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04/10/13

Resumindo, é isto





Perguntaram ao tipo aí da fotografia:
"If you could give one piece of advice to a large group of people, what would it be?"

E o tipo aí da fotografia respondeu:
"Let me tell you something. I'm a Sikh. And I lived in India back in 1984, when a Sikh assassinated Indira Gandhi. Mobs of people went door-to-door, using voter rolls to identify the Sikhs and kill them. They were chanting outside our door while we hid in the closet. The only reason I'm still alive is that our neighbor convinced them that we'd moved away. So I don't have anything to say to a large group of people. I hate large groups of people."

LIDO numa página do Facebook chamada Humans of New York.  

29/02/12

Post roubado despudorada e integralmente a Luís M. Jorge

Entre as luminárias do regime resplandecem os espíritos sempre airosos dos Camilos Lourenços. Enquanto outros encontram dificuldades, os Camilos revelam-nos em palavras simples os bons princípios da nossa salvação.
Há dividas? Paguem-se.
Há despesas? Cortem-se.
Há défices? Ide buscar o cilício e mortificai-vos.
Há desemprego? Emigrem.
Há pobres? Trabalhem.
Há fome? Comam brioches.
Há mulheres que tentam vender os filhos nos subúrbios? Pois que baixem o preço dos mais pequenitos, a quem faltam vantagens competitivas.
Há suicídios, mortes por inanição? Eis um modo elegante de reduzir as transferências sociais.
Há velhos sem medicamentos? Um sério aviso para os jovens que não aderiram à Médis.
Há ordenados muito baixos nas empresas? Extingam-se.
Há ordenados muito altos na EDP? São as leis do mercado, nada a fazer.

O mundo dos Camilos obedece a valores testados em séculos de miséria abjecta e desespero universal. Antigamente eram feitores e capatazes, hoje são jornalistas e lideres de opinião.
Os Camilos Lourenços dão imenso jeito. Todos os ricos deviam ter um.

DAQUI, com a devida vénia

11/08/11

No espaço, onde, com sorte, talvez se estivesse bem


Carl Sagan lê um excerto do 1º capítulo de O Ponto Azul-Claro, Uma Visão do Futuro do Homem no Espaço, livro que acaba de ser reeditado pela Gradiva ("um acto de cidadania cósmica", chamou-lhe Miguel Gonçalves, Coordenador Nacional de The Planetary Society)

31/08/10

Salvo pelos livros

— Não te esqueças amanhã de trazer os livros. Estão os três dentro do saco.
A dor fora-se diluindo gota a gota através do líquido branco que vazava do tubo. Parecia um homem novo.
— Não esqueço.
— Sobretudo, não te esqueças do Balzac. Que escritor! Dentro do saco está A Mulher de Trinta Anos junto com aquele d’ O Filósofo e o Lobo e o outro…
— Não esqueço.
— Quando era novo li o Père Goriot. Que coisa maravilhosa!
— Esse nunca li.
— Nunca leste?! Parece mentira!
— Agora tem de sair.
— Saio já.
— E traz um macinho de tabaco. E um isqueiro…
— Eu trago, mas não sei se o vão deixar fumar.
— Fumo há 60 anos. O que é que adiantaria agora…?
— Eu trago. O tabaco e os livros.
Tem mesmo que ir...
— Amanhã estou cá com as encomendas.
— Vai. Vai. E como é que nunca leste o Père Goriot é que eu gostava de saber…