09/10/13

Expliquem-me lá o que é que alguém anda a fazer de telemóvel na mão pelas ruas de Bissau à noite?

Aposto que se o telemóvel coreano deu livro, este dá pelo menos crónica. 

06/10/13

O Eduardo Pitta não sabe usar o google? E terá lido o Magris?

Ninguém é perfeito. Nem eu nem o Billy Wilder que é o mais próximo da perfeição que conheço.
Toda a gente asneira de vez em quando. Mas já lá dizia o velho Sócrates que não há ninguém mais ignorante do que aquele que não sabe que não sabe.

Num país de cegos quem tem olho é rei. Com o google, a miopia ficou difícil de disfarçar. É como aqueles homens que a gente encontra sozinhos à noite ao fundo de um balcão e cujo olhar, cerrado e compenetrado, nos parece profundo e inteligente. Vai-se a ver e o problema é a falta de óculos.

Resumindo: por que é que o Eduardo Pitta passa a vida a dizer asneiras de cátedra e ainda por cima daquelas fáceis de evitar?

"Este ano, a Academia sueca recebeu 195 propostas de todo o mundo. A recepção fechou em Março. Desses 195 nomes, a Academia considerou 48. Este considerar não tem nada a ver com a maior ou menor relevância do autor. A formalização da proposta obedece a critérios que têm de ser respeitados. A 30 de Maio foram escolhidos os cinco nomes da shortlist.Essa shortlist é secreta mas nos círculos bem informados de Estocolmo, especula-se que possa ser composta pelo israelita Amos Oz, 74 anos; o austríaco Daniel Kehlmann, 38 anos; os americanos Don DeLillo, 76 anos [em Novembro fará 77], e Jonathan Franzen, 54 anos; e o judeu-húngaro Imre Kertész, 83 anos [em Novembro fará 84]. A ver vamos. Por mim, tenho muita pena que o italiano Claudio Magris, 74 anos, não entre nestas contas." 

Mas não bastava ir ao site do Prémio Nobel e poupar-se aos disparates?

Descoberto AQUI

Margarida Rebelo Pinto queria ser a Virginia Woolf, José Rodrigues dos Santos quer ser o Lukács

"Os autores que acham que só é literatura o que é exercício de linguagem são autores que estão a fascizar a literatura.", José Rodrigues dos Santos

A pocilga

Machete foi consultor em escritório de advogados que defende angolanos investigados pela PGR

AQUI

Há nórdicos muito civilizados, o pior é o resto

A extrema-direita na Suécia. A merda que vem do frio. 

04/10/13

Resumindo, é isto





Perguntaram ao tipo aí da fotografia:
"If you could give one piece of advice to a large group of people, what would it be?"

E o tipo aí da fotografia respondeu:
"Let me tell you something. I'm a Sikh. And I lived in India back in 1984, when a Sikh assassinated Indira Gandhi. Mobs of people went door-to-door, using voter rolls to identify the Sikhs and kill them. They were chanting outside our door while we hid in the closet. The only reason I'm still alive is that our neighbor convinced them that we'd moved away. So I don't have anything to say to a large group of people. I hate large groups of people."

LIDO numa página do Facebook chamada Humans of New York.  

Eles no Brasil vão aprimorar, nós por cá tiramos o C à direction...



A Comissão de Educação, Cultura e Esporte aprovou, nesta terça-feira (1º), a criação de um grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (...)

E enquanto os brasileiros aprimoram, os angolanos mandam os brasileiros às urtigas e o resto parece indiferente à ortografia moderna, os portugueses provam que estão sempre na vanguarda!

Imagem roubada AQUI.

03/10/13

Razão tem o Cavaco: isto há gente mesmo masoquista

"Descobri a escrita do Valter Hugo Mãe numa tarde chuvosa de 2010. O "remorso de baltazar serapião" caíra-me no colo sem pré-aviso e, sem mais nem quê, abarbatou-me pelos colarinhos para me largar apenas depois da desfolha da última página. Arrasado com tamanho talento, só me saíram duas palavras: quero mais."

Excerto de "Carta Aberta a Valter Hugo Mãe", Nelson Nunes, publicada AQUI

30/09/13

Gente civilizada é outra coisa.

Pois é. Somos do Sul, madraços e piegas, mandamos escarretas no eléctrico, não apanhamos a merda dos cães, não devolvemos carteiras perdidas e até elegemos o Isaltino por interposta pessoa.
Já os austríacos são um povo culto e civilizado. A extrema-direita morfou 21,5% dos votos... 

Isto de não comer de boca aberta tem muito que se lhe diga.

MOMENTO DA NOITE!!!!! MOMENTO DA NOITE!!!! MOMENTO DA NOITE!!!!

 "Isto é uma debacle", José Sócrates.

12/09/13

Crónica do Farol

Se, de acordo com o Génesis, foi Adão quem deu nome a todos as criaturas, de acordo com os estudos clássicos foi Aristóteles o primeiro a classificá-las. Sistematicamente. Teologia e filosofia à parte, já toda a gente viu uma criança a fazer “montinhos” de coisas, reunindo-as homogeneamente pela cor, forma, quantidade, etc. A minha geração, pelo menos, lembrar-se-á decerto dos cartoons publicados durante décadas na imprensa, e que consistiam em dois desenhos só na aparência iguais: o título era “Descubra as Diferenças” (este e outros passatempos foram substituídos a posteriori pelo Sudoku, um quebra-cabeças oriental que também terá contribuído, muito antes de ter entrado em vigor o (des)Acordo Ortográfico, para a decadência das Palavras Cruzadas).
Não estarei longe da verdade se arriscar que “fazer montinhos” parece constituir característica essencial da natureza humana: dos jogos infantis à taxonomia científica, reunir e classificar afiguram-se bons candidatos à segunda mais velha profissão do mundo. Tenho para mim que de todos os conjuntos possíveis compostos por elementos humanos – seres que apreciam/detestam gelatina, seres que diabolizam/aplaudem o Tribunal Constitucional, etc. – os conjuntos mais díspares entre si são os que contêm as pessoas que gostam/não gostam de ilhas. Dentro do conjunto das pessoas que gostam de ilhas, existe o subconjunto das pessoas que gostam de ilhas pequeninas. E, dentro deste, o subconjunto constituído pela personagem criada por D. H. Lawrence. Claro que a conhecida frase de John Donne “Nenhum homem é uma ilha” vem baralhar o raciocínio (qualquer que ele fosse). E agora perdi-me. (Quem nunca se perdeu numa ilha que atire a primeira pedra).

05/09/13

E a Síria tão longe

"A Síria é hoje o terreno mais minado para a manipulação dos factos. Regime e oposição (oposições), aliados e inimigos, participam interesseiramente numa campanha de desinformação destinada a justificar e permitir acções favoráveis a um ou outro lado. 

Bashar al-Assad é um ditador cruel e assassino. Se precisar de utilizar, em desespero de causa, armas químicas, utiliza sem hesitações. Os grupos de oposição a Assad são cruéis e assassinos. Se precisarem de provocar um ataque químico (eles têm armas químicas) para instigar uma intervenção internacional, num momento em que militarmente estão quase derrotados, utilizarão as armas sem qualquer hesitação. Se tivessem armas nucleares também as usariam.

A França, os EUA, o Reino Unido sabem disso muito bem. Tem os seus serviços no terreno e “conselheiros” especiais junto de alguns grupos da oposição síria. Se Assad usou as armas químicas, iranianos e russos, sabem muito bem se tal é verdade ou não, porque também estão presentes no terreno. E não é num escritório com ar condicionado numa zona segura de Damasco. Ou seja, todos sabem, menos nós. Nós somos a carne de canhão da “opinião pública” destinada a legitimar o apoio a um ou a outros. Para nós, sobra o outro lado da guerra, o da desinformação, hoje tão fácil de fazer usando as redes sociais, filmes de telemóvel que não se sabe se são verdadeiros ou não, mas circulam. Imagens fortes destinadas a obter ganhos nas opiniões públicas são distribuídas com a menção em letras pequenas de que “não houve verificação independente”. Os jornalistas e os militantes de todas as causas simplificam e arranjam bons e maus, para ajudar á mobilização. Veja-se a Líbia, ou, para outros gostos, o Iraque. A França, que ainda acha que a Síria está na sua área de influência depois de a ter reivindicado na partilha do império otomano com o argumento dos reinos normandos das cruzadas, quer intervir, mas não tem meios. Precisa do Reino Unido e dos EUA, em que há também vontade de intervir para limitar geopoliticamente uma Rússia que, cada vez mais, assume a política soviética e pôr na ordem o Irão.

Podemos tentar aplicar a racionalidade. Assad sabe que as armas químicas são a “linha vermelha”, alguém tem que fazer alguma coisa para que essa “linha” seja ultrapassada. Assad na actual situação militar, que lhe é favorável, não precisa de usar armas químicas. Pelos vistos dizem que ele as usou, certamente para provocar sem necessidade uma resposta militar, nem que seja apenas punitiva. Racionalmente seria uma imbecilidade, mas é possível. Do lado dos grupos da oposição, também se sabe que a “linha vermelha” são as armas químicas, logo a racionalidade é fazer uma provocação qualquer para comprometer o regime e forçar a mão de americanos, franceses e ingleses. Os civis não contam para nada. Racionalmente seria assim, mas neste lado do mundo a crueldade absoluta anda à solta. Vamos continuar a ver na televisão.", José Pacheco Pereira."