Depois das aves raras do governo do defunto engenheiro terem dado luz verde para a destruição de parte da Linha do Tua — linha que em qualquer país civilizado do mundo seria considerada património — é a vez de a nova maioria aprovar o abate de milhares de árvores. 11/10/11
Grandessíssimas bestas!
Depois das aves raras do governo do defunto engenheiro terem dado luz verde para a destruição de parte da Linha do Tua — linha que em qualquer país civilizado do mundo seria considerada património — é a vez de a nova maioria aprovar o abate de milhares de árvores. 10/10/11
O mundo mudou muito desde que Sócrates foi para Paris, Armando para o Ultramar e Rui Pedro Soares transitou para o futebol
"A verdade é que se escondeu informação e se enganou a opinião pública. A acreditar nos dirigentes nacionais, vivíamos, há quatro ou cinco anos, um confortável desafogo".
Depois de uma situação que permitia "fazer planos de grande dimensão e enorme ambição", passou-se, "em pouco tempo, num punhado de anos", a uma "situação de iminente falência e de quase bancarrota imediata".
António Barreto, aqui
09/10/11
Frases que gostava de ter escrito
08/10/11
Mentes abertas, olariras
Dito isto, e embora correndo o risco dos “miolos me saltarem”, voto pela tolerância.
Aparentemente, estamos mais tolerantes e até a Arábia Saudita acaba de reconhecer o direito de voto às mulheres (desde, claro, que os respectivos maridos, pais ou irmãos assim o entendam…).
A minha desconfiança confirma-se. A padaria da minha rua fica paredes meias com uma série de after hours. Abre agora ao domingo e serve uma multidão de noctívagos que, de óculos escuros, lá vai aviar carcaças por volta do meio-dia.
06/10/11
05/10/11
03/10/11
02/10/11
O tipo escondeu a dívida, é populista, autoritário, mas, porra, é uma grande personagem!
01/10/11
Viva a D. Maria II
Indiferente à “doçura de sentimentos”, ao “ânimo sofredor” ou à “valentia sem alardes” que dizem (alguns) caracterizar a História de Portugal, quando chego àquela parte da D. Maria II a assinar o fim das execuções por crimes civis em 1852 sinto que nem tudo foi em vão.
"Oh! Entenda-se bem: De modo nenhum queremos limitar os maridos no direito de matar suas mulheres. São questões domésticas com que nada temos. (…). Que os maridos quando lhes convenha, para melhor organização do interior doméstico, partam suas mulheres aos pedaços – coisa é que nem nos escandaliza nem nos jubila. (…) entendemos que, quando um marido se sinta dominado pelo desejo invencível de partir alguma coisa – é mais natural ir à cozinha trinchar o roast-beef do que à alcova, retalhar a esposa!"
Ramalho e Eça ridicularizaram assim, com a habitual ironia, um tribunal oitocentista. As recentes execuções nos EUA paralisam-me infelizmente o verbo.
A 21/09/2011, dois homens foram mortos pela Justiça americana, um na Georgia, outro no Texas: Troy Davis, um negro acusado de ter morto um polícia branco, clamou até ao fim a sua inocência, sujeito de um processo cheio de buracos, adiamentos e pedidos de clemência que incluíram Ratzinger, Jimmy Carter, Desmond Tutu e a Amnistia Internacional; Lawrence Brewer, um branco condenado por matar um negro, arrastando-o preso por uma corda à traseira de um jipe.
Repugnam-me as duas sentenças, mesmo se a minha simpatia se esgota em Troy Davis. E creio não ser preciso ter lido O Último Dia de um Condenado de Victor Hugo para se perceber porquê.
30/09/11
29/09/11
28/09/11
27/09/11
Aleluia, irmãos! As forças do Mal foram esconjuradas! Aleluia irmãos! Benditos os que falam HTML e... sigam os posts!
Durante cerca de dois dias este estabelecimento viu-se inexplicavelmente encerrado pelo Google. Muito para além de encerrado, difamado! injuriado! caluniado! aviltado! denegrido! In the end, a conjunção de vários astros peritos em HTML acabaria por vencer as hostes demoníacas e trazer de novo a Luz a este estabelecimento.
22/09/11
Eduardo Pitta descobriu que, afinal, Sócrates não era o salvador da pátria... e em seguida foi comer profiteroles
Coisa de bárbaros e o resto é conversa: Troy Davis foi morto hoje
21/09/11
Às vezes me espanto
20/09/11
Parece que o Alberto se anda a ver grego...
15/09/11
Por estas e por outras é que eu [ainda] gosto deste país...
13/09/11
A book a day keeps the doctor away: "O Segundo Avião", Martin Amis
Os artigos sobre o 11 de Setembro escritos por Martin Amis entre 2001 e 2007 surgem reunidos neste volume sob o título de O Segundo Avião. A estes se acrescentam dois contos: “No Palácio do Fim”, onde o autor de Money imagina a vida dos duplos do filho de um ditador, e um outro que recria “Os Últimos Dias de Muhammad Atta”, terrorista que morreria no embate do primeiro avião com as Torres Gémeas.
As duas ficções optam por encenar escatologias em que a fantasia fecal dá bem ideia do que Amis pensa sobre o assunto: a “bomba na retrete” no caso de “No Palácio do Fim”; “a incontestável fúria das (…) entranhas”, em “Os Últimos Dias de Muhammad Atta”.
As posições do escritor inglês são incómodas. Não poupam ninguém. Não poupam a Al-Qaeda, não poupam bin Laden, não poupam Bush, não poupam Blair, não poupam Chomsky. Para além disso, o homem escreve bem que dói.
“Em Movimento com Tony Blair”, apontamentos de viagens em que o escritor/repórter acompanha o ex-primeiro-ministro, é um tratado de inteligência, ironia e domínio do ofício: “Testemunhamos os discursos triunfais e ouvimos os aplausos, mas normalmente não vemos o momento de feroz deleite político, o profundo e duradouro contentamento da vindicação: eu sempre tive razão! Num outro castelo, o de Hillsborough (o postigo da rainha em Belfast e ocasional lugar de pernoita de Bush), houve outro desses, quando Blair teve uma serena meia hora com o titubeante Teddy Kennedy e o temível Peter Hain. A História — o imprevisto sem remorsos — conspirara por uma vez na vida com o desejo deles, e era tudo muito comedido, neste perdoável regozijo, tudo muito sussurrado e enrouquecido e duramente alcançado.”
Recordamos a escrita viril de Bellow, mestre de Amis, e sentimos uma saudade imensa dos bons textos jornalísticos.
Dez anos passados do 11 de Setembro, O Segundo Avião é a forma adequada de assinalar a data. Submersos pela crise, esse dia parece-nos cada vez mais longínquo e a paranóica War on Terror terá dado lugar a temas mais prementes.
Há, contudo, um antes e um depois do 11 de Setembro — assim como há um antes e um depois da Queda do Muro de Berlim. Amis di-lo com clareza: “O 11 de Setembro deu-nos um planeta que quase nem reconhecemos. Em certo sentido veio revelar o que já ali estava (…) desde o colapso da União Soviética: a inédita preponderância de uma única potência. Revelou também o há muito estabelecido mas crescentemente dinâmico ódio ao Ocidente entre as nações islâmicas, um ódio muito exacerbado pela relação que a América mantém com (…) Israel (…). Além disso, como todos os ‘atos de terrorismo’ — que facilmente e sem subjectividade alguma se podem definir como violência organizada que toma por alvo os civis — (…) foi um ataque à moralidade: sentiu-se um défice geral. Quem é que, a 10 de setembro, esperaria estar pela altura do Natal a ler uns nada escandalizados editoriais no Herald Tribune acerca dos prós e dos contras de se usar a tortura nos ‘combatentes inimigos’? Quem esperaria que a Grã-Bretanha renunciasse à doutrina do não-primeiro-uso do nuclear? O terrorismo mina a moralidade. Além disso, também mina a razão” — sendo próprio da razão distinguir tolerância de relativismo, compreender de aceitar. É isso que Amis faz.
Martin Amis, O Segundo Avião, 2011, Quetzal, trad. de Jorge Pereirinha Pires
12/09/11
11/09/11
Eu não queria falar do 11 de Setembro mas dado que a imbecilidade ainda não deixou de me indignar...
10/09/11
Falta de ar
“A morte é uma puta”, desabafou António Lobo Antunes quando sentiu a morte a rondá-lo. A eutanásia seria, assim, uma espécie de puta de luxo, nos antípodas da ceifeira cadavérica retratada pelos Monty Python em O Sentido da Vida.
O argumento mais usado pelos defensores da eutanásia relaciona-se com a questão do sofrimento inútil, chegado o momento em que a expressão “enquanto há vida há esperança” perde sentido. Os opositores (deixando de lado a contestação religiosa…) invocam sobretudo o precedente aberto pela sua descriminalização.
Neste assunto, como em outros, Esquerda e Direita divergem. A última quase sempre por razões de fé, a primeira invocando razões de autonomia: o direito a uma morte digna.
Posso perceber ambas. Mas, lá pelo meio, algo me escapa: o fascínio pela legislação da Esquerda.
O Estado que tudo controla. O que se come, o que se bebe, o que se fuma… A vida privada cada vez mais enredada em regras, normas, artigos, regulamentos e adendas.
Algures pelo mundo, burocratas paranóicos vão ajustando a realidade aos seus delírios — dos babás ao rum que já não podem levar rum, às colheres de pau que passaram a ser de plástico. Interrogamo-nos: que raio de tipos serão estes que se lembram de criar leis sobre tais coisas?
O resultado está à vista: não andamos mais felizes. A paranóia alarga os seus tentáculos e um italiano é preso na Suécia por dar uma estalada ao filho; enquanto isso, as redes de pornografia infantil somem e seguem (a Casa Pia, topam?). Vivemos em regime esquizofrénico.
E a eutanásia no meio disto? Bom, a eutanásia é assim. Pela parte que me toca, gostaria que o Estado não se metesse na minha morte. Sei que não é simples, mas deveria bastar para começo de conversa.
09/09/11
O grau zero do pensamento ou deixem-me lá continuar de férias
08/09/11
A Parábola da Agulha (que para o eduquês já demos)
Longe de mim ter teorias sobre educação. Há poucas coisas, aliás, sobre as quais tenha teorias, apesar de Platão ser o meu pensador preferido pelo menos desde 1978, salvo erro, ano em que conclui que a sua Teoria das Ideias se podia resumir na boa a uma parábola contada algures por Herberto Helder.
Cito: “Levanto-me então da plateia e, por entre as metralhadoras esculpidas, conto de novo a parábola da agulha, que me obceca. Desentranhei-a de um velho manual. Trata-se de uma mulher que perdeu uma agulha na cozinha e a procura na varanda de sua casa. Acorre então o jovem que pretende ajudá-la, e pergunta: Que procura? — Uma agulha. Caiu-me na cozinha. Logo o inexperiente jovem se espanta muito e quer saber porque a procura ela na varanda. — Porque na cozinha está escuro — responde a mulher.”
Como presumo até os estudantes liceais de Filosofia saberão (supondo que ainda existam), na Caverna Platónica também fazia escuro p’ra caraças. Vai daí, o filósofo, que, como a mulher da parábola, nada tinha de parvo, foi à procura das Ideias noutro sítio.
Voltando à educação e ignorando os temas sindicais recorrentes – assunto sobre o qual “só sei que nada sei” –, o que eu gostaria mesmo era que alguém reflectisse a sério sobre isto: “Na geração que cresceu habituada às multitarefas, na era digital, os limites superiores da atenção no cérebro humano encontram-se em rápida expansão, algo que provavelmente levará à alteração de certos aspectos da consciência num futuro não muito distante, se tal não tiver já acontecido. Expandir a atenção traz vantagens óbvias, e as capacidades associativas geradas pelas multitarefas trazem vantagens espantosas; em contrapartida, poderá haver um custo em termos de aprendizagem, consolidação de memória e emoção. Não temos ainda ideia de qual poderá ser esse custo”, António Damásio, O Livro da Consciência.
Atendendo à dificuldade que há já em sentá-los (a que acresce a insistência na discussão estéril do “eduquês”), temo que o custo seja grande. E qualquer dia nem a agulha do Platão, perdão, do Herberto Helder, nos ajudará a encontrar o Norte.
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