Os cortes salariais no próximo ano vão deixar de fora apenas 10% dos funcionários públicos, segundo o Governo. A medida,que afecta salários acima de 600 euros, permite poupar ao Estado apenas 476 milhões de euros líquidos.
16/10/13
15/10/13
A economia de Casino: ainda se lembram da roleta russa.
14/10/13
12/10/13
Ballet rose?
A
primeira coisa a dizer sobre as eleições autárquicas é que a palavra
“autárquicas” é difícil de pronunciar. A segunda é que o chamado “arco da
governação”, versão elegante do vernáculo “alterne”, foi castigado pelo voto. Sócrates
falou em débâcle, palavra francesa
para “desastre”, “fracasso” ou “queda”. Mas se falou em “queda” não falou em
Albert Camus – tentou apenas citar de Gaulle. Note-se, en passant (de passagem), que dé-bâ-cle
é um vocábulo cheio de potencialidades: Débâcle,
light
of my life, fire of my loins. My sin, my soul. Dé-bâ-cle. Nabokov
não faria melhor. Literatura à parte, a terceira conclusão a tirar é que se na noite
das eleições o PS tinha ganho, na manhã seguinte o PS tinha perdido. Portugal
será por natureza um país dado aos paradoxos e isso explicará também que
tenhamos como vice-primeiro-ministro o chefe de um partido cujas câmaras
municipais se resumem a cinco num universo de 308. É o penta! É o penta! (estou
a citar). Deixando de lado análises mais profundas – aos comentadores o que é
dos comentadores –, que teriam de incluir a vitória do PCP (o Alentejo é
vermelho, olarilas), de Rui Moreira no Porto (“não percebem nada disto”), de
António Costa em Lisboa (os ciclistas deram uma abada aos taxistas), ou dos
abstencionistas e demais vencidos da vida, o verdadeiro fenómeno foi o triunfo de
Isaltino Morais em Oeiras, mesmo se por interposta pessoa, o que deu inclusive direito
a fogo-de-artifício junto à cadeia de Caxias. Ficámos a saber que existem celas
para fumadores, o que me parece bastante civilizado, e também que entre um
ex-inspector da Judiciária e um condenado da Justiça, vence o segundo. Isto
daria um romance que, esperamos, Moita Flores nunca escreva.
10/10/13
A Teolinda Gersão para o Jorge Fallorca
Há uma frase de Paul Valéry que creio assentar como uma luva à escrita de Teolinda Gersão: “ Ce qu’il y a de plus profond chez l’homme, c’est la peau”. (Traduzo, para quem já esqueceu o francês: “O que há de mais profundo no homem é a pele”).
Escritora discreta, apesar do reconhecimento, “As águas livres – Cadernos II” é a sua obra mais recente. O caderno I ficou lá para trás (1984) e chamou-se “Os guarda-chuvas cintilantes”, facto que a própria se encarrega de nos lembrar agora: «O primeiro, a que na altura não chamei Caderno, foi "Os guarda-chuvas cintilantes". Dei-lhe como subtítulo Diário, o que provavelmente desconcertou os leitores. Na verdade, é um diário heterodoxo, que quebra os dois pilares em que era suposto assentar: o eu e o tempo (…).»
Confessadamente adversa a ortodoxias (nomeadamente, à dos “formatos”), Teolinda Gersão lança “As águas livres” a seguir ao romance “A Cidade de Ulisses”, surpreendendo-nos com um livro algo inclassificável. Com facilidade encontramos nele, pelo menos, três registos: o explicativo, o reflexivo e o descritivo. A sua organização e conteúdo fragmentários atravessam territórios vastíssimos, geografias diversas (dentro e fora do país) – aventurando-se também com mestria pelo universo dos sonhos –, desrespeitam o tempo-sequência, invocam questões/filiações literárias, não desprezam a política, sendo, no essencial, um exercício delicado de “atenção” ao mundo.
A oficina é discreta, o narrador é despretensioso, o texto nunca se põe em bicos de pés. A sabedoria não chega com fanfarras, a palavra dispensa paramentos, o estilo (essa dificuldade de expressão a que se referiu Mário Quintana) é desataviado. «Kierkegaard aparece às vezes de visita.» (estou a citar).
Teolinda Gersão, As Águas Livres – Cadernos II, 2013, Sextante
Escritora discreta, apesar do reconhecimento, “As águas livres – Cadernos II” é a sua obra mais recente. O caderno I ficou lá para trás (1984) e chamou-se “Os guarda-chuvas cintilantes”, facto que a própria se encarrega de nos lembrar agora: «O primeiro, a que na altura não chamei Caderno, foi "Os guarda-chuvas cintilantes". Dei-lhe como subtítulo Diário, o que provavelmente desconcertou os leitores. Na verdade, é um diário heterodoxo, que quebra os dois pilares em que era suposto assentar: o eu e o tempo (…).»
Confessadamente adversa a ortodoxias (nomeadamente, à dos “formatos”), Teolinda Gersão lança “As águas livres” a seguir ao romance “A Cidade de Ulisses”, surpreendendo-nos com um livro algo inclassificável. Com facilidade encontramos nele, pelo menos, três registos: o explicativo, o reflexivo e o descritivo. A sua organização e conteúdo fragmentários atravessam territórios vastíssimos, geografias diversas (dentro e fora do país) – aventurando-se também com mestria pelo universo dos sonhos –, desrespeitam o tempo-sequência, invocam questões/filiações literárias, não desprezam a política, sendo, no essencial, um exercício delicado de “atenção” ao mundo.
A oficina é discreta, o narrador é despretensioso, o texto nunca se põe em bicos de pés. A sabedoria não chega com fanfarras, a palavra dispensa paramentos, o estilo (essa dificuldade de expressão a que se referiu Mário Quintana) é desataviado. «Kierkegaard aparece às vezes de visita.» (estou a citar).
Teolinda Gersão, As Águas Livres – Cadernos II, 2013, Sextante
Passos Coelho no Quem Quer Ser Pobrezinho?
Pelo que leio e vejo o Primeiro-Ministro ontem esteve muito à-vontade na televisão. Não cantou a Nini, mas pronto, também não se pode ter tudo.
Como se escreve no Delito de Opinião, só se esqueceram de lhe fazer uma pergunta.
Como se escreve no Delito de Opinião, só se esqueceram de lhe fazer uma pergunta.
09/10/13
Quem é esta senhora que detesta baratas e faz poesia?
" (...) O que seria eu sem a Carlota? As baratas? Mata-as o Xico. E o cabelo branco, esse, não tem preço. Sou vaidosa, marquei o cabeleireiro para aquela hora. Graças a Deus e ao não gostar dos meus cabelos brancos. Nasci assim. O resto? “É mar e tudo o que não sei contar”.
Muito mais prosa e suculenta, AQUI.
08/10/13
Nuno Melo ou o deputado que organiza bailaricos
Quando se considera a Ana Malhoa e a Romana o melhor de Portugal, qual o espanto de se preferir o Salazar a Sócrates?
Como dizia o Cesariny: "Vem ver o povo que lindo é/ vem ver o povo dá cá o pé"
07/10/13
Ai se o Cavaco fosse viúvo...
Não hão-de eles de produzir grandes romances e grandes filmes
Diálogo real em Nova Iorque
"I just got out of prison. I was there 37 years."
"What'd you do?"
"Something I shouldn't have done."
"What was that?"
"Someone pushed me. So I killed him."
Lido e visto no facebook, no mural de Humans of New York.
"I just got out of prison. I was there 37 years."
"What'd you do?"
"Something I shouldn't have done."
"What was that?"
"Someone pushed me. So I killed him."
Lido e visto no facebook, no mural de Humans of New York.
06/10/13
O Eduardo Pitta não sabe usar o google? E terá lido o Magris?
Ninguém é perfeito. Nem eu nem o Billy Wilder que é o mais próximo da perfeição que conheço.
Toda a gente asneira de vez em quando. Mas já lá dizia o velho Sócrates que não há ninguém mais ignorante do que aquele que não sabe que não sabe.
Num país de cegos quem tem olho é rei. Com o google, a miopia ficou difícil de disfarçar. É como aqueles homens que a gente encontra sozinhos à noite ao fundo de um balcão e cujo olhar, cerrado e compenetrado, nos parece profundo e inteligente. Vai-se a ver e o problema é a falta de óculos.
Resumindo: por que é que o Eduardo Pitta passa a vida a dizer asneiras de cátedra e ainda por cima daquelas fáceis de evitar?
"Este ano, a Academia sueca recebeu 195 propostas de todo o mundo. A recepção fechou em Março. Desses 195 nomes, a Academia considerou 48. Este considerar não tem nada a ver com a maior ou menor relevância do autor. A formalização da proposta obedece a critérios que têm de ser respeitados. A 30 de Maio foram escolhidos os cinco nomes da shortlist.Essa shortlist é secreta mas nos círculos bem informados de Estocolmo, especula-se que possa ser composta pelo israelita Amos Oz, 74 anos; o austríaco Daniel Kehlmann, 38 anos; os americanos Don DeLillo, 76 anos [em Novembro fará 77], e Jonathan Franzen, 54 anos; e o judeu-húngaro Imre Kertész, 83 anos [em Novembro fará 84]. A ver vamos. Por mim, tenho muita pena que o italiano Claudio Magris, 74 anos, não entre nestas contas."
Mas não bastava ir ao site do Prémio Nobel e poupar-se aos disparates?
Descoberto AQUI
Toda a gente asneira de vez em quando. Mas já lá dizia o velho Sócrates que não há ninguém mais ignorante do que aquele que não sabe que não sabe.
Num país de cegos quem tem olho é rei. Com o google, a miopia ficou difícil de disfarçar. É como aqueles homens que a gente encontra sozinhos à noite ao fundo de um balcão e cujo olhar, cerrado e compenetrado, nos parece profundo e inteligente. Vai-se a ver e o problema é a falta de óculos.
Resumindo: por que é que o Eduardo Pitta passa a vida a dizer asneiras de cátedra e ainda por cima daquelas fáceis de evitar?
"Este ano, a Academia sueca recebeu 195 propostas de todo o mundo. A recepção fechou em Março. Desses 195 nomes, a Academia considerou 48. Este considerar não tem nada a ver com a maior ou menor relevância do autor. A formalização da proposta obedece a critérios que têm de ser respeitados. A 30 de Maio foram escolhidos os cinco nomes da shortlist.Essa shortlist é secreta mas nos círculos bem informados de Estocolmo, especula-se que possa ser composta pelo israelita Amos Oz, 74 anos; o austríaco Daniel Kehlmann, 38 anos; os americanos Don DeLillo, 76 anos [em Novembro fará 77], e Jonathan Franzen, 54 anos; e o judeu-húngaro Imre Kertész, 83 anos [em Novembro fará 84]. A ver vamos. Por mim, tenho muita pena que o italiano Claudio Magris, 74 anos, não entre nestas contas."
Mas não bastava ir ao site do Prémio Nobel e poupar-se aos disparates?
Descoberto AQUI
05/10/13
04/10/13
Resumindo, é isto
Perguntaram ao tipo aí da fotografia:
"If you could give one piece of advice to a large group of people, what would it be?"
E o tipo aí da fotografia respondeu:
"Let me tell you something. I'm a Sikh. And I lived in India back in 1984, when a Sikh assassinated Indira Gandhi. Mobs of people went door-to-door, using voter rolls to identify the Sikhs and kill them. They were chanting outside our door while we hid in the closet. The only reason I'm still alive is that our neighbor convinced them that we'd moved away. So I don't have anything to say to a large group of people. I hate large groups of people."
LIDO numa página do Facebook chamada Humans of New York.
Eles no Brasil vão aprimorar, nós por cá tiramos o C à direction...
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou, nesta terça-feira (1º), a criação de um grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (...)
E enquanto os brasileiros aprimoram, os angolanos mandam os brasileiros às urtigas e o resto parece indiferente à ortografia moderna, os portugueses provam que estão sempre na vanguarda!
Imagem roubada AQUI.
03/10/13
Razão tem o Cavaco: isto há gente mesmo masoquista
"Descobri a escrita do Valter Hugo Mãe numa tarde chuvosa de 2010. O "remorso de baltazar serapião" caíra-me no colo sem pré-aviso e, sem mais nem quê, abarbatou-me pelos colarinhos para me largar apenas depois da desfolha da última página. Arrasado com tamanho talento, só me saíram duas palavras: quero mais."
Excerto de "Carta Aberta a Valter Hugo Mãe", Nelson Nunes, publicada AQUI
Excerto de "Carta Aberta a Valter Hugo Mãe", Nelson Nunes, publicada AQUI
02/10/13
Mas então não havia funcionários públicos a mais?
"As Finanças justificam ainda o erro com a escassez de funcionários e o excesso de documentação em arquivo."
Andavam aos papéis mas afinal encontraram-nos.
Andavam aos papéis mas afinal encontraram-nos.
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