28/02/10

Pois é, isto anda por aí muita gente deprimida

Apesar da auto-estima de Amado que garante que lá fora é só elogios, nunca vi tanta gente deprimida por metro quadrado. Tenho para mim que tudo começou quando os portugueses assistiram pela tv às lágrimas de Carlos Cruz (claro que também podíamos recuar aos tempos de Afonso Henriques para concluir que uma nação que começa com um filho a tentar matar a mãe não augura grande futuro...).
Sem ir tão longe, diria que a partir do choro em directo tudo se precipitou. A crise ajudou à festa, Sócrates ajudou à festa, o PS ajudou à festa, o PSD ajudou à festa, o CDS ajudou à festa, o BE entrou em força na festa e o PC só gosta de festejar sozinho. De Cavaco não vale a pena falar.
Num país sem independentes a sério e onde poucos são aqueles que não têm telhados de vidro, com elites de merda, gente malcriada*, mergulhado num novo-riquismo ignorante que permite a uma empresa parceira do Estado afirmar que vende painéis solares que funcionam maravilhosamente com céu nublado, chuva e durante a noite e ninguém no governo se pergunta com que raio de energia funcionam afinal, estupidamente hipnotizado pelas “novas tecnologias” à prova de choque, seduzido por uma modernidade bolorenta que obrigou Portugal a mudar-se para a West Coast e o Algarve a dois LL, tudo antes do acordo ortográfico, onde a elementar decência é vista como burrice e a vigarice prova de inteligência, onde a autoridade se confunde com autoritarismo e à costumeira inveja se alia o encolher de ombros… Pois bem, consola-me que no meio disto tudo, assim como assim, haja tantos deprimidos: “Não é de admirar que a depressão seja hoje um mal tão comum. É quase reconfortante. É sinal que no íntimo das pessoas ainda resta o desejo de serem mais humanas.” (Disse-me um Adivinho, Tiziano Terzani, Tinta-da-China)
O problema, claro, está no quase. E nos que nunca deprimem.
*Cabe na cabeça de alguém, um primeiro-ministro, canastrão ou não canastrão quero lá saber, ser convidado de uma das poucas fábricas que funcionam em Portugal e pôr-se a fazer publicidade à concorrência directa? (ouvir aqui)

26/02/10

25/02/10

A Hitler o que é de Hitler, a Goebbels o que é de Goebbels, a Sócrates o que é de Sócrates e quanto à propaganda nada de novo no reino da Dinamarca

Aqui umas postas abaixo referi-me à atitude do Primeiro-Ministro sempre que confrontado com os vários escândalos que vêm rodeando a sua vida política. Exemplificando, remeti para artigo do jornal Expresso cujo título era “Sócrates diz-se alvo de mais um ataque pessoal”.
A recorrente estratégia de vitimização de José Sócrates conduziu-me a uma das regras básicas de propaganda: repetir muitas vezes a mesma coisa e, já agora, de preferência uma coisa simples. A prova da eficácia desta regra é que ainda hoje me lembro do OMO lava mais branco.
Vai daí citei Goebbels, um incontestável mestre na matéria.
Um parênteses: o autor da frase transcrita (em inglês) não é, contudo, Goebbels mas sim o próprio Hitler.
E dado que um comentador do referido post, A. Teixeira, me fez notar, com razão, que naquela altura os políticos ainda não falavam todos em inglês (técnico ou não técnico) aqui deixo a citação no original, retirada do “Mein Kampf” (Primeira Parte, Capítulo VI):
Aber alle Genialität der Aufmachung der Propaganda wird zu keinem Erfolge führen, wenn nicht ein fundamentaler Grundsatz immer gleich scharf berücksichtigt wird. Sie hat sich auf wenig zu beschränken und dieses ewig zu wiederholen. Die Beharrlichkeit ist hier wie bei so vielem auf der Welt die erste und wichtigste Voraussetzung zum Erfolg.
Confusão esclarecida, adiante.
Tomás Vasques resolveu linkar simpaticamente o meu post. Agradeço-lhe desde já o aumento significativo de visitas a este modesto tasco, mas houve uma confusão.
Diz Tomás:
A Ana Cristina Leonardo compara José Sócrates a Goebbels, a propósito de uma recente declaração do primeiro-ministro. É uma comparação de efeito fácil. Tão fácil que me permite repetir: nada de novo no reino da propaganda. Portanto.
Ora eu não comparei Sócrates a Goebbels (dado o meu engano teria mesmo comparado Sócrates a Hitler).
O que eu comparei foram estratégias propagandísticas. Naturalmente, não é a mesma coisa.
E não os comparei, por duas razões.
Primeiro e acima mesmo de tudo por evidente respeito pelas vítimas do nazismo.
Segundo, porque como uma vez escreveu António Barreto também eu não sei se Sócrates é fascista. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí.
Dito isto, um comentário final e dirigido pessoalmente ao Tomás.
Ali no canto direito do blogue tenho uma frase que não é minha mas que se quiser citar, essa sim, resume mesmo ― mas mesmo mesmo ― o que eu penso de Sócrates (e de muitos outros). É do humorista judeu norte-americano Lewis Black e não me canso de repeti-la. Diz assim:
In my lifetime, we've gone from Eisenhower to George W. Bush. We've gone from John F. Kennedy to Al Gore. If this is evolution, I believe that in twelve years, we'll be voting for plants.

23/02/10

Por contraste com gente estúpida, cite-se um ser inteligente

Sir Stanford Raffles, em 1819, teve toda a razão em escolher Singapura como base da Companhia das Índias. Quem quisesse navegar para Sudeste evitando as monções tinha de passar por ali. A situação geogáfica de Singapura era a sua riqueza. Ainda hoje assim é, por isso Singapura é uma das grandes encruzilhadas marítimas do mundo. Um encruzilhada muito vulnerável, porém.
Bastaria abrir um canal no ponto mais estreito da península malaia, o istmo de Kra, para permitir poupar centenas de milhas marítimas a todos os navios que se dirigem da Europa para a Tailândia, Indochina, Filipinas, China, Japão e vice-versa. Com esse canal, de que se ouve falar de vez em quando, Singapura seria posta de parte e depressa se tornaria uma cidade morta, como as que cresceram e finaram no âmbito da corrida ao ouro, na América.
Lee Kuan Yew e os seus homens sabem disso e estão já a reciclar Singapura, a prepará-la para o seu novo papel, o de capital informática da Ásia, na realidade a primeira «cidade inteligente» integrada do mundo.
Singapura já hoje é a cidade com mais rôbots per capita do mundo, um dos locais mais informatizados da região e com o mais elevado conhecimento informático da população. Por toda a parte há computadores e em todo o lado se fazem cursos para aprender a usá-los. Desta forma, nesta ilha onde o materialismo grassa e onde o dinheiro já é o único critério de sucesso e moralidade, surge mais um factor de mesquinhez: a lógica binária dessas máquinas que estão a mudar não só o modo como as pessoas trabalham, mas também como pensam.
«Isto é o futuro», ouvia repetir em Singapura e deprimia-me terrivelmente a ideia de que pudesse ser não só o futuro de Singapura mas também o de milhões de outros asiáticos. E se calhar também o nosso.
Antigamente nas escolas - nas de Singapura também - ensinava-se a pensar. Agora ensina-se sobretudo a programar. Mas o que é que acontece a uma sociedade que cresce assim, sem o distinguo, apenas com a lógica do «sim» e do «não» dos computadores? O que é que acontece na cabeça das crianças que crescem com a impressão de que há solução para todos os problemas e que tudo é, quanto muito, uma questão de software?
Singapura metia-me medo porque em grande parte já funciona assim. O Estado é o computador e a sociedade é regulada, tal como a temperatura, por uma espécie de termóstato electrónico. Observa-se que os filhos dos intelectuais têm um quociente de inteligência mais elevado do que os outros? Então encorajam-se a procriar sobretudo os docentes universitários. Observa-se que os jovens não se casam em número suficiente? O Estado cria uma unidade especial de expansão social que organiza cruzeiros e bailes para facilitar as uniões.
Um dia descobre-se que esta cidade rica e moderna é enfadonha, sem cultura e sem arte? Vai-se buscar um general ao exército e faz-se dele ministro. Ele se encarregará de dar ordens para que a cultura e as artes floresçam.
(...)
in Disse-me um Adivinho, Tiziano Terzani, Tinta-da-China, 2009
Fotografia de Tiziano Terzani retirada daqui.

22/02/10

Políticos de todo o mundo, uni-vos!

Há qualquer coisa de bizarro nas últimas levas de políticos que nos devia inquietar. E não falo exclusivamente de Portugal onde um primeiro-ministro resiste há anos a várias campanhas negras e ainda hoje um administrador da PT confessou sentir-se perseguido por fantasmas.
Dando uma volta, só na vizinhança.
Em Itália, Berlusconi é o que se sabe. Em França, Sarkozy excede-se em amor filial. Em Espanha, Zapatero, o menino de ouro do PSOE, perdão, o maquiavélico de Léon, clama por uma moção de censura da oposição, plasmando a atitude do PS português e dando a estas palavras de Ricardo Araújo Pereira na última Visão uma dimensão ibérica:
"(...) o que se passa é isto: neste momento, Portugal [leia-se Espanha] tem um Governo que não se demite mas acha que a oposição devia demiti-lo, e uma oposição que não o demite mas acha que ele devia demitir-se."
E quando na Europa mais de 80% dos cidadãos consideravam, em 2009, os políticos corruptos, as recentes e patéticas palavras de Gordon Brown só servirão para compor o ramalhete.
Acusado de passar das marcas e intimidar fisicamente os seus colaboradores, o primeiro-ministro britânico jurou a pés juntos: "I have never, never hit anybody in my life."
Que raio de gente é esta? Pergunto. Terá nascido das ervas? Ou será o resultado de alguma macumba marada?

20/02/10

A literatura portuguesa na alcova

Há dias o Ipsilon editava um trabalho sobre o erotismo na literatura nacional. O erotismo, o sexo, sei lá. Parece que a coisa está mal, por estas bandas. O erotismo, ou mesmo a literatura. O Autor do artigo confessava algumas limitações. Desde o MEC que se pode escrever fodido. Não se pode foder, mas pode-se escrever fodido. Ora o Autor confessa que, quinze anos depois, não se permite utilizar palavras começadas por c. Vão ser precisos mais MECs, mais quinze anos, até os escritores portugueses chegarem ao c.
Este Autor entrevistou Escritores e a todos perguntou se tinham jeito. Os entrevistados, incontornáveis, declararam que as cenas de camas são más - quando escritas por outros -, que os escritores portugueses - os outros -, não são mestres no género. O cronista em quem João Bénard da Costa encarnou também foi ouvido. Afinou pelo mesmo diapasão. Os escritores portugueses são muito bons a dizer que a literatura erótica portuguesa é fraca.
Post roubado com a devida vénia daqui e ilustrado por José Vilhena.

18/02/10

Conversas em família: vira o disco e toca o mesmo

Sócrates diz-se [hoje] alvo de mais um ataque pessoal; há uns anos Goebbels disse: "The most brilliant propagandist technique will yield no success unless one fundamental principle is borne in mind constantly ― it must confine itself to a few points and repeat them over and over”.
Nada de novo no reino da propaganda. Portanto.

Vómito: depois do socialismo na gaveta, o socialismo na latrina

[se clicar na imagem lê melhor]

Jobs for the boys: lições para o futuro

A notícia é boa. O rapaz demitiu-se. Claro que uma andorinha não faz a Primavera e ainda por cima é Inverno, isto para não citar Vítor Direito que um dia escreveu no República antes do 25 de Abril: "Manhã de nevoeiro transforma a cidade (…) Não se vê um palmo à frente do nariz (…) Andam por aí certos senhores, feitos meteorologistas de trazer por casa, a prever 'boas abertas'. Mas o nevoeiro persiste."
Persiste. No entretanto, deixo-vos com a melhor conclusão lida acerca do caso.
Acabou a aventura de Rui Pedro Soares na Administração da PT. Agora, por favor, não vão recrutar mais administradores ao telemarketing. Aqui.

A book a day keeps the doctor away

Novela belíssima onde se entrevê o que virá a ser esse romance portentoso chamado “Guerra e Paz”, Tolstói levou cerca de uma década para escrever/reescrever esta aventura passada no Cáucaso, recorrendo para isso à sua própria experiência na região, enquanto jovem militar do exército russo.
“Cossacos”, que só seria publicado em 1863, servindo então para pagar uma dívida de jogo do conde russo, é o último livro do seu primeiro período, imediatamente anterior às duas obras-primas que são “Guerra e Paz” e “Anna Karénina”.
Narra as aventuras de Olénin, um jovem sub-oficial que um dia decide trocar a vida citadina de Moscovo por um porvir cheio de promessas homéricas em terras distantes e primitivas: “Todos os sonhos sobre o futuro se juntavam com imagens do Amalat-Bek, das circassianas, dos montes, despenhadeiros, rios de rapidíssima e terrível corrente e dos perigos.”
A novela põe em jogo os dilemas morais recorrentes na obra de Tolstói, traduzidos aqui no antagonismo entre uma vida assente na “lei natural” – a que Olénin vai encontrar no Cáucaso – e o artificialismo das regras sociais que ele conhecia da cidade civilizada. Pelo meio há uma história de amor, personagens fortíssimas, como a do velho Erochka, para o qual não existe pecado, e, sobretudo, há essa capacidade extraordinária de Tolstói para nos dar a ver, de um modo rigoroso e ainda assim compassivo, o fluir complexo da existência humana.
Lev Tolstói, Cossacos – Novela do Cáucasso, Relógio D'Água, 2010

17/02/10

Quando por razões ideológicas se é incapaz de rir de uma piada não há orientação sexual que nos salve

A piada está aqui. A indignação na caixa de comentários deste post.
Como em tudo, porém, o melhor é citar os clássicos. E é por isso que cito Lillian Hellman que, quando lhe perguntaram porque nunca tinha apoiado abertamente a causa gay, respondeu: "The forms of fucking do not require my endorsement".

16/02/10

Não levem a mal a pergunta, mas será que os escolhem todos a dedo?

Na imagem, Rui Paulo Figueiredo, o assessor de José Sócrates que é notícia aqui.
Ler, por favor, este post à luz deste.

De como a minha aversão juvenil aos abaixos-assinados me livrou de cair nas malhas do PC e agora é isto

Em tempos que já lá vão, ainda havia primeira e segunda classes na linha de Cascais, fui parar a um encontro clandestino nas traseiras da estação de comboios de S. João do Estoril. Apesar da clandestinidade da coisa, a reunião decorreu sem sobressaltos em campo aberto, ou seja, num pequeno jardim que creio ter sido entretanto transformado em parque de estacionamento. Devíamos ser umas dezenas. Duas no máximo, claro. Todos estudantes do secundário. Os do liceu local (na altura, chamado liceu de Cascais) e os de fora, um pouco mais velhos. Os primeiros teriam 13, 15 anos, os outros 16, 17. Os de fora dirigiam a reunião.
Enfrentavam-se duas linhas. Uma mais radical, que propunha greves e manifestações; outra, menos radical, que propunha abaixo-assinados. Talvez se tenha chegado a votos, não me lembro. Sei que um dos alienígenas era o Miguel Portas, valha a verdade o único UEC civilizado que conheci durante os meus tempos de estudante revoltada. Eu que na altura não gaguejava em público fartei-me de dizer coisas e de fazer perguntas e, como seria de prever dada a tradição familiar, decidi-me pelas greves e manifestações. O Miguel Portas, suponho que vendo em mim um recrutamento em potência, no final pediu para me falar à parte. Respondi-lhe do alto dos meus 12, 13 anos: “Falar, podes à-vontade, mas olha que não me convences!” O futuro deputado europeu não perderia muito tempo comigo: em menos de cinco minutos ter-me-á diagnosticado com propriedade a doença infantil do comunismo.
E ocorreu-me isto a propósito da quantidade de abaixo-assinados que andam a correr pela NET, alguns subscritos por mim. A democracia amolece-nos, é o que é. O Portas acabou em Bruxelas, eu numa Pastelaria.

13/02/10

A coisa está a subir ainda mais de nível: Granadeiro diz-se "encornado"

Cá para mim, as desconfianças de Granadeiro, o encornado confesso, devem ter começado naquele dia em que ouviu o primeiro-ministro garantir na Assembleia que o governo se ia opor a um negócio que já sabia não existir, conforme ele próprio, Granadeiro, informara no dia anterior José Sócrates em casa de Manuel de Pinho.
Na altura declarou:"Não percebo isso. Fiquei um bocado surpreendido". Pois devia ter percebido.

12/02/10

Ainda não está tudo parvo lá para as bandas do PS (II) ou há quem chame os bois pelos nomes

Eu não sei quem é esse tal Rui Pedro Soares, o boy sem cv que aos 32 anos foi alçado a administrador-executivo da PT pelo Estado, a ganhar escandalosamente mais num ano do que o meu marido ganhou em toda a vida, ao longo de 40 anos como servidor do Estado nos mais altos escalões.
Socialista encartado, dizem. Será, nunca dei por ele, que eu saiba nunca sequer me cruzei com ele.
Fraquinho no descernimento é, de certeza. Porque se não quis encalacrar os socialistas, foi exactamente isso que logrou ao accionar uma providência cautelar para impedir a saída do jornal SOL com mais escutas das suas ruminações telefónicas, justamente numa semana em que os socialistas procuraram desmentir quem clamava contra a falta de liberdade da imprensa.
E se investiu para abafar o jornal, a criatura tambem não percebeu que, ao contrário, projectava ainda mais longe a radiação solar.
Com bóis destes, para que servem ao PS os boys?
Ana Gomes, AQUI

Resumo das notícias do Sol. E volto a pedir uma aspirina.

Ainda não está tudo parvo lá para as bandas do PS embora ao Cravinho também o tivessem chutado para canto

As escutas divulgadas no âmbito do processo «Face Oculta» são uma questão de Estado que assim devem ser tratadas, considera João Cravinho. O socialista defende que o Governo deve «provar e convencer os portugueses de que as suspeitas que estão a transformar o país num pântano não têm razão de ser».
«Isto é uma grande questão de Estado e as grandes questões de Estado tratam-se no plano político, frontalmente, com argumentos convictos e com força. Não podem ser chutadas para canto nem podem ser cobertas por floreados formais», disse, esta quarta-feira, no seu espaço de opinião na Renascença.
«É do interesse do Governo, é, fundamentalmente, do interesse do país, da defesa das instituições democráticas, é prova fundamental de sentido de Estado reconhecer que se trata de um problema grave e atacar este problema com a força, a verdade e a convicção que é preciso nestas coisas dando os esclarecimentos que forem necessários e até onde forem necessários», sublinhou.
DAQUI
E, já que estamos com a mão na massa, relembre-se ISTO dos idos de 2007.

Isto não será muito científico mas cada vez mais me convenço que quem vê caras vê corações

Rui Pedro Soares, 36 anos, uma carreira consolidada na PT.
Boneco roubado daqui

11/02/10

Há uma coisa chamada providência cautelar e outra chamada desobediência civil. Entre um tal Rui Pedro Soares e o Thoreau alguém tem dúvidas?

Um tal Rui Pedro Soares conseguiu em tribunal uma providência cautelar que visa impedir o semanário Sol de publicar esta sexta-feira mais escutas relacionadas com o negócio PT/TVI.
Felizmente, ao que parece, as edições do jornal destinadas a Angola, Moçambique e Cabo Verde já haviam seguido caminho. Não sei se ficaram, ou se ficarão, retidas no aeroporto. Em qualquer caso, assino por baixo o que diz Joaquim Vieira:
"Há suspeitas graves que envolvem pessoas do aparelho de Estado. Não havendo ninguém interessado em desvendar o assunto, cabe aos jornalistas fazê-lo no âmbito do direito à informação, princípio consagrado na Constituição”, continua.
“Que processem os jornalistas. Em última instância, o assunto vai até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e, aí, certamente que serão absolvidos”.

E assino por baixo também daquilo que escreveu Henry David Thoreau, nos idos de 1849, ainda nenhum destes chicos-espertos era nascido. Chama-se "Desobediência Civil" e começa assim:
«Aceito com entusiasmo o lema "O melhor governo é o que menos governa"; e gostaria que ele fosse aplicado mais rápida e sistematicamente. Levado às últimas consequências, este lema significa o seguinte, no que também creio: "O melhor governo é o que não governa de modo algum"; e, quando os homens estiverem preparados, será esse o tipo de governo que terão. O governo, no melhor dos casos, nada mais é do que um artifício conveniente; mas a maioria dos governos é por vezes uma inconveniência, e todo o governo algum dia acaba por ser inconveniente.(...)»
Não sei se o Louçã o terá lido em moço.

Alguém tem uma aspirina se faz favor? Obrigada.

Fiquei necessitada depois de ler isto, isto e isto. A ordem de leitura é arbitrária.

Ora aqui está outro que nunca me enganou

Bernard-Henri Lévy é como o outro: aborrece-me. Acho-o pomposo e vaidoso, malgré a indiscutível elegância no trajar. Do corte de cabelo não falo.
Cá para mim, limita-se a escrever e a dizer banalidades que servirão talvez para épater le bourgeois mas pouco mais.
"Vertigem Americana" era uma bosta (quem quiser saber porquê pode ler este post da altura) e, volta não volta, alguém lhe denuncia trapalhadas (no referido post estão algumas).
No seu livro mais recente, "De la guerre en philosophie", depois de arrumar com facilidade Hegel e Marx acrescentou-lhes o Kant.
O tiro, porém, saiu-lhe pela culatra. É que para alicerçar a sua "teoria anti-kantiana" recorreu a Jean-Baptiste Botul (1896-1947), o pretenso autor d' "A Vida Sexual de Emmanuel Kant" que por acaso está vivo, é um brincalhão e chama-se Fréderic Pagès.
Botul, o fake (assim como a vida sexual do filósofo alemão que ninguém pode garantir ter existido), saltou da tumba - ou seja, do anonimato - e desmascarou o "novo filósofo" com idade para ter juízo.
Lévy, comme d'habitude e apesar dos cabelos brancos, armara-se aos cágados.

"Ou bien encore Kant, le prétendu sage de Königsberg, le philosophe sans vie et sans corps par excellence, dont Jean­-Baptiste Botul a montré, au lendemain de la Seconde Guerre mondiale, dans sa série de conférences aux néo-kantiens du Para­guay que leur héros était un faux abstrait, un pur esprit de pure apparence - et cela à deux titres au moins: le concept de monde nouménal où s’entend l’écho d’une jeu­nesse spirite, vécue parmi les ombres et les limbes, dans un royaume d’êtres énig­matiques et accessibles par la seule télépa­thie; l’idée, ensuite, des catégories de l’entendement, la manie du transcendan­tal, l’obsession de catégories rigides fonc­tionnant comme un corset et qui semblent parfois là pour contenir une folie souter­raine, donner forme au flux chaotique des sensations, faire barrage à la confusion mentale dont les biographes savent, aujourd’hui, qu’elle le menaçait plus qu’aucun autre - Kant, ce fou furieux de la pensée, cet enragé du concept, dont toute la Critique de la raison pure pourrait se lire, dans ce cas, comme le récit d’un drame intime, une autobiographie secrète et cryptée… Pourquoi est-ce que je dis tout cela?"
Boa pergunta.

Resumindo: o rei ia nu e desta vez toda a gente viu.
O mais divertido, porém, é que o filósofo botulista tenha escrito: [Kant] "era um abstracto falso, um puro espírito de pura aparência." Acho que em psicologia se chama a isto transferência.

09/02/10

Por atacado, o que ele disse foi isto

"Os partidos foram longe demais, não apenas me atacando a mim mas também a Justiça", concluiu.
Sócrates, naturalmente.

Manifestações


Corre na NET a petição Todos Pela Liberdade que inclui convocatória para manifestação, quinta-feira, às 13 horas, em frente à Assembleia da República.
Há muitos anos que não vou a manifestações. A primeira vez que me vi – involuntariamente – metida numa foi, ainda menina e moça, no Festival de Jazz de Cascais, salvo erro em 1973, quando a polícia de choque investiu forte e feio nos espectadores, um deles a perder terreno na fuga por conta dos insultos que não se coibía de lançar sobre as forças da ordem e as forças da ordem a aproximarem-se cada vez mais e eu aos berros “Corre! Corre!” e tudo acabou comigo no carro de um amigo dos meus pais a chorar de raiva e impotência e o desconhecido no chão a levar um enxerto que lhe devem ter aberto a cabeça.
Não penso ir a esta, apesar de se prever bem mais calma*. Não porque não preze a liberdade. Olá se prezo! Não porque me sinta incomodada por participar numa manifestação ao lado de pessoas com as quais pouco ou quase nada terei em comum (não vale a pena estar sempre a citar aquela frase do não concordo nada com as suas palavras mas defenderei até à morte o seu direito a proferi-las e tal e tal). Não, certamente, por obscuras e requentadas elucubrações ideológicas. Nem sequer por causa da treta pragmática da alternativa ou da falta dela.
A razão é outra. É porque vi, com estes que a terra há-de comer, que a liberdade (de imprensa, que julgo ser aquilo que está fundamentalmente em causa aqui) tem muito menos que ver com Sócrates, himself, do que com uma vaga de fundo que começou a varrer o jornalismo há um par de anos, com a demissão (compulsiva) de poucos e a demissão (acobardada) de muitos – bastante antes de haver faces ocultas que favorecessem o medo.
Explicada a minha discordância, se alguém quiser convocar uma manifestação contra isto – força!

* o que não me impediu de assinar a petição por concordar genericamente com ela

08/02/10

E agora para algo completamente diferente ― protótipo de carta queirosina a ser enviado a qualquer serviço público, privado ou misto quando necessário

Exmo. Senhor Pinto Coelho, digno director da Companhia das Águas de Lisboa e digno membro do Partido Legitimista.
Dois factores igualmente importantes para mim me levam a dirigir a V. Ex.ª estas humildes regras: o primeiro a tomada de Cuenca e as últimas vitórias das forças carlistas sobre as tropas republicanas, em Espanha; o segundo é a falta de água na minha cozinha e no meu quarto de banho.
Abundaram os carlistas e escassearam as águas, eis uma coincidência histórica que deve comover duplamente uma alma sobre a qual pesa, como na de V. Ex.ª, a responsabilidade da canalização e a do direito divino.
Se eu tiver a fortuna de exacerbar até às lágrimas a justa comoção de V. Ex.ª, que eu interponha o meu contador, Exmo. Senhor, que eu o interponha nas relações da sensibilidade de V. Ex.ª com o mundo externo! E que essas lágrimas benditas, de industrial e de político, caiam na minha banheira!
E, pago este tributo aos nossos afectos, falemos um pouco, se V. Ex.ª o permite, dos nossos contratos. Em virtude de um escrito, devidamente firmado por V. Ex.ª e por mim, temos nós – um para com o outro – certo número de direitos e encargos.
Eu obriguei-me para com V. Ex.ª a pagar a despesa de uma encanação, o aluguer de um contador e o preço da água que consumisse. V. Ex.ª, pela sua parte, obrigou-se para comigo a fornecer-me a água do meu consumo. V. Ex.ª forneceria, eu pagava. Faltamos evidentemente à fé deste contrato: eu, se não pagar, V. Ex.ª, se não fornecer.
Se eu não pagar, V. Ex.ª faz isto: corta-me a canalização. Quando V. Ex.ª não fornecer, o que hei-de eu de fazer, Exmo. Senhor?
É evidente que, para que o nosso contrato não seja inteiramente leonino, eu preciso no caso análogo àquele em que V. Ex.ª me cortaria a mim a canalização, de cortar alguma coisa a V. Ex.ª... Oh! E hei-de cortar-lha!...
Eu não peço indemnização pela perda que estou sofrendo, eu não peço contas, eu não peço explicações, eu chego a nem sequer pedir água! Não quero pôr a Companhia em dificuldades, não quero causar-lhe desgostos, nem prejuízos!
Quero apenas esta pequena desafronta, bem simples e bem razoável perante o direito e a justiça distributiva: quero cortar uma coisa a V. Ex.ª!
Rogo-lhe, Exmo. Senhor, a especial fineza de me dizer imediatamente, peremptoriamente, sem evasivas, nem tergiversações, qual é a coisa que, no mais santo uso do meu pleno direito, eu posso cortar a V. Ex.ª.

Tenho a honra de ser,
De V. Ex.ª
Com muita consideração e com umas tesouras,
Eça de Queirós
[esta é para ti, Francisco]

Confesso que fiquei comovida

... ao receber por e-mail estas ilustrações feitas por crianças da Escola do Cerco, a propósito do meu conto Crispim, o Pirata que Tinha Medo da Água incluído na colectânea Princesas, Príncipes, Fadas e Piratas com Problemas (Porto Editora).


06/02/10

A book a day takes the doctor away

Mark Rowlands, peculiar professor de filosofia que desde a infância sempre tivera cães, passou ao papel a sua vivência de doze anos ao lado de Brenin, um lobo bebé que um dia não resistiu a comprar e a levar consigo.
O relato dessa ligação resultou no colorido “O Filósofo e o Lobo”, um ensaio maravilhoso sobre o que se pode aprender sobre os homens vivendo com um canis lupus.
A primeira tese do livro – mais do que uma tese, é um aviso aos leitores que, seduzidos pelas aventuras narradas, as pretendam repetir – é que um lobo não é um cão; e embora Rowlands já imaginasse que assim fosse, imaginava-o apenas de uma maneira vaga. Quando chegou a casa com Brenin e em cerca de quinze minutos lhe foi dado avaliar, pela experiência, o grau (catastrófico) das diferenças, o então jovem filósofo retirou a única conclusão que se impunha: “nunca, mas mesmo nunca, (…) podia deixar Brenin sozinho em casa. (…) Os lobos, aprendi, aborrecem-se muito, muito rapidamente – 30 segundos sozinhos, normalmente é quanto basta”.
Nesta altura estamos ainda no princípio da vida conjunta de ambos… e no princípio do livro. O que se segue é um excepcional, divertido e comovente ensaio filosófico (apesar de as palavras “divertido” e “comovente” raramente nos ocorrerem quando lemos filosofia) sobre coisas tão diversas como a felicidade, a ética (incluindo os direitos dos animais), Deus ou a morte. Além, claro, de ser uma reflexão (com muito, muito de empírico) sobre o que é “ser homem” e o que é “ser lobo” (ou, se preferirem, sobre o “ser” de cada um dos referidos “entes” – a excentricidade de Rowlands permite-lhe, entre muitos outros, citar Heidegger).
À medida que o relato prossegue, vamos ficando a perceber que, segundo o companheiro de Brenin, os primeiros "entes" (ou, mais genericamente, os “símios”) não saem (estética e moralmente, pelo menos) a ganhar aos segundos (os “lupinos”). À cultura requintada da dissimulação e da mentira, à qual séculos de evolução conduziram vitoriosamente os primatas, o autor de “O Filósofo e o Lobo” contrapõe a existência do lobo, assente na fruição do presente, na força destemida, sem truques, mais próxima de Dionísio do que de Apolo.
Não se trata, porém, de humanizar o lobo; muito menos de vender qualquer teoria pronta-a-usar que nos garantisse coisas tão tolas e requentadas como a que devemos “viver o momento” (Rowlands é claríssimo a este respeito: “nunca aconselharia ninguém a fazer algo que é impossível”). Trata-se, antes, de um livro exigente, apesar de leitura acessível, porque nos coloca – nus – face à nossa existência, escolhas, esperanças ou momentânea sorte. Um livro que nos propõe viver com a “impassibilidade de um lobo”. Aposta decerto “demasiado difícil e demasiado austera”, mas, como escreve Rowlands, “no final, só os nossos desafios nos podem redimir”.
O Filósofo e o Lobo, Mark Rowlands,Lua de Papel, 2009

Porque há ― quand même ― mais mundo para além da latrina

Bom fim-de-semana!

05/02/10

Se isto não é suspeito que venha Moisés e faça da Pastelaria uma extensão do Egipto*

Ler aqui e aqui.
* este post não respeita o novo acordo ortográfico e na Pastelaria nunca ninguém nos verá a escrever "EGITO". Aliás, não sei como as luminárias que tiraram o "p" a EGIPTO, suponho que com base no extraordinário argumento que não se pronuncia, resolvem a questão da palavra EGÍPCIO — será que nos vão obrigar a ler "EGÍTIO"?!

Isto é tudo o que me apraz dizer sobre finanças regionais

"Economics is extremely useful as a form of employment for economists", John Kenneth Galbraith

04/02/10

Calhandrice, privacidade e... cambalhotas

No mesmo momento em que o PS (ou, pelo menos, alguns dirigentes do PS – confesso que esta parte me deixa algo confusa) vem propor que as contas de TODOS os portugueses contribuintes fiquem disponíveis ao público – o que é, incontestavelmente, uma tentativa de elevar a CALHANDRICE à condição de arte suprema – outros dirigentes (não sei se coincidentes ou não mas entre os quais consta seguramente o actual ministro da defesa – que apareceu fardado a preceito, forte e feio, a molhar na sopa, coisa que, aliás, já em tempos havia confessado ser um dos seus desportos favoritos)
e peço desculpa por o parágrafo ir tão longo, mas é que esta porra da CALHANDRICE sempre me irritou e não é de hoje…
dizia, pois,
enquanto uns tentam elevar a CALHANDRICE à condição de arte suprema propondo que as declarações de rendimentos de TODOS os portugueses fiquem disponíveis online, outros, que podem ou não ser os mesmos, desataram a invocar o princípio da PRIVACIDADE na tentativa de desvalorizar uma alegada conversa tida num restaurante na qual, entre outros protagonistas, aparece metido ao repasto – e porque será que não ficamos surpreendidos? – o primeiro-ministro em exercício.
E digo “em exercício” porque não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe.
Dado que não almoçavam em casa mas sim em local público, e dado que falaram suficientemente alto para que outros comensais pudessem registar o teor da referida, não se percebe porque raio vêm agora invocar a PRIVACIDADE com o fito de rebaixar afirmações que ainda não vi ninguém desmentir, nem sequer o director de programas da SIC, Nuno Santos, que se limitou a explicitar que “a conversa não se passou da forma como é descrita” não percebendo eu porque é que ninguém lhe pergunta se quanto ao “conteúdo”, e não à forma, é ou não verdade que José Sócrates se referiu ao Crespo como um problema a solucionar.
Sobre este assunto da CALHANDRICE versus PRIVACIDADE, de momento, a única coisa que me ocorre é fazer minhas as palavras (um pouco gongóricas, é verdade…) que um condómino anónimo (e repare-se, já agora, como“condomínio” passa a metáfora na proposta calhandreira de Jorge Strecht Ribeiro e depois "psicótico" é o outro...),
... dizia
resta-me fazer minhas estas palavras afixadas no elevador do prédio de um amigo. Reproduzo.

«Lamento referir-me a um assunto tão íntimo vosso, mas é por este acabar por ser tão íntimo que vos alerto.
Todos gostamos de dar uma boa “cambalhota”, é natural. Todavia é importante ter consciência se o condomínio “assiste” a tal acto tão privado. A verdade é que “assiste”! Não visualmente, é óbvio, mas a barulheira que é feita no árduo desempenho do acto, certamente acordaria qualquer morto que estivesse num cemitério próximo.
Confesso que os gemidos femininos incomodam, incomodam muito, ritmados com sons diversos e misturados com gritos e alusões a Deus!!!!! Isto durante horas… só quando acabam os gemidos se ouvem vozes e, aí sim, uma forte e masculina.
Não será preciso ser engenheiro para se perceber que os ruídos e as vibrações estruturais são os mais difíceis de isolar e os mais incomodativos. Se ainda a isto juntarmos alguns gritos de prazer e algumas alusões a Deus, a situação torna-se de facto insustentável.
Portanto, a sugestão vai de imediato: a utilização de um osso na boca da senhora, morda-o com força mas por favor não berre, passem a dar a “cambalhota” no chão, tendo a preocupação da contenção nos já referidos gritos e alusões.
Dêem as “cambalhotas” que tiverem de dar, mas, por favor, deixem-me dormir. Começo a perder a sanidade mental e espero não saber nunca qual a habitação!
Assinado: um vizinho desesperado.»
Se trocarem "cambalhotas" por "almoço" acho que percebem onde quero chegar.

02/02/10

Ao menos na Pastelaria toda a gente sabe que é muito feio falar alto à mesa

Ao nosso primeiro perseguem-no as calhandrices.
Do exame de inglês técnico ao diploma domingueiro, das casinhas portuguesas (com certeza) ao aterro da Cova da Beira, dos primos do fripór ao armando dos robalos, do magalhães inquebrável ao queima-livros egípcio... é só calhandrices.
Agora, com a divulgação da alegada - e elevada - conversa tida num restaurante, espera-se que, no mínimo, José Sócrates processe Mário Crespo por difamação.
Entretanto, eu, se fosse a este último, processava já José Lello: afinal, se a palavra "autista" foi banida do parlamento por inconveniente, não se admite que lá por ser o deputado Lello Lello com dois éles lhe possa chamar "psicótico". Embora, como se sabe, criativamente falando, mais valha ser psicótico do que neurótico. Ou mesmo autista.
Imagem roubada daqui.