11/11/11

11-11-11 : o dia de todos os perigos [post dedicado a Jorge Messias]

Aprovado Orçamento de Estado para 2012

Pior é sempre possível, n'est-ce pas?

10/11/11

Isto já não é um tratado sobre a dieta mediterrânea é a grande bouffe em todo o seu esplendor

Vara respondeu com alheiras aos robalos do Godinho

A book a day keeps the doctor away: "Comissão das Lágrimas", António Lobo Antunes

Disse em tempos Eduardo Lourenço, a propósito da escrita de António Lobo Antunes, que “a África foi o espelho no qual ele pôde ver melhor o delírio da experiência portuguesa”, mostrando-nos “não apenas a morte em África, mas a nossa própria miséria, os nossos terrores sepultos” (António Lobo Antunes. A Crítica na Imprensa 1980-2010 Cada Um Voa Como Quer, Edição Ana Paula Arnaut, Almedina, 2011, p. 257).
O escritor, depois de recentemente ter andado por lá perto no belíssimo O Meu Nome É Legião, volta a render-se ao tema, agora num mergulho em apneia que tem como ponto de partida um episódio histórico.
Comissão das Lágrimas, cujo título retoma, com exactidão, o nome pelo qual ficou conhecido a comissão que, em Angola, seleccionou e enviou sumariamente para a morte os presumíveis envolvidos no golpe fratricida de 27 /05/1977, ter-lhe-á surgido a partir da história trágica de Elvira, conhecida por Virinha, uma militante do MPLA que, torturada e assassinada na sequência dos acontecimentos, se tornaria num símbolo de resistência: “a rapariga sem língua continua a cantar, erguíamo-la do chão e continuava a cantar, atirávamo-la contra o cimento e continuava a cantar, não se cala (…)”, p. 47.
Se o livro se funda no real, este, porém, apenas lhe serve de pretexto e, como sempre em António Lobo Antunes (uma das razões por que é grande), o particular depressa cavalga o universal.
Aqui, África é, de facto, um “espelho no qual ele [pode] ver melhor o delírio da experiência portuguesa”, mas também o sofrimento que nos calha a todos.
O romance retoma o chamado registo polifónico habitual (“o meu ofício é traduzir vozes”, p. 128), organizando-se em torno de três personagens principais: Cristina, que está internada numa clínica, assombrada por vozes que não lhe dão descanso; a sua mãe branca, Alice/Simone, ex-dançarina de plumas de lantejoulas que “coxeia [agora] a sua desgraça”, p. 49; e António, o preto a quem os brancos não deixaram ser padre, o pai (?) torcionário que, em Lisboa, continuará “à espera que o matem”, p. 49.
A polifonia é contrariada pelo cruzamento intrincado dos registos e pela dúvida que se instala ao longo do texto. Quem fala? E, quem fala, diz a verdade ou delira?
O tema da verdade que é, afinal, o tema que importa a todos os Inquisidores confunde-se, assim, nas memórias (reais? inventadas?) de Cristina na clínica e nas confissões arrancadas pela Comissão das Lágrimas, mais a confissão a que António é obrigado no seminário: “(…) perguntavam-me Desonraste a Divindade? e não era que não quisesse contar, era que não achava o que devia ser contado, pensava Ensinem-me o que deve ser contado ou Ensinem-me o que querem que eu conte”, p. 112.
A capacidade da ficção ir mais longe, explicará o desejo do literário. Por isso, talvez, o realismo esteja tão distante do registo de António Lobo Antunes, mesmo se, paradoxalmente, as palavras em que se exprime optem cuja sempre por uma materialidade crua, na fronteira do prosaico: “uma traineira com problemas nos ossos, por vezes um rebocador aflito da hérnia”, p. 313.
Finalmente, se Angola é o cenário principal de Comissão das Lágrimas, só se dá a ver em contraponto com a marquise de Lisboa, “o mundo dos naperons” que ficou para trás no tempo, as camponeses “de olhos cheios de vacas”, o passado que se mistura ao presente,ambos dolorosos.
E mais uma vez em António Lobo Antunes, seria preciso regressar à inocência da infância, no pressuposto que tal coisa possa existir.
António Lobo Antunes, Comissão das Lágrimas, 2011, D. Quixote

09/11/11

Queres ver que ainda vamos ser nós a pagar a "extravagante" colecção egípcia do BPN?

Custou 5 milhões de euros, possivelmente não vale um chavo e faz parte dos activos classificados como "extravagantes" pelo actual presidente da SLN, Miguel Cadilhe (notícia do Expresso)

Extragante é também, no mínimo, a legenda que acompanha um outro artigo sobre o tema publicado no Económico.Sapo.

Isto é o quê: escrita hieroglífica?

Isto é Portugal no seu melhor, carago: robalos, pão-de-ló, enchidos e futebol

Vale a pena ler. Parece um tratado sobre a dieta mediterrânica.

Alguém que me explique a tesourada que o Jornal I deu ao boneco do Charlie Hebdo






Tesourada descoberta aqui.

08/11/11

A bravata, perdão, gravata dos chineses [e uma revoluçãozinha cultural, não ia?] — ou isto vai dar merda IV

China has accused European workers of being ‘slothful’ and ‘indolent’ after refusing to put any of its vast resources into rescuing the euro.
The head of the Chinese state’s overseas investment arm said he would only help Europe if it reformed its ‘outdated’ labour laws and welfare systems.


Imagem roubada aqui.

A revolta da Madeira [ou seja, isto está a tornar-se tão complexo como a I Guerra, em que não é assim tão fácil perceber quem são os bons e os maus]

Tolerância de ponto na Madeira para assistir à tomada de posse de Alberto João Jardim.

Oh scheiße! [da série isto vai dar merda e tal — III]

Os alemães já controlam Roma?
Isto está a tornar-se tão complexo como a I Guerra Mundial em que não é assim tão fácil perceber quem são os bons e os maus...

Meus amigos, embora longe de possuir os poderes da filha de Raúl Solnado, em verdade vos digo: isto vai dar merda! (II)

Chegou a vez de pôr os italianos em sentido. AQUI
Entretanto, em Bruxelas vão-se tendo mais ideias peregrinas. AQUI,

05/11/11

Economia para inteligentes

Francisco Fernandes Lopes (1884-1969), médico olhanense caído no esquecimento mas de quem Almada Negreiros disse: “Ele está, para mim, no meio da primeira fila dos que estão à frente disto tudo”, foi um homem de qualidades raras.
Musicólogo, inventor nas horas vagas, poliglota e historiador sábio que se definia a si próprio como um “vulgaríssimo João Semana” guiava-se por um princípio: “Ir sempre ao fundo do fundo do contrafundo”. É um bom princípio.
Que estamos a ir ao fundo, ninguém o nega. Até o primeiro-ministro já veio dizer que empobreceremos. Inevitavelmente. De vitória após vitória, até à derrota final, slogan que tem até uma certa patine guevarista adequada na perfeição ao l’air du temps, um tempo em que os banqueiros citam Lenine.
Recordo: “O Lenine deve estar a rir-se à gargalhada no túmulo”, disse Fernando Ulrich, demonstrando que é um homem do mundo.
Eu, que estou como o Jesus Cristo do Pessoa (também nada sei de finanças…), gostaria, contudo, de deixar algumas perguntas (simples) numa tentativa, porventura vã, de cumprir o preceito de Lopes.
Quando o desemprego em Portugal, segundo dados do INE, se situa em 12,5%, como é que o aumento de meia hora de trabalho diário ajuda a combater o flagelo?
Andava eu a tentar perceber a quadratura do círculo, eis que chego a um estudo encomendado pelo Governo que garante que a medida aumentará em 4% a competitividade das empresas, o que logo me fez lembrar Garrett, perdão, Manuel Pinho, o ex-ministro da Economia que em tempos que já lá vão (?) foi à China pedir aos locais para investirem em Portugal porque a nossa mão-de-obra era barata.

Outra coisa que também não alcanço é isto.
Imaginemos que um qualquer leitor destas linhas aceita emprestar-me dinheiro. Agradeço, claro, "uma senhora é uma senhora", mas é-me imposta uma condição: não posso criar riqueza durante o período de tempo em que fico devedora.
Empobreça!, ordena-me o emprestador. E desculpem-me se pareço muito burra: mas como raio poderei pagar-lhe?
E foi então que Karl Kraus surgiu em meu auxílio: “Uma das causas mais comuns das doenças é o diagnóstico”.

03/11/11

É tudo inaceitável, até o tom! [da série isto vai dar merda]

Ler AQUI

Meus amigos, embora longe de possuir os poderes da filha de Raúl Solnado, em verdade vos digo: isto vai dar merda!

Afinal, o mais provável é não haver referendo!

Mas de tudo o que li até agora sobre o assunto, o que gostei mesmo mais foi deste lead:

... e estes jornalistas caíram de onde?


[Pastiche] A Ana Cristina Leonardo (ACL), detentora de 0% do capital da Europarque, reconheceu hoje a impossibilidade de honrar os pagamentos à banca

[O original]
"A Associação Empresarial de Portugal (AEP), detentora de 51 por cento do capital do Europarque, em Santa Maria da Feira, reconheceu hoje a impossibilidade de honrar os pagamentos à banca. Cabe agora ao Estado assumir estes encargos."

Aqui, a partir daqui.

Só pelo prazer de ler um bom texto

Chama-se "Agora é cada um por si e Deus contra" e assina Marcos. AQUI