23/07/11
Andou Sojourner Truth a lutar pela liberdade e igualdade para no séc. XXI se escreverem coisas destas [depois queixem-se do actual estado da Esquerda]
"Estas mulheres bebem e dizem palavrões, falam de sexo à mesa de um café e vomitam em sítios improváveis quando precisam e nunca pedem desculpa ao espectador por isso. Ou seja, têm personalidade."
[de um texto assinado TRS na revista Sábado, a propósito de um filme chamado "A Melhor Despedida de Solteira"
[de um texto assinado TRS na revista Sábado, a propósito de um filme chamado "A Melhor Despedida de Solteira"
22/07/11
Isto é um inquérito parlamentar! [e vai com ponto de exclamação e tudo]
[... mas, já agora, note-se a diferença entre o velho leão e o filho]
21/07/11
What a Dick!
Eduardo Pitta não pára de me surpreender. Após Cormac McCarthy, o versátil crítico comenta agora Por Este Mundo Acima, de Patrícia Reis, na revista Sábado.
Eduardo Pitta diz que Patrícia Reis “em poucos anos, marcou o território da voz própria”. Acrescenta que a “geografia dos afectos sobrepõe-se à desolação”, que o livro é um “corajoso exercício de mnemónica” e que “as personagens discreteiam com naturalidade sobre os mais diversos temas”.
Ficamos também a saber que há uma personagem chamada Pedro e que “o passado cabe inteiro num quarteirão em ruínas”.
Pitta exemplifica a “dimensão de destruição, terrífica, monumental, inesperada […] para mim como uma moldura do Mal onde Pedro se desloca, estrangeiro” (in Por Este Mundo Acima), citando outra passagem do romance que é assim: “A livraria municipal, a pastelaria da moda, o Galeto que fechava às duas e servia refeições a toda a hora.”
Apresenta-nos depois Sofia, “mulher-bunker” (Pitta) que não terá tido tempo de ser menina. Segundo o crítico, “entre os 7 e os 11 anos, o pai, veterano de guerra, não deixou. Cala os abusos e advém mulher”.
A seguir a Sofia advém um rapaz, Eduardo, cujo "altruísmo faz dele um homem"(Pitta), o qual, a dado momento, “parte outra bolacha em quatro, desajeitado, e oferece-me dois pedaços.” (in Por Este Mundo Acima)
Na "moldura do Mal" de Patrícia Reis há (Pitta dixit) uma “estação do metropolitano que sobra intacta para instalar um centro de dia.”; “No Inverno é um bom sítio para estar; para evitar o contacto com a chuva” (in Por Este Mundo Acima).
Mas onde a crítica de Pitta nos alucina mesmo é neste parágrafo: “Não sei se Patrícia Reis é ou foi leitora omnívora de Philip K. Dick, mas alguma coisa do seu (dele) universo fantasmático passou para este romance de uma Lisboa pós-hecatombe. A tradição oral sobrevive num punhado de versos de Ary dos Santos: “Agarro a madrugada/como se fosse uma criança,/uma roseira entrelaçada,/uma videira de esperança.”
Cormac McCarthy; Patrícia Reis; Philip K. Dick; Ary dos Santos. Insondáveis são os caminhos de Pitta!
Eduardo Pitta diz que Patrícia Reis “em poucos anos, marcou o território da voz própria”. Acrescenta que a “geografia dos afectos sobrepõe-se à desolação”, que o livro é um “corajoso exercício de mnemónica” e que “as personagens discreteiam com naturalidade sobre os mais diversos temas”.
Ficamos também a saber que há uma personagem chamada Pedro e que “o passado cabe inteiro num quarteirão em ruínas”.
Pitta exemplifica a “dimensão de destruição, terrífica, monumental, inesperada […] para mim como uma moldura do Mal onde Pedro se desloca, estrangeiro” (in Por Este Mundo Acima), citando outra passagem do romance que é assim: “A livraria municipal, a pastelaria da moda, o Galeto que fechava às duas e servia refeições a toda a hora.”
Apresenta-nos depois Sofia, “mulher-bunker” (Pitta) que não terá tido tempo de ser menina. Segundo o crítico, “entre os 7 e os 11 anos, o pai, veterano de guerra, não deixou. Cala os abusos e advém mulher”.
A seguir a Sofia advém um rapaz, Eduardo, cujo "altruísmo faz dele um homem"(Pitta), o qual, a dado momento, “parte outra bolacha em quatro, desajeitado, e oferece-me dois pedaços.” (in Por Este Mundo Acima)
Na "moldura do Mal" de Patrícia Reis há (Pitta dixit) uma “estação do metropolitano que sobra intacta para instalar um centro de dia.”; “No Inverno é um bom sítio para estar; para evitar o contacto com a chuva” (in Por Este Mundo Acima).
Mas onde a crítica de Pitta nos alucina mesmo é neste parágrafo: “Não sei se Patrícia Reis é ou foi leitora omnívora de Philip K. Dick, mas alguma coisa do seu (dele) universo fantasmático passou para este romance de uma Lisboa pós-hecatombe. A tradição oral sobrevive num punhado de versos de Ary dos Santos: “Agarro a madrugada/como se fosse uma criança,/uma roseira entrelaçada,/uma videira de esperança.”
Cormac McCarthy; Patrícia Reis; Philip K. Dick; Ary dos Santos. Insondáveis são os caminhos de Pitta!
20/07/11
A book a day keeps the doctor away: "A Vida que Podemos Salvar", Peter Singer

O mais recente livro do filósofo Peter Singer combina ética, política, ciência e filantropia e obriga-nos a reflectir sobre o nosso papel num mundo em que a pobreza, a fome e a morte por falta de cuidados médicos básicos atinge milhões de seres humanos (cerca de 1400 milhões vivem abaixo do limiar da pobreza, valor que o Banco Mundial estabeleceu como sendo de 1,25 dólares por dia).
A Vida que Podemos Salvar retoma o estilo habitual do autor, no qual ética e lógica formam um binómio indissociável. Nem sempre será totalmente convincente, apesar da argumentação parecer, em muitos aspectos, imbatível.
As premissas de que se parte são claras: o sofrimento e a morte por falta de alimento, abrigo e cuidados médicos são maus; se está no seu poder impedir que algo mau aconteça, sem sacrificar nada de importância semelhante, é errado não o fazer; ao contribuir para organizações humanitárias pode prevenir o sofrimento e a morte por falta de alimento, abrigo e cuidados médicos, sem sacrificar nada de importância semelhante; conclusão: se não fizer donativos a organizações humanitárias está a fazer algo errado.
Num país como Portugal onde a solidariedade é muitas vezes confundida com caridadezinha, os ricos são, maioritariamente, unhas-de-fome e a recusa de uma esmola se faz acompanhar do inacreditável “tenha paciência!” (além da miséria é preciso ainda suportá-la com resignação), este livro vem colocar algumas questões éticas prementes, independentemente da filantropia ser – ou não – a solução para a pobreza no mundo. Não será (e o filósofo não foge ao tema). A Vida que Podemos Salvar é, contudo, muito mais do que um manual filantrópico com exemplos concretos de ricos e famosos generosos ou avarentos. Da discussão moral ao debate científico sobre a biologia do altruísmo, Singer escreveu um livro que visa, sobretudo, tornar-nos melhores.
A Vida que Podemos Salvar, Peter Singer, Gradiva, 2011, tradução de Vítor Guerreiro
19/07/11
Eduardo Pitta comenta Cormac McCarthy: o resultado é apocalíptico
Eduardo Pitta escreveu sobre Cormac McCarthy na última edição da revista Sábado. Confirmei o que já sabia. Cormac McCarthy é um escritor de génio. Eduardo Pitta é um “crítico” medíocre.
Transcrevo o texto de Pitta com algumas anotações a itálico. Peço-vos só que não adormeçam: é que ele a mim dá-me sono.
«Por causa de um filme dos irmãos Coen, “Este País não É para Velhos”, Cormac McCarthy (n.1933) tornou-se o santo-e-senha das classes médias urbanas. [Escreve-se tornou-se no... mas isso ainda será o menos]
«Antes disso, quando comparado com Melville ou Faulkner, ainda McCarthy era ignorado pela maioria dos actuais devotos. Não se percebe. [Eu de certeza que não percebo. Terá McCarthy deixado, entretanto, de ser comparado a Melville ou a Faulkner por causa dos actuais devotos?]
«Afinal, há mais de duas décadas que o autor de “Nas Trevas Exteriores” é uma figura incontornável da literatura de língua inglesa. [Adoro o adjectivo “incontornável”: é quase tão bom como “giro” ou “interessante"]
«Dupla injustiça, se pensarmos que estão traduzidos em Portugal nove dos 10 romances que escreveu. Paulo Faria traduziu oito, um deles (“Meridiano de Sangue”, 1985) duas vezes, sendo a nova versão do fim de 2010.» [Longe de mim pôr em causa os dotes contabilísticos de Eduardo Pitta, um reformado do Ministério da Economia, mas não seria já altura de falar do livro? A não ser que se entenda que toda a prosa anterior visa insinuar que o incontornável Pitta há pelo menos duas décadas que lê Cormac McCarthy e nada de misturas com os actuais-devotos-das-classes-médias-urbanas, esses parolos que antes do filme dos Coen nunca tinham ouvido falar do homem...]
«”Nas Trevas Exteriores”, segundo livro de McCarthy, acaba de chegar às livrarias. A tragédia de Rinthy e Culla Holme foi publicada em 1968 sem que o tema do incesto entre irmãos tivesse provocado a rejeição universal que suscitaria hoje. [Alguém que explique a Pitta o que é uma parábola que eu agora não tenho tempo para temas fracturantes. E, já agora, alguém que lhe explique também que, não, o Nabokov não queria – na realidade – dormir com a Lolita].
«Pelo contrário, ajudou a consolidar a reputação sanguinária do autor, corroborada por críticos tão diferentes como Harold Bloom e James Wood. [Se o Pitta me conseguir mostrar onde é que os críticos citados chamaram sanguinário ao McCarthy, juro que vou de joelhos a Fátima].
«A tradução traz o selo inconfundível de Faria: “A criança lançou brados como imprecações, amaldiçoando o obscuro mundo paludoso da sua natividade, urro após urro, enquanto ele ali jazia a balbuciar com os gonzos da mandíbula paralisados, as mãos a repelir a noite como um Paracleto néscio sitiado por todos os clamores do limbo.” McCarthy e Faria dão o mais alto conseguimento ao horror, ilustrado na imagem do esqueleto do bufarinheiro a desfazer-se ao vento, “suspenso naquela floresta solitária como uma gaiola feita de osso.”
«Centrada em Appalachia, uma região inóspita da Virgínia, a intriga é linear: Rinthy e Culla Holme têm um filho que o rapaz abandona (ainda bebé) na floresta. [1. Se Pitta se tivesse dado ao trabalho de ler pelo menos o Prefácio do tradutor que tanto parece elogiar teria lido isto: “Se nos três outros romances da primeira fase da obra de McCarthy [...] a minuciosa localização geográfica serve de matriz a uma narrativa tantas vezes habitada por espectros e por criaturas fantásticas, em Nas Trevas Exteriores o local onde tudo se passa é bem menos claro: estamos no Sul dos Estados Unidos, é certo, mas onde? No Tennessee onde McCarthy viveu infância e juventude não deverá ser, já que aí não existem aligátores que possam soltar bramidos surdos nas margens dos rios. O cenário impreciso reforça a atmosfera onírica que tudo envolve...” 2. E se se tivesse dado ao trabalho de ler apenas as 12 primeiras páginas do livro saberia que Culla Holme não abandona o filho ainda bebé – mas imediatamente após Rinthy ter dado à luz. 3. Quanto à “intriga linear”, aconselhava-o a ler um pouco mais do que resumos na NET...]
«O interesse radica na economia discursiva com que o autor narra os factos, sem trair preciosismos dialectais dos nativos. [Querem lá ver que o Pitta leu o livro no original e decifrou os "preciosismos dialectais dos nativos", enquanto os próprios americanos continuam às aranhas?]
«Os excessos barrocos da linguagem de McCarthy sobrelevam a violência e devastação geral, detalhe que se tornou lugar-comum em livros posteriores. [1. Não há nenhuma devastação geral em "Nas Trevas Exteriores" (Pitta deve ter visto “A Estrada” do John Hillcoat, filme inspirado no livro homónimo de McCarthy e confundiu tudo...) e se houvesse nunca seria um detalhe; 2. alguém lhe devia explicar a diferença entre “comum” e “lugar-comum”]
«Não obstante, “Nas Trevas Exteriores” tem uma quota nítida: “Holme viu a lâmina relampejar à luz como um comprido olho de gato, oblíquo e malévolo, e um sorriso escuro irrompeu na garganta do menino e alargou-se, todo ele disforme, sobre a pele do pescoço.” [A quota será nítida, mas que raio quererá Pitta dizer?]
«McCarthy faz a cartografia da violência americana como ninguém antes ou depois dele. [Blá... blá... blá...]
«Contudo, apesar de toda a eloquência, “Nas Trevas Exteriores” está longe da fúria apocalíptica de “Meridiano de Sangue”. [Dado o extraordinário naco de prosa transcrito, sei lá eu se Pitta folheou o “Meridiano de Sangue”!]
Resumindo: Ainda falam da Lili Caneças!
Transcrevo o texto de Pitta com algumas anotações a itálico. Peço-vos só que não adormeçam: é que ele a mim dá-me sono.
«Por causa de um filme dos irmãos Coen, “Este País não É para Velhos”, Cormac McCarthy (n.1933) tornou-se o santo-e-senha das classes médias urbanas. [Escreve-se tornou-se no... mas isso ainda será o menos]
«Antes disso, quando comparado com Melville ou Faulkner, ainda McCarthy era ignorado pela maioria dos actuais devotos. Não se percebe. [Eu de certeza que não percebo. Terá McCarthy deixado, entretanto, de ser comparado a Melville ou a Faulkner por causa dos actuais devotos?]
«Afinal, há mais de duas décadas que o autor de “Nas Trevas Exteriores” é uma figura incontornável da literatura de língua inglesa. [Adoro o adjectivo “incontornável”: é quase tão bom como “giro” ou “interessante"]
«Dupla injustiça, se pensarmos que estão traduzidos em Portugal nove dos 10 romances que escreveu. Paulo Faria traduziu oito, um deles (“Meridiano de Sangue”, 1985) duas vezes, sendo a nova versão do fim de 2010.» [Longe de mim pôr em causa os dotes contabilísticos de Eduardo Pitta, um reformado do Ministério da Economia, mas não seria já altura de falar do livro? A não ser que se entenda que toda a prosa anterior visa insinuar que o incontornável Pitta há pelo menos duas décadas que lê Cormac McCarthy e nada de misturas com os actuais-devotos-das-classes-médias-urbanas, esses parolos que antes do filme dos Coen nunca tinham ouvido falar do homem...]
«”Nas Trevas Exteriores”, segundo livro de McCarthy, acaba de chegar às livrarias. A tragédia de Rinthy e Culla Holme foi publicada em 1968 sem que o tema do incesto entre irmãos tivesse provocado a rejeição universal que suscitaria hoje. [Alguém que explique a Pitta o que é uma parábola que eu agora não tenho tempo para temas fracturantes. E, já agora, alguém que lhe explique também que, não, o Nabokov não queria – na realidade – dormir com a Lolita].
«Pelo contrário, ajudou a consolidar a reputação sanguinária do autor, corroborada por críticos tão diferentes como Harold Bloom e James Wood. [Se o Pitta me conseguir mostrar onde é que os críticos citados chamaram sanguinário ao McCarthy, juro que vou de joelhos a Fátima].
«A tradução traz o selo inconfundível de Faria: “A criança lançou brados como imprecações, amaldiçoando o obscuro mundo paludoso da sua natividade, urro após urro, enquanto ele ali jazia a balbuciar com os gonzos da mandíbula paralisados, as mãos a repelir a noite como um Paracleto néscio sitiado por todos os clamores do limbo.” McCarthy e Faria dão o mais alto conseguimento ao horror, ilustrado na imagem do esqueleto do bufarinheiro a desfazer-se ao vento, “suspenso naquela floresta solitária como uma gaiola feita de osso.”
«Centrada em Appalachia, uma região inóspita da Virgínia, a intriga é linear: Rinthy e Culla Holme têm um filho que o rapaz abandona (ainda bebé) na floresta. [1. Se Pitta se tivesse dado ao trabalho de ler pelo menos o Prefácio do tradutor que tanto parece elogiar teria lido isto: “Se nos três outros romances da primeira fase da obra de McCarthy [...] a minuciosa localização geográfica serve de matriz a uma narrativa tantas vezes habitada por espectros e por criaturas fantásticas, em Nas Trevas Exteriores o local onde tudo se passa é bem menos claro: estamos no Sul dos Estados Unidos, é certo, mas onde? No Tennessee onde McCarthy viveu infância e juventude não deverá ser, já que aí não existem aligátores que possam soltar bramidos surdos nas margens dos rios. O cenário impreciso reforça a atmosfera onírica que tudo envolve...” 2. E se se tivesse dado ao trabalho de ler apenas as 12 primeiras páginas do livro saberia que Culla Holme não abandona o filho ainda bebé – mas imediatamente após Rinthy ter dado à luz. 3. Quanto à “intriga linear”, aconselhava-o a ler um pouco mais do que resumos na NET...]
«O interesse radica na economia discursiva com que o autor narra os factos, sem trair preciosismos dialectais dos nativos. [Querem lá ver que o Pitta leu o livro no original e decifrou os "preciosismos dialectais dos nativos", enquanto os próprios americanos continuam às aranhas?]
«Os excessos barrocos da linguagem de McCarthy sobrelevam a violência e devastação geral, detalhe que se tornou lugar-comum em livros posteriores. [1. Não há nenhuma devastação geral em "Nas Trevas Exteriores" (Pitta deve ter visto “A Estrada” do John Hillcoat, filme inspirado no livro homónimo de McCarthy e confundiu tudo...) e se houvesse nunca seria um detalhe; 2. alguém lhe devia explicar a diferença entre “comum” e “lugar-comum”]
«Não obstante, “Nas Trevas Exteriores” tem uma quota nítida: “Holme viu a lâmina relampejar à luz como um comprido olho de gato, oblíquo e malévolo, e um sorriso escuro irrompeu na garganta do menino e alargou-se, todo ele disforme, sobre a pele do pescoço.” [A quota será nítida, mas que raio quererá Pitta dizer?]
«McCarthy faz a cartografia da violência americana como ninguém antes ou depois dele. [Blá... blá... blá...]
«Contudo, apesar de toda a eloquência, “Nas Trevas Exteriores” está longe da fúria apocalíptica de “Meridiano de Sangue”. [Dado o extraordinário naco de prosa transcrito, sei lá eu se Pitta folheou o “Meridiano de Sangue”!]
Resumindo: Ainda falam da Lili Caneças!
18/07/11
A Europa e os Bárbaros
Desculpar-me-ão os leitores deste post o tom vagamente confessional (e, já agora, o meu gosto quiçá inflacionado pelos advérbios de modo).
Paris, uma punhalada no coração, escreveu Jack Kerouac; cito-o e subtraio-lhe a conotação poética.
Foi em Paris que me estreei no rigoroso controlo policial dos “papéis” (os Petits Papiers cantados por Gainsbourg), Barbès-Rochechouart, zona habitada maioritariamente por árabes, únicos viajantes tardios do último Metro sujeitos a identificação que a mim me gritavam sempre “Allez! Allez!”, até que uma vez fiz questão em ir para a fila, passaporte na mão, estrangeira, também eu.
Foi em Paris, aussi, que aprendi a distinguir racismo de xenofobia ao som da Linda de Suza que nesse dia não cantou. Convidada de um programa televisivo sobre emigração, falava quando o chefe de família da casa – homem de trato adorável – exclamou entre dois pinard: Estes portugueses estão em todo o lado! e, reparando depois no silêncio que se fizera à mesa, olhou para mim e sorriu: Não é contigo. Tu até podias ser francesa, cumprimento envenenado que, ainda hoje, julgo ter ficado a dever-se ao facto de gostar de camembert, cognac e falar francês sem “acento”.
Tudo isto aconteceu antes de termos lugar na Europa; éramos, então, cidadãos de segunda e emigrantes de terceira.
O meu amigo mexicano foi impedido de entrar em Espanha este mês. Destino: Madeira. Motivo: férias.
24 horas preso em Madrid, sem passaporte, sem máquina fotográfica, sem telemóvel e sem cinto das calças (apreendido). Devolvido à procedência por falta de documentação.
A saber. Reserva de hotel paga. Ok. Responsável pela estadia. Ok. Cartão de crédito. Ok.
Papéis em falta: comprovativo de depósito de 5200 euros (!) obrigatoriamente feito no México (!!), carta-convite (documento obscuro do qual as autoridades teriam de ser informadas com um mês de antecedência, de modo a poderem confirmar a sua veracidade).
Azar o dele, pois, ter nascido mexicano e sorte a minha ter nascido portuguesa (apesar de tudo, não é?).
Paris, uma punhalada no coração, escreveu Jack Kerouac; cito-o e subtraio-lhe a conotação poética.
Foi em Paris que me estreei no rigoroso controlo policial dos “papéis” (os Petits Papiers cantados por Gainsbourg), Barbès-Rochechouart, zona habitada maioritariamente por árabes, únicos viajantes tardios do último Metro sujeitos a identificação que a mim me gritavam sempre “Allez! Allez!”, até que uma vez fiz questão em ir para a fila, passaporte na mão, estrangeira, também eu.
Foi em Paris, aussi, que aprendi a distinguir racismo de xenofobia ao som da Linda de Suza que nesse dia não cantou. Convidada de um programa televisivo sobre emigração, falava quando o chefe de família da casa – homem de trato adorável – exclamou entre dois pinard: Estes portugueses estão em todo o lado! e, reparando depois no silêncio que se fizera à mesa, olhou para mim e sorriu: Não é contigo. Tu até podias ser francesa, cumprimento envenenado que, ainda hoje, julgo ter ficado a dever-se ao facto de gostar de camembert, cognac e falar francês sem “acento”.
Tudo isto aconteceu antes de termos lugar na Europa; éramos, então, cidadãos de segunda e emigrantes de terceira.
O meu amigo mexicano foi impedido de entrar em Espanha este mês. Destino: Madeira. Motivo: férias.
24 horas preso em Madrid, sem passaporte, sem máquina fotográfica, sem telemóvel e sem cinto das calças (apreendido). Devolvido à procedência por falta de documentação.
A saber. Reserva de hotel paga. Ok. Responsável pela estadia. Ok. Cartão de crédito. Ok.
Papéis em falta: comprovativo de depósito de 5200 euros (!) obrigatoriamente feito no México (!!), carta-convite (documento obscuro do qual as autoridades teriam de ser informadas com um mês de antecedência, de modo a poderem confirmar a sua veracidade).
Azar o dele, pois, ter nascido mexicano e sorte a minha ter nascido portuguesa (apesar de tudo, não é?).
17/07/11
16/07/11
15/07/11
14/07/11
Apesar do novo imposto, a silly season é a silly season
As revelações da Lilli.
Pessoalmente, este é o meu momento preferido (manias literárias): Obrigada eu. Não se esqueça de pagar o meu sumo.
Pessoalmente, este é o meu momento preferido (manias literárias): Obrigada eu. Não se esqueça de pagar o meu sumo.
Assis versus Seguro e Seguro versus Assis
(...) a campanha para as directas do PS reúne todas as condições para se tornar num dos mais fastidiosos momentos da vida política portuguesa. Ainda bem que eles têm o bom senso de a fazer quando mais de metade está a banhos e a outra parte a pensar fazer o mesmo!DAQUI
13/07/11
12/07/11
11/07/11
A book a day keeps the doctor away: "A Toupeira", John le Carré
John le Carré é um daqueles nomes que não precisa de apresentações. Ao lado de Ian Fleming, pai do 007, le Carré é o escritor mais famoso de romances de espionagem do século XX. A ter de escolher entre os dois, o autor de A Toupeira seria naturalmente o eleito. Assim como não hesitaria entre James Bond e George Smiley. Enquanto o primeiro é apenas um “boneco” bem esgalhado, George Smiley é uma personagem “de carne e osso” (a melhor definição de Bond, deu-a, aliás, o próprio le Carré: “A impressão que dava é que [Bond] cometeria as mesmas proezas ao serviço de qualquer país, desde que as mulheres fossem bonitas e os Martinis fossem secos.”).
A editora D. Quixote acaba precisamente de reeditar A Toupeira, um livro que tem Smiley como protagonista e a denúncia de um agente duplo ao serviço dos soviéticos como fio condutor. A trama é bem esgalhada mas o que logo sobressai é o retrato das personagens, a começar pela do espião britânico na reforma.
A editora D. Quixote acaba precisamente de reeditar A Toupeira, um livro que tem Smiley como protagonista e a denúncia de um agente duplo ao serviço dos soviéticos como fio condutor. A trama é bem esgalhada mas o que logo sobressai é o retrato das personagens, a começar pela do espião britânico na reforma.
Verdadeiro anti-herói, fisicamente decadente, introspectivo e com um casamento falhado (a forma como lida com a infidelidade da mulher é um magnífico traço do seu carácter), Smiley conduz paulatinamente a investigação, toda ela assente em episódios do passado que a memória de agentes lançados ao ostracismo vai desenterrando.
História adulta com a Guerra-fria em fundo, A Toupeira recusa qualquer visão maniqueísta do mundo, sobretudo, qualquer visão maniqueísta dos homens.
O suspense domina mas o que assombra é a inteligência de le Carré, capaz de nos envolver num enredo de espiões nostálgicos e simultaneamente implacáveis. Além disso, o que pode ser mais romanesco do que a descodificação de um duplo? E se a espionagem perdeu há muito o glamour, George Smiley, esse, continua a comover-nos. Enigmático... e enigmaticamente.
A Toupeira, John le Carré, D. Quixote, 2011
A Toupeira, John le Carré, D. Quixote, 2011
10/07/11
Mais um que percebe à brava de clítoris
Não há nada mais feminino do que dizer mal de tudo e por tudo. Ora tendo a sociedade portuguesa características vincadamente femininas, não é de estranhar, portanto, que “as meninas” se entretenham a zurzir o novo governo, a propósito de tudo e de nada.O número de ministros, o número de secretários de estado, o tamanho dos ministérios, o passado dos governantes, a extinção dos Governos Civis, as privatizações, o imposto especial sobre o subsídio de Natal, etc.
Este maldizer não significa literalmente nada. É falar por falar! Se não fossem estas coisas eram outras, as meninas não ficariam caladas.
A verdade é que o governo tem apenas treze "diinhas" de vida, tem um programa minimamente consistente (Troika oblige) e conta com um plantel de luxo, de pessoas capazes e conhecedoras da nossa realidade.
Qualquer comparação com o governo anterior é uma hipérbole tão histérica que só serve para sublinhar o frenesim clitoridiano das meninas.
Se o novo governo for minimamente viril, digo, ponderado e determinado, vai ignorar completamente este cacarejar e prosseguir sem hesitações com o seu programa. Ao fim e ao cabo, é isto que as meninas esperam e desejam de um homem, que as ignore completamente. Só desse modo é que elas lhe vão comer à mão e abrir... o coraçãozinho.
A PÉROLA TRANSCRITA FOI DESCOBERTA AQUI
Este maldizer não significa literalmente nada. É falar por falar! Se não fossem estas coisas eram outras, as meninas não ficariam caladas.
A verdade é que o governo tem apenas treze "diinhas" de vida, tem um programa minimamente consistente (Troika oblige) e conta com um plantel de luxo, de pessoas capazes e conhecedoras da nossa realidade.
Qualquer comparação com o governo anterior é uma hipérbole tão histérica que só serve para sublinhar o frenesim clitoridiano das meninas.
Se o novo governo for minimamente viril, digo, ponderado e determinado, vai ignorar completamente este cacarejar e prosseguir sem hesitações com o seu programa. Ao fim e ao cabo, é isto que as meninas esperam e desejam de um homem, que as ignore completamente. Só desse modo é que elas lhe vão comer à mão e abrir... o coraçãozinho.
A PÉROLA TRANSCRITA FOI DESCOBERTA AQUI
09/07/11
And here we go again
Há falta de dinheiro? Aumentem-se os impostos! A fórmula é simples, oferece séculos de garantia e apresenta uma única falha: não tem aplicação doméstica.
O Estado português acaba de a pôr novamente em prática criando um imposto extraordinário, tanto mais extraordinário quanto o actual primeiro-ministro havia há bem pouco considerado um “disparate” cortar o que quer que fosse nos subsídios. Será, afinal, no natalício e aplica-se a cristãos, agnósticos, ateus e prosélitos de quaisquer credos. É universal. Tão universal que se estende também... a quem não recebe subsídio, ou seja, aos chamados freelancer.
Segundo a Wikipédia, a primeira vez que a palavra freelancer apareceu cunhada foi em 1918 no Ivanhoe de Walter Scott, referindo-se o escritor a cavaleiros mercenários que lutavam por quem lhes pagasse mais. Pessoalmente, contudo, prefiro a definição avançada já no século XX pelo irlandês Brendan Behan: “The freelance writer is a man who is paid per piece or per word or perhaps”.
Em Portugal, este ano, seja o freelancer pago à peça, à palavra ou talvez, uma coisa é certa: leva com o novo imposto e deixemo-nos de minudências.
Dito isto, alguém podia também perguntar ao governo onde foi ele buscar a taxa de 50%. Isto porque, naturalmente, 50% de um subsídio de 600 euros não é o mesmo que 50% de um subsídio de 6 mil. A quem iria receber um subsídio de 6 mil euros, bastar-lhe-á, talvez, seguir os conselhos avançados por José António Saraiva na edição do semanário SOL de 20 de Junho passado.
I quote: trocar o Mercedes E pelo Mercedes C ou o Audi 6 pelo Audi 4, o champanhe Moët & Chandon pelo patriótico Raposeira, o fato Armani por um Dielmar, cortar nas idas ao esteticista e cabeleireiro, preferir detergentes marca branca, evitar os terríveis tempos mortos nos aeroportos mais o risco da perda de bagagens e fazer férias cá dentro, ou, fazendo-as lá fora, optar pela classe turística em vez de insistir na 1ª ou mesmo na Executiva.
Entretanto, o resto da malta faz o quê? Poupa nos jornais e deixa de comprar o SOL?
O Estado português acaba de a pôr novamente em prática criando um imposto extraordinário, tanto mais extraordinário quanto o actual primeiro-ministro havia há bem pouco considerado um “disparate” cortar o que quer que fosse nos subsídios. Será, afinal, no natalício e aplica-se a cristãos, agnósticos, ateus e prosélitos de quaisquer credos. É universal. Tão universal que se estende também... a quem não recebe subsídio, ou seja, aos chamados freelancer.
Segundo a Wikipédia, a primeira vez que a palavra freelancer apareceu cunhada foi em 1918 no Ivanhoe de Walter Scott, referindo-se o escritor a cavaleiros mercenários que lutavam por quem lhes pagasse mais. Pessoalmente, contudo, prefiro a definição avançada já no século XX pelo irlandês Brendan Behan: “The freelance writer is a man who is paid per piece or per word or perhaps”.
Em Portugal, este ano, seja o freelancer pago à peça, à palavra ou talvez, uma coisa é certa: leva com o novo imposto e deixemo-nos de minudências.
Dito isto, alguém podia também perguntar ao governo onde foi ele buscar a taxa de 50%. Isto porque, naturalmente, 50% de um subsídio de 600 euros não é o mesmo que 50% de um subsídio de 6 mil. A quem iria receber um subsídio de 6 mil euros, bastar-lhe-á, talvez, seguir os conselhos avançados por José António Saraiva na edição do semanário SOL de 20 de Junho passado.
I quote: trocar o Mercedes E pelo Mercedes C ou o Audi 6 pelo Audi 4, o champanhe Moët & Chandon pelo patriótico Raposeira, o fato Armani por um Dielmar, cortar nas idas ao esteticista e cabeleireiro, preferir detergentes marca branca, evitar os terríveis tempos mortos nos aeroportos mais o risco da perda de bagagens e fazer férias cá dentro, ou, fazendo-as lá fora, optar pela classe turística em vez de insistir na 1ª ou mesmo na Executiva.
Entretanto, o resto da malta faz o quê? Poupa nos jornais e deixa de comprar o SOL?
08/07/11
Pobrezinhos mas honestos versão ou há moralidade ou comem todos
Uma onda de indignação varre o país. Unânime. Patriótica. Viril.
Ricardo Salgado, do enigmático BES, optou pela metáfora e desenhou um cenário de batalha naval com Portugal a levar um "tiro certeiro". António Sousa, da Associação Portuguesa de Bancos, diz que não percebe. Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos considerou-se insultado e clama por moralidade.
Cavaco Silva, que até há bem pouco achava que os mercados, coisa tão ou mais enigmática do que o BES, tinham sempre razão, apela agora à Europa para os pôr no sítio. Durão Barroso, que emigrou para Bruxelas, entre outras coisas por não os ter no sítio, confessou em público o seu pesar: “Estou muito desiludido".
Mira Amaral, ex-ministro da Indústria (ainda haverá indústria?), num momento de radicalidade inaudita, falou em “terrorismo”. Alberto João Jardim foi mais longe e mais claro: na Madeira, os gajos e as gajas da Moody’s não entram mais. Que vão comer favas acaralhadas para a terra deles.
Mal se soube do murro no estômago que acertou Passos Coelho, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público enviou uma carta aos credores criticando a decisão da Moody’s e garantindo que Portugal vai “cumprir todas as suas obrigações internacionais”.
Os portugueses anónimos, por seu turno, criaram páginas no Facebook e desataram a mandar pelo correio sacos do lixo para a Moody's.
Ricardo Salgado, do enigmático BES, optou pela metáfora e desenhou um cenário de batalha naval com Portugal a levar um "tiro certeiro". António Sousa, da Associação Portuguesa de Bancos, diz que não percebe. Faria de Oliveira, da Caixa Geral de Depósitos considerou-se insultado e clama por moralidade.
Cavaco Silva, que até há bem pouco achava que os mercados, coisa tão ou mais enigmática do que o BES, tinham sempre razão, apela agora à Europa para os pôr no sítio. Durão Barroso, que emigrou para Bruxelas, entre outras coisas por não os ter no sítio, confessou em público o seu pesar: “Estou muito desiludido".
Mira Amaral, ex-ministro da Indústria (ainda haverá indústria?), num momento de radicalidade inaudita, falou em “terrorismo”. Alberto João Jardim foi mais longe e mais claro: na Madeira, os gajos e as gajas da Moody’s não entram mais. Que vão comer favas acaralhadas para a terra deles.
Mal se soube do murro no estômago que acertou Passos Coelho, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público enviou uma carta aos credores criticando a decisão da Moody’s e garantindo que Portugal vai “cumprir todas as suas obrigações internacionais”.
Os portugueses anónimos, por seu turno, criaram páginas no Facebook e desataram a mandar pelo correio sacos do lixo para a Moody's.
Em resumo, a pátria grita em uníssono: “contra as agências de rating, marchar, marchar!”
É comovente e há já quem diga que os gregos têm os olhos postos em nós.
07/07/11
Passos Coelho levou um murro no estômago por engano
Segundo o sempre bem informado "IMPRENSA FALSA" Moody’s não se terá apercebido que Sócrates saiu do Governo, daí o murro que acabou por acertar Passos Coelho.
«A agência de notação financeira Moody’s baixou hoje a classificação de Portugal para lixo, mas o Imprensa Falsa sabe que tudo não passa de um equívoco.
Contactada pelo Imprensa Falsa, a Moody’s ficou surpreendida ao saber que Sócrates já saiu do Governo. "No! Really!? Socrates gave the rocket!?", em português: "Não! A sério!? O Sócrates deu o foguete!?"
Com esta informação, a Moody’s prometeu então rever o rating, sobretudo quando soube que Carlos Moedas está no executivo. "No! Really!? Charles Coins!? That means Aaa! Congratulations Portugal!"»
«A agência de notação financeira Moody’s baixou hoje a classificação de Portugal para lixo, mas o Imprensa Falsa sabe que tudo não passa de um equívoco.
Contactada pelo Imprensa Falsa, a Moody’s ficou surpreendida ao saber que Sócrates já saiu do Governo. "No! Really!? Socrates gave the rocket!?", em português: "Não! A sério!? O Sócrates deu o foguete!?"
Com esta informação, a Moody’s prometeu então rever o rating, sobretudo quando soube que Carlos Moedas está no executivo. "No! Really!? Charles Coins!? That means Aaa! Congratulations Portugal!"»
06/07/11
A Morgada de V viu a luz e a Fátima Campos Ferreira que são uma e a mesma coisa. Não é nada tranquilizador
Transcrevo o final porque no final está tudo.
«(...) Fátima Campos Ferreira aponta a saída. “E vamos para a frente, porque há mais vida! Continuamos a viver neste lindo rectângulo à beira-mar, no sul da Europa! Vamos continuar a viver, a estar cá! E alguma coisa se há-de arranjar! Nós havemos de sair disto! Boa noite, até para a semana!”.
Visionárias palavras: confirmo que tenho planos para estar viva na próxima semana, mas é pouco provável que consiga “estar cá”, se puder evitá-lo. Confio em qualquer caso que o país saia disto sem mim, e até, quem sabe, sem a Fátima Campos Ferreira.»
04/07/11
Será de chamar a polícia?
Nos anos 80, Marguerite Yourcenar estava na moda em Portugal. O Dallas também mas não é isso que me traz.Yourcenar — uma senhora que me reconciliou com o chamado “romance histórico” (bocejo...) via A Obra ao Negro (aplauso prolongado...) — afirmou numa longa conversa com Mathieu Galey (transposta para o livro De Olhos Abertos) que, fora ela adepta da pena de morte (não era…), a violação seria um dos crimes aos quais a aplicaria. Dito isto, logo de seguida acrescenta, indiferente ao escândalo que as suas palavras poderiam provocar, inferir em certos casos de estupro algo a que chama “provocação feminina, consciente ou não”.
Para alguns, simplificando-lhe a linguagem (sacrilégio...), tal não passaria de uma versão cultivada do “Estava mesmo a pedi-las!”, o pressuposto infeliz da frase do polícia canadiano que esteve na origem das SlutWalk, manifestação que em Portugal ganhou o pitoresco nome de “Marcha das Galdérias”.
O mote do movimento é claríssimo: “Não é não!”. Estou de acordo. Mini-saias, decotes, saltos-agulha, hot pans e etc. não devem ser vistos como atenuantes em caso de atentado às suas portadoras e, muito menos, como justificativo. Se alguém quiser vestir-se de Lady Gaga e sair à rua, deverá poder fazê-lo em segurança, embora a mim, pessoalmente, me custe perceber por que razão há-de alguém querer vestir-se de Lady Gaga e sair à rua.
Assente o pressuposto — não é não, uma vítima é uma vítima e um crime é um crime por muito, pouco (ou mesmo pessimamente) vestidas que as mulheres apareçam em público — já querer criminalizar piropos e assobios julgo que nem na Arábia Saudita.
Tatiana Mendes, coordenadora de um estudo da UMAR sobre assédio sexual, deu-os, contudo, como exemplos das coisas intoleráveis a que as mulheres se sujeitam e que justificariam uma lei mais dura.
Pergunto-me, então, o que faria Tatiana se fosse homem e a Mae West lhe dissesse, como disse, a man has one hundred dollars and you leave him with two dollars; that's subtraction. Chamava-lhe sua galdéria ou chamava só a polícia?
03/07/11
02/07/11
Ceci, naturalmente, ce n'est pas une polémique
Há pessoas de quem gosto muito. Há pessoas de quem gosto. Ponto.
Há ainda pessoas que me são indiferentes (a maioria). E outras que me dão sono. Pitta pertence a esta última categoria. Faz-lhe companhia João Carlos Espada.
Ambos parecem cultivar uma leitura sui generis do "estilo british", versão Rainha Vitória, embora o primeiro seja conhecido pelo seu apoio aos chamados "temas fracturantes". Deduzo, talvez erroneamente, que Espada o tenha adoptado ofuscado por Oxford e Pitta em alguma farm próxima da África do Sul.
Seja como for, os dois recordam-me sempre a resposta de uma amiga a um beto armado aos cágados com quem ela se cruzou um dia.
Diz o beto armado aos cágados: "A mãe morreu!" Responde a minha amiga: "A tua! A minha está viva e de excelente saúde".
Resumindo. Ao contrário da Rainha citada, we are most amused com a dúvida que tomou de assalto Pitta, a qual nos propomos, aliás, esclarecer de imediato: não, não fomos convidadas para secretariar pessoalmente João Gonçalves.
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