Esta senhora é desprezível.
24/01/14
Este camarada é um demagogo*
A ciência de grande qualidade não cai do céu aos trambolhões como a maçã do Newton. Aposto que ele, que não é parvo apesar de demagogo (combinação explosiva!), até conhece a Teoria das Catástrofes do René Thom. Já para não falar daquela coisa de a quantidade tender a gerar qualidade, ideia que, apesar de ir beber à dialéctica marxista (coisa que deve arrepiar o Crato), continuar a fazer todo o sentido.
*e aposto com estes que a Terra há-de comer que na qualidade do Crato nem entrava o António Damásio...
Crato diz que o Governo aposta na ciência de grande qualidade!
*e aposto com estes que a Terra há-de comer que na qualidade do Crato nem entrava o António Damásio...
Crato diz que o Governo aposta na ciência de grande qualidade!
23/01/14
Sobre estatísticas, contas e propaganda e a propósito da euforia do défice
« O governo informou que 95% dos pensionistas estarão isentos do pagamento do "complemento extraordinário de solidariedade", que abrangerá as pensões superiores a 1000 euros.
Fica-se assim a saber que, em Portugal, 95% dos pensionistas vivem com menos de 34 euros por dia.»
Francisco Seixas da Costa, encontrado AQUI.
Francisco Seixas da Costa, encontrado AQUI.
Sábado haverá um pós Hugo Soares
Stress
Não quero
chocar ninguém. O caso é que há momentos na vida de um cronista em que um
cronista daria tudo para poder plagiar uma coisinha qualquer e pronto: estava
feito! «Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima,
não seria uma solução.» Drummond, isso
sei eu. Em verdade, porém, vos digo: anda por aí demasiada informação. Demasiada.
De desmaiar. Razão tinha José Sócrates quando disse: “O mundo mudou muito nas
últimas três semanas” (dou a mão à palmatória). Agora imagine-se isto – o mundo
a mudar – mas semanalmente. A acelerar feito cavalo louco, “a galopar, a
galopar”, como no poema do Rafael Alberti.
Impossível processar tudo.
Impossível! Prova: mal refeitos ainda da morte de Eusébio e do candente
problema do Panteão cadente, sem esquecer a pergunta que nos provocou a todos uma
carrada de nervos: onde é que você estava no dia 23 de Julho de
1966?, suspende-se de novo o país na bola do Ronaldo. E quando nos
recompúnhamos da bola e do “bocadinho de Ronaldo dentro de nós” (valha-nos
Deus!), eis que salta uma inusitada vara de leitões para os lados da Mealhada. Com
todas as esperanças já postas na Mealhada, veio finalmente a saber-se que tudo
afinal se resumira a uma dose de leitão cobrada a mais por engano, anti-climax tipicamente
português (Agarrem-me se não eu mato-o! ou, na versão camiliana, Maria! Não me
mates, que sou tua mãe). Siga outro assunto.
Servirá de assunto o grupo
parlamentar do PSD variar entre “co-adoção”/“adopção” e querer um referendo à
força? Passo a transcrever a prosa, trimbada e tudo, mas aviso já que, embora
tendo cumprido os 12 anos de escolaridade obrigatória que os mesmos (ou
similares) que comeram leitões na Mealhada propunham ver reduzidos a nove (isto
cada um é para o que nasce...), posso não ter alcançado o português da coisa, ortografia
incluída.
Cito: “Projeto de Resolução Nº 857/XII Propõe a realização de um referendo sobre a
possibilidade de co-adoção pelo cônjugue ou unido de facto do mesmo sexo e
sobre a possibilidade de adopção por casais do mesmo sexo, casados ou unidos de
facto.” Pelas vossas alminhas!
Redacção à parte, sobre esta mania de referendar certos
temas gostaria de invocar Albert Camus, autor morto bastante mais recomendável
do que muitos vivaços que por aí andam: “A democracia não é a lei da maioria,
mas a protecção da minoria”. Fica para trabalhos de casa.
22/01/14
Sou só eu ou isto das batinas e do "grito académico" é absolutamente sinistro?
*
AEIOU, chiribi ta ta ta ta, urra, urra é um grito académico?!
AEIOU, chiribi ta ta ta ta, urra, urra é um grito académico?!
21/01/14
Esta gente era capaz de vender a mãe...
Saída de pessoas qualificadas para o estrangeiro "é positiva"
diz o secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Pereira Gonçalves
Olha-se-lhe para o retrato e vê-se logo que a demagogia conduz a problemas capilares.
diz o secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Pereira Gonçalves
Olha-se-lhe para o retrato e vê-se logo que a demagogia conduz a problemas capilares.
Relatório da Oxfam sobre as desigualdades no mundo
Para descarregar (espanhol, inglês, francês) AQUI.
«Os 1% mais ricos da China, Portugal e Estados-Unidos mais do que duplicaram os seus rendimentos nacionais desde 1980, e a situação tende a agravar-se.»
«Portugal e a Grã-Bretanha estão entre os países menos igualitários da OCDE.»
«Os 1% mais ricos da China, Portugal e Estados-Unidos mais do que duplicaram os seus rendimentos nacionais desde 1980, e a situação tende a agravar-se.»
«Portugal e a Grã-Bretanha estão entre os países menos igualitários da OCDE.»
20/01/14
17/01/14
16/01/14
15/01/14
Morreu Juan Gelman e quase assusta como é parecido com o José Mário Branco
Ler sobre o poeta argentino radicado no México AQUI.
14/01/14
Notícias da frente de combate
A
revolução começa sempre onde menos se espera. A de 1917 começou na
Rússia camponesa em vez de começar na Alemanha proletária. Em Portugal,
2014, foi na Mealhada: o triunfo dos leitões. O mundo é complexo, como
sempre digo.
13/01/14
A gente a falar.
Uma
pessoa não quer falar do descansado do Eusébio. Uma pessoa quer falar do
“inconseguimento” e do “nível social frustacional” (não deveria ser
desfrustacional?). Uma pessoa quer dizer que lidou com o ser-do-ente do
Heidegger, o falo e a fala do Lacan, o ser-em-si e o ser-para-si do
Sartre, o Id, o Ego e o Super-ego... Inconseguimentos?! Pfft! Quantos
são?! Quantos são?! Uma pessoa quer
gritar à Helena Matos: sim, sou uma pseudo-intelectual, e depois? Depois
foi o paroxismo: o Panteão, ok, mas a meias que é mais barato. Corta!
Cena 2: Um Eusébio estoico e bailarino sobrepõe-se à novilíngua e ao Eusébio “património nacional”, apesar de o corpo ainda quente e já a falarem de money (sai uma rodada de whisky em memória do morto, paga o Soares).
Cena 3: Eusébio de copo na mão num bar dançante, velho e porte de gigante, nada a ver com a altura em centímetros, meus senhores, um senhor!
Mais cenas. O presidente da República: “uma pessoa de grande humildade” (ai a humildadezinha, ai o bolor e as inanidades). O primeiro-ministro: “um exemplo de humildade” (outra vez o caruncho?!) E o Eusébio a meter-se no texto que era para ser sobre inconseguimento e nível frustacional mais o recalibrar do ministro a dilatar a base de incidência, sem esquecer a linha precaucionária, portugueses, vocês não me atravessem a linha precaucionária, e do nada aparece “O Touro Enraivecido”, “I’me the boss! I’me the boss! I’me the boss!...” e entra de novo o Eusébio, a farsa do Império multiracial a preto e branco agora em 2014 em directo e a cores: “O facto de não ser colocado num jazigo e ir para a terra, digamos assim, poderá estar de alguma forma ligado à cultura africana?”
Ora ai está uma pergunta que nada tem de pseudo-intelectual, nem sequer de intelectual, é mesmo só muito estúpida (sai um Livro do Génesis e mais um whisky por favor), e o mesmo Eusébio que levou com o Estado Novo leva com a imprensa livre e o Estado democrático, pão e circo, os Romanos estavam fartos de saber, isto já está tudo inventado, e também tudo ligado, a língua a inconseguir-se, sobra-nos o Eusébio e já não nos sobra o Eusébio, tudo a bajular o homem, tu dá-lhes baile, tu dá-lhes baile que não foste homem de letras mas para isso esteve cá o O’Neill a chamar-te “tragalhadanças”.
Quanto à segunda figura do Estado, pois que te faça uma saúde que talvez lhe baixe o nível frustacional. Que tu descanses e eles inconsigam é o que eu desejo.
Cena 2: Um Eusébio estoico e bailarino sobrepõe-se à novilíngua e ao Eusébio “património nacional”, apesar de o corpo ainda quente e já a falarem de money (sai uma rodada de whisky em memória do morto, paga o Soares).
Cena 3: Eusébio de copo na mão num bar dançante, velho e porte de gigante, nada a ver com a altura em centímetros, meus senhores, um senhor!
Mais cenas. O presidente da República: “uma pessoa de grande humildade” (ai a humildadezinha, ai o bolor e as inanidades). O primeiro-ministro: “um exemplo de humildade” (outra vez o caruncho?!) E o Eusébio a meter-se no texto que era para ser sobre inconseguimento e nível frustacional mais o recalibrar do ministro a dilatar a base de incidência, sem esquecer a linha precaucionária, portugueses, vocês não me atravessem a linha precaucionária, e do nada aparece “O Touro Enraivecido”, “I’me the boss! I’me the boss! I’me the boss!...” e entra de novo o Eusébio, a farsa do Império multiracial a preto e branco agora em 2014 em directo e a cores: “O facto de não ser colocado num jazigo e ir para a terra, digamos assim, poderá estar de alguma forma ligado à cultura africana?”
Ora ai está uma pergunta que nada tem de pseudo-intelectual, nem sequer de intelectual, é mesmo só muito estúpida (sai um Livro do Génesis e mais um whisky por favor), e o mesmo Eusébio que levou com o Estado Novo leva com a imprensa livre e o Estado democrático, pão e circo, os Romanos estavam fartos de saber, isto já está tudo inventado, e também tudo ligado, a língua a inconseguir-se, sobra-nos o Eusébio e já não nos sobra o Eusébio, tudo a bajular o homem, tu dá-lhes baile, tu dá-lhes baile que não foste homem de letras mas para isso esteve cá o O’Neill a chamar-te “tragalhadanças”.
Quanto à segunda figura do Estado, pois que te faça uma saúde que talvez lhe baixe o nível frustacional. Que tu descanses e eles inconsigam é o que eu desejo.
12/01/14
Novas da sarjeta
"As
realidades familiares naturais são compostas por um homem e uma mulher e
orientadas para o nascimento e boa educação dos filhos. O bem comum é
prejudicado pela existência de famílias não-convencionais", Nuno Lobo, CDS.
"Acreditamos que o prolongamento até ao 12º ano do ensino obrigatório é um erro o que se devia recuar para o 9º ano de escolaridade. A par desta medida a conclusão do Ensino Secundário apenas devia ser possível com nota [superior a] 9,5 valores no Exame nacional de Português", moção da Juventude Popular do CDS
09/01/14
Grande Pacheco Pereira [está aqui tudo, até o Maradona!]
EUSÉBIO E A ILUSÃO DOS NOSSOS EXCESSOS (1)
Este número da Sábado é dedicado a Eusébio e muitas outras iniciativas por estes dias homenageiam a figura do jogador. Direi apenas que o louvor e a memória são mais que justificáveis por um homem que foi um grande jogador de futebol, que soube, pela combinação da sua capacidade como jogador e pelo seu “trato”, tornar-se um herói popular dos anos sessenta para a frente. Todas as dificuldades lhe foram postas à frente, do racismo à pequenez nacional que o transformou numa espécie de fetiche de um clube que o passeava como a águia Vitória. Mas o homem era bom, tinha uma memória muito viva do que era a miséria de onde tinha vindo, gostava de companhia e como aqueles velhos boxeurs dos filmes americanos, dava-se bem no ambiente dos ringues, onde antes fora o primeiro combatente e agora estava lá sentado num banco a ver.
Havia uma tristeza em tudo aquilo, mas admito que seja nos nossos olhos e não nos dele. Estamos para Eusébio como os argentinos estavam para Maradona, e não é por acaso que escolhi Maradona e não outro jogador argentino menos controverso e mais “limpo”. É que em ambos, há essa fragilidade humana que os torna ainda mais “nossos” por boas e más razões. Que tenha boa memória e terra leve.
EUSÉBIO E A ILUSÃO DOS NOSSOS EXCESSOS (2)
Mas uma coisa é homenagear Eusébio, outra essa histeria colectiva patrocinada pelos órgãos de comunicação social, que durante vários dias reduz o mundo todo a uma espécie de comoção nacional generalizada, dramatizada até aos limites, envolvendo tudo e todos num happening de dor encenada, porque a real passa-se sempre fora dos ecrãs. Há algo de pouco sadio em todos estes excessos, algo do mal português que facilmente se identifica como a consciência envergonhada da fraqueza transformada em vanglória. Há uma mistura de nacionalismo, de vontade que os outros nos respeitem, apesar de não nos respeitarem, uma vontade de ser alguma coisa no mundo, que efectivamente não somos, e que nunca seremos se nos ficarmos apenas pelas “glórias” do futebol, seja Eusébio, seja Cristiano Ronaldo.
Houve quem propusesse que Eusébio fosse enterrado no Panteão, ao lado das glórias da pátria. Da maneira que as coisas estão, é-me bastante indiferente. Mas com este tipo de critérios, nascido da histeria destes dias e da nossa confusão colectiva, a prazo iremos ter o Panteão só com jogadores de futebol, e isso sim é um retrato do país muito preocupante, mas se calhar realista.
Este número da Sábado é dedicado a Eusébio e muitas outras iniciativas por estes dias homenageiam a figura do jogador. Direi apenas que o louvor e a memória são mais que justificáveis por um homem que foi um grande jogador de futebol, que soube, pela combinação da sua capacidade como jogador e pelo seu “trato”, tornar-se um herói popular dos anos sessenta para a frente. Todas as dificuldades lhe foram postas à frente, do racismo à pequenez nacional que o transformou numa espécie de fetiche de um clube que o passeava como a águia Vitória. Mas o homem era bom, tinha uma memória muito viva do que era a miséria de onde tinha vindo, gostava de companhia e como aqueles velhos boxeurs dos filmes americanos, dava-se bem no ambiente dos ringues, onde antes fora o primeiro combatente e agora estava lá sentado num banco a ver.
Havia uma tristeza em tudo aquilo, mas admito que seja nos nossos olhos e não nos dele. Estamos para Eusébio como os argentinos estavam para Maradona, e não é por acaso que escolhi Maradona e não outro jogador argentino menos controverso e mais “limpo”. É que em ambos, há essa fragilidade humana que os torna ainda mais “nossos” por boas e más razões. Que tenha boa memória e terra leve.
EUSÉBIO E A ILUSÃO DOS NOSSOS EXCESSOS (2)
Mas uma coisa é homenagear Eusébio, outra essa histeria colectiva patrocinada pelos órgãos de comunicação social, que durante vários dias reduz o mundo todo a uma espécie de comoção nacional generalizada, dramatizada até aos limites, envolvendo tudo e todos num happening de dor encenada, porque a real passa-se sempre fora dos ecrãs. Há algo de pouco sadio em todos estes excessos, algo do mal português que facilmente se identifica como a consciência envergonhada da fraqueza transformada em vanglória. Há uma mistura de nacionalismo, de vontade que os outros nos respeitem, apesar de não nos respeitarem, uma vontade de ser alguma coisa no mundo, que efectivamente não somos, e que nunca seremos se nos ficarmos apenas pelas “glórias” do futebol, seja Eusébio, seja Cristiano Ronaldo.
Houve quem propusesse que Eusébio fosse enterrado no Panteão, ao lado das glórias da pátria. Da maneira que as coisas estão, é-me bastante indiferente. Mas com este tipo de critérios, nascido da histeria destes dias e da nossa confusão colectiva, a prazo iremos ter o Panteão só com jogadores de futebol, e isso sim é um retrato do país muito preocupante, mas se calhar realista.
08/01/14
Going right to the point
Analisar o humor, terá dito Elwyn Brooks White, um dos nomes mais
antigos da revista “The New Yorker”, “é como dissecar uma rã. Poucas
pessoas se mostram interessadas e no fim a rã morre”. A frase é certeira
e não é difícil demonstrá-lo: nada tem menos graça do que ter de
explicar onde está a graça. Quando era jovem, andar pelo mundo meio
deprimido fazia parte do charme, hoje em dia vivemos sob a ditadura do
riso (a prova é que até Cavaco Silva tenta dizer um chiste de quando em
vez, embora quando lhe chamaram palhaço tivesse ido a correr queixar-se
ao Ministério Público...).
Adiante e resumindo: seja qual for o assunto, sai uma graçola para a mesa do canto! Que fique claro: eu adoro uma boa piada e ninguém tem nada com isso. Mas, se bem se lembram, até o livro mais divertido de Roth – falo, claro de “O Complexo de Portnoy”– acaba com “O FINAL DA ANEDOTA”.
Vou tentar explicar melhor, citando outro judeu. Trata-se de um diálogo retirado do filme “Manhattan”. Isaac Davis, o próprio Woody Allen, está numa festa e pergunta: “Has anybody read that Nazis are gonna march in New Jersey? (…) We should go down there, get some guys together, y'know, get some bricks and baseball bats and really explain things to them.” Comenta um convidado: “There is this devastating satirical piece on that on the Op Ed page of the Times, it is devastating.” E insiste Isaac Davis: “Well, a satirical piece in the Times is one thing, but bricks and baseball bats really gets right to the point.” (fim da citação)
Não me interpretem mal. Não se trata de apelar à violência, como o fizeram há pouco Mário Soares, Papa Francisco e o Rodrigues Guedes de Carvalho. Trata-se tão-só de às vezes me apetecer dizer: “Onde é que está a graça, oh idiota?”.
Foi exactamente isso que senti perante o anúncio de umas malas, inspiradas em (cito) “emoções fortes”, a que designers portugueses (e quem sou eu para os desmentir...) chamaram “Warsaw safe box”: “Imagine-se nos anos 40 em Varsóvia olhando para as pessoas que correm pelas ruas tentando escapar ao caos em que a cidade submergira. Tinham de deixar tudo para trás: as casas, a vida a que estavam habituadas, provavelmente para nunca mais voltarem... Mas no interior das malas levavam jóias, relógios, tudo o que tinham de mais valioso, tudo o que não podiam deixar entregue à cruel destruição.”
Agora digam-me: o Isaac Davis tinha ou não tinha razão quanto aos tijolos e aos tacos de baseball?
Adiante e resumindo: seja qual for o assunto, sai uma graçola para a mesa do canto! Que fique claro: eu adoro uma boa piada e ninguém tem nada com isso. Mas, se bem se lembram, até o livro mais divertido de Roth – falo, claro de “O Complexo de Portnoy”– acaba com “O FINAL DA ANEDOTA”.
Vou tentar explicar melhor, citando outro judeu. Trata-se de um diálogo retirado do filme “Manhattan”. Isaac Davis, o próprio Woody Allen, está numa festa e pergunta: “Has anybody read that Nazis are gonna march in New Jersey? (…) We should go down there, get some guys together, y'know, get some bricks and baseball bats and really explain things to them.” Comenta um convidado: “There is this devastating satirical piece on that on the Op Ed page of the Times, it is devastating.” E insiste Isaac Davis: “Well, a satirical piece in the Times is one thing, but bricks and baseball bats really gets right to the point.” (fim da citação)
Não me interpretem mal. Não se trata de apelar à violência, como o fizeram há pouco Mário Soares, Papa Francisco e o Rodrigues Guedes de Carvalho. Trata-se tão-só de às vezes me apetecer dizer: “Onde é que está a graça, oh idiota?”.
Foi exactamente isso que senti perante o anúncio de umas malas, inspiradas em (cito) “emoções fortes”, a que designers portugueses (e quem sou eu para os desmentir...) chamaram “Warsaw safe box”: “Imagine-se nos anos 40 em Varsóvia olhando para as pessoas que correm pelas ruas tentando escapar ao caos em que a cidade submergira. Tinham de deixar tudo para trás: as casas, a vida a que estavam habituadas, provavelmente para nunca mais voltarem... Mas no interior das malas levavam jóias, relógios, tudo o que tinham de mais valioso, tudo o que não podiam deixar entregue à cruel destruição.”
Agora digam-me: o Isaac Davis tinha ou não tinha razão quanto aos tijolos e aos tacos de baseball?
Pérolas lá do facebook e falo a sério
«Temporal
desta noite é herança do governo PS, garante a maioria PSD/CDS, que
recorda a passagem de José Sócrates pelo Ministério do Ambiente, ainda
no tempo de Guterres. "O anterior governo privilegiou a energia eólica,
instalou ventoinhas por tudo o que era sítio e agora é esta ventania",
disse uma fonte próxima do ministro Marques Guedes. A actual direcção do
PS já rejeitou responsabilidades. "É público e notório que o líder da
Oposição não faz ondas", lê-se num comunicado.»
Assina António Costa Santos.
Assina António Costa Santos.
07/01/14
05/01/14
03/01/14
Como é que ela inconsegue uma coisa destas sem lhe subir o nível frustacional?
"O meu medo é o do inconseguimento, em muitos planos: o do inconseguimento de não ter possibilidade de fazer no Parlamento as reformas que quero fazer, de as fazer todas, algumas estão no caminho; o inconseguimento de eu estar num centro de decisão fundamental a que possa corresponder uma espécie de nível social frustacional derivado da crise."
Assunção Esteves, aqui.
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