31/01/11

Egipto: quando toca a negócios, a democracia pode esperar...

A forma vergonhosa (e envergonhada) como o Ocidente vem reagindo ao que se passa no Egipto é mais uma prova, se provas fossem precisas, da tremenda hipocrisia que domina a política internacional.
Mohamed El Baradei chamou-lhe farsa:
The American government cannot ask the Egyptian people to believe that a dictator who has been in power for 30 years will be the one to implement democracy (...) This is really a farce. I mean, people here could be poor, but they're intelligent.


28/01/11

Eu estou com o Céline, pas vous?

Esta soit disant polémica será muito afrancesada, mas não deixa de ser paradigmática da pobreza de ideias que substitui hoje os debates a sério.
O autor do extraordinário Viagem ao Fim da Noite foi excluído das comemorações oficiais em França.

[E confesso já que Viagem ao Fim da Noite deve ter sido o livro que mais me custou a ler até hoje. Não pelo tamanho, não pela dificuldade, certamente não pela falta de interesse. Apenas porque dali ninguém sai vivo — incluindo o leitor.]

22/01/11

As mesas ainda não fecharam mas também não será por isto que a pátria correrá perigo

Dizem por aí que há eleições presidenciais. Uma frescura de cidadania, um rendez-vous caricioso e inviolável, uns ex-votos constitucionais. Pode ser que sim! Como deparámos com uma zarzuela política provinciana, utilíssima para encarapuçar indígenas falidos e despeitados, inspirada & estrugida por uns curiosos artistas prometendo o visionamento de novos amanhãs celestiais ou financeiros, é muito conjecturável existir tão caridoso evento.

Não fora a colónia dos rapazes dos jornais grasnando o pavor pela reputação lendária do fuhrer Angela Merkel e as finanças nativas pós eleitorais, o alvoroço condimentado pelas agências de rating articulado por ex-economistas [gute nacht! frau Teodora Cardoso] ou as réplicas simplórias do "mártir" dr. Cavaco Silva nos saraus televisivos, quase que apostávamos que não. Que eleições presidenciais eram no tempo em que havia homens probos, cavalheiros de carácter e de bons costumes. Não agora.

Mas pode ser que sim, que um dia haja eleições, já que alguns espíritos superiores como o dr. Marques Mendes, o padre-mestre Emídio Rangel & a sua lança socrática, sem esquecer a casta Helena Matos (oh! a geração do 69) e a presença iluminante do perigoso lidador esquerdista Pedro Adão e Silva, a ela (presidenciais) deram acolhimento, bizarria e musculação.

Ao que nos dizem os troveiros, o candidato Cavaco Silva (e a sua Maria) tem o morgadio do Palacete de Belém por mais uns tempos. O raminho de "democratas" praticantes que se aprestam a colocar a écharpe para ensaiar o novo (ex)reportório cavaquista está em franco movimento. O talento da gente bizarra do ex-BPN, o contágio financeiro da sopa dos ricos do sr. Fantasia & Cia, a prosa enlevada de Lobo Xavier e a pesporrência do arq. Saraiva do Sol – conhecidos trampolinistas - vão dar, certamente, a táctica e estratégia futura para que o dr. Cavaco graciosamente prospere in limine, enquanto o sr. Sócrates pode segurar a comédia a que nos habituou. Duas almas gémeas!

No resto, e entretanto, os defuntos do PSD podem (des)esperar, que fenecem descalços. O pieds-de-nez costumeiro do dr. Cavaco à política ou a sua prosápia sobre o carácter humano engrossou o aranzel indígena, mesmo entre os seus acólitos e demais cativos. A coisa está negra, mesmo para o futuro presidente. Quanto a nós, pouco dados a albardas ou a meneios que não sejam as da liberdade e virtude cívica, teremos de nascer duas vezes para acreditar que corre por aí qualquer excerto eleitoral. Mesmo sabendo que "nada é mais atraente que as coisas desonestas" [Ovídio], não ficaremos na foto para a posteridade. Sans rancune.

[daqui, de onde mais poderia ser?]

21/01/11

Declaração de voto e de perplexidade

Anda por aí uma malta que, face à presumível vitória do Cavaco nas eleições para a presidência, acusa quem não vota nele de lhe estar a entregar o cargo de bandeja.
Fazem umas contas e uns raciocínios tortuosos que me dão dores de cabeça, tipo quadradura do círculo ou do género "mais vale mal acompanhado do que só" (princípio que parece resultar em muitos casamentos, mas que, aplicado à política, conduz ao que está à vista: de vitória em vitória até à derrota final)
Vão-me, pois, perdoar, mas eu sou uma rapariga simples. Não voto no Cavaco e também não voto em nenhum dos outros candidatos, simplesmente, porque não gosto de nenhum (como na lenga-lenga).
E escusam de se pôr aos berros a dizer que a pátria está em perigo!

Só para informar que a Menina Limão se declarou ao IRS mas que eu, dada a minha lamentável experiência, temo que a coisa acabe mal

Entretanto, e apesar desse deslize fruto certamente de uma precipitação juvenil, continuo a gostar (e muito) do blogue dela.