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13/02/14

O Estado a que isto chegou.

Os cravos gigantes serão criados pela Joana Vasconcelos com a pele cristalizada de 40 toneladas de tomate (oferta da "Guloso") - cujas sobras reverterão para um mega-gaspacho na ponte 25 de Abril, confeccionado pro bono pelo Frater Sobral - e servirão para enquadrar, nas escadarias da Assembleia da República, a declamação por José Luís Peixoto (patrocinado pela República Democrática Popular da Coreia) do poema "Abril,  ó cucamandro, morrestes-mes!", enquanto, sobre o parlamento, adejará uma imensa gaivota-que-voa-que-voa montada a partir de 40 000 pensos higiénicos Evax Fina & Segura com asas.

Informação recolhida no blogue do João Lisboa, com mais desenvolvimentos poéticos aqui.

11/02/14

Os biscoitos não provei mas a poesia é maravilhosa como é hábito em José Luís Peixoto



Por fim, fui à SPA levantar os biscoitos que têm um excerto de um poema meu na caixa em 4 idiomas. Gosto muito desse uso do poema e dos biscoitos. 10 cêntimos de cada caixa vão para o IPO de Lisboa.
"mãe, / às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo. / a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia/ mais bonita que tenho. gosto de quando estás feliz. // lê isto: mãe, amo-te." Não inventei nada.

07/05/13

Só tenho uma dúvida, se eu não gostar de comer frango com as mãos mandam-me para um campo de reeducação na Coreia do Norte?

José Luís Peixoto gosta do seu povo. E é por me comover que ele goste tanto do seu povo que dedico ao Peixoto este poema que o Mário Cesariny dedicou às gentes que gostam do seu povo.

Vamos ver o povo
Que lindo é
Vamos ver o povo
Dá cá o pé

Vamos ver o povo
Hop-lá!
Vamos ver o povo

Já está.

A declaração de amor ao povo de José Luís Peixoto pode ser lida aqui

19/04/13

O José Luís Peixoto inventou uma palavra nova e eu estou sem palavras.

Tágides do Tejo, ninfas da ninfetice total, apesar de mais velhas, mais maduras, emprestem-me ainda um resto do vosso ninfetismo para espalhar um pouco mais, mesmo que não seja por toda a parte, os feitos daqueles portugueses que navegaram por oceanos inéditos e, também, o valor daqueles reis desse mesmo Portugal, que o fizeram sinónimo de fé e o esticaram pelo mundo.

Peixoto sobre Camões, aqui.



18/03/12

Para não estar sempre a bater no mesmo ceguinho

Algures nas caixas de comentários, uma cliente deste tasco levantou a hipótese de eu ter um questão pessoal com o José Luís Peixoto. Não conhecendo eu sequer o José Luís Peixoto, deixo hoje, para variar, um excerto encontrado na NET assinado por valter hugo mãe, o qual (excerto) em nada fica atrás, apesar das minúsculas, dos outros que transcrevi aqui do autor de Morreste-me.
E, a propósito de ambos os citados, cito o malogrado Christopher Hitchens: Everybody does have a book in them, but in most cases that's where it should stay.


Excerto de a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe: “Abracei o corpo da minha mulher, segurei-lhe a mão, a sua cabeça no meu ombro,criei um pequeno embalo, como para adormecê-la, ou como se faz a quem chora e queremos confortar. vai ficar tudo bem, vai correr tudo bem. o que era impossível, e o impossível não melhora, não se corrige. estávamos encostados à parede, sobre o cortinado, como fazíamos na juventude para os beijos e para as partilhas tolas de enamorados. estávamos escondidos de todos, eu e a minha mulher morta que não me diria mais nada, por mais insistente que fosse o meu desespero, a minha necessidade de respirar através dos seus olhos, a minha necessidade vital de respirar através do seu sorriso. eu e a minha mulher morta que se demitia de continuar a justificar-me a vida e que, abraçando-me como podia, entregava-me tudo de uma só vez. e eu, incrível, deixava tudo de uma só vez ao cuidado nenhum do medo e recomeçava a gritar.”
Incrível, indeed.

13/03/12

Há muito tempo que não visitava o José Luís Peixoto salvo seja ou se isto é literatura eu sou a Marilyn Monroe*

[Chama-se esta pérola "Amor Burguês"]

«Havemos de engordar juntos.

Normalmente, toda a gente está demasiado preocupada em colocar a barra que diz "cliente seguinte", estão ansiosos, nervosos, têm medo que aquele que está à frente lhes leve os iogurtes, têm medo de pagar o fiambre daquele que está atrás. Enquanto não marcam essa divisão, não descansam. Depois, não descansam também, inventam outras maneiras de distrair-se. É por isso que poucos chegam a aperceber-se de que a verdadeira imagem do amor acontece na caixa do supermercado, naqueles minutos em que um está a pôr as compras no tapete rolante e, na outra ponta, o outro está a guardá-las nos sacos.

As canções e os poemas ignoram isto. Repetem campos, montanhas, praias, falésias, jardins, love, love, love, mas esse momento específico, na caixa do supermercado, tão justo e tão certo, é ignorado ostensivamente por todos os cantores e poetas românticos do mundo. Bem sei que há a crueza das lâmpadas fluorescentes, há o barulho das caixas registadoras, pim-pim-pim, há o barulho das moedas a caírem nas gavetas de plástico, há a musiquinha e os altifalantes: responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12, responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12; mas tudo isso, à volta, num plano secundário, só deveria servir para elevar mais ainda a grandeza nuclear desse momento.

É muito fácil confundir o banal com o precioso quando surgem simultâneos e quase sobrepostos. Essa é uma das mil razões que confirma a necessidade da experiência. Viver é muito diferente de ver viver. Ou seja, quando se está ao longe e se vê um casal na caixa do supermercado a dividir tarefas, há a possibilidade de se ser snob, crítico literário; quando se é parte desse casal, essa possibilidade não existe. Pelas mãos passam-nos as compras que escolhemos uma a uma e os instantes futuros que imaginámos durante essa escolha: quando estivermos a jantar, a tomar o pequeno-almoço, quando estivermos a pôr roupa suja na máquina, quando a outra pessoa estiver a lavar os dentes ou quando estivermos a lavar os dentes juntos, reflectidos pelo mesmo espelho, com a boca cheia de pasta de dentes, a comunicar por palavras de sílabas imperfeitas, como se tivéssemos uma deficiência na fala.

Ter alguém que saiba o pin do nosso cartão multibanco é um descanso na alma. Essa tranquilidade faz falta, abranda a velocidade do tempo para o nosso ritmo pessoal. É incompreensível que ninguém a cante.»
(...)
*Não vá aparecer gente ao engano

18/10/11

Se eu fosse professora mandava o José Luís Peixoto ir pentear macacos

"(...) Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. (...) DAQUI

Pastas de professores?! Blazers?! FordFiesta? Cadeirinhas para os filhos no banco de trás?! PENTEADOS!!!
Isto sim, é a decadência.

15/09/11

Por estas e por outras é que eu [ainda] gosto deste país...

... ou em que outro lugar do mundo um deputado presidente de uma Comissão de Assuntos Constitucionais enviaria um envelope com informação secreta pelos CTT (correio azul?) chegando este ao destinatário (um ex-espião sob suspeita) "engatado pelo picotado"?
E, no meio disto tudo, não nasce um Jerome K. Jerome?! Porque essa parte de só nos saírem peixotos é que lixa tudo.

27/12/09

Viva Cortázar!

O início é esclarecedor: "Devo ao meu homónimo o título deste livro, e a Lester Young a liberdade de tê-lo alterado sem ofender a saga planetária de Phileas Fogg." O jazz (na pessoa do saxofonista norte-americano Lester Young) e Julio Verne (na personagem do protagonista de "A Volta ao Mundo em Oitenta Dias" Phileas Fogg) acasalam aqui em completa liberdade, dinamitando todas as fronteiras formais além das outras.
Brilhante e estimulante: eis dois adjectivos que assentam como uma "luva (in love)" ao heterodoxo "A Volta ao Dia em 80 Mundos", assinado em 1967 pelo argentino Julio Cortázar, escritor admirador de Borges e, como este, admirador também da nobre arte do pugilismo (no seu caso com conhecimento de causa).
É o segundo grande texto de Cortázar que a Cavalo de Ferro nos disponibiliza em ano e meio. "O Jogo do Mundo (Rayuela)" saiu em Maio de 2008 (com um prefácio inaceitável de José Luís Peixoto), e a palavra "jogo" inserida no título ("rayuela" significa literalmente "jogo da macaca") volta a soar aqui. A mesma apetência lúdica - que, sendo lúdica, não deixa de ser um caso sério - anima "A Volta ao Dia em 80 Mundos". O autor insiste em pegar o caos de caras, baralhando-o, reinventando-o, enfrentando-lhe os traços camaleónicos com a mais versátil das ironias. Leia-se: "Que sorte excepcional ser sul-americano, e ainda por cima argentino, e não sentir-se obrigado a escrever a sério, a ser sério, a sentar-me diante da máquina com os sapatos engraxados e uma noção sepulcral da gravidade do instante", in "Mais sobre gatos e filósofos".
Conjunto de reflexões, citações, contos, poemas, afinidades electivas e imagens, o livro denuncia a vontade antiquissíma de aprisionar o real através da literatura, descontada, porém (o que faz toda a diferença!), a ortodoxia que vê na palavra escrita um veículo de sentido único. Em Cortázar a obra apresenta-se fragmentária, cubista, libertária e libertadora, à imagem da realidade que é, também ela, mistura multíplice de caos e necessidade.
Quinta-essência do moderno, o argentino bebe do surrealismo e do fantástico, acrescenta-lhe a desconstrução estílista do jazz, a revolução relativista vinda da ciência e um desconforto essencial que é coisa sua: "(...) desde pequeno, a minha relação com as palavras, com a escrita, não se distingue da minha relação com o mundo em geral. Pareço ter nascido para não aceitar as coisas tal como me são dadas". Depois, claro, há um enorme talento, logo visível na elegância superlativa dos textos (e se a palavra "elegância" incomodar vanguardistas extemporâneos, que se pense, por exemplo, na delicadeza quase etérea dos "ready made" de Duchamp). Leia-se: " (...) nesta altura do jogo entendo que a indiferença pelo estilo por parte de autores e leitores leva a suspeitar que a 'mensagem' tão disposta a prescindir alegremente de um estilo também não há-de ser grande coisa.", in "Grande fadiga nesta altura da investigação".
Residirá, então, nesse talento único, mais do que em tudo o resto (se tal dicotomia fosse possível...), a "explicação" para que, passados 42 anos, estes textos nos deliciem ainda pela sua inteligência, beleza e irreverência. O que poderia não passar de um mero exercício datado e descarnado continua a interpelar-nos, projecto "solto e despenteado, cheio de interpolações, e saltos, e grandes golpes de asa e mergulhos, um livro como os poetas e os cronópios gostam.", in "Casa do Camaleão". Cortázar falava aqui de outro livro. Eu falo deste. Brilhante, estimulante e, para mais, com ordem de leitura arbitrária.

19/08/09

Não sei se vou continuar a servir no facebook por muito tempo

Não me interpretem mal. Até já reencontrei uma antiga companheira coimbrã. Mas é que não param de insistir em que eu seja amiga do José Manuel Fernandes e, horror dos horrores, já é para aí a quinta vez que me propõem para amigo o José Luís Peixoto.

24/01/09

Notícia de última hora [não, não é sobre o caso Freeport...]

Estou apaixonado
Pelo meu romance.
No passado dia 7 de Janeiro, escrevi a primeira palavra daquele que começa a ser o meu próximo romance.
Este romance parte de uma ideia que tive em finais de 2005 e que, desde então, se tem vindo a multiplicar pelo infinito. Em 2007 e 2008, dediquei-me à investigação acerca de alguns temas importante para o mundo do romance. Fi-lo utilizando os mais diversos meios e constituiu uma descoberta pessoal que contruibuiu para que o projecto do romance se adensasse ainda mais.
E chegou o dia 7 de Janeiro.
Por muito boas razões, tive de interromper a escrita do romance na semana passada. Espero retomá-la amanhã. Já chamei as personagens para junto de mim. Algumas já começaram a chegar.
[da série «embirrações assumidas (IV)»; informação recolhida naquele sítio...]

17/12/08

O dartacão, agora a cores

Da série embirrações assumidas III

Eu e os meus amigos sabíamos que existiam televisões a cores, mas nunca tínhamos visto nenhuma. Quando alguns dos rapazes que andavam comigo na escola começaram a ter televisões a cores, não foi algo que nos surpreendesse. Nós sabíamos que existiam televisões a cores. No entanto, foi espantoso ver a abelha Maia ou o Dartacão pela primeira vez a cores.
Retirado do blogue do costume.

02/12/08

E foi ele de Galveias ao México... (também pode ser o caso de ter bebido mescal marado mas acho pouco provável)

Da série embirrações assumidas II
Seguindo uma lebre levantada pela Ana, fui espreitar o blog daquele cujo nome evito pronunciar. Foi lá que encontrei estas pérolas.
«ALGUMAS COISAS QUE APRENDI ONTEM SOBRE O MÉXICO»
«Os emos no México são lindos. Existem em toda a parte e falam com voz muito frágil enquanto levam a mão à testa para quase afastar a franja. Há emos adultos. Nunca tive nada contra emos, agora tenho ainda menos. Além disso, aqui até há manifestações de emos, de que já ouvi falar bastante (...).*
«Nas estações de metro e nas carruagens de metro, há zonas onde só é permitida a entrada a mulheres e a crianças. Na estação, essas zonas estão separadas por um muro transparente. De um lado, só existem mulheres e crianças, do outro estão os homens, algumas mulheres e algumas crianças.»
*Sobre emos, eu, proprietária da Pastelaria, aconselho vivamente a leitura desta notícia que dá conta de confrontos entre emos, por um lado, punks, darks e góticos por outro, com os hare krishnas no meio.
E JÁ AGORA UM BOCADINHO DO MEU MÉXICO*

Chavela Vargas, Quisiera amarte menos

*que o José Agostinho Baptista me fez conhecer há muitos anos, numa época em que ainda não havia emos nem pérolas peixoteiras

19/11/08

Eu também mas é mais ao contrário e nem lhe perguntava nada

Da série embirrações assumidas
«Cada vez que participo num programa de televisão em directo, tenho vontade de me levantar e de, a completo despropósito, dar uma estalada no apresentador. [...] Fazem-me perguntas: quando começou a escrever?, porque escreve?, quais são os autores que mais o influenciaram? Eu respondo devagar, e, por detrás de cada palavra, sinto vontade de levantar-me, ter a completa percepção de todos os meus movimentos e dar-lhes uma estalada.»
encontrado no blog do josé luís peixoto, espaço que prometo passar a visitar com regularidade a partir de agora. assim me dê deus saúde e paciência.

23/05/08

Quando eu for grande também quero escrever prefácios dispensáveis

Tenho entre mãos um dos clássicos da literatura do século XX, Rayuela, palavra que no original significa «jogo da macaca», texto poderoso assinado por Julio Cortázar e traduzido (só) agora em Portugal pela Cavalo de Ferro.
Olho para a capa e concluo que é uma belíssima capa. Olho-a outra vez e leio: «Prefácio de José Luís Peixoto». Morre-se-me o entusiasmo. O que tem o crochet e o sentimentalismo pacóvio de Peixoto que ver com o experimentalismo e o rigor de Cortázar?
Fui ver, como o Augusto Gil.
Pois bem, vocês conhecem-se (esta é uma frase de efeito, naturalmente). Um quebra-cabeças de 631 páginas resumido a folha e meia? E coroado pelo título «Prefácio dispensável»? Solta-se-me a bipolaridade: da estranheza passo à irritação. Começo a ler. A meio do rol de coisa alguma, já passei da irritação à gargalhada.
Na tal folha e 1/4 (tentando ser mais precisa), o moço de Galveias consegue descarregar dois pianos, e cito:
1. «trata[-se] do livro incontornável de um autor incontornável na literatura do século XX»;
2. «estamos na presença de um dos mais importantes livros escritos na segunda metade do século XX».
Além disto: NADA. Minto (até ao dizer que minto), acrescenta: «Reparo agora que ainda não escrevi suficientes frases de possível citação na contracapa».
Fui ver, como o Augusto Gil.
Na contracapa: NADA. Grande es Dios.
E Cortázar, claro.

21/02/08

Os Maias contado às crianças por José Luís Peixoto. Volto, pois, a perguntar: «porque lhes dais tanta dor?!»

O semanário Sol, cujo director ainda há pouco jurava que nunca venderia nada além do seu próprio jornal, acaba de lançar uma edição de clássicos portugueses adaptados às crianças.
Começo por esclarecer que não me move nenhum princípio contra adaptações e resumos (o que seria do A la recherche...). Estranhei, contudo, a adaptação d' Os Maias, e para mais logo a abrir. Mais estranhei a escolha do autor que levaria a cabo a tarefa: José Luís Peixoto. É que entre o crochet deste último e a inteligência de Eça, dava-me para vários cachecóis e ainda me sobrava lã.
Resta a pergunta: porquê Os Maias? Em que é que esta literatura adulta poderá interessar às crianças? Não será um bocado cedo para lhes falar do incesto, mesmo com educação sexual escolar?
Esticando a faixa etária: serão os jovens incapazes de ler Eça no original?
Verdade, verdadinha, o que me preocupa é o seguinte. Primeiro, e sobretudo, que não deixem as crianças em paz; segundo, que ao lerem Eça via Peixoto, acabem todas na idade adulta a elogiar Coelho, O Alquimista.