11/02/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «O PROBLEMA COM AS MÁQUINAS»

 «... Instalado o clima prazenteiro, numa reedição do “não há rapazes maus” de Padre Américo traduzido entretanto por “não há imbecis irrecuperáveis” (convicção que os mais cultos insistem em alicerçar em Voltaire, embora — e pela quinquagésima vez! —, o francês nunca tenha dito: “Posso não concordar com o que dizeis, mas defenderei até à morte o vosso direito a dizê-lo”), quando Donald Trump perguntou se a lixívia não seria eficaz no combate à Covid 19 era demasiado tarde: o mal estava feito.»

O resto AQUI.

10/02/22

O ENTRISMO NÃO TEM NOVIDADE NENHUMA

Diz que os anti-sistema afinal não rejeitam o sistema. Mas qual é a admiração? A ideia de tomar o sistema por dentro é tão velha como a Sé de Braga. Só quem anda distraído é que pode pensar ter descoberto algo de novo debaixo do Sol. 

Já que a extrema-direita ande a capitalizar o descontentamento popular, isso até que merecia um bocado mais de reflexão do que os ai-Jesus que isto anda cheio de "deploráveis" e de "chalupas". 

09/02/22

CIBERATAQUES: AINDA AGORA COMEÇARAM?

O mundo a várias velocidades. 

Uns discutem (ainda) o assunto mais do que arrumado da existência de raças humanas e da interferência da melanina no comportamento da espécie.

Outros imaginam guerras de trincheiras à maneira da I Guerra Mundial.

Enquanto isso, os ciberataques vão fazendo o seu caminho no século XXI e já em 2015 havia quem alertasse para a mais recente forma de guerra: "Em vez de mobilizar uma defesa nacional contra ciberataques, queremos uma torradeira que comunique com a máquina de lavar via Internet".

No meio disto tudo, a grande moda são cidades mais digitais. 

Confusos? Também eu. 



08/02/22

DA TRAGÉDIA À FARSA

Nos anos 30 e 40 do século XX os fascistas combatiam-se à porrada. Hoje, anos 20 do século XXI, o sururu é sobre se se deve  ou não  convidá-los para um chá. 

Entretanto, o mundo mudou mesmo e o Putin já lanchou com o Xi Jinping. O petit Macron não foi convidado. 


07/02/22

LEITURAS: "GULAG, UMA HISTÓRIA" de Anne Applebaum

Talvez a directora do Museu do Aljube, Rita Rato, que não deu os Gulags na escola, se possa agora informar sobre o assunto...


06/02/22

A PROPÓSITO DE VERMEER, LEITURAS QUE VALEM MUITO A PENA

 «A "poesia do recolhimento" de Johannes Vermeer, como alguém lhe chamou, foi destruída pela diluição das fronteiras entre público e privado, pela apetência das celebridades em partilharem connosco os momentos íntimos dos seus quotidianos, como se nos interessasse conhecer o underwear de Ronaldo ou o petit-déjeuner de Georgina. Na peugada dos famosos e das "figuras públicas", os comuns mortais figuram-se também eles como celebridades, fazendo-se fotografar em selfies de despudorado onanismo, retratando os pratos que comem nas mesas dos restaurantes, compondo autobiografias risonhas em "histórias" do Instagram.»

O RESTO AQUI

04/02/22

PANDEMIA COVID 19: QUEM É QUE ANDA A MORRER EM PORTUGAL?

Com uma variante cuja gravidade está comprovadamente abaixo dos 75% em relação às variantes anteriores e com as medidas de contenção da pandemia a serem progressivamente levantadas, é no mínimo estranho que não se reflicta sobre o exagerado número de mortes associados à Covid 19 em Portugal, manifestamente desalinhado com os dados que nos chegam lá de fora. Ao pânico segue-se a indiferença? Só hoje foram 50.

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «DIAS ASSIM»

 «... Ignorante da história, fútil, literalista, castradora da linguagem e da imaginação, aguarda-se que a moda do cancelamento venha exigir desculpas a Flaubert pelo suicídio de Emma Bovary ou recomendar a Anna Karénina que consulte o Doctor Phil para tratar da depressão.»

O RESTO AQUI

03/02/22

E PARA QUANDO A ACTUALIZAÇÃO DA MONA LISA?

Um grupo de artistas franceses quer actualizar a imagem de Marianne, a figura femimina criada por Delacroix que simboliza a Revolução Francesa. Já agora, acrescentavam também os bracinhos que faltam à Vénus de Milo ou davam um final decente a Bouvard & Pécuchet, o livro que Flaubert deixou inacabado, e não se falava mais nisso...

A NOTÍCIA AQUI

01/02/22

ELEIÇÕES: VOTAR PARA AS SONDAGENS

No caso do Moedas, perderam as sondagens (como já tinham perdido no caso de Trump). No caso de Costa, voltaram a perder as sondagens. 

É o que dá acreditar em mesas de pé-de-galo. 

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «MENTES SIMPLEX»

«Com o caos instalado, conclui-se que a maioria (PAN, IL, CDS, PSD…) diz querer avaliar o Acordo. Não deveria ser antes avaliarem-se?

À esquerda, António Costa, oracular, afirma que o AO “deve fazer o seu caminho”. Catarina Martins afirma que o “Acordo prevê, ele próprio, que haja estudos e revisões ao longo do tempo, e, portanto, se algum de nós estiver a dizer que não quer essa revisão, está a dizer que não quer o próprio Acordo”, raciocínio algo bizantino que, além de assentar numa falsidade (nada no Acordo prevê aquilo de que a deputada fala), denuncia alguma ignorância sobre o funcionamento da língua: afinal a ortografia não é como o PIB que, habitualmente, muda todos os anos. Rui Tavares afirma que o que importa é a coerência, sendo por isso muito importante o Acordo, melhorado ou não, enquanto contributo para a promoção da língua portuguesa lá fora (este desígnio promocional assente na uniformização, como toda a gente sabe, também tirou em tempos o sono aos ingleses e espanhóis: os primeiros conseguiram que shit se tornasse universal nos territórios de Sua Majestade; já os segundos tentaram, sem sucesso, impor a interjeição coño à totalidade do mundo hispânico). »

O RESTO AQUI

21/01/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: MONTE POÇO BLUES

 [e não por acaso Jorge Luis Borges, na qualidade de admirador confesso do bispo irlandês George Berkeley, considerava a metafísica um ramo da literatura fantástica, conforme pôde confirmar Guillermo Cabrera Infante quando, dirigindo-se à Berkeley Square em Londres na companhia do argentino e desconfiando da sua condição de cego verdadeiro o abandona no meio do trânsito, este impávido e sereno enfrentando vagarosamente os carros, “talvez devido à sua condição de discípulo de Berkeley”, acrescentaria mais tarde o cubano: “Se ele não via os carros, os carros não existiam”…]

O RESTO AQUI

MEDITAÇÃO DE SEXTA (dia 14 JAN): OS DIAS DA PESTE

— Então e o que propõem em matéria de moral?

— Vacinação obrigatória!

— Ideias sobre economia…?

01/01/22

A MEDITAÇÃO DE SEXTA NO ÍPSILON: «2021 correu muito bem. 2022 será pior.»

Se tivéssemos tido um pai com a profissão de talhante, a tarefa de olhar para trás, para o passado, ficaria muito facilitada. Bastaria enfileirar uma resma de chouriços e espreitar pelo buraco formado pelos enchidos.

O RESTO AQUI,

29/12/21

PANDEMIA: DÁ PRAZER LER UM TEXTO INTELIGENTE!

 We’re Living Through the Boring Apocalypse
Fear generally works best for motivating one-time acts, especially those  that feel risky. Early this year, fear was probably an effective way to motivate people to get their first vaccine shot. But it tends to be less effective for driving repeated behaviors such as getting a second dose and a booster.
Of course, the problem isn’t just being oversaturated with fear messages. Safety behaviors have become so politicized that many people are skeptical not only of vaccines and face masks but also even of the threat that Covid-19 presents. For a fear message to get through and change behaviors, people need to be confident both that there’s a clear and present danger and that taking action will protect them.

[Clicar no texto para ir para o site do NYT]

24/12/21

MEDITAÇÃO DE SEXTA NO ÍPSILON: E La Nave Va

 «... A ideia de que o conhecimento científico é à prova de bala, uma couraça revestida a verdades absolutas e indiferentes ao devir, mantém muitos adeptos. Na Introdução de um livro já antigo para a velocimetria actual (escrito a duas mãos por Isabelle Stengers, química e filósofa belga com uma carreira académica dedicada à história das ciências, e o Nobel da Química de 1977, o russo naturalizado belga Ylya Prigogine, falecido em 2003), de título A Nova Aliança, os autores citam os versos que o poeta inglês Alexander Pope dedicou a Isaac Newton, “o novo Moisés a quem as ‘tábuas da lei’ foram reveladas”, escrevem Stengers e Prigogine, compondo para nós, leitores, o colorido “dessa época de ouro da ciência”. Os versos não podiam ser mais apologéticos: “Nature and Nature’s laws lay hid in night:/ God said, let Newton be! And all was light”.»

O RESTO AQUI

23/12/21

ÓMICRON: BOAS NOTÍCIAS QUE CHEGAM DA ÁFRICA DO SUL

O contágio pela nova variante parece estar em declínio e, além disso, o número de hospitalizações e mortes terá sido relativamente baixo.

LER AQUI

22/12/21

COVID 19 E A (I)RACIONALIDADE

Quando a epidemia começou, vi pessoas a citar o Poema do Medo do Alexandre O'Neill, a clamar contra o uso das máscaras — nomeadamente a 2ª figura do Estado — e a vociferar contra o(s) estado(s) de emergência porque vinha aí o fascismo.

Agora, de repente, quando tudo aponta para efeitos muito menos gravosos da nova estirpe é que lhes deu para tomar banho embuçados!

09/12/21

PANDEMIA: PARA MAIS TARDE RECORDAR

 «[os relatórios sobre vacinação infantil contra a Covid 19] São internos, não são secretos»

Graça Freitas (a plagiar George Orwell)