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26/01/09

Uma vez sem exemplo...

Meteram-me numa daquelas correntes. É verdade que não me ameaçaram com o inferno se a quebrasse e eu ― confesso ― estive mesmo quase a fazê-lo. O convite era-me, porém, simpático: resolvi experimentar. O resultado é o que se segue mas podia ter sido outro. Também por isso, previno contra o síndrome de Zuckermann todos os que tiverem pachorra para ouvir as minhas escolhas. E, pela parte que me toca, a corrente morre aqui ― é que pode não parecer mas não desejo mal a ninguém.
[ADENDA: Só depois de publicar este post percebi que tinha percebido mal. Ou seja, fiz batota: apenas podia escolher um compositor/intérprete, e não vários, para todas as respostas. É o que dá meter-se uma pessoa em correntes sem dominar o freestyle...]


És homem ou mulher? Peggy Lee e Johnny Cash, I'm A Woman

Descreve-te. Leon Rausch, You Don't Know Me

O que acham as pessoas de ti? Elvis Presley, Baby I Don't Care

Como descreves o teu último relacionamento? [odeio a palavra relacionamento mas não fui eu que fiz as perguntas, ok?] Dalida e Roger Pierre (voz de Alain Delon), Paroles, Paroles

Descreve o estado actual da tua relação [não sei o que detesto mais: relação ou relacionamento...]. Edith Piaf e Theo Sarapo, A Quoi Ça Sert L'amour

Onde querias estar agora? Willie Nelson, On The Road Again

O que pensas sobre o amor? Yves Montand, C'est Si Bon

Como é a tua vida? Tony Bennett, Rags to riches

O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Tom Waits, Take Me Home

Escreve uma frase sábia [já que o inquério é musico-sentimental...] Dean Martin, Takes Two To Tango

19/08/07

A Propósito de Torga, que não Tem Culpa NenhumaULPA NENHUMA

Estava eu, displicente, a folhear jornais antigos (mas não demasiado), quando dei com um texto assinado por Carlos Fiolhais no «Público» de 17 de Agosto. Afirma aí o conhecido físico que a polémica sobre a ausência de membros do governo no centenário de Torga «é uma perfeita tontaria, que nem mesmo a silly season justifica». Tendo eu Carlos Fiolhais em boa conta, fui lê-lo. Fiquei a saber que a 24 de Junho, aquando do lançamento do Espaço Miguel Torga em São Martinho de Anta, um projecto de 1,7 milhões de euros assinado por Souto Moura, o governo tinha-se feito representar em peso e em força. E fiquei a saber mais: que a 12 de Agosto (dia da polémica), foi apenas inaugurada em Coimbra uma casa-museu, orçada na modesta quantia de 324 mil euros, «em cujo quintal a câmara quer construir um Centro de Estudos Torguianos». Não tenho nada contra quintais nem contra Carlos Fiolhais (esta parte já tinha dito), mas, espicaçada pela sua posição, fui tentar saber quanto é que Torga, afinal, tinha nascido. A Wikipédia refere que Adolfo Correia Rocha veio ao mundo a 12 de Agosto de 1907. Naturalmente, não sei se posso confiar nas datas referidas, por todos os motivos e mais aqueles que recentemente envolveram um computador oficial e oficioso que alterou o texto da Wikipédia sobre Sócrates. E andava eu já esquecida destes factos, quando, a propósito de Jack Kerouac e dos 50 anos de publicação do «On the road», tropecei neste delicioso diálogo do filme «Honeysuckle Rose», para o qual Willie Nelson assinou a música «On the road again»:
«Bo: Anybody on this bus got a college education?
Lily Ramsey: I do; just graduated in June.
Bo: Good. Then you can get up and get us a beer.»

Esquecido Torga, regressei a ele em memória de Sócrates, e depois larguei os dois e vi-me n' «O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam», do qual saltei quase de imediato para o adorável poema de Borges: «Yo, que tantos hombres he sido, no he sido nunca, aquel en cuyo abrazo desfallecía Matilde Urbach». Já em vertigem, e temendo que o poema do cego argentino me conduzisse em excesso de velocidade à metafísica do sujeito e aquelas temíveis perguntas «Quem sou», «De onde venho» e «Para onde vou», cortei cerce o pensamento que me levaria a Régio, de Régio a Alegre, de Alegre a Torga, de Torga a Sócrates... Enfim, um pesadelo.

Boa-Noite


Os Lo Santeros não são mexicanos. O Mad Dog Clarence toca bem gaita. Na Zé dos Bois não havia tequilla. A malta de filosofia é doida. E depois vim para casa ouvir Willie Nelson. Tudo está bem quando acaba bem.

18/08/07

«ON THE ROAD» DE JACK KEROUAC FAZ 50 ANOS





«Sal, we gotta go and never stop going till we get there.
«Where we going, man?
«I don't know but we gotta go.»