Pois é. Somos do Sul, madraços e piegas, mandamos escarretas no eléctrico, não apanhamos a merda dos cães, não devolvemos carteiras perdidas e até elegemos o Isaltino por interposta pessoa.
Já os austríacos são um povo culto e civilizado. A extrema-direita morfou 21,5% dos votos...
Isto de não comer de boca aberta tem muito que se lhe diga.
30/09/13
29/09/13
26/09/13
14/09/13
12/09/13
Crónica do Farol
Se, de acordo com o Génesis, foi Adão quem deu nome a todos as criaturas, de acordo com os estudos clássicos foi Aristóteles o primeiro a classificá-las. Sistematicamente. Teologia e filosofia à parte, já toda a gente viu uma criança a fazer “montinhos” de coisas, reunindo-as homogeneamente pela cor, forma, quantidade, etc. A minha geração, pelo menos, lembrar-se-á decerto dos cartoons publicados durante décadas na imprensa, e que consistiam em dois desenhos só na aparência iguais: o título era “Descubra as Diferenças” (este e outros passatempos foram substituídos a posteriori pelo Sudoku, um quebra-cabeças oriental que também terá contribuído, muito antes de ter entrado em vigor o (des)Acordo Ortográfico, para a decadência das Palavras Cruzadas).
Não estarei longe da verdade se arriscar que “fazer montinhos” parece constituir característica essencial da natureza humana: dos jogos infantis à taxonomia científica, reunir e classificar afiguram-se bons candidatos à segunda mais velha profissão do mundo. Tenho para mim que de todos os conjuntos possíveis compostos por elementos humanos – seres que apreciam/detestam gelatina, seres que diabolizam/aplaudem o Tribunal Constitucional, etc. – os conjuntos mais díspares entre si são os que contêm as pessoas que gostam/não gostam de ilhas. Dentro do conjunto das pessoas que gostam de ilhas, existe o subconjunto das pessoas que gostam de ilhas pequeninas. E, dentro deste, o subconjunto constituído pela personagem criada por D. H. Lawrence. Claro que a conhecida frase de John Donne “Nenhum homem é uma ilha” vem baralhar o raciocínio (qualquer que ele fosse). E agora perdi-me. (Quem nunca se perdeu numa ilha que atire a primeira pedra).
Não estarei longe da verdade se arriscar que “fazer montinhos” parece constituir característica essencial da natureza humana: dos jogos infantis à taxonomia científica, reunir e classificar afiguram-se bons candidatos à segunda mais velha profissão do mundo. Tenho para mim que de todos os conjuntos possíveis compostos por elementos humanos – seres que apreciam/detestam gelatina, seres que diabolizam/aplaudem o Tribunal Constitucional, etc. – os conjuntos mais díspares entre si são os que contêm as pessoas que gostam/não gostam de ilhas. Dentro do conjunto das pessoas que gostam de ilhas, existe o subconjunto das pessoas que gostam de ilhas pequeninas. E, dentro deste, o subconjunto constituído pela personagem criada por D. H. Lawrence. Claro que a conhecida frase de John Donne “Nenhum homem é uma ilha” vem baralhar o raciocínio (qualquer que ele fosse). E agora perdi-me. (Quem nunca se perdeu numa ilha que atire a primeira pedra).
05/09/13
E a Síria tão longe
"A Síria é hoje o terreno mais minado para a manipulação dos factos. Regime e oposição (oposições), aliados e inimigos, participam interesseiramente numa campanha de desinformação destinada a justificar e permitir acções favoráveis a um ou outro lado.
Bashar al-Assad é um ditador cruel e assassino. Se precisar de utilizar, em desespero de causa, armas químicas, utiliza sem hesitações. Os grupos de oposição a Assad são cruéis e assassinos. Se precisarem de provocar um ataque químico (eles têm armas químicas) para instigar uma intervenção internacional, num momento em que militarmente estão quase derrotados, utilizarão as armas sem qualquer hesitação. Se tivessem armas nucleares também as usariam.
A França, os EUA, o Reino Unido sabem disso muito bem. Tem os seus serviços no terreno e “conselheiros” especiais junto de alguns grupos da oposição síria. Se Assad usou as armas químicas, iranianos e russos, sabem muito bem se tal é verdade ou não, porque também estão presentes no terreno. E não é num escritório com ar condicionado numa zona segura de Damasco. Ou seja, todos sabem, menos nós. Nós somos a carne de canhão da “opinião pública” destinada a legitimar o apoio a um ou a outros. Para nós, sobra o outro lado da guerra, o da desinformação, hoje tão fácil de fazer usando as redes sociais, filmes de telemóvel que não se sabe se são verdadeiros ou não, mas circulam. Imagens fortes destinadas a obter ganhos nas opiniões públicas são distribuídas com a menção em letras pequenas de que “não houve verificação independente”. Os jornalistas e os militantes de todas as causas simplificam e arranjam bons e maus, para ajudar á mobilização. Veja-se a Líbia, ou, para outros gostos, o Iraque. A França, que ainda acha que a Síria está na sua área de influência depois de a ter reivindicado na partilha do império otomano com o argumento dos reinos normandos das cruzadas, quer intervir, mas não tem meios. Precisa do Reino Unido e dos EUA, em que há também vontade de intervir para limitar geopoliticamente uma Rússia que, cada vez mais, assume a política soviética e pôr na ordem o Irão.
Podemos tentar aplicar a racionalidade. Assad sabe que as armas químicas são a “linha vermelha”, alguém tem que fazer alguma coisa para que essa “linha” seja ultrapassada. Assad na actual situação militar, que lhe é favorável, não precisa de usar armas químicas. Pelos vistos dizem que ele as usou, certamente para provocar sem necessidade uma resposta militar, nem que seja apenas punitiva. Racionalmente seria uma imbecilidade, mas é possível. Do lado dos grupos da oposição, também se sabe que a “linha vermelha” são as armas químicas, logo a racionalidade é fazer uma provocação qualquer para comprometer o regime e forçar a mão de americanos, franceses e ingleses. Os civis não contam para nada. Racionalmente seria assim, mas neste lado do mundo a crueldade absoluta anda à solta. Vamos continuar a ver na televisão.", José Pacheco Pereira."
Bashar al-Assad é um ditador cruel e assassino. Se precisar de utilizar, em desespero de causa, armas químicas, utiliza sem hesitações. Os grupos de oposição a Assad são cruéis e assassinos. Se precisarem de provocar um ataque químico (eles têm armas químicas) para instigar uma intervenção internacional, num momento em que militarmente estão quase derrotados, utilizarão as armas sem qualquer hesitação. Se tivessem armas nucleares também as usariam.
A França, os EUA, o Reino Unido sabem disso muito bem. Tem os seus serviços no terreno e “conselheiros” especiais junto de alguns grupos da oposição síria. Se Assad usou as armas químicas, iranianos e russos, sabem muito bem se tal é verdade ou não, porque também estão presentes no terreno. E não é num escritório com ar condicionado numa zona segura de Damasco. Ou seja, todos sabem, menos nós. Nós somos a carne de canhão da “opinião pública” destinada a legitimar o apoio a um ou a outros. Para nós, sobra o outro lado da guerra, o da desinformação, hoje tão fácil de fazer usando as redes sociais, filmes de telemóvel que não se sabe se são verdadeiros ou não, mas circulam. Imagens fortes destinadas a obter ganhos nas opiniões públicas são distribuídas com a menção em letras pequenas de que “não houve verificação independente”. Os jornalistas e os militantes de todas as causas simplificam e arranjam bons e maus, para ajudar á mobilização. Veja-se a Líbia, ou, para outros gostos, o Iraque. A França, que ainda acha que a Síria está na sua área de influência depois de a ter reivindicado na partilha do império otomano com o argumento dos reinos normandos das cruzadas, quer intervir, mas não tem meios. Precisa do Reino Unido e dos EUA, em que há também vontade de intervir para limitar geopoliticamente uma Rússia que, cada vez mais, assume a política soviética e pôr na ordem o Irão.
Podemos tentar aplicar a racionalidade. Assad sabe que as armas químicas são a “linha vermelha”, alguém tem que fazer alguma coisa para que essa “linha” seja ultrapassada. Assad na actual situação militar, que lhe é favorável, não precisa de usar armas químicas. Pelos vistos dizem que ele as usou, certamente para provocar sem necessidade uma resposta militar, nem que seja apenas punitiva. Racionalmente seria uma imbecilidade, mas é possível. Do lado dos grupos da oposição, também se sabe que a “linha vermelha” são as armas químicas, logo a racionalidade é fazer uma provocação qualquer para comprometer o regime e forçar a mão de americanos, franceses e ingleses. Os civis não contam para nada. Racionalmente seria assim, mas neste lado do mundo a crueldade absoluta anda à solta. Vamos continuar a ver na televisão.", José Pacheco Pereira."
30/08/13
Old school é outra conversa
ALERTS TO THREATS
IN 2013 EUROPE
From JOHN CLEESE
The English are feeling the pinch in relation to recent events in Syria and have therefore raised their security level from "Miffed" to "Peeved." Soon, though, security levels may be raised yet again to "Irritated" or even "A Bit Cross." The English have not been "A Bit Cross" since the blitz in 1940 when tea supplies nearly ran out. Terrorists have been re-categorized from "Tiresome" to "A Bloody Nuisance." The last time the British issued a "Bloody Nuisance" warning level was in 1588, when threatened by the Spanish Armada.
The Scots have raised their threat level from "Pissed Off" to "Let's get the Bastards." They don't have any other levels. This is the reason they have been used on the front line of the British army for the last 300 years.
The French government announced yesterday that it has raised its terror alert level from "Run" to "Hide." The only two higher levels in France are "Collaborate" and "Surrender." The rise was precipitated by a recent fire that destroyed France 's white flag factory, effectively paralyzing the country's military capability.
Italy has increased the alert level from "Shout Loudly and Excitedly" to "Elaborate Military Posturing." Two more levels remain: "Ineffective Combat Operations" and "Change Sides."
The Germans have increased their alert state from "Disdainful Arrogance" to "Dress in Uniform and Sing Marching Songs." They also have two higher levels: "Invade a Neighbour" and "Lose."
Belgians, on the other hand, are all on holiday as usual; the only threat they are worried about is NATO pulling out of Brussels ..
The Spanish are all excited to see their new submarines ready to deploy. These beautifully designed subs have glass bottoms so the new Spanish navy can get a really good look at the old Spanish navy.
Australia, meanwhile, has raised its security level from "No worries" to "She'll be right, Mate." Two more escalation levels remain: "Crikey! I think we'll need to cancel the barbie this weekend!" and "The barbie is cancelled." So far no situation has ever warranted use of the last final escalation level.
Regards,
John Cleese ,
British writer, actor and tall person
And as a final thought - Greece is collapsing, the Iranians are getting aggressive, and Rome is in disarray. Welcome back to 430 BC.
Life is too short...
IN 2013 EUROPE
From JOHN CLEESE
The English are feeling the pinch in relation to recent events in Syria and have therefore raised their security level from "Miffed" to "Peeved." Soon, though, security levels may be raised yet again to "Irritated" or even "A Bit Cross." The English have not been "A Bit Cross" since the blitz in 1940 when tea supplies nearly ran out. Terrorists have been re-categorized from "Tiresome" to "A Bloody Nuisance." The last time the British issued a "Bloody Nuisance" warning level was in 1588, when threatened by the Spanish Armada.
The Scots have raised their threat level from "Pissed Off" to "Let's get the Bastards." They don't have any other levels. This is the reason they have been used on the front line of the British army for the last 300 years.
The French government announced yesterday that it has raised its terror alert level from "Run" to "Hide." The only two higher levels in France are "Collaborate" and "Surrender." The rise was precipitated by a recent fire that destroyed France 's white flag factory, effectively paralyzing the country's military capability.
Italy has increased the alert level from "Shout Loudly and Excitedly" to "Elaborate Military Posturing." Two more levels remain: "Ineffective Combat Operations" and "Change Sides."
The Germans have increased their alert state from "Disdainful Arrogance" to "Dress in Uniform and Sing Marching Songs." They also have two higher levels: "Invade a Neighbour" and "Lose."
Belgians, on the other hand, are all on holiday as usual; the only threat they are worried about is NATO pulling out of Brussels ..
The Spanish are all excited to see their new submarines ready to deploy. These beautifully designed subs have glass bottoms so the new Spanish navy can get a really good look at the old Spanish navy.
Australia, meanwhile, has raised its security level from "No worries" to "She'll be right, Mate." Two more escalation levels remain: "Crikey! I think we'll need to cancel the barbie this weekend!" and "The barbie is cancelled." So far no situation has ever warranted use of the last final escalation level.
Regards,
John Cleese ,
British writer, actor and tall person
And as a final thought - Greece is collapsing, the Iranians are getting aggressive, and Rome is in disarray. Welcome back to 430 BC.
Life is too short...
23/08/13
Não sei se é falta de decoro se é falta de sentido do ridículo, mas é de certeza falta de qualquer coisa
"Não me espanta por aí além. Tinha 19 anos quando na fronteira entre Moçambique e a África do Sul me confiscaram um livro e dois LP que estavam proibidos. O facto de ser menor (naquele tempo a maioridade atingia-se aos 21 anos) não impediu que fosse interrogado durante um quarto de hora. Adiante.", Eduardo Pitta.
E o que não espanta por aí além o autor do parágrafo citado é a detenção por 9 horas de David Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, o jornalista do Guardian que tem escrito sobre o caso Snowden.
Já eu, só citando Sá de Miranda: M'espanto às vezes, outras m'avergonho
E o que não espanta por aí além o autor do parágrafo citado é a detenção por 9 horas de David Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, o jornalista do Guardian que tem escrito sobre o caso Snowden.
Já eu, só citando Sá de Miranda: M'espanto às vezes, outras m'avergonho
Eu sei que um simulacro não é um espectáculo 3D
Para que fique claro. Fazer um simulacro do incêndio do Chiado para assinalar a data de um coisa que aconteceu MESMO, causou danos irreparáveis na cidade e na vida de centenas de pessoas (memórias, edifícios, empregos que desapareceram para sempre...), é tão estúpido e demonstra tanta sensibilidade como as irmãs do outro a lançarem as cinzas do morto no metropolitano de NY. Às vezes dou por mim a pensar que há uma estupidez tipicamente portuguesa...
Notícia aqui.
A partir daqui.
Notícia aqui.
A partir daqui.
21/08/13
11/08/13
Pela boca morre o peixe
Eu nem sequer tenho opinião sobre o assunto. Sim, há imensos assuntos sobre os quais não tenho opinião. Mas a terminologia usada por este governo não deixa de me dar volta ao estômago. E diz muito sobre as criaturas.
- as soluções encontradas não põem em causa o «indispensável para garantir condições mínimas de subsistência».
- está garantido o «núcleo essencial da existência mínima inerente ao respeito pela dignidade da pessoa humana»
A minha proposta é que a este Helder Rosalino lhe seja assegurada a existência mínima em condições mínimas de subsistência. Vá, vou ser querida: 600 euritos líquidos por mês e vai com Deus.
Leia-se AQUI
- as soluções encontradas não põem em causa o «indispensável para garantir condições mínimas de subsistência».
- está garantido o «núcleo essencial da existência mínima inerente ao respeito pela dignidade da pessoa humana»
A minha proposta é que a este Helder Rosalino lhe seja assegurada a existência mínima em condições mínimas de subsistência. Vá, vou ser querida: 600 euritos líquidos por mês e vai com Deus.
Leia-se AQUI
10/08/13
Às vezes lá calha...
"Je voudrais bien écrire comme on parle. Je voudrais bien écrire comme on chante, ou comme on hurle, ou simplement comme on allume une cigarette avec une allumette, et on fume doucement, en pensant à des choses sans importance. Mais cela ne se fait pas. Alors, j’écris comme on écrit, assis sur la chaise de paille, la tête un peu penchée vers la gauche, l’avant-bras droit portant au bout une main pareille à une tarentule qui dévide son chemin de brindilles et de bave entortillées.", J. M. G. Le Clézio.
Ouviste?
Ouviste?
08/08/13
03/08/13
Versão actualizada do Apocalipse de São João.
No Paquistão oferecem bebés em directo pela TV. Na Comporta brinca-se aos pobrezinhos. Nos EUA, um casal que procurou no google como cozinhar lentilhas em panela de pressão foi suspeito de terrorismo e visitado por homens de negro. Em Portugal, a associação Animal rebaptiza o cão Zico e chama-lhe Mandela. O Portas faz de primeiro-ministro por 15 dias. O Peixoto ninfetisa Os Mais. O Lomba faz discursos em vez de briefings. O Relvas é embaixador olímpico da língua portuguesa. Cavaco e Passos foram para o Allgarve. O Hospital de Cascais, essa PPP de excelência e hall em mármore, rebentou as costuras. A mim doem-me os dentes e acabaram-se os clonix. Só me falta ficar sem cigarros.
[não estou para pôr links]
[não estou para pôr links]
12/07/13
Das elites
Assunção Esteves chumbaria em qualquer exame de hermenêutica.
Veja-se a sua singela interpretação da frase de Simone de Beauvoir, "não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes".
Diz Assunção: "Carrasco significa qualquer elemento de perturbação. Sem querer ofender nada nem ninguém. Significa que quando as pessoas nos perturbam, não devemos dar atenção."
Se era para tamanha profundidade, mais valia ter citado a Simone de Oliveira.
Ler a notícia AQUI.
Veja-se a sua singela interpretação da frase de Simone de Beauvoir, "não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes".
Diz Assunção: "Carrasco significa qualquer elemento de perturbação. Sem querer ofender nada nem ninguém. Significa que quando as pessoas nos perturbam, não devemos dar atenção."
Se era para tamanha profundidade, mais valia ter citado a Simone de Oliveira.
Ler a notícia AQUI.
11/07/13
Ponto da situação
Ponto 1. Cavaco Silva esteve bem.
Ponto 2. Cavaco Silva esteve bem pelas piores razões.
Ponto 3. Cavaco Silva puxou as orelhas ao Passos, lixou o Portas e entalou o Seguro.
Ponto 4. Amanhã, se não estiver muito calor, desenvolvo.
Ponto 2. Cavaco Silva esteve bem pelas piores razões.
Ponto 3. Cavaco Silva puxou as orelhas ao Passos, lixou o Portas e entalou o Seguro.
Ponto 4. Amanhã, se não estiver muito calor, desenvolvo.
10/07/13
Da cultura geral
O que são swaps? Os meus conhecimentos escasseiam
para poder responder com propriedade à questão, mas sinto-me absolutamente apta
a explicar o que são suapes. A
definição de suapes, ao invés da
definição de swaps, não apresenta
qualquer dificuldade, evitando-nos mesmo a maçada de ter de distinguir entre os
swaps de Maria Luís Albuquerque e os
outros. Os suapes nunca são tóxicos, tratando-se de um
artefacto simples, contrariamente aos swaps
que, como li em algum lado, não me lembro agora onde, “São documentos
supercomplexos. Alguns deles indexam os pagamentos ao algoritmo”. Nos últimos
tempos, as matérias financeiras têm ganho uma urdidura tal que quase se afigura
mais fácil entender mecânica quântica, para não falar de Lacan. A histeria invasiva
da linguagem economicista parece mesmo apontar para um novo paradigma, no qual
a tradicional oposição entre as Duas Culturas cede lugar à oposição entre os
economistas e o resto do mundo. Por exemplo, estou convencida que nem
Schrödinger nem o seu gato conseguiriam perceber como é possível, ao mesmo
tempo, promover o desemprego e combater a recessão. Talvez o mundo físico,
apesar da sua inegável complexidade, seja afinal mais fácil de captar do que o
mundo dos swaps, hipótese que os suapes corroboram. Parafraseando Jonathan
Swift (“Meditação Acerca de uma Vassoura”), vou chamar-lhes “pau singelo”. A
sua história remonta a 1496, data em que foram vistos pela primeira vez em
navios ingleses. A função manter-se-ia, tendo embora o seu design sofrido vários aperfeiçoamentos, o último já em meados do
séc. XX. Recebe várias designações, sendo suape
o nome por que é conhecido na República Dominicana. Em Portugal é vulgarmente
chamado esfregona.
06/07/13
Não sei se o Portas é assim tão inteligente e o Passos tão estúpido. Mas esta pergunta faz todo o sentido: por que é que os políticos fazem tudo nos hotéis como as putas?
AGAIN, A POLÍTICA
E pronto, mais uma vez se salvaram à tangente, os dissimulados corsários. Citado do Seguro. Porque o que se prevê agora é o seguinte, o Portas vai negociar com a Troika e expô-la à mesma chantagem que expôs o país, isto é, vai conseguir no limite uma renegociação da dívida, e depois, projectado como salvador pátrio, vai-se entreter a devorar osso a osso a codorniz que se pensava um coelho. Pelo meio dar-se-á uma invaginação, ou seja o CDS vai sugar no seu útero o seu parceiro de coligação.
E nas próximas eleições metade das pessoas que agora estava tão renhidamente contra nas redes sociais vai achar que mais vale votar na segurança e na manutenção e temos governo à direita nos próximos seis anos. Sobreviverá Seguro, a remos, na jangada? É duvidoso, Seguro que hoje pela primeira vez produziu uma frase com punch: “o mal está feito!” (dava uma boa canção, se quiserem faço a letra…). É muito pouco para tanta parra.
Os jornalistas entretanto continuam a querer competir para ver quem é o mais estúpido e agarraram-se à palavrinha denegada: irrevogável.
E não compreendem a coisa simples: ele revogou porque a política se faz também de desejo e não apenas de dever e as palavras nela são simplesmente bífidas – é um jogo. Se o homem quisesse ser santo iria para a igreja e não para a política. A aura da irrevogabilidade é o que lhe fez ganhar a parada; ele foi tão irrevogável que ganhou em toda a linha, num lance verdadeiramente shakespeariano, até no patetismo. O homem soube cruzar Shakespeare com o lema de Lenin: dar um passo atrás para depois dar dois à frente. É o pós-modernismo, pá!
Por isso o silêncio dele nas costas de Coelho foi mais ruidoso do que tudo o que o outro procurou articular para fingir que não era o Américo Tomás da nova era.
Ninguém deu conta de que o Paulo Portas na reunião entre os dois partidos, no hotel Tivoli (por que é que os políticos fazem tudo nos hotéis como as putas?), estava com um lápis? Um lápis com borracha na ponta. Lição para o país: aquilo que se escreve pode-se apagar. Qual foi a primeira palavrinha que ele apagou do seu caderno?
Vamos aos comentários. Semedo, do BE, leu o discurso do Coelho absolutamente ao contrário, como quis e não o que o seu conteúdo relatava. Está tudo dito, não está?
E como é que um comentador, Pedro Silva Pereira, do PS, vai à televisão confessar que foi consultar ao dicionário da Porto Editora o significado da palavra “dissimular”? Nem como reforço retórico é admissível que um adulto de 40 anos, um responsável político, confidencie que não entende metade das palavras que lê nos comunicados políticos dos partidos adversários. Isto é sério? Depois agarrou-se ao osso da “irrevogação”, tadito…
Será que podemos finalmente ter conversas de adultos?
O banco do Vaticano dedicava-se a lavagem de dinheiro. Parece-me que não chega que o Papa se chame Francisco… a não ser que isso valide o que disse Marx: o que foi por uma vez trágico voltará de novo em farsa…
António Cabrita
E pronto, mais uma vez se salvaram à tangente, os dissimulados corsários. Citado do Seguro. Porque o que se prevê agora é o seguinte, o Portas vai negociar com a Troika e expô-la à mesma chantagem que expôs o país, isto é, vai conseguir no limite uma renegociação da dívida, e depois, projectado como salvador pátrio, vai-se entreter a devorar osso a osso a codorniz que se pensava um coelho. Pelo meio dar-se-á uma invaginação, ou seja o CDS vai sugar no seu útero o seu parceiro de coligação.
E nas próximas eleições metade das pessoas que agora estava tão renhidamente contra nas redes sociais vai achar que mais vale votar na segurança e na manutenção e temos governo à direita nos próximos seis anos. Sobreviverá Seguro, a remos, na jangada? É duvidoso, Seguro que hoje pela primeira vez produziu uma frase com punch: “o mal está feito!” (dava uma boa canção, se quiserem faço a letra…). É muito pouco para tanta parra.
Os jornalistas entretanto continuam a querer competir para ver quem é o mais estúpido e agarraram-se à palavrinha denegada: irrevogável.
E não compreendem a coisa simples: ele revogou porque a política se faz também de desejo e não apenas de dever e as palavras nela são simplesmente bífidas – é um jogo. Se o homem quisesse ser santo iria para a igreja e não para a política. A aura da irrevogabilidade é o que lhe fez ganhar a parada; ele foi tão irrevogável que ganhou em toda a linha, num lance verdadeiramente shakespeariano, até no patetismo. O homem soube cruzar Shakespeare com o lema de Lenin: dar um passo atrás para depois dar dois à frente. É o pós-modernismo, pá!
Por isso o silêncio dele nas costas de Coelho foi mais ruidoso do que tudo o que o outro procurou articular para fingir que não era o Américo Tomás da nova era.
Ninguém deu conta de que o Paulo Portas na reunião entre os dois partidos, no hotel Tivoli (por que é que os políticos fazem tudo nos hotéis como as putas?), estava com um lápis? Um lápis com borracha na ponta. Lição para o país: aquilo que se escreve pode-se apagar. Qual foi a primeira palavrinha que ele apagou do seu caderno?
Vamos aos comentários. Semedo, do BE, leu o discurso do Coelho absolutamente ao contrário, como quis e não o que o seu conteúdo relatava. Está tudo dito, não está?
E como é que um comentador, Pedro Silva Pereira, do PS, vai à televisão confessar que foi consultar ao dicionário da Porto Editora o significado da palavra “dissimular”? Nem como reforço retórico é admissível que um adulto de 40 anos, um responsável político, confidencie que não entende metade das palavras que lê nos comunicados políticos dos partidos adversários. Isto é sério? Depois agarrou-se ao osso da “irrevogação”, tadito…
Será que podemos finalmente ter conversas de adultos?
O banco do Vaticano dedicava-se a lavagem de dinheiro. Parece-me que não chega que o Papa se chame Francisco… a não ser que isso valide o que disse Marx: o que foi por uma vez trágico voltará de novo em farsa…
António Cabrita
04/07/13
Uma narrativa
Pedro Passos Coelho (PPC) e Paulo Portas (PP) governam juntos. PPC é maior do que PP. Apesar de PP ser mais pequeno do que PPC, PPC precisa de PP. No entretanto, quem governa de facto é Vítor Gaspar (VG).
As políticas de VG são de grande rigor e guiadas por uma máxima simples, facilmente compreensível pelo POVO: se pauperizarmos a malta, isto vai lá. Dois anos a pauperizar a malta, as metas falham. Tendo ido além da Troika, as dificuldades para pagar à Troika avolumam-se.
Um dia, VG vai ao supermercado (não sabemos qual, embora isso fosse determinante para perceber a extensão classista da contestação…) e cospem-lhe em cima. VG considera que não está para isso depois de tudo o que fez pelo país e salta do barco a meio, deixando PPC descalço.
A notícia cai como uma bomba mas PPC, que não é particularmente inteligente, insiste em que continua calçado. PP, que também já estava com o governo pelos cabelos, e que já tinha tremido com a Linha Vermelha das pensões e tal, demite-se no dia seguinte. Bomba II.
Da mesma forma que não percebeu que a saída de VG o tinha deixado descalço, PPC também não percebe que a saída de PP o deixa de cuecas na mão. Recusa a demissão de PP. Surpreendentemente para muitos, o Partido de PP obriga PP a renegociar com PPC. PP, que é homem de rigor semântico, renegoceia mas mantém que não volta ao governo.
A nova “fórmula” governamental (que atribui mais poder ao Partido de PP) é levada a Cavaco Silva (CS) que enquanto tudo isto decorre grita com Maria CS e vice-versa.
Sentindo-se desautorizado por ter feito papel de corno (o último a saber, para quem não sabe) e tendo umas contas antigas a ajustar com PP, CS recusa a fórmula e exige que PP esteja no governo.
PP recusa. CS espuma. PPC chora. António José Seguro (AJS) ri.São convocadas eleições. AJS e PP saem vencedores (no caso de PP, para surpresa do seu próprio Partido).
Na I República isto tinha dado bordoada da grossa.
As políticas de VG são de grande rigor e guiadas por uma máxima simples, facilmente compreensível pelo POVO: se pauperizarmos a malta, isto vai lá. Dois anos a pauperizar a malta, as metas falham. Tendo ido além da Troika, as dificuldades para pagar à Troika avolumam-se.
Um dia, VG vai ao supermercado (não sabemos qual, embora isso fosse determinante para perceber a extensão classista da contestação…) e cospem-lhe em cima. VG considera que não está para isso depois de tudo o que fez pelo país e salta do barco a meio, deixando PPC descalço.
A notícia cai como uma bomba mas PPC, que não é particularmente inteligente, insiste em que continua calçado. PP, que também já estava com o governo pelos cabelos, e que já tinha tremido com a Linha Vermelha das pensões e tal, demite-se no dia seguinte. Bomba II.
Da mesma forma que não percebeu que a saída de VG o tinha deixado descalço, PPC também não percebe que a saída de PP o deixa de cuecas na mão. Recusa a demissão de PP. Surpreendentemente para muitos, o Partido de PP obriga PP a renegociar com PPC. PP, que é homem de rigor semântico, renegoceia mas mantém que não volta ao governo.
A nova “fórmula” governamental (que atribui mais poder ao Partido de PP) é levada a Cavaco Silva (CS) que enquanto tudo isto decorre grita com Maria CS e vice-versa.
Sentindo-se desautorizado por ter feito papel de corno (o último a saber, para quem não sabe) e tendo umas contas antigas a ajustar com PP, CS recusa a fórmula e exige que PP esteja no governo.
PP recusa. CS espuma. PPC chora. António José Seguro (AJS) ri.São convocadas eleições. AJS e PP saem vencedores (no caso de PP, para surpresa do seu próprio Partido).
Na I República isto tinha dado bordoada da grossa.
Sempre é melhor do que nada, não é verdade, doutor Salgado?
Em Maio passado, o doutor Ricardo Salgado queixava-se da dificuldade em encontrar mão de obra disponível no Alentejo. Apesar da crise e do desemprego.
Explicação do presidente do BES: "Os portugueses preferem ficar com o subsídio de desemprego".
Palavras sábias. 69 trabalhadores asiáticos (o número é literalmente pornográfico), com certeza por não terem direito à mama dos subsídios, aceitaram trabalhar para a MIRTISUL. Contratados pela Trasolution, dedicavam-se à apanha de mirtilos nos arredores de Grândola.
Consideradas as propriedades laxantes do fruto referido, só me resta finalizar este post, desejando uma valente caganeira ao doutor Salgado e aos dirigentes das empresas envolvidas.
Explicação do presidente do BES: "Os portugueses preferem ficar com o subsídio de desemprego".
Palavras sábias. 69 trabalhadores asiáticos (o número é literalmente pornográfico), com certeza por não terem direito à mama dos subsídios, aceitaram trabalhar para a MIRTISUL. Contratados pela Trasolution, dedicavam-se à apanha de mirtilos nos arredores de Grândola.
Consideradas as propriedades laxantes do fruto referido, só me resta finalizar este post, desejando uma valente caganeira ao doutor Salgado e aos dirigentes das empresas envolvidas.
Marcadores:
Crise,
MITIRSUL,
Portugal na sarjeta,
Ricardo Salgado,
Trabalho escravo,
Trasolution
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Quando a Marine Le Pen ganhar eleições em França, chamem-se.
Até lá, quero que o Gaspar, o Passos, o Portas e o Cavaco tenham muitos meninos.
Desculpem-me qualquer coisinha, mas é que já não se aguenta o cheiro a tanto estrume sintético.
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