Daqui [que eles às vezes acertam]
30/11/11
A próxima vez que se quiserem infiltrar têm que infiltrar-se melhor
Daqui [que eles às vezes acertam]
29/11/11
28/11/11
Graçolas
O meu avô pintava pardais de amarelo e depois mandava-os vender como se fossem canários.
Escolhia rigorosamente – não os pardais – mas as vítimas da trapaça: entendidos em canto do Harz, ornitólogos curiosos e avicultores com licença, criadores de aves domésticas e mesmo um ou outro patrício alheio à ciência das aves.
Tais destinatários tinham um denominador comum: de doutos nada tinham, embora vertessem saber pelos cafés da terra. Naturalmente, havia queixas: “Que não canta, Miguel! Que não canta!”; “Há-de cantar, há-de cantar!”; até que uma repentina chuva ou a mudança de penas punha a descoberto o engodo e o tom do original.
Meu avô gostava de “pregar partidas”.
Sem nunca ter lido o Livro do Riso de Aristóteles, e muito menos Umberto Eco que o inventou já ele tinha morrido, sabia, intuitivamente, que “se o homem das cavernas tivesse sabido rir, o curso da História teria sido diferente”, Oscar Wilde.
Imaginemos agora por um momento que os cave people trocavam graçolas enquanto caçavam mamutes.
Aposto que largariam umas boas gargalhadas se vissem o tão falado vídeo da Sábado, uma colectânea de asneiras proferidas por estudantes universitários.
Escolhia rigorosamente – não os pardais – mas as vítimas da trapaça: entendidos em canto do Harz, ornitólogos curiosos e avicultores com licença, criadores de aves domésticas e mesmo um ou outro patrício alheio à ciência das aves.
Tais destinatários tinham um denominador comum: de doutos nada tinham, embora vertessem saber pelos cafés da terra. Naturalmente, havia queixas: “Que não canta, Miguel! Que não canta!”; “Há-de cantar, há-de cantar!”; até que uma repentina chuva ou a mudança de penas punha a descoberto o engodo e o tom do original.
Meu avô gostava de “pregar partidas”.
Sem nunca ter lido o Livro do Riso de Aristóteles, e muito menos Umberto Eco que o inventou já ele tinha morrido, sabia, intuitivamente, que “se o homem das cavernas tivesse sabido rir, o curso da História teria sido diferente”, Oscar Wilde.
Imaginemos agora por um momento que os cave people trocavam graçolas enquanto caçavam mamutes.
Aposto que largariam umas boas gargalhadas se vissem o tão falado vídeo da Sábado, uma colectânea de asneiras proferidas por estudantes universitários.
Deixemos de lado a manipulação das imagens e o “vale tudo” da sobrevivência. Rir de quê? Da miséria cultural dos entrevistados? Se for isso, melhor fariam em chorar porque algum deles ainda chegará ao poder (“In my flifetime, we’ve gone from Eisenhower to George W. Bush. We’ve gone from John F. Kennedy to Al Gore. If this is evolution, I believe that in twelve years, we’ll be voting for plants”, Lewis Black).
Se for para insinuar que o ensino público só produz ignorantes e que isto era muito melhor quando era cada um em su sitio, uma pergunta para os responsáveis da peça.
Quem foi o presidente da República que disse: “Comemora-se hoje em todo o país uma promulgação do despacho número 100 da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por mero acaso, mas porque ele vem na sequência de outras 99 anteriores promulgações”?
Um canudo em comunicação social a quem souber a resposta.
Se for para insinuar que o ensino público só produz ignorantes e que isto era muito melhor quando era cada um em su sitio, uma pergunta para os responsáveis da peça.
Quem foi o presidente da República que disse: “Comemora-se hoje em todo o país uma promulgação do despacho número 100 da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por mero acaso, mas porque ele vem na sequência de outras 99 anteriores promulgações”?
Um canudo em comunicação social a quem souber a resposta.
26/11/11
Slow motion
Quando voltarmos ao activo, reactivaremos os comentários. Até lá, vão passando. Pode ser que se arranje qualquer coisinha.
Gratos pela preferência.
24/11/11
23/11/11
Coisas simples [numa palavra, democracia]
What gives you the right to dictate to the Greek and Italian people?
Soares, o animal político
"Não podemos saudar democraticamente a chamada 'rua árabe' e temer as nossas próprias ruas e praças".
... e entretanto, Seguro, o babe, reinventa a política enquanto abstenção violenta.
... e entretanto, Seguro, o babe, reinventa a política enquanto abstenção violenta.
22/11/11
... e fora da zona de conforto... [da série "isto vai dar merda" VI]
Imagens indigestas [aqui não se distribuem "abraços"]
21/11/11
20/11/11
19/11/11
Os canadianos, esses sornas
Não fora a peritonite de meu pai e eu seria, se não loura, indiscutivelmente alemã. Passo a explicar.
Antes de ser chegado o ano de 1961 (início da Guerra Colonial), o meu progenitor, cheirando-lhe que a coisa em África em breve se tornaria feia, resolveu abandonar o solo pátrio e fazer-se à estrada. Rumou à Alemanha.
Apanhou um táxi, e foi do Algarve a Hamburgo com passagem por Paris, cidade onde pôde observar pela primeira vez, ao vivo e a cores, Le baiser de l’hôtel de ville de Robert Doisneau.
Já em solo germânico, caiu em plena reedificação do país. Quando começaram a construir o Muro de Berlim, vivia na cidade e é, então, que sofre um ataque de apendicite aguda.
Estes dois factos não estarão relacionados, mas a posterior peritonite foi, sem margem para dúvida, consequência directa da infecção do apêndice intestinal.
Sobreviveu com dificuldade, para no fim ganhar um atestado que o dava como incapaz de fazer a guerra; voltou a Portugal de comboio, já Oliveira Salazar proferira a célebre frase Para Angola, rapidamente e em força.
Na fronteira, um membro da Polícia Internacional e de Defesa do Estado verifica o passaporte e estranha-lhe o regresso: a autorização de saída caducara há muito.
“O que foi o fazer à Alemanha?”, perguntou-lhe o homem.
“Aprender alemão”, respondeu meu pai.
“O senhor está ilegal. Qual a razão do regresso?”, insistiu o agente da autoridade.
“Constou-me que a Pátria estava em perigo!”, justificação que muito impressionou o PIDE que quase lhe faz continência, enquanto o meu pai acaricia o atestado que leva no bolso e remata o diálogo com um sonoro Schwein! à laia de despedida, escudado no hermetismo da deutsche Sprache.
Não fora, pois, a inflamação da membrana peritoneal paterna e eu seria patrícia de Angela Merkel, com direito apenas a 10 feriados anuais contra os 14 portugueses, o que explica decerto a pujança teutónica versus recessão lusa, se bem percebi o discurso do Ministro da Economia recentemente chegado de terras do Canadá onde, por acaso, o regabofe é igualzinho ao nosso.
18/11/11
O sentido maternal das ministras [não sei se é disto que se fala quando se fala das vantagens do feminine touch na política]
"Façam sopa em casa", Ana Jorge, ministra da Saúde de José Sócrates"As crianças devem voltar a comer fruta em estado natural", Assunção Cristas, ministra da Agricultura de Passos Coelho
Razão tem a Shakira: "The worst mistake of a woman is to go to the kitchen, because then she never gets out of there"
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17/11/11
Pessoas boas, a tua tia ó Kröger!
O alemão Jürgen Kröger, um dos representantes da troika que nos calhou em sorte, é um querido. Em Lisboa, onde fiscaliza o bom comportamento do governo (?) português, não só nos garantiu que Portugal não é a Grécia (what a relief, man!) mas também que somos "gente boa".
Como é que ele terá concluído tal coisa?
Como é que ele terá concluído tal coisa?
Andou a reler o Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas do Gobineau ou terá tido tempo de ir medir narizes para o Rossio?
16/11/11
15/11/11
Para isto, minhas senhoras e meus senhores, é preciso coragem e o resto é conversa
Chama-se Aliaa Elmahdy e é egípcia. A poucas semanas das eleições, publicou uma série de fotografias no seu blogue que a fizeram tornar-se notícia em todo o mundo. Não faltará quem venha dizer que a jovem quer é visibilidade, quiçá ganhar uns dólares. A esses, recordo apenas que há países onde toda a nudez será castigada. A sério.
14/11/11
O João César das Neves está indignado e sentiu um arrepio nas costas [ou o grau zero do pensamento]
Diz ele que somos uns ingratos. Que já os avós dele eram uns ingratos. Que já os pais dele eram uns ingratos. Neves, porém, viu a Luz: "quem quer mais do que tem nunca aproveita o que há!"
E, enquanto isto, Bárbara ressona serenamente na tenda ao lado.
Pensam que invento? Ide e lede ó gente de pouca fé!
Viva o Alvarinho ou razão tem o João Lisboa: há comentários que valem mil posts
"O Alvarinho foi escolhido para ministro por duas razões, seguindo um reflexo irresistível do provincianismo local: i) vem de um país desenvolvido,
ii) os seus méritos técnicos permitiram-lhe fazer carreira nesse el dorado místico, que é o conjunto probabilístico Universo-excluíndo Portugal; no seu caso específico, o Canadá.
Ambas as razões apontam para o amor e respeito por tudo o que é extranacional — tão pacóvios, quanto seculares em nós — como origem dessa opção.
Não é necessário esperar pelo fim de uma frase, para se sentir a brisa temperada a couve-galega e sopas-de-cavalo-cansado, evolando-se do patuá ministerial. Há uma subtil declinação beirã, se dúvidas restassem.
Sim, o Álvaro é um parolo, como demonstram as suas parolas declarações sobre assuntos triviais. A própria lógica, subjacente ao tema dos feriados, faria corar um pastor barrosão na sua simplicidade, o que dá boa medida do parolismo praticado pelo Álvaro.
Surpreendentemente — ou não, tratando-se claramente de um parolo enrustido — o Álvaro não aprendeu, nesse distante planeta Krípton da civilização superior canadiana, os rudimentos da boa prática académica e da honestidade intelectual.
É que há muita coisa que uma universidade canadiana pode modelar, ou transformar, no bicho-Homem, mas o bronco lusitano tem carapaça de titânio.
Parolamente, o Álvaro não saberá utilizar a internet, senão facilmente descobriria comparações entre níveis de produtividade e feriados para vários países do mundo anglo-germanicamente desenvolvido. Muitas vezes, ilustradas com profusão pornográfica de representações gráficas.
A leviandade domingueira com que o Álvaro tenta fazer passar cidadãos por aldeões medievais, é a mesma que assistiu à sua desautorização de um grupo de estudo afecto ao governo onde se integra, quando – no espaço de tempo que leva uma castanha a cair de um banco corrido —catalogou uma decisão do “seu” grupo como absurda.
Mas é bom técnico e veio de fora. Para quem é, bacalhau basta.", André
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