31/05/13
A banker is a fellow who lends you his umbrella when the sun is shining, but wants it back the minute it begins to rain.
A frase é de Mark Twain e ganha toda a actualidade quando lemos coisas destas.
Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal «fez ainda questão de lembrar que assim como “uma sapataria na Rua Augusta [Baixa de Lisboa] não calça todos os descalços que lhe passam à frente da porta, só aqueles que podem pagar”, um banco “também só dá crédito a quem tem possibilidade de reembolsar”».
Visto AQUI.
Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal «fez ainda questão de lembrar que assim como “uma sapataria na Rua Augusta [Baixa de Lisboa] não calça todos os descalços que lhe passam à frente da porta, só aqueles que podem pagar”, um banco “também só dá crédito a quem tem possibilidade de reembolsar”».
Visto AQUI.
30/05/13
O estado do mundo
Children run away after several large explosions rocked a busy area in the center of Kabul, Afghanistan, on May 24.
Fotografia de Omar Sobhani / Reuters
29/05/13
Nem o Marinho Pinto nem ninguém se lembra do momento em que nasceu e se calhar não é por acaso
O Marinho Pinto tem fama (e porventura proveito) de ser um homem truculento e sem papas na língua. Tais características, como quase tudo na vida, não são boas nem más... depende. A sua veemente oposição à co-adopção trouxe-de novo à ribalta.
É sabido que em Portugal se grita muito quando se trata de discutir ideias, o que normalmente é sinónimo de as ideias serem a coisa a que se dá menos importância nas discussões.
Outro aspecto digno de nota é que os portugueses têm alguma dificuldade com as ideias abstractas (não será por acaso que não existe Filosofia Portuguesa), o que em si também não é um mal, já que em nome das ideias abstractas se promovem muitas asneiras.
Dito isto, este post não é sobre a oposição de princípio de Marinho Pinto à co-adopção. É, mais singelamente, um post sobre o texto que ele escreveu sobre "O Momento Mais Belo da Vida", a saber, o momento do parto, o parto dele e o parto de todos nós.
Sem querer fazer teoria, gostaria de dizer ao Marinho Pinto que, tendo a Natureza (que ele tanto respeita e eu também, embora quanto à perfeição discordemos) decidido que eu podia dar à luz, mas ele não, me sinto obrigada a discordar de quase tudo quanto escreve.
O parto, a não ser no caso das mulheres que são abençoadas com partos de meia-hora e está a andar (e mesmo assim...), é das coisas mais desumanas, dolorosas, cruéis e primitivas que podemos registar (Sublime, talvez, mas decididamente a milhas do Belo).
O texto dele até pode ser um delírio poético e/ou uma declaração de amor profundo à própria mãe. Quanto ao resto, é tudo inventado. A começar e a acabar no facto de se lembrar de como nasceu.
Naturalmente, também aqui pode o bastonário estar a saltar para a Metafísica da Vida, referindo-se a um conhecimento teorético mais do que empírico. Mas assim como a Natureza parece levar as mães a esquecer o horror do momento do parto substituindo-o na memória delas pelo momento em que o recém-nascido se aninha nos seus braços (e se assim não fosse, raras seriam as mulheres a repetir a experiência...), convinha que o Marinho Pinto se interrogasse por que raio a Natureza varre igualmente da nossa memória o momento em que chegámos aqui.
Não, ele não se lembra. Nem nenhum de nós se lembra. Talvez porque a Natureza, num momento, esse sim, de sábia e defensiva clarividência, nos queira poupar a tais horrores. O horror de sair para o mundo, rasgados os pulmões, entregues ao frio e à fome.
Para resumir: não me parece que à Natureza interessem para nada os lirismos poéticos e grandiloquentes de Marinho Pinto.
É sabido que em Portugal se grita muito quando se trata de discutir ideias, o que normalmente é sinónimo de as ideias serem a coisa a que se dá menos importância nas discussões.
Outro aspecto digno de nota é que os portugueses têm alguma dificuldade com as ideias abstractas (não será por acaso que não existe Filosofia Portuguesa), o que em si também não é um mal, já que em nome das ideias abstractas se promovem muitas asneiras.
Dito isto, este post não é sobre a oposição de princípio de Marinho Pinto à co-adopção. É, mais singelamente, um post sobre o texto que ele escreveu sobre "O Momento Mais Belo da Vida", a saber, o momento do parto, o parto dele e o parto de todos nós.
Sem querer fazer teoria, gostaria de dizer ao Marinho Pinto que, tendo a Natureza (que ele tanto respeita e eu também, embora quanto à perfeição discordemos) decidido que eu podia dar à luz, mas ele não, me sinto obrigada a discordar de quase tudo quanto escreve.
O parto, a não ser no caso das mulheres que são abençoadas com partos de meia-hora e está a andar (e mesmo assim...), é das coisas mais desumanas, dolorosas, cruéis e primitivas que podemos registar (Sublime, talvez, mas decididamente a milhas do Belo).
O texto dele até pode ser um delírio poético e/ou uma declaração de amor profundo à própria mãe. Quanto ao resto, é tudo inventado. A começar e a acabar no facto de se lembrar de como nasceu.
Naturalmente, também aqui pode o bastonário estar a saltar para a Metafísica da Vida, referindo-se a um conhecimento teorético mais do que empírico. Mas assim como a Natureza parece levar as mães a esquecer o horror do momento do parto substituindo-o na memória delas pelo momento em que o recém-nascido se aninha nos seus braços (e se assim não fosse, raras seriam as mulheres a repetir a experiência...), convinha que o Marinho Pinto se interrogasse por que raio a Natureza varre igualmente da nossa memória o momento em que chegámos aqui.
Não, ele não se lembra. Nem nenhum de nós se lembra. Talvez porque a Natureza, num momento, esse sim, de sábia e defensiva clarividência, nos queira poupar a tais horrores. O horror de sair para o mundo, rasgados os pulmões, entregues ao frio e à fome.
Para resumir: não me parece que à Natureza interessem para nada os lirismos poéticos e grandiloquentes de Marinho Pinto.
28/05/13
27/05/13
26/05/13
A propaganda não mudou nada desde que o Dr. Goebbels a sistematizou ainda não havia Excel
Encontrei por acaso este filme sobre a pesca do bacalhau à portuguesa, ou seja, sobre homens sozinhos num bote (dóri) a pescar à linha no meio do mar lá para as bandas da Terra Nova.
O filme (com legendas) traça um retrato heróico e idílico dos pescadores, incluí uns acordes de nacional-cançonetismo e discursos oficiais. Mistura, com mestria, verdade, meias-verdades e aldrabice pura (note-se, como curiosidade, que o filme não é do SNI)
Também por acaso, encontrei depois esta entrevista com um embarcado da altura, José Sampaio de Azevedo, o "Bucha", um homem que conta como era a sua vida a bordo da White Fleet (nome da frota de veleiros portuguesa da pesca do bacalhau, cascos pintados de branco não fosse algum submarino alemão, apesar da "neutralidade" de Salazar, bombardeá-los à má fé, o que, aliás, aconteceu apesar da cor imaculada).
Veja (e leia) as diferenças que vale a pena.
E conclua o que (não) mudou com tanto comunicólogo que por aí anda!
O filme (com legendas) traça um retrato heróico e idílico dos pescadores, incluí uns acordes de nacional-cançonetismo e discursos oficiais. Mistura, com mestria, verdade, meias-verdades e aldrabice pura (note-se, como curiosidade, que o filme não é do SNI)
Também por acaso, encontrei depois esta entrevista com um embarcado da altura, José Sampaio de Azevedo, o "Bucha", um homem que conta como era a sua vida a bordo da White Fleet (nome da frota de veleiros portuguesa da pesca do bacalhau, cascos pintados de branco não fosse algum submarino alemão, apesar da "neutralidade" de Salazar, bombardeá-los à má fé, o que, aliás, aconteceu apesar da cor imaculada).
Veja (e leia) as diferenças que vale a pena.
E conclua o que (não) mudou com tanto comunicólogo que por aí anda!
25/05/13
Se a Europa [ainda] fosse isto, estávamos safos.
Jacques Canetti é um judeu dos nossos que partiram, sefardita que nasceu na Bulgária, na margem do Danúbio, irmão de Elias Canetti, Nobel de Literatura, que escrevia em alemão mas morreu cidadão britânico, na Suíça. Jacques, esse, tornou-se francês, patrão artístico dos discos Polydor, para proveito do mundo pelo que fez por Brel, que era belga, e Serge Gainsbourg, filho de russos, e por ter convencido o francês, nascido em Reggio nell"Emilia, Itália, Serge Reggiani, então com 41 anos, a começar a cantar. Isto deu: Ma Liberté, Votre Fille a Vingt e Sarah, canções oferecidas por um grego, nascido no Egito, Georges Moustaki. Há uns anos, em 2008, eu escrevi uma crónica sobre Aznavour, que cantara na véspera em Lisboa. Uma crónica sobre um rapaz batizado Shahnourh, filho de arménios, que virou Charles e símbolo de França, porque nasceu num porto, num cruzamento do mundo, em Paris. E dele parti para a canção de há quarenta anos, Le Métèque, que não era dele, era de Georges Moustaki. A canção do meteco, palavra do grego metoikos, como os atenienses chamavam aos que não eram da cidade, que viviam nela mas tinham vindo de longe. Meteco como Moustaki, filho de Alexandria, e que desaguou em França para a inundar de belas canções. Meteco como Aznavour. Este fez 89 anos anteontem. Moustaki morreu ontem. Ambos amantes de Édith Piaf, filha de uma berbere... Onde é que eu estava? Ah, já sei, a Europa. É grande.
Ferreira Fernandes
Ferreira Fernandes
24/05/13
Eu até percebo que alguém possa considerar que se excedeu no calor de uma conversa, mas fazer queixinhas é feio.
Clicar na imagem para aumentar
Ter dinheiro não é tudo mas é bastante
A grande vantagem de se ter dinheiro é poder chamar palhaço ao Cavaco Silva sem nos termos de ralar com o pormenor de como iremos pagar a multa.
"Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva.", Miguel Sousa Tavares.
"Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva.", Miguel Sousa Tavares.
Das limitações cerebrais do ministro Vítor Gaspar ou outro nome para a pulhice
Há uma teoria corrente que diz que as mulheres são mais versáteis do que os homens e a prova disso é que as primeiras conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo.
Os exemplos não são particularmente elevados, mas servem: as mulheres seriam capazes de, em simultâneo, pôr a sopa ao lume, tinta no cabelo, falar ao telefone, contar uma história às crianças e pagar contas no HomeBanK, enquanto os machos se estiverem a fazer a barba e alguém tocar à porta é certo e sabido que se esvaem em sangue.
A teoria vale o que vale, mas garantem os seus defensores que está alicerçada biologicamente numa organização diferenciada do cérebro segundo se trata de um cérebro masculino ou feminino.
Eu, pessoalmente, tendo a achar que, no que respeita ao funcionamento do cérebro, sabemos pouco mais do que saberiam os nossos antepassados das cavernas, mas o caso de Vítor Gaspar tem-me levado a pôr a hipótese de estarem certos aqueles que afirmam que as mulheres são de Vénus e os homens de Marte, com o Ministro das Finanças a representar um caso extremo vindo de outra Galáxia.
O homem, e isso está patente em tudo o que diz e faz, sofre de uma deficiência patológica: é incapaz de estabelecer relações de complexidade mínima e de se desviar um milímetro do caminho previamente traçado, subindo-o step by step como se fosse guiado pela estrela dos Reis Magos, mesmo se uma multidão lhe grita cá de baixo que a cabana para onde se dirige não é de Jesus mas de Brian.
Vítor Gaspar lembra-me sempre a história do burro do cigano (ou do cavalo do inglês) que quando estava quase a conseguir viver sem comer... morreu.
O problema neste caso é que os burros somos nós, enquanto o Gaspar irá comer certamente para outra manjedoura daqui a alguns meses. É que mesmo que seja burro, parvo não é com certeza. Complexidades cerebrais para as quais não tenho explicação e ele muito menos por motivos óbvios.
Confirmações empíricas (a propósito de empreendedorismo)
Onde mija um português, mijam logo dois ou três.
23/05/13
Esta gente é um nojo!
Que os rapazinhos das juventudes socialistas (até me engasguei...) não saibam quem é o Cónego Melo, até posso perceber. Pelo caminho que isto leva qualquer dia pensam que o Tratado de Tordesilhas foi assinado pelo Durão Barroso.
Que o Mesquita Machado, esse exemplar do empreendedorismo avant la lettre, queira fechar com chave de ouro a sua presidência da Câmara, também não me surpreende. Afinal, é mesmo como ele diz e foi assim que subiu na vida: "não tem qualquer tipo de significado a ideologia da pessoa”.
Que o Partido Socialista passe a vergonha de ver a oposição à direita dissociar-se da homenagem e não aproveite para expulsar imediatamente o energúmeno, vá lá...
Que não haja um grupo de cidadãos que, pelo menos em memória do Padre Max e da jovem Maria de Lurdes assassinados pelo MDLP, movimento de extrema-direita apoiado pelo Melo, não vá lá escaqueirar a merda da estátua, isso ultrapassa a minha mediana inteligência.
Que o Mesquita Machado, esse exemplar do empreendedorismo avant la lettre, queira fechar com chave de ouro a sua presidência da Câmara, também não me surpreende. Afinal, é mesmo como ele diz e foi assim que subiu na vida: "não tem qualquer tipo de significado a ideologia da pessoa”.
Que o Partido Socialista passe a vergonha de ver a oposição à direita dissociar-se da homenagem e não aproveite para expulsar imediatamente o energúmeno, vá lá...
Que não haja um grupo de cidadãos que, pelo menos em memória do Padre Max e da jovem Maria de Lurdes assassinados pelo MDLP, movimento de extrema-direita apoiado pelo Melo, não vá lá escaqueirar a merda da estátua, isso ultrapassa a minha mediana inteligência.
Parem as máquinas: Bruxelas libertou os galheteiros!
Vivemos uma época triste. É verdade. Mas, sobretudo, vivemos uma época ridícula. E quando o Estado chega aos galheteiros só nos resta gritar Morte ao Estado e a Quem o Apoiar! No mínimo três vezes, de preferência até que a voz nos doa.
BRUXELAS RECUA NA PROIBIÇÃO DOS GALHETEIROS!
BRUXELAS RECUA NA PROIBIÇÃO DOS GALHETEIROS!
22/05/13
Quem é que no seu perfeito juízo aceita participar no Prós & Contras?
O Luís M. Jorge põe a hipótese de o Prós & Contras ser a Caras do serviço público.
Quanto ao resto, escreveu isto e eu também concordo.
Quanto ao resto, escreveu isto e eu também concordo.
A verdade é que também nós estamos mortos por nos ver livres disto
E só nos faltava mais esta: não bastava um salvador da pátria, ainda tinha de haver um sobredotado.
Pai de Pedro Passos Coelho diz que o avisou: "Vais-te lixar".
Pai de Pedro Passos Coelho diz que o avisou: "Vais-te lixar".
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Em rede
- 2 dedos de conversa
- A balada do café triste
- A causa foi modificada
- A cidade das mulheres
- A curva da estrada
- A dança da solidão
- A rendição da luz
- A revolta
- A terceira via
- A única real tradição viva
- Abrasivo
- Agricabaz
- Agua lisa
- Albergue espanhol
- Ali_se
- Amor e outros desastres
- Anabela Magalhães
- Anjo inútil
- Antologia do esquecimento
- Arrastão
- As escolhas do beijokense
- As folhas ardem
- Aspirina B
- ayapaexpress
- Azeite e Azia
- Bibliotecário de Babel
- Bidão vil
- Blogtailors
- Casario do ginjal
- Centurião
- Church of the flying spaghetti monster
- Ciberescritas
- Cidades escritas
- Cinco sentidos ou mais
- Claustrofobias
- Coisas de tia
- Complicadíssima teia
- Contradição Social
- Dazwischenland
- De olhos bem fechados
- Dias Felizes
- Do Portugal profundo
- Duelo ao Sol
- e-konoklasta
- e.r.g..d.t.o.r.k...
- Enrique Vila-Matas
- Escola lusitânia feminina
- Fragmentos de Apocalipse
- Governo Sombra
- Helena Barbas
- If Charlie Parker was a gunslinger
- Illuminatuslex
- Incursões
- Instante fatal
- Intriga internacional
- João Tordo
- Jugular
- Klepsydra
- Last Breath
- Ler
- Les vacances de Hegel
- Letteri café
- LInha de Sombra
- Mais actual
- Malefícios da felicidade
- Manual de maus costumes
- Metafísica do esquecimento
- Mulher comestível
- Mãe de dois
- Nascidos do Mar
- Non stick plans
- O Declínio da Escola
- O escafandro
- O funcionário cansado
- O jardim e a casa
- O perfil da casa o canto das cigarras
- Obviario
- Orgia literária
- Paperback cell
- Parece mal
- Pedro Pedro
- Porta Livros
- Pratinho de couratos
- Raposas a Sul
- Reporter à solta
- Rui tavares
- S/a pálpebra da página
- Se numa rua estreita um poema
- Segunda língua
- Sem-se-ver
- Sete vidas como os gatos
- Shakira Kurosawa
- Sorumbático
- Texto-al
- The catscats
- There's only 1 Alice
- Tola
- Trabalhos e dias
- Um dia... mais dias
- Um grande hotel
- We have kaos in the garden




