às mulheres, e para seu bem e protecção, é devido que se cubram para não perturbarem os homens. Tudo isto, claro, antes de ter sido inventada a mini-saia, o shampoo quitoso ou da actriz Jean Seberg ter lançado a moda dos cabelos curtíssimos.

Séculos passados, alguém com obrigação de saber que já não vivemos nas cavernas e que o acasalamento humano requer uma sofisticação que não se esgota na mudança das estações apesar do que diz a letra do Let’s do it de Cole Porter – que, lá está, não é para ser interpretada à letra – reedita o preceito e impõe-no sob a forma de lei à totalidade das mulheres, incluindo as secularizadas. Os mais radicais – lembrando-nos que pior é sempre possível – ultrapassam a obrigação do uso do hijab: mulher é de niqab ou burka, ou seja, cobertas da cabeça aos pés, respectivamente com olhos e sem olhos à mostra. (...)»

23/09/22

MULHERES IRANIANAS: QUANDO O DRESS CODE MATA

Enquanto na Europa, feministas entediadas defendem que usar o hijab é um direito que nos assiste — a nós mulheres , e frequentar piscinas públicas vestidas da cabeça aos pés com horários diferenciados uma questão cultural, no Irão as iranianas fartaram-se do dress code.

E fartaram-se corajosamente.


18/09/22

MAIS UMA VEZ ANTÓNIO GUTERRES A DIZER O ÓBVIO O QUE, NUM CLIMA DE HISTERIA BÉLICA, JÁ É DIZER IMENSO

A guerra está para durar: «Os russos e os ucranianos acreditam que podem ganhar. Não vejo qualquer possibilidade, a curto prazo, de uma negociação séria», afirmou o secretário-geral da ONU.

Em relação aos assassínios e aos sinais de tortura que as tropas ucranianas garantem ter descoberto em Izium, Guterres disse esperar que o Tribunal Penal Internacional possa conduzir investigações que apurem responsabilidades.

Uma solução para as exportações do sector alimentar continua no topo das preocupações da ONU: «Putin tem parcialmente razão».

As alterações climáticas e a guerra é outro dos temas: «No momento em que era preciso reduzir as emissões, as emissões continuam a aumentar. No momento em que era preciso livrarmo-nos dos combustíveis fósseis, assistimos ao renascimento dos combustíveis fósseis. Caminhamos para o desastre (...). Quando precisamos de uma redução de emissões de 45% até 2030, a perpectiva, face aos compromissos actuais, é de um crescimento de 14%». 


02/08/11

Às vezes prefiro mesmo a minha cadela e que se lixe a metafísica

A história de Ameneh Bahrami é sinistra. Um homem, Majid Mohavedi, que viu recusado o seu pedido de casamento, atirou-lhe ácido à cara, desfigurou-a e cegou-a.
Segundo a lei vigente no Irão, quem com ferro mata com ferro morre. Um tribunal condenou Majid Mohavedi à cegueira e a sentença só não foi executada porque a vítima o perdoou no último momento. Em vez de cego, o agressor terá de lhe pagar uma determinada quantia em dinheiro, com base naquilo a que é chamado “dinheiro de sangue”.
É evidente que qualquer ser humano que lance ácido sobre outro merece castigo e dos valentes (a não ser que mais nenhum recurso lhe reste para se salvar a si próprio), e a história desta iraniana dirá muito da relação entre os dois sexos no país.
O que choca, contudo, na notícia é, mais do que o gesto do homem, um tribunal tê-lo condenado à cegueira. E, ainda mais do que isso, a execução da sentença ter lugar num hospital. Sem ou com anestesia, pergunto?
Porque, no último caso, seria um pouco como a pena capital, em que os matamos civilizadamente, tal como no poema da Sophia, sem descurar a sensibilidade do acto.

12/08/10

Não sou capaz de dar título a este post

Sakineh Mohammadi Ashtiani apareceu na televisão iraniana a "confessar" o seu crime.

Teme-se que o aparecimento público de Sakineh prenuncie a sua execução eminente.
Por isso, embora assinar uma petição contra a barbárie seja o mesmo que oferecer pérolas a porcos, se ainda não a assinou (o link está aí ao lado) faça-o. Se já assinou, use agora o seu apelido do meio [quando uma pessoa está prestes a ser morta à pedrada, eu, pela parte que me toca, estou-me a borrifar para a minha honestidade (e, no limite, para a inocência dela)].
"Alguns meios de comunicação relataram o drama de Sakineh Ashtiani, uma iraniana que, acusada de adultério, incorre na pena de lapidação.O jornal El País explicava em que consiste a pena, descrita em vários artigos do Código Penal Iraniano. Dispenso-me de transcrever essa barbaridade medieval embora pense que os iluminados relativistas de esquerda e de direita os deviam ter como leitura obrigatória e castigo da distracção estival. Seja como for: a lapidação é uma forma abjecta de tortura e morte e a penalização do adultério das mulheres uma marca do atraso das sociedades em que o islamismo é religião oficial. A vigilância da sexualidade das mulheres e o seu sequestro doméstico é uma das facetas da negação dos direitos das mulheres pelo Islão contemporâneo. A demissão dos políticos e dos intelectuais dos países islâmicos deste combate civilizacional e o medo ou o silêncio cúmplice dos ocidentais são dois aspectos da mesma questão, que assombra os nossos dias. Neste momento uma mulher cujo nome conhecemos e outras, anónimas, podem ser “enterrada(s) até acima dos seios” (art 102) e apedrejadas “com pedras que não podem tão grandes que matem ao primeiro golpe, nem tão pequenas que não possam ser chamadas de pedras” (art 104)."

06/08/10

Post dedicado ao Ali que o pariu: é pena que só se invadam países por causa do petróleo e nunca em defesa da música


Fez-se um alarido por causa da proibição da burka em França. Mas quando um troglodita chamado Ali Khamenei vem dizer que a música "não é compatível" com os valores da república islâmica não há quem lhe dê com um piano em cheio no turbante.
E só espero que nenhum adepto do "multiculturalismo" retardé, surdo ou não surdo, venha tentar perceber qual o tipo de música incompatível...