31/01/10

Música para ouvir ao domingo ao pequeno-almoço

30/01/10

29/01/10

A perfect day for bananafish

Morreu J.D.Salinger (1-1-1919/28-1-2009), o escritor que de si próprio disse: "I am a kind of paranoid in reverse. I suspect people of plotting to make me happy."
A propósito: "A Perfect Day for Bananafish", originalmente publicado em 1948 e incluído no seu livro Nine Stories (com tradução em português), é um dos contos mais perfeitos do mundo.

28/01/10

José Agostinho Baptista

A revista "Margem 2" nº 27 dedicou um número ao meu amigo e poeta José Agostinho Baptista. Trinta e sete pessoas escreveram sobre ele o que bem entenderam. Cada uma delas escolhia uma palavra que serviria de tema ao texto. A mim calhou-me a palavra "Luz".

«Pode um homem com o qual partilhámos militantemente a máxima "as minhas noites são mais belas do que os vossos dias" lembrar-nos a palavra Luz? Pode um "bebedor nocturno" conduzir-nos a paisagens claras?
As duas perguntas são descaradamente retóricas e a resposta a ambas é: Sim! Sim! Sim!
Pelo menos uma parte desse sim terá que ver com ilhas. Porque tenho para mim que as ilhas são lugares iluminados. Como os desertos. Não me perguntem porquê. E não é que seja dada ao misticismo. Parece-me tão-só uma evidência que nem todos os lugares se assemelham.
Quanto subíamos, noite cerrada, ao "Topo do Mundo", ali para os lados de Sintra, guiados pelo Miguel Bastos, às vezes na companhia do Hermínio Monteiro, nem todos procurávamos o mesmo. Alguns gostariam de se perder nas trevas (e morriam sonhadoramente), outros insistiam num milagre. Não digo que fosse da Luz. Mas um milagre, caramba!
Tenho para mim que há no José Agostinho (e na poesia de José Agostinho, mas isso deixo aos especialistas…) esse desejo de claridade que a desastrosa vida terá teimado em transvestir num destino da noite. A vida é tramada. Desacerta-nos o passo, condena-nos à precariedade das estações e, no caso dos poetas de certeza, ao desassossego.
"Le gusta este jardín que es suyo? Evite que sus hijos lo destruyán" ― ora aí está uma frase condenada ao fracasso.
Então, procura-se algures. Nas trevas iluminadas de outros "estados de consciência". Não é caminho que se aconselhe a literatos.
Nesse equilíbrio precário entre o lamento (nocturno) e o canto (órfão) a si mesmo ― ou vice-versa ―, José continua, mais de vinte anos passados, o funâmbulo crente e descrente do centro do universo. Exactamente aí, acho, fica o território (habitado e luminoso) dos amigos ― os presentes e os ausentes. Embora esse centro tenha tão poucas probabilidades de existir e, a existir, vazio, nos cegasse no imediato. E eis o que talvez seja trágico, sendo ao mesmo tempo seguramente banal. A vida como ela é.
Não sei se o José concordaria.»

27/01/10

A book a day keeps the doctor away

O título de Stig Dagerman, “A Nossa Necessidade de Consolo é Impossível de Satisfazer”, poderia estar inscrito no túmulo de Jean Améry, ao lado do seu número de prisioneiro de Auschwitz que realmente aí figura.
Até agora, escandalosa e inexplicavelmente ignorado em Portugal, Jean Améry, nascido Hans Mayer na Viena de 1912, de mãe católica e pai judeu, escreveu algumas das mais radicais e complexas reflexões sobre o Holocausto, sendo um autor de importância semelhante a Primo Levi, com quem, aliás, partilhou o cativeiro em Auschwitz-Monowitz, ambos adstritos à IG Forben que aí produzia borracha sintética à custa de trabalho escravo. Mas se a relação particular de Améry ao judaísmo – de família assimilada (o pai morre na I Guerra Mundial e ele será educado no cristianismo pela mãe), é preso e torturado pelas SS pela sua resistência política ao regime hitleriano, acabando por ser enviado para Auschwitz enquanto judeu – não explica, com certeza, o seu olhar despido de sentimentalismo, talvez o facto da judeidade lhe ter sido imposta do exterior – nesse número gravado no braço e depois no túmulo, despojando-o, ao mesmo tempo, de identidade e cultura (alemã, de que mantém a língua mas não o nome) – esteja relacionado com a busca de um lugar de liberdade e libertação que é, neste ensaio, o lugar ocupado pelo acto do suicídio.
“Atentar contra si – Discurso Sobre a Morte Voluntária” antecede em dois anos o desaparecimento de Améry, que acaba por morrer de overdose de comprimidos em 1978, e assume-se, desde logo, como um não-tratado de suicidologia. As estatísticas não lhe interessam, assim como não lhe interessam a psicologia ou a sociologia. Reflexão livre, alicerçada na experiência, também não se poderá classificá-la como uma apologética da morte voluntária. Mais próximo da filosofia, o livro tem a seu favor, apesar da contenção e secura da escrita, um substrato vivencial que o “humaniza”, dando-nos a ler um pensamento assinado que não esconde interrogações nem contraditoriedades. Com posfácio e notas de Pedro Panarra, aguarda-se agora que alguém se decida a publicar ”Para além da Culpa e da Expiação”.

Jean Améry, Atentar Contra Si. Discurso Sobre a Morte Voluntária, Assírio & Alvim, 2009

25/01/10

Ó pandemia, Ó potestade (disse) sublimada

... não tanto sublimada mas mais "inventada".
Quem o disse foi o Presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.
Uma pergunta que entre muitas me ocorre: Terá sido o nosso Primeiro inoculado em vão?

Vantagens virtuais

Hoje, ainda a cafeína não tivera tempo de chegar às veias, já estava eu à procura de uma coisa que não vem ao caso. Ao procurá-la, fui sem querer parar a um blogue que, infelizmente, se declarava morto. Apesar de morto, não resisti a picar de lá este post.
Hoje, ao virar da Duque d'Ávila para a Avenida da República, vi um Rogério Casanova. Mas em giro.
Há coisas que, sem sairmos de casa, nos fazem rir logo pela manhã.
[e por falar em homens giros...]